terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Uma História - No Legado, o meu DNA

Depois de mais uma noite na Emergência do PS (o mix fígado, diabetes e próstata, estão em posição de guerra), assumo que estou numa de definitivamente ligar o foda-se.

Tenho pensado muito no Paulo Andel, no Zé Neto e no André Horta, que precocemente se foram. Do nada, projeto o reencontro com cada um. Com certeza o Fluminense fará parte da resenha.

Não sei a dimensão do Fluminense na minha vida, mas tenho a exata noção do que fiz pelo e para o Fluminense.

Com certeza, a caminho dos 65 anos, posso afirmar de que esse lance de que não me arrependo de nada, é conversa fiada.

ECHO DE MENOS LO QUE NO VIVI CON MI FAMÍLIA!

Os almoços e as festas familiares que ficaram para trás, por causa de um jogo perdido e que não valia nada em Ítalo Del Cima (para quem não sabe: é o estádio do Campo Grande, na Zona Oeste do Rio).

Para passar o tempo no soro (com o devido cocktail de comprimidos) acesso o Globoplay e acabo descobrindo a série "1995: No Tempo dos Badboys".

As primeiras cenas eram sobre o Fla-Flu da final e para minha surpresa apareceram imagens da Força Flu, que literalmente incendiou o Maracanã.

O presidente de direito, da torcida, era o Tato. Mas de fato eu, que era o Vice, mandava na porra toda.

31 anos depois fica a certeza de o quanto eu sabia fazer torcida. Não precisava de 35 mil de salário, nem de ajudas do clube.

Basta ver o início dessa série e comparar o que a TFF fez (começo e fim do jogo) com as demais TOs - tudo dentro do mais absoluto respeito.

Essa fotos - prints de tela - tem o meu DNA. E para se chegar a isso é necessário muito inteligência, estratégia, trabalho, disciplina, carisma e liderança. Aquela Força Flu, deixou de existir - por isso sou odiado por quem lá está.

De resto, sem viver do passado, as hemerotecas estão aí para contar um pouco do muito que realizamos (sim, sempre soube formar um time do meu lado: tanto para a festa, tanto para vivenciar o clube, como para porrada).

Estou indo embora. Triste, mas com a consciência tranquila por nunca ter tido etiqueta de preço.

Valeu!


TEXTO DE:
Antonio Gonzales


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Azeite de Oliva - entenda como funciona o acordo Mercosul / União Européia

Convém começar pelo óbvio — justamente porque o óbvio costuma ser soterrado pela retórica.

Acordos comerciais não são atos de fé. Não são “bons” ou “maus” em si mesmos. Produzem efeitos concretos, mensuráveis e, quase sempre, assimétricos.

O acordo entre Mercosul e União Europeia não foge à regra. E o azeite de oliva é um ótimo exemplo para entender o que está em jogo.

O produto estrangeiro: a virtude do acordo segundo seus defensores

Com o acordo em vigor, o azeite europeu tende a entrar no Brasil pagando menos tarifas. Isso não é ideologia; é matemática. Menor imposto na origem significa menor custo para o importador, maior oferta e, em alguma medida, preços mais baixos ao consumidor.

Resultado?
O brasileiro passa a encontrar com mais facilidade azeites espanhóis, portugueses, italianos e gregos (inclusive de melhor qualidade) a preços menos proibitivos. O discurso oficial celebra: concorrência, eficiência, escolha. Tudo muito bonito.

E não é falso. Apenas incompleto.

O que não aparece no rótulo

O problema começa quando se finge que o mercado é um jogo de iguais. Não é.

O azeite europeu que chega ao Brasil é produzido em países que:

  • Subsidiaram sua agricultura por décadas

  • Financiaram tecnologia, irrigação e pesquisa

  • Construíram cadeias produtivas maduras e protegidas

Já o azeite brasileiro — notadamente o gaúcho — é fruto de uma atividade ainda incipiente, de custos elevados, crédito caro e zero tradição secular. Colocar esses dois produtos para “competir” em nome da abstração do livre mercado não é liberalismo; é cinismo analítico.

O produtor nacional: concorrência ou esmagamento?

