segunda-feira, 30 de março de 2026

Neymar no divã

Dai a César o que é de César…
(CRISTO, Jesus)

Como já disse anteriormente, o Neymar é o maior talento do futebol brasileiro dos últimos 20 anos e também o maior desperdício.

Neymar talvez esteja vendo pela primeira vez em sua carreira de jogador de futebol que a vida não é um mar de flores. É um dos jogadores mais bem remunerados do mundo, possui patrimônio para seus filhos e netos, possui uma tropa de bajuladores para inflar o seu ego, influenciadores digitais e jornalistas para fazer o seu lobby em alta; mas mesmo assim não brilha aos olhos do atual técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti

Ancelotti por sinal deu mostras de uma tentativa de aproximação com Neymar, para vê-lo de perto; e não digo só dentro de campo na qual o Santos tinha se manifestado que ele não jogaria. Mas o Ancelotti testou o comportamento de Neymar ao ter ido a longíqua cidade de Mirassol, queria ver se Neymar estaria no estádio vendo e torcendo pelos seus companheiros e pelo clube na qual joga. Qualquer atleta mediano interessado em disputar a Copa do Mundo estaria no estádio com sangue nos olhos assistindo ao lado do técnico da seleção brasileira. Mesmo que não tivesse condições físicas, Neymar mostraria empatia com o seu clube e com Ancelotti

Ancelotti não puxa o saco de Neymar como foi os seus antecessores. Desde que assumiu a seleção ele vem dando recado em todas as suas convocações de que precisa estar 100% fisicamente. O Neymar precisa desse choque de realidade, talvez seja tarde demais na carreira mas que seja para a sua vida pela frente.

TEXTO DE :
Thiago Muniz

domingo, 29 de março de 2026

Bolsonarismo apoia misoginia

Não chega a causar espanto que parlamentares alinhados ao bolsonarismo se posicionem contra projetos que buscam criminalizar a misoginia.

Ao contrário: trata-se de uma coerência interna — ainda que desconfortável — com a trajetória política e discursiva que orbita em torno de Jair Bolsonaro.

Desde antes de sua chegada ao poder, Bolsonaro construiu capital político ancorado em declarações que frequentemente relativizavam ou desqualificavam pautas ligadas à igualdade de gênero.

Episódios amplamente divulgados, como suas falas direcionadas à deputada Maria do Rosário, não foram desvios pontuais, mas sinais de uma retórica que encontra eco em parte de sua base. Essa linguagem, longe de ser um ruído, acabou se consolidando como identidade política.

Dessa forma, quando projetos que visam tipificar a misoginia como crime avançam no debate público, o que se vê é uma reação previsível desse campo político.

A rejeição não nasce apenas de divergências técnicas ou jurídicas, mas de uma visão de mundo que frequentemente encara tais iniciativas como “exageros”, “censura” ou ameaças à liberdade de expressão — ainda que, na prática, o objetivo dessas propostas seja coibir violências estruturais e simbólicas contra mulheres.

Há também um cálculo político evidente. O bolsonarismo se sustenta, em parte, na mobilização de pautas identitárias invertidas, nas quais a defesa de direitos de minorias é retratada como privilégio ou imposição ideológica.

Nesse contexto, a criminalização da misoginia passa a ser apresentada como mais um elemento de uma suposta agenda “progressista” a ser combatida, reforçando a coesão de sua base eleitoral.

Por fim, é preciso reconhecer que esse posicionamento revela mais do que uma discordância legislativa: expõe os limites de um projeto político que, ao resistir ao reconhecimento de violências de gênero, acaba por normalizá-las — ainda que indiretamente.

Racismo, misoginia, homofobia, fazem parte da identidade bolsonarista.

E é justamente por isso que não surpreende. 

Surpreendente seria o contrário: uma ruptura com esse padrão discursivo que, até aqui, nunca deu sinais consistentes de acontecer.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Com gosto de despedida

Eu havia acabado de me mudar para a Espanha, naquele início de 1988. Estava às margens do rio Minho, do outro lado, talvez uns 30 metros de distância, Portugal.

Chovia horrores, meu primeiro inverno, a pele congelada pela capa vazada no ritmo forte da água que caia...

Do nada surgiram essas palavras:

"Vida no norte é dança da morte, é vida sem sorte, no sabor de corte.

E a ferida não cicatriza. Já não tem cura, nem atura o norte da vida...

Nas fronteiras da terra, os trilhos da morte, passam por perto, esse rumo incerto de viver sem viver.

Sem gosto da sorte, amigos não ter. E a distância aprofunda a paixão que inunda, esse grito contido, me mantém de pé.

