domingo, 22 de março de 2026

A F1 como produto oculto da Rede Globo

Imagina só, você ter o melhor produto do mundo e decidir escondê-lo do público.

É exatamente isso que a Globo está fazendo com a Fórmula 1.

Depois de alguns anos vendo a Band tratar a Fórmula 1 com o carinho de uma avó que faz aquele bolo de cenoura quentinho pra você, a Globo decidiu andar para o futuro com métodos do passado.

O plano seria brilhante se nós estivéssemos em 1994, e esconder a maioria das corridas atrás de um pedágio chamado Sport TV ou Globoplay.

É uma estratégia de sequestro da sua atenção. Eles pegam algo que a Band democratizou e escondem atrás de um cofre.

Enquanto a Band estava entregando horas e horas de transmissão com treino, com pódio e com pós-corrida, a Globo está esperando que você pague um resgate com parcelas mensais.

Enquanto isso, em algum lugar do YouTube, o pessoal da Cazé TV e da Live Mode deve estar assistindo isso no sofá, tomando um vinho bem tranquilo.

E o motivo você já sabe. Eles já provaram que a moeda da década não é assinatura forçada, mas é um engajamento massivo numa construção de comunidade.

E um modelo aberto e digital cria comunidades fortes, enquanto o modelo da Globo está criando ressentimento.

E ao ignorar o legado da Band e a revolução de acessibilidade da Cazé TV, a Globo parece que está cometendo um erro clássico de posicionamento.

Eles estão tentando resgatar um modelo de assinatura na televisão que está respirando por aparelhos, sacrificando a todo custo a conversa digital que torna marcas relevantes hoje. Porque se ninguém está vendo, não vai rolar conversa. E se ninguém conversa e comenta, os patrocinadores estão pagando apenas pra aparecer numa sala vazia com o ar-condicionado gelado.

E isso nos traz uma lição absurda sobre estratégia de canal.

O empresário precisa entender que ele precisa fluir pra onde a audiência dele já está, e não tentar obrigar a audiência a escalar um muro pra encontrá-lo. E quando você cria fricção e atrito no consumo, você abre brecha.

E no mercado, a brecha é a oportunidade pro próximo inovador que não tem medo de ser grátis pra parecer gigante.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

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