Com o avanço do azeite europeu:

  • O produtor brasileiro vê sua margem encolher

  • O investimento se torna mais arriscado

  • Pequenos e médios produtores tendem a desistir

Os mais otimistas falam em “especialização”, “nicho premium”, “valor agregado”. Ótimo — desde que existam políticas públicas que tornem isso viável. Sem elas, o resultado é previsível: desindustrialização do campo, travestida de modernização.

E o emprego? Não desaparece — evapora

Aqui entra o ponto que raramente vira manchete. A queda de preços é visível. A perda de empregos, não.

Quando a produção local encolhe:

  • Some o emprego rural

  • Some o trabalho indireto

  • Some o incentivo à inovação local

Os postos de trabalho gerados pelo azeite europeu continuam na Europa. O Brasil vira consumidor eficiente e produtor irrelevante. Há quem chame isso de “integração competitiva”. Eu prefiro chamar de escolha política não assumida.

O padrão estrutural

O azeite é apenas um caso didático de um movimento maior: a União Europeia exporta produtos com valor agregado; o Mercosul exporta soja, minério e carne. Quando tentamos produzir algo além disso, somos aconselhados a “nos adaptar”.

Adaptar-se a quê?
À posição subordinada?

A pergunta que importa

Não se trata de demonizar o acordo nem de sacralizar a produção nacional. Trata-se de abandonar a mistificação. Sem política industrial, sem crédito, sem proteção transitória, o acordo melhora a vida do consumidor no curto prazo e empobrece a estrutura produtiva no médio.

O azeite pode até ficar mais barato.
A economia, não.

E isso não é uma fatalidade do mercado. É uma decisão — ou a ausência dela.

Conclusão

O acordo no geral melhora as relações comerciais entre os dois continentes, porém, deve ser tratado com responsabilidade.

Usamos aqui um único exemplo: o azeite de oliva. Para outros produtos haverá ganho para o Brasil, e prejuízo a produtores europeus.

O que o Brasil precisará fazer, é se reajustar a nova realidade que se desenhará no futuro, criando políticas internas que possam dar ao produtor nacional, condições de continuar disputando mercado interno e obviamente, ampliar o mercado externo.

Por isso, não só no Mercosul, mas também no Brics, o Brasil precisa manter o protagonismo e o pragmatismo, para continuar crescendo economicamente.


domingo, 18 de janeiro de 2026

Mercosul e União Europeia assinam acordo apesar de Trump

O acordo entre Mercosul e União Europeia finalmente saiu do papel.

Sim, aquele mesmo que atravessou governos, modismos ideológicos, crises ambientais, surtos protecionistas e toneladas de ceticismo diplomático.

Convém registrar, antes que o debate seja capturado por torcidas organizadas, um fato objetivo: trata-se de uma vitória pessoal e política do presidente Lula, o governante que mais insistiu (e por mais tempo) na ideia de que esse pacto era não apenas possível, mas necessário.

Lula defendeu o acordo quando ele era tratado como inevitável, sustentou-o quando passou a ser visto como inconveniente e o recolocou no centro da agenda quando muitos já o davam como enterrado.

Política externa não é improviso; é persistência. E nisso o presidente brasileiro mostrou método, memória e leitura de mundo.

O acordo, em linhas gerais, cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, conectando dois blocos que somam quase 800 milhões de pessoas.

Para o Mercosul, amplia-se o acesso a mercados europeus para produtos agrícolas e commodities. Para a União Europeia, consolida-se a entrada em mercados sul-americanos para bens industrializados, serviços e investimentos.

Não há altruísmo: há interesses bem calculados dos dois lados.

Mas é preciso dizer o óbvio — algo que anda em falta no debate público.

A assinatura não significa vigência imediata. 

Agora começa a fase menos fotogênica e mais decisiva: revisão jurídica, traduções oficiais e, sobretudo, a ratificação parlamentar.

Na Europa, o acordo enfrentará resistências protecionistas embaladas em discurso ambiental.

No Mercosul, passará por congressos que nem sempre primam pela visão estratégica de longo prazo.

Há ainda um elemento externo que ajuda a explicar a retomada do acordo: Donald Trump.