Amo você, estrela da noite, mensageira brilhante; meu último adeus será Parati.

A solidão é meu reino, a prostituta rainha, seus cabelos largos... tão bela era França, mas o Império caiu...

Abaixo as guerras, peço paz pras terras, tudo é sempre possível... mas o trem vai partir...

O absoluto é monstro se não te parece... pra Roma eu vou...

O trem já partiu!"

Trinta e oito anos depois a estação continua lá... já os trilhos, definitivos, caminham noutra direção. Quem sabe, Parati.


TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

quinta-feira, 26 de março de 2026

Até que a Morte nos separe

William Shakespeare, descrevia a vida como um palco passageiro. Atribuem a ele a frase "A vida não é eterna e tudo tem um prazo".

Sou daqueles que pensa que tudo se resume a um piscar de olhos, tipo um vaga-lume até o instante da derradeira luz. O medo, sempre presente, por vezes onipotente, prefiro que não faça parte da conjugação.

Para nada melancólico, nem nostálgico, mas assumo ser refém de momentos eternizados pela LOUCA VIDA LOUCA, divididos entre a política estudantil, a Teologia da Libertação, a não separação dos meus pais, o Fluminense, o Sindicato dos Bancários, o Chile Libre, o jornal Barricada, o Diretas Já, a Força Flu. Tudo isso regado à noites sem fim de rock and roll no Circo Voador.

Daqui a pouco, um procedimento médico que, consigo, trará  a binariedade das respostas - o sim ou o não de uma suposta gravidade de como seguir em frente - de certo modo, me aflige na sensação de não ter mais a propriedade do meu futuro.

Em 1991, na noite do dia que cumpri 30 anos, estava em Madrid. Na varanda do apartamento, então ao lado da minha primeira esposa, Beatriz, disse: "Obrigado Senhor por ter chegado vivo aos 30; o que pintar daqui para a frente será gorjeta de Deus".

Generoso esse Deus que me presenteou com mais 34 primaveras. Apesar de que não precisei morrer para me separar. A tal jura do amor eterno é linda até que deixa de ser.

Na mesma cidade da  “vila do  urso e do madronheiro", dois anos depois escrevi:

"Já não somos donos de nossas vidas...
Já não choramos com alegrias...
A revolta o tempo secou...
O eu guerrilheiro em silêncio se foi...

Sem solução a minha razão...
Perdidas vidas, desiludidas...
Pro meio do mundo falta um segundo...
Meu tempo deserto de solidão...

Nessa Espanha, as rosas de maio já não tem cor e não existe muro que não possa cair..."

Mais de doze mil dias depois continuo derrubando meus muros, entretanto a luta por juntar e dar formato às pétalas secas, parece ter sido em vão.

Apostar pode ser problemático, quando descobrimos que os mesmos dados com seus lados de sempre estão adulterados. 

Mas prefiro cravar na aposta, de outra espórtula da mesma força. 

A enfermeira acaba de me chamar. Chegou a hora. Na segunda que vem, tem feedback da ciência. 

Valeu!

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

quarta-feira, 25 de março de 2026

Andreia Sadi se assumiu como mentirosa, indigna de confiança

Algo é profundamente perturbador (e, convenhamos, revelador), quando uma empresa de comunicação decide transformar o seu ativo mais valioso, a credibilidade, em moeda descartável de conveniência editorial.

Foi o que se viu no episódio envolvendo Andreia Sadi, na GloboNews.

A jornalista, reconhecida por sua apuração sólida e trânsito em fontes relevantes de Brasília, foi levada ao constrangimento público de pedir desculpas no ar pela exibição de um material (um powerpoint), cuja veracidade passou a ser questionada (porque era uma mentira descarada).

E aqui mora o ponto central: não se trata apenas de um erro. O jornalismo erra, e deve corrigir. Isso é da natureza do ofício. O problema é outro. O problema é quando o erro parece ter CPF institucional, mas o pedido de desculpas ganha rosto individual.

Transforma-se a jornalista em para-raios de uma decisão que, tudo indica, não foi solitária.

Se ocorreu falha na checagem (e isso foi proposital), ela não pode ser tratada como se tivesse brotado espontaneamente na tela de Andreia Sadi. Um powerpoint não entra no ar por geração espontânea. Há editores, produtores, critérios... ou ao menos deveria haver.

Quando o conteúdo envolve figuras como Luiz Inácio Lula da Silva, simplesmente o presidente da República, e supostas relações políticas sensíveis, o dever de cautela deveria ser redobrado, não flexibilizado. E, se o material era falho ou impreciso, a responsabilidade é estrutural, não individual.