Com sua agenda declaradamente protecionista, hostil ao multilateralismo e avessa a pactos amplos, Trump tornou-se o grande antagonista involuntário desse processo.

O acordo Mercosul–União Europeia é, também, uma resposta geopolítica à lógica do “cada um por si” que ele representa. Trump terá de engolir: enquanto ele ergue muros comerciais, outros constroem pontes, ainda que imperfeitas.

Os protocolos adicionais sobre sustentabilidade seguem como o principal ponto de atrito.

Existe preocupação ambiental legítima? Sim. 

Existe também o velho protecionismo europeu com nova embalagem verde? Evidentemente.

Cabe ao Brasil e aos parceiros do Mercosul negociar com firmeza, sem submissão nem bravatas.

O acordo não é panaceia. Não industrializa o Brasil por decreto nem resolve as assimetrias históricas do bloco sul-americano.

Mas recoloca o país no tabuleiro internacional com previsibilidade, diálogo e protagonismo, algo que havia sido abandonado.

No mundo real, acordos não são perfeitos. São possíveis. E este só voltou a ser possível porque alguém decidiu insistir — mesmo quando o vento soprava contra.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Carybé

Carybé é o nome artístico de Hector Julio Páride Bernabó, um argentino radicado em Salvador, que viveu seus primeiros anos na Itália e depois, já na adolescência, voltou a residir no Brasil.

Como jornalista, rodou o mundo até se fixar nos anos 1950 em Salvador.

Carybé foi um artista plástico de vasta produção, tendo desenvolvido sua arte em várias técnicas, como: aquarela, óleo sobre tela, escultura, gravura e serigrafia. Ele tinha uma verdadeira predileção por murais e painéis, pois, segundo o artista, era uma obra para os outros, ou seja, de visualização pública.

Foi ilustrador de alguns livros de Jorge Amado e em conjunto com o fotógrafo francês Pierre Verger, entre outros intelectuais, apresentou em suas obras a cultura baiana.

Carybé tem catalogado algo próximo de cinco mil obras, muitas delas sobre o candomblé e a umbanda. Aqui interessa-nos obras com outras temáticas do quotidiano soteropolitano.

Há também um número vasto de obras sobre os sertanejos do interior da Bahia, dos ribeirinhos do São Francisco, dos pescadores das praias baianas, entre outros modos de vida e territórios: Carnaval, bares, feiras e rodas de samba.

Em virtude de seus trabalhos voltados para a cultura afro-brasileira, enfocando seus ritos e orixás, principalmente em princípios dos anos 70, ele conquistou um importante título de honra do Candomblé, o obá de Xangô.

Parte de sua produção encontra-se hoje no Museu Afro-Brasileiro de Salvador, englobando 27 painéis simbolizando os orixás baianos, produzidos em madeira de cedro.

Por quase toda a sua vida, o pintor acreditou que o seu apelido Carybé provinha de um pássaro da fauna brasileira. Somente muitos anos depois, através do amigo Rubem Braga, descobriu que a sua alcunha significava "mingau ralo", o que lhe rendeu diversas brincadeiras.

Freqüentador do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, Carybé morreu aos 86 anos, no dia 1° de outubro de 1997, em Salvador, durante uma cerimônia no próprio terreiro.

O artista deixou como legado mais de 5.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Violet Jessop, a mulher que atravessou o século flutuando entre escombros

A história costuma ser escrita pelos grandes nomes, pelos capitães, pelos engenheiros, pelos homens que posam para fotografias oficiais.

Mas, às vezes, ela insiste em se revelar por meio de uma figura quase invisível — uma mulher comum, de uniforme discreto, caminhando por corredores luxuosos enquanto o destino prepara o desastre.

Violet Jessop não era heroína de guerra, nem exploradora, nem milionária. Era comissária de bordo. Depois, enfermeira. Uma trabalhadora do mar. Ainda assim, seu nome ficou gravado na história naval como um sussurro teimoso que se recusa a afundar.

Ela esteve presente em três dos maiores desastres marítimos do século XX — e sobreviveu a todos.

Não se tratava de três navios quaisquer.