Mas o que fez a emissora? Optou pelo ritual clássico: expõe-se o rosto, preserva-se a engrenagem.

É um expediente antigo. O erro sobe ao palco com nome e sobrenome; a decisão editorial permanece nos bastidores, imune, silenciosa, quase etérea. Como se fosse possível dissociar o produto final do processo que o gerou.

Mais grave ainda é o efeito colateral disso tudo: a corrosão da confiança. Não apenas na jornalista, que injustamente se vê colocada em xeque, mas no próprio veículo. Porque, ao agir assim, a mensagem implícita é cristalina: quando a coisa aperta, a casa protege a estrutura — não quem assina.

E aí entra uma ironia incômoda: ao tentar conter um dano, amplia-se outro. Ao exigir um pedido de desculpas isolado, a GloboNews não necessariamente protegeu sua credibilidade — pode ter feito justamente o contrário. Afinal, quem assiste percebe. Sempre percebe.

Mas uma certeza é evidente, Andreia Sadi, não é digna de confiança. Ela mesma se sujeitou a isso.

No fim, fica a pergunta que realmente importa, e que não foi respondida no ar: quem decidiu que aquele conteúdo era confiável o suficiente para ser exibido?

Enquanto essa resposta não vier com a mesma transparência que se cobrou da jornalista, qualquer pedido de desculpas soará incompleto.

E, no jornalismo, meia verdade — ou meia responsabilidade — costuma ser apenas outra forma de erro.

Meu recado final para a GloboNews e para a Andreia Sadi, só pode ser um:
vão se lascar, seus mentirosos.

Tristirinhas do Thiago Muniz

1) Trump e Netanyahu acharam que ganhariam fácil a guerra contra o Irã, ainda mais tendo tomado o petróleo venezuelano de assalto. Só que calcularam errado demais, o Irã já estava se preparando para esse embate desde que o Trump participava das orgias da ilha do Epstein. E agora está em posição de desvantagem já que não possui o controle do Estreito de Ormuz.

2) Que canalhice da Globonews. Fazer um Powerpoint Lavajatista do caso banco Master aos mesmos moldes de Deltan Dallagnol, tendo a audácia de colocar o Lula envolvido. Globo, Folha e Estadão abraçados na cova da extrema direita Faria Lima Agropop escravista.

3) Neymar 2026 e Romário 2002: são situações parecidas com contextos completamente diferentes. O Romário tecnicamente estava no fino da bola fazendo muitos gols, tinha capacidade para contribuir em campo mesmo aos 36 anos mas o que impactou para a sua não convocação foi o fator extracampo, principalmente com o Felipão, fora que ele tomou uma pernada do presidente da CBF na época, Ricardo Teixeira. O Neymar não está conseguindo entregar a parte física e muito menos a parte técnica, nunca foi convocado pelo atual técnico Carlo Ancelotti, e ao que parece ambos não possuem um relacionamento fora de campo, e a última janela de amistosos antes da convocação final não esteve entre os relacionados, acho que é o fim do Neymar na seleção brasileira.

4) E vagabundo tá lá: será que o Carlo Ancelotti vai convocar o Neymar? E o Neymar não consegue andar em linha reta. E o Neymar caminha que nem o “Tô doido!” do Zorra Total.

5) Os três primeiros jogos do Brasil na Copa de 2026: Holanda de 74, Real Madrid no Santiago Bernabeu e Fundo de Quintal com Arlindo Cruz e Sombrinha.

6) Banco Master: o banco do CENTRÃO e da EXTREMA DIREITA.

domingo, 22 de março de 2026

A F1 como produto oculto da Rede Globo

Imagina só, você ter o melhor produto do mundo e decidir escondê-lo do público.

É exatamente isso que a Globo está fazendo com a Fórmula 1.

Depois de alguns anos vendo a Band tratar a Fórmula 1 com o carinho de uma avó que faz aquele bolo de cenoura quentinho pra você, a Globo decidiu andar para o futuro com métodos do passado.

O plano seria brilhante se nós estivéssemos em 1994, e esconder a maioria das corridas atrás de um pedágio chamado Sport TV ou Globoplay.

É uma estratégia de sequestro da sua atenção. Eles pegam algo que a Band democratizou e escondem atrás de um cofre.

Enquanto a Band estava entregando horas e horas de transmissão com treino, com pódio e com pós-corrida, a Globo está esperando que você pague um resgate com parcelas mensais.

Enquanto isso, em algum lugar do YouTube, o pessoal da Cazé TV e da Live Mode deve estar assistindo isso no sofá, tomando um vinho bem tranquilo.

E o motivo você já sabe. Eles já provaram que a moeda da década não é assinatura forçada, mas é um engajamento massivo numa construção de comunidade.

E um modelo aberto e digital cria comunidades fortes, enquanto o modelo da Globo está criando ressentimento.

E ao ignorar o legado da Band e a revolução de acessibilidade da Cazé TV, a Globo parece que está cometendo um erro clássico de posicionamento.

Eles estão tentando resgatar um modelo de assinatura na televisão que está respirando por aparelhos, sacrificando a todo custo a conversa digital que torna marcas relevantes hoje. Porque se ninguém está vendo, não vai rolar conversa. E se ninguém conversa e comenta, os patrocinadores estão pagando apenas pra aparecer numa sala vazia com o ar-condicionado gelado.

E isso nos traz uma lição absurda sobre estratégia de canal.

O empresário precisa entender que ele precisa fluir pra onde a audiência dele já está, e não tentar obrigar a audiência a escalar um muro pra encontrá-lo. E quando você cria fricção e atrito no consumo, você abre brecha.

E no mercado, a brecha é a oportunidade pro próximo inovador que não tem medo de ser grátis pra parecer gigante.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quarta-feira, 18 de março de 2026

Entre a Barbárie e a Normalização, a violência contra a mulher persiste

O feminicídio no Brasil não é um fenômeno isolado, tampouco um desvio ocasional da norma: ele é, antes, um sintoma persistente de uma estrutura social que naturaliza a violência de gênero, a misoginia e a desumanização de corpos femininos — especialmente quando atravessados por outras vulnerabilidades, como raça, classe e identidade de gênero.

Os números já seriam, por si só, suficientes para provocar comoção nacional. Mas o problema se agrava quando observamos não apenas os crimes, e sim o ambiente simbólico que os cerca, um terreno fértil onde discursos de ódio, relativizações e até celebrações da violência encontram eco.

Nos últimos anos, assistimos a episódios que, se analisados em conjunto, revelam algo mais profundo do que simples coincidência.

A violência política direcionada à deputada Erika Hilton, frequentemente alvo de ataques transfóbicos e misóginos por grupos identificados com o bolsonarismo, expõe como a linguagem pode funcionar como antecâmara da agressão física.

Quando uma figura pública é sistematicamente deslegitimada em sua humanidade, abre-se espaço para que a violência contra ela — ou contra quem ela representa — seja vista como aceitável, ou ao menos tolerável.

Esse mesmo mecanismo de normalização aparece de forma ainda mais perturbadora quando agentes do Estado, cuja função deveria ser a proteção da vida, demonstram solidariedade a colegas acusados de crimes brutais.

O caso recente de um policial suspeito de assassinar a própria esposa — também policial — e que recebeu manifestações de apoio de outros membros da corporação, revela uma cultura institucional que, em vez de repudiar a violência, por vezes a encobre ou a minimiza. Trata-se de um sinal alarmante de como o corporativismo pode se sobrepor à justiça, especialmente quando a vítima é uma mulher.

A memória coletiva também parece falhar — ou ser seletiva — quando figuras condenadas por crimes hediondos conseguem retomar suas vidas públicas com relativa facilidade.

O retorno do goleiro Bruno ao futebol, após cumprir pena pelo assassinato de Eliza Samudio, é um exemplo emblemático.

Não se trata aqui de discutir o sistema penal ou a possibilidade de reintegração social, mas de questionar o tipo de mensagem que se transmite quando um crime de tamanha gravidade é, na prática, absorvido pelo espetáculo esportivo sem maiores constrangimentos.

E há ainda o papel da mídia e de seus protagonistas.

Quando um apresentador de televisão como Ratinho recorre reiteradamente a falas agressivas contra minorias, ele não apenas expressa uma opinião individual, mas contribui para a construção de um ambiente discursivo onde a intolerância é legitimada.

A televisão, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil, não é apenas entretenimento — é também formação de imaginário.

O ponto comum entre todos esses episódios é a banalização da violência.

Não apenas a violência física, mas a simbólica, a verbal, a institucional. É a ideia de que certas vidas valem menos, de que certos corpos são descartáveis, de que certas dores não merecem luto coletivo.

Combater o feminicídio, portanto, exige mais do que políticas públicas — embora estas sejam absolutamente essenciais.

Exige uma transformação cultural profunda, que passe pela educação, pela responsabilização de agentes públicos, pela revisão de discursos midiáticos e pela recusa ativa à normalização do ódio.