Violet serviu justamente nos três colossos da classe Olympic, os chamados “navios-irmãos” da White Star Line: Olympic, Titanic e Britannic. Projetados como o auge da engenharia moderna, esses transatlânticos eram anunciados como símbolos de um mundo que acreditava ter finalmente domado o oceano.

A ironia histórica começa aí.

Em 1911, Violet estava a bordo do RMS Olympic quando o navio colidiu violentamente com o cruzador militar britânico HMS Hawke. O Olympic não afundou — é verdade —, mas a colisão rasgou a fantasia de invencibilidade. O gigante sangrou ferro e água. Violet permaneceu.

No ano seguinte, 1912, veio o Titanic.

O nome que se tornaria sinônimo de arrogância tecnológica e tragédia humana. 

Violet embarcou como comissária, fazendo o que sempre fizera: servindo passageiros, organizando cabines, cumprindo ordens. Na noite do impacto com o iceberg, enquanto o mundo descobria que “inafundável” era apenas um slogan publicitário, ela foi conduzida a um bote salva-vidas, com um bebê nos braços, segundo seu próprio relato posterior. O mar engoliu o navio. Violet, não.

Quatro anos depois, em plena Primeira Guerra Mundial, ela retorna ao mar.

Desta vez como enfermeira no HMHS Britannic, o terceiro navio-irmão, convertido em hospital flutuante.

Em 1916, no Mar Egeu, o Britannic atinge uma mina naval. O navio afunda mais rápido que o Titanic. No caos da evacuação, um bote é sugado pelas hélices ainda girando. Violet salta na água para não ser triturada. Sofre ferimentos graves na cabeça. Sobrevive. De novo.

Três navios. Um mesmo estaleiro. Um mesmo sonho de grandeza.

Três fracassos históricos.

E, atravessando todos eles, uma mulher pequena demais para os livros de engenharia, mas grande demais para ser ignorada.

Chamaram Violet Jessop de “Miss Inafundável”.

O apelido soa quase leviano diante do que ela viveu. Não havia milagre, nem superstição — apenas resistência. Ela não desafiou o mar; ela suportou o mar.

Voltou a trabalhar, continuou navegando, viveu até os 83 anos e morreu em terra firme, longe das manchetes.

Talvez essa seja a maior lição de sua história: enquanto os navios-irmãos afundaram ou quase se perderam, Violet — sem aço reforçado, sem compartimentos estanques, sem propaganda — permaneceu.

A modernidade prometeu dominar os oceanos. Violet Jessop apenas atravessou os destroços dela.

E sobreviveu para nos lembrar que, às vezes, a verdadeira força da história não está nos gigantes que caem, mas nas pessoas comuns que seguem em pé quando tudo ao redor naufraga.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Pastor preso é um dos maiores doadores de campanha... advinha de quem?

A Polícia Federal prende.

O inquérito avança. Os fatos se acumulam. O dinheiro deixa rastros.

O personagem central é investidor, pastor, empresário e — vejam só — um dos maiores doadores das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.

E então surge a pergunta que realmente importa para parte da imprensa e da bolha digital: “Mas o que Alexandre de Moraes tem a ver com isso?”

Pois é. Nada. Justamente por isso, insistem.

Temos aqui um caso típico de manual: relação empresarial nebulosa, conexões familiares com banqueiro de grande porte, operações financeiras sob suspeita e, por coincidência apenas estatística, proximidade política com o bolsonarismo.

A investigação é da PF. O inquérito corre nos trilhos legais. Não há canetada solitária, não há decisões monocráticas mirabolantes, não há capa preta pairando sobre os autos como entidade metafísica.

Mas isso não impede que parte da imprensa (aquela sempre pronta a farejar “excessos” onde só há procedimento) force Alexandre de Moraes para dentro da cena, como se ele fosse uma espécie de personagem obrigatório de qualquer narrativa criminal que envolva aliados do bolsonarismo.

É quase tocante.

Quando o investigado é um “cidadão de bem”, empresário religioso, financiador de campanhas da direita, a lógica muda.

Já não se pergunta o que ele fez, mas quem ousou investigá-lo.