Enquanto a sociedade brasileira não encarar esse problema em sua totalidade — como um sistema, e não como casos isolados — continuaremos a contar vítimas, a escrever colunas indignadas e, tragicamente, a nos acostumar com o inaceitável.

domingo, 15 de março de 2026

Debate sobre educação não sai do lugar


A guerra ideológica que não alfabetiza ninguém, persiste no Brasil desde a chegada das primeiras caravelas ao nosso litoral.

O debate sobre educação no Brasil anda prisioneiro de uma péssima caricatura.

O Bolsonarismo (essa praga que engoliu nossa Direita Democrática), insiste na tese de que as escolas foram tomadas por militantes marxistas empenhados em transformar adolescentes em revolucionários de recreio.

Do outro lado, setores da Esquerda respondem com discursos sobre a centralidade da educação para o desenvolvimento nacional. Enquanto isso, o sistema educacional segue funcionando quase como sempre funcionou.

E a Direita?

Essa ainda discute se conseguirá ou não sobreviver sem precisar se esconder debaixo do Bolsonarismo e seus bilhões de votos, já que a Direita mesmo possui pouquíssimos.

No meio dessa disputa retórica estão os alunos. E os números.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o Brasil ainda tem cerca de 9 milhões de analfabetos entre pessoas com mais de 15 anos. Trata-se de um contingente equivalente à população inteira de vários países europeus.

A distribuição desse problema também revela muito sobre o país.

Entre brasileiros com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo ultrapassa 14%. E mais da metade dos analfabetos vive no Nordeste — um retrato bastante fiel das desigualdades regionais que atravessam a história brasileira.

O povo nordestino não é analfabeto, mas é empurrado para condições de analfabesitmo, por causa das desigualdades, característica nacional.

Essa condição não existe por causa de "professores comunistas" ou por causa de um "projeto conspiratório de dominação do Lula". Essa alta taxa de analfabetismo está ligada também a evasão escolar incentivada pelas desigualdades sócio-econômicas, além de muitos outros fatores.

Os dados da alfabetização infantil também não são exatamente animadores. Avaliações recentes mostram que apenas cerca de 59% das crianças do segundo ano do ensino fundamental estão plenamente alfabetizadas.

Em termos práticos, quase metade chega ao terceiro ano sem dominar leitura e escrita de maneira satisfatória.

Agora observe o paradoxo.

Um país em que milhões de pessoas ainda enfrentam dificuldades básicas de alfabetização mantém o debate público concentrado em guerras culturais, muitas vezes importadas das redes sociais e adaptadas ao contexto brasileiro com uma boa dose de exagero.

De um lado, grita-se “doutrinação”.
Do outro, responde-se com denúncias genéricas de “neoliberalismo”.

O problema real continua praticamente intocado.

Outro ponto raramente discutido com a serenidade necessária é o crescimento da influência de fundações privadas e organizações ligadas ao mercado financeiro na formulação de políticas educacionais.

Essas instituições participam da construção de currículos, avaliações e programas de gestão. O tema merece debate sério, não slogans.

A pergunta é simples: qual deve ser o limite da influência de atores privados na definição dos rumos da educação pública?

Também aqui as posições políticas costumam ser mais retóricas do que práticas.

Governos de Direita frequentemente falam em disciplina, eficiência e combate à ideologia, mas raramente apresentam um modelo pedagógico capaz de substituir o sistema existente.

Esse discurso se limitou a alimentar o bolsonarismo, mas na prática não trouxe nenbuma solução para a educação.

Um exemplo dessa desgraça toda, são as escolas "cívico-militares", com "professores policiais" escrevendo descançar e continêcia, no quadro, enquanto ensinam flexões de braço como currículo educacional.

Governos de Esquerda ampliaram o acesso à educação, criaram universidades e programas de inclusão (avanços reais, sem dúvida), mas tampouco promoveram uma transformação estrutural do modelo educacional brasileiro.

O resultado é um curioso consenso silencioso: todos afirmam que educação é prioridade nacional, desde que isso não implique mudanças profundas nas engrenagens do sistema.

Assim o país segue convivendo com três fenômenos simultâneos:
- um debate ideológico cada vez mais barulhento,
- um modelo educacional envelhecido,
- milhões de brasileiros tentando aprender o básico em condições desiguais.

Talvez o gesto mais revolucionário no Brasil contemporâneo fosse justamente o mais simples: discutir educação com menos slogans e mais realidade.

Talvez o debate público sobre educação devesse dar mais ouvidos aos envolvidos no processo, como professores, educadores, pais e alunos, do que políticos semi-analfabetos profissionais em retórica barata.

TEXTO DE:

Tarciso Tertuliano

quarta-feira, 11 de março de 2026

No a La Guerra! - por Antonio Gonzalez

Com a saúde bagunçada, desequilibrada e dependente de medicações que nem sempre estão à mão, volta e meia me vejo obrigado a cruzar as portas de um pronto-socorro. Nessas idas e vindas, percebo que a morte — a minha — bate cada vez mais forte à porta.

Por enquanto sigo de pé graças ao boxe. Tenho a sorte de treinar com Cristian Nogueira, criador do monstro chamado Carlos Prates. Como dizia Celso Blues Boy, “o ritmo do som era pesado”. E é nesse ritmo que continuo travando minhas próprias guerras: contra a diabetes, o fígado, a próstata — e contra a resignação.

Antes de qualquer coisa, repito algo que já escrevi aqui: não gosto de ditaduras, nem de ditadores, nem de terroristas.

Talvez seja justamente nesses momentos de fragilidade física que a mente se volta para o mundo e pergunta: o que estamos fazendo com ele?

O discurso da geopolítica me leva de volta aos tempos do Colégio Santo Inácio, nos anos 1970, quando preparava trabalhos escolares folheando a Revista Manchete. Ali estavam os retratos de um mundo em conflito.

A Guerra do Vietnã, um dos grandes traumas da Guerra Fria, opunha o Vietnã do Norte (apoiado por URSS e China ao Vietnã do Sul, sustentado militarmente pelos USA. Milhões de mortos depois, o conflito deixou cicatrizes profundas não apenas na Ásia, mas na própria sociedade americana.

Ao mesmo tempo, o Oriente Médio explodia com a prefeita , colocando Israel em confronto direto com países árabes vizinhos sob o comando da primeira-ministra Golda Meir.

Na mesma década, a tragédia cambojana alcançava níveis inimagináveis. Em 1975 o Khmer Vermelho tomou Phnom Penh e instaurou um regime que produziria um dos genocídios mais brutais do século XX.

E havia ainda outras guerras menos lembradas pelo grande público, mas igualmente devastadoras: a independência sangrenta de Angola e Moçambique, a guerra civil etíope, o colapso do Líbano.

Todas elas, de alguma forma, nasceram da mesma matriz histórica: o fim dos impérios coloniais, as tensões da Guerra Fria e as disputas étnicas e territoriais que redesenharam o mapa político do planeta.

Décadas depois, parecia que o mundo caminhava (lentamente) para algum grau de equilíbrio. Mas eis que ressurgem os fantasmas mais sombrios do século XX: extremismo autoritário, xenofobia, racismo, misoginia, homofobia. E, em paralelo, o fundamentalismo religioso.

Trump, Netanyahu, os aiatolás iranianos, Putin, Nayib Bukele, Teodoro Obiang, Paul Biya. Diferentes contextos, diferentes narrativas, mas a mesma lógica brutal: em nome da paz, guerra; em nome da segurança, limpeza étnica.

Enquanto isso, a indústria armamentista prospera como nunca. Bilhões de dólares queimados diariamente em mísseis, drones e tanques — recursos que poderiam alimentar populações inteiras ou erguer hospitais e escolas.

No fim das contas, quem paga a conta são sempre os mesmos: crianças, idosos, civis anônimos. Gente que morre antes do tempo e sem qualquer piedade.

Minha saúde talvez não me permita muito além de escrever estas linhas. Mas ainda tenho o direito de perguntar: onde está a voz moral do mundo?

Onde está a Igreja? Onde está o Papa? Por que tanto silêncio? Se Jesus Cristo voltasse hoje à terra, certamente receberia um míssil na cabeça — made in USA — no Horto das Oliveiras.

No meio desse cenário sombrio surge ao menos uma liderança que não hesita em enfrentar o delírio político de D.Trump: o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.

Olé tus huevos!

Em poucos dias tornou-se referência para quem ainda acredita que a política pode ser exercida com dignidade.

E Trump? O mesmo sujeito que espalhou comentários racistas contra Barack Obama e Michelle Obama, insinuando que pareciam macacos, me dá nojo,

Diante disso, sobra apenas indignação.

No mais:
Viva España! Viva Pedro Sánchez!

E sem medo algum de repetir:
NO A LA GUERRA!

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

domingo, 8 de março de 2026

Até quando será normalizado o Feminicídio?

Ó abelha rainha
Faz de mim um instrumento
De teu prazer, sim, e de tua glória…
(Caetano Veloso / Wally Salomão)

Até quando continuaremos a normalizar o feminicídio?

Em pleno século XXI, a cada 6 minutos se mata uma mulher no Brasil.

É isso mesmo! A cada 6 minutos uma mulher morre.