E aí Alexandre de Moraes deixa de ser ministro do Supremo para virar vilão de novela, onipresente, onisciente e, aparentemente, responsável até pela lei da gravidade.

Curioso: quando a PF investigava governos petistas, não havia essa súbita preocupação com o “Estado de Direito ferido”, com o “ativismo institucional”, com o “excesso de poder”.

A lei era dura, mas justa. Agora, quando os alvos orbitam o campo político oposto (aquele que se autodeclara guardião da moral, da família e de Deus) a lei vira suspeita, e o juiz, automaticamente, culpado.

O raciocínio é simples, embora intelectualmente indigente: se alguém ligado a Bolsonaro é investigado, logo Alexandre de Moraes está abusando de poder.

Se a PF age, é porque foi “mandada”. Se o Judiciário funciona, é porque conspira.

Não é jornalismo. É militância disfarçada de perplexidade.

E o mais revelador: ninguém consegue apontar qual ato ilegal de Moraes estaria em jogo.

Não há decisão específica. Não há despacho escandaloso. Não há nulidade processual.

Há apenas o incômodo profundo de ver que o sistema institucional brasileiro (com todos os seus defeitos) ainda funciona o suficiente para alcançar gente poderosa, rica, influente e politicamente alinhada ao bolsonarismo.

Isso, para alguns, é imperdoável.

No fundo, o que se quer não é justiça imparcial, mas imunidade seletiva. Quer-se um país onde investigar adversários seja virtude republicana, mas investigar aliados seja tirania togada. Onde a PF seja técnica quando convém e “instrumentalizada” quando não convém.

Alexandre de Moraes, nesse enredo, cumpre apenas o papel que lhe foi atribuído por quem não aceita perder: o de bode expiatório permanente.

É mais fácil atacar o árbitro do que admitir que o jogo foi jogado, e que alguém com boas relações políticas e religiosas pode, sim, estar do lado errado da lei.

A insistência em arrastá-lo para esse caso diz menos sobre Moraes e muito mais sobre o desespero de quem já não consegue sustentar a própria narrativa sem inventar um vilão institucional.

E isso, convenhamos, não é ironia. É só patético mesmo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Agente Secreto e o Golden Globe

A arte existe porque a vida não basta” (Ferreira Gullar)

O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho com Wagner Moura, se passa no Brasil de 1977, durante a ditadura militar, e segue Marcelo, um professor de tecnologia que foge de um passado misterioso para Recife, buscando paz, mas encontra paranoia, vigilância e uma cidade cheia de tensão, sendo espionado por vizinhos e sentindo-se parte de um grande quebra-cabeça político e de memória que o passado tenta apagar. Em resumo: É um thriller político que usa a ambientação do Brasil militar para discutir a memória coletiva e individual, com um protagonista que se torna um "agente" em sua própria história de fuga e descoberta. 

O título cria uma expectativa de um filme sobre espionagem, mantendo o espectador intrigado em boa parte do tempo, esperando revelações até que descobre que não se trata disso, que o agente secreto parece ser mais um ingrediente secreto de uma fórmula química ou receita de cozinha.

Seria esse o fio condutor, aliás, também das histórias paralelas, o elo comum que explicaria a existência da ditadura militar, da xenofobia contra nordestinos, do desaparecimento dos cinemas de rua no Recife e outros elementos dispersos pela narrativa.

O que seria esse ingrediente, esse agente, porém, não há como saber com certeza. O filme não dá respostas, nem poderia, pois se o esquecimento é o verdadeiro tema, como explicá-lo verbalmente? Como nomear o que, por definição, desaparece?

Por que torcemos para “O Agente Secreto” no Globo de Ouro?

Porque é um Filmaço! Porque somos brasileiros, viva a cultura brasileira.

Nosso audiovisual teve impacto econômico total de R$ 70,2 bilhões de PIB do Brasil em 2024. Gerou 608 mil empregos no país, sendo 121 mil empregos diretos. E R$ 9,9 bilhões em receitas tributárias (impostos).


Viva a produção audiovisual do Brasil! 🇧🇷


TEXTO DE:

Thiago Muniz