Ela não é agredida ou “somente” assediada, o que já seria uma catástrofe, a cada 6 minutos 1 mulher morre, a cada hora são 10 mulheres, por dia são 240 mulheres.

O feminicídio no Brasil se tornou um genocídio, uma epidemia social. O Brasil não trata as mulheres como cidadãs, as torna como alvo.

E com o advento das redes sociais, deu-se voz a abjetos que bradam pela humilhação pública e vassalo eterno das mulheres; os chamados Red-Pills, fascistas cidadãos de bem e moralizadores hipócritas. Esses seres sim merecem ser aniquilados do mapa social, não quiseram evoluir como pessoas e incentivam com palavras bonitas e alguns usando até a fé para justificar o ódio às mulheres.

Desde que o mundo é mundo as mulheres são peça fundamental para o crescimento da humanidade.

Personagens como Dandara dos Palmares, Maria Quitéria, Tereza de Benguela, Maria Felipe, Nísia Floresta, Bertha Lutz, Princesa Isabel, Chiquinha Gonzaga, Cora Coralina, Cecília Meirelles, Tarsila do Amaral, Nise da Silveira, Carolina Maria de Jesus, Dona Ivone Lara, Enedina Alves Marques, Maria da Penha, Irmã Dulce, Bendita da Silva, Zilda Arns entre tantas outras destacam-se pela coragem, pioneirismo e impacto social.

Não devemos subestimar a força das mulheres. NÃO É NÃO! Mais amor e empatia com elas. 

TEXTO DE:
Thiago Muniz


quarta-feira, 4 de março de 2026

O Blefe Estadunidense

Os EUA blefou ao apostar na morte do líder supremo do Irã e achavam que ia ficar por isso mesmo, só que não.

Essa guerra não é do interesse dos Estados Unidos. O Trump mesmo foi avisado pelos militares de que essa era uma guerra que não tinha um sucesso garantido e que seria uma má ideia, basicamente, entrar nessa aventura. Para os Estados Unidos, essa é uma guerra de escolha.

O Irã respondeu muito mais do que eles imaginaram e simplesmente deu um xeque estratégico de âmbito global.

Enquanto que para o Irã, certamente, ela é uma guerra de sobrevivência, ela foi imposta a eles, ela é uma guerra necessária nesse sentido.

Israel vive essa guerra como uma guerra de interesse vital. Israel percebe no Irã a grande ameaça à sua hegemonia na região, à sua própria sobrevida.

As operações militares israelenses-estadunidenses contra o Irã foram conduzidas fora do direito internacional, o que não é certo.

Dito isso, a História nunca chora pelos executores. Como é que os israelenses conseguem sempre fazer com que os americanos embarquem nas suas aventuras é um mistério, porque, em parte, pode ser quase suicida em termos de carreira do Trump.

Para colocar o escândalo Epstein para debaixo do tapete, Trump decidiu bombardear Teerã e matar Khemenei com o argumento de levar liberdade ao povo iraniano. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se autoproclamam defensores da “democracia” e da “liberdade”. Mas a história escrita em bombas, corpos e ruínas conta outra versão.

Tudo em nome da “segurança”, do “combate ao terrorismo” ou da “proteção de interesses estratégicos”. De forma geral, os países bombardeados ou invadidos pelos Estados Unidos não ficaram mais estáveis, mais democráticos ou mais seguros.

O padrão que se repete no pós-ataque é outro — marcado por caos social, crise econômica, violência prolongada e dependência externa.

A guerra virou política externa. A destruição, um método. O lucro da indústria bélica, uma prioridade.

Enquanto isso, civis pagam o preço mais alto: crianças, mulheres, povos inteiros reduzidos a estatísticas convenientes. Não é sobre liberdade. Nunca foi.

É sobre poder, controle geopolítico e dominação econômica. E enquanto algumas vidas forem consideradas descartáveis, a paz seguirá sendo apenas um slogan vazio.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


terça-feira, 3 de março de 2026

Por que Trump atacou o Irã, e por que agora?

A decisão não foi exatamente inesperada.

Nas semanas ao longo dos últimos dias, foi alertado que esse cenário era bastante provável, mas ainda assim levanta questionamentos sobre o momento escolhido, já que não havia um ataque iraniano iminente.

Pelo contrário, avaliações recentes da inteligência americana indicavam que o país estava militarmente enfraquecido após os bombardeios americanos em 2025, que danificaram as instalações iranianas.

Ainda assim, Trump lançou uma ofensiva ampla ao lado de Israel, conclamando os iranianos a derrubarem o regime.

Diferentemente de ataques pontuais no passado, desta vez trata-se de uma campanha aberta com risco real de escalada.

O próprio Trump admitiu que pode haver baixas americanas, linguagem típica de guerra declarada, mas sem autorização formal do Congresso.

A comparação com a invasão do Iraque em 2003 é inevitável.

Trata-se do que chamamos em inglês de “War of Choice”, uma guerra escolhida, não de autodefesa.

Em 2003, Washington pelo menos tentou obter em vão respaldo do Conselho de Segurança da ONU, algo que não fez agora.

Trata-se, portanto, de mais uma clara violação da soberania de um outro país e do direito nacional.

Um argumento central de Washington gira em torno da ameaça nuclear. No entanto, não há evidências de que o Irã tenha retomado o programa ativo de armas atômicas.

Autoridades americanas chegaram a dizer (1:39) que Teerã não está enriquecendo urânio neste momento. Outras justificativas evocadas pela Casa Branca incluem a repressão brutal a protestos internos no Irã, que deixou milhares de mortos, o apoio iraniano a milícias na região e décadas de confrontos indiretos com os Estados Unidos, da crise dos reféns de 1979 a ataques contra forças americanas no Oriente Médio.

Mas, no fundo, Trump parece apostar que um regime enfraquecido pode ruir sob ataque dos Estados Unidos e revolta interna.

Mas derrubar um governo de 90 milhões de pessoas apenas com poder aéreo é um risco enorme e a história mostra que guerras escolhidas raramente seguem o roteiro planejado.

Por fim, vale destacar que o Irã possui grandes reservas de petróleo. Dos cinco países com as maiores reservas comprovadas de petróleo, Venezuela, Arábia Saudita, Irã, Canadá e Iraque.

Arábia Saudita é o único país que os Estados Unidos não invadiram, bombardearam ou ameaçaram anexar ao longo das últimas décadas.

TEXTO DE:
Thiago Muniz




domingo, 1 de março de 2026

Terceira Guerra Mundial já é realidade

Eu trago más notícias para vocês.

Meu amigo Tarciso (Língua Preta), diz que a gente já está em uma Terceira Guerra Mundial, e que ela não vai ser como as guerras do século 20.

Porque o sistema internacional que organizava os conflitos, baseado em tratados, convenções e no chamado direito internacional, claramente está sendo tensionado. Ninguém está respeitando mais nada como antes.

O que a gente está vendo é uma escalada simultânea de conflitos regionais, sanções econômicas, embargos e envolvimento indireto ou direto de grandes potências.

Só que existe uma diferença importante: hoje as guerras também são econômicas, tecnológicas, financeiras e informacionais. Não é só tanque e míssil. São sanções, bloqueios comerciais, disputa por semicondutores, controle de rotas energéticas e guerra monetária.

E o mundo já não confia nas grandes potências como antes.

Isso não é opinião isolada. Existe um debate real sobre o processo de perda relativa de hegemonia dos Estados Unidos, principalmente no campo econômico e geopolítico, com o avanço de outros polos como China e o fortalecimento de blocos como o BRICS.

Um exemplo concreto é o comportamento dos ativos de segurança. Historicamente, em momentos de crise global, investidores corriam para o dólar e títulos do Tesouro americano. Isso ainda acontece, mas também houve aumento significativo na demanda por ouro por bancos centrais e investidores institucionais como forma de diversificação e proteção contra instabilidade geopolítica e monetária.

Sobre o dólar, ele oscila conforme vários fatores: juros nos Estados Unidos, fluxo de capital global, política monetária e cenário fiscal.

A queda recente frente ao real tem relação com diferencial de juros, fluxo de investimentos e percepção de risco.

Muito graças a Deus que Lula, Alckmin e Haddad são grandes estrategistas, estrategistas econômicos, porque estão segurando a onda aqui. E todo mundo sabe disso, inclusive quem é contra eles.

Agora, uma coisa é fato: uma guerra em larga escala entre potências nucleares não é boa para ninguém. O conceito central da era nuclear é o da dissuasão, a chamada destruição mutuamente assegurada.

Ou seja, não existe vencedor real em um conflito nuclear. Existe colapso econômico global, ruptura de cadeias produtivas, crise energética, alimentar e financeira.

Então sim, o mundo está em uma fase de escalada de tensões sistêmicas. Não necessariamente uma guerra mundial formal como em 1914 ou 1939, com declaração oficial e frentes definidas. Mas uma fase de confrontação simultânea em múltiplos domínios: militar, econômico, tecnológico e monetário.

E, no fim, a frase da Dilma continua sendo uma das mais tecnicamente precisas sobre guerra:

Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem quem perder, vai ganhar ou perder. Todo mundo vai perder.

TEXTO DE:
Cora Descorada