sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Paulo-Roberto Andel

Ideologia eu quero uma pra viver…” (Cazuza)

Paulo-Roberto Andel, nascido em 1968; no ano da dura repressão da ditadura militar no Brasil, um ano atípico de vários movimentos pelo mundo, dentre eles: Os Panteras Negras e o banimento dos atletas vencedores dos 100 metros rasos nas Olimpíadas da Cidade do México com o gesto de punho cerrado e braço para o alto; o movimento estudantil na França, manifestações contra a Guerra do Vietnã, a instauração do AI-5 no Brasil e o assassinato de Martin Luther King Jr.

A efervescência cultural, com movimentos como a Tropicália no Brasil, também foi um reflexo das mudanças e tensões da época.

Andel nasceu em um ano de caos, mas foi criado com muito amor por sua mãe, sobre quem ele já contou várias histórias engraçadas, e recebeu do pai tudo o que ele pôde lhe prover.

Andel foi um arrimo de família e isso não é nenhum demérito, foi líder de escotismo, é um torcedor fanático pelo Fluminense e hoje se tornou o escritor com mais publicações sobre o clube, e isso é um fato.

Um apaixonado por jazz e muito conhecedor da cultura pop; por pouco não se tornou VJ da minha querida finada MTV Brasil. Um homem que honrou seus pais até seus últimos segundos de vida, não largou a mão de nenhum dos dois, um filho extremamente leal.

Como tenho admiração pelo Paulo, não é só um amigo mas uma referência cultural e editorial.

Me vejo há exatamente dez anos atrás no longíquo 2015 publicando o primeiro texto no Panorama Tricolor sobre 1969 e a relação com a música “Aquele Abraço” do nosso orixá em Terra Gilberto Gil e até então o septuagésimo texto sobre o falecimento do querido Celso Barros.

Como o meu texto evoluiu bebendo da fonte Paulo-Roberto Andel, o quanto sou grato por tê-lo em minha vida; um cara agregador de tribos distintas e consegue unir num só propósito: o Fluminense.

Para quem não sabe, Andel é ateu; mas dessa vez vou ignorar esse detalhe e rogar aos deuses, anjos e aos orixás que o acolham para a sua recuperação da melhor maneira possível. E também dizer que não está só; tem uma rede de amigos que te amam e querem o seu bem pois ele pratica o bem.

Sigamos na fé! 


TEXTO DE:

Thiago Muniz


NOTA:

No momento deste texto, Andel está sob tratamento de saúde.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

A saúde entre a cruz e a espada

por Antonio Gonzalez
Na reta final, esse 2025 tem sido um campo de provas – físico, emocional e social.

Falo em primeira pessoa porque a vida, vez ou outra, cobra seu preço sem pedir licença. Janeiro me recebeu com um princípio de pneumonia. Entre o final de maio e o início de julho, perdi 12,9 quilos. Uma infecção urinária violenta, acompanhada de Covid, deixou meu corpo parecido com um cadáver ambulante – e minha cabeça, exausta de lutar.

Quando enfim a cirurgia de próstata foi aprovada, os exames pré-operatórios me deram uma sentença: a diabetes, fora de controle, impediria a mesa cirúrgica. A cicatrização seria um convite ao caos. De agosto para cá, essa mesma diabetes ganhou apetite tecnológico, exigindo insulinas de ponta para manter o mínimo de ordem no organismo.

Enquanto isso, a vida não poupou os meus. O Aieta e minha irmã travaram batalhas duras com suas tireoides – e vieram as cirurgias. 

Meu irmão Paulo Andel enfrenta um momento gravíssimo, desses que tiram o sono dos amigos mais fortes. 

Da Espanha, chegam notícias duras sobre minha sobrinha Alba Maria, que talvez precise colocar uma placa metálica na coluna cervical.

Puta que pariu!

Cada dia uma cruz, cada noite uma espada. O emocional grita por um sopro de paz.

E tudo isso acontece num Brasil que parece brincar com o próprio futuro. A política expõe o país dividido entre os interesses das classes dominantes – aquelas que acreditam que a vida é um vale-tudo onde vale tudo – e aqueles que ainda defendem um senso democrático de pertencimento, de evolução coletiva, de responsabilidade com o outro.

A violência cresce como mato em terreno abandonado. Mas não se combate desigualdade, crime e abandono apenas encarcerando a base da pirâmide. Cadeia não pode ser destino exclusivo dos soldadinhos de comando. É preciso mirar o topo: quem financia, quem importa drogas e armas, quem lucra com o caos e, muitas vezes, se abriga sob mandatos políticos bem vestidos.

E isso nos traz ao Fluminense, onde a política interna também revela suas próprias sombras. A eleição se aproxima e minha leitura é direta: Ademar Arraes não representa a linha ideológica de Júlio Bueno – linha que ele próprio jamais apoiou. Montou uma chapa que, em caso de vitória, implodirá em vinte pedaços no dia seguinte. Só não vê quem desconhece o tabuleiro e o artesanato político de Jackson Vasconcelos.

Cazuza cantou em “Boas Novas” que viu a cara da morte – e ela estava viva. Eu também vi. E digo: que se foda a morte. Estou vivo. E oro diariamente para que o Paulo Andel também a mande se foder, com a mesma força.

O número da chapa de Ademar é 30.

Trinta foram as moedas que Judas recebeu para trair Jesus Cristo.

O fake LOUCO DA CABEÇA personifica essa candidatura. A ira que ele plantou denuncia sua verdadeira natureza. E, como o Iscariotes, caminhará a passos largos em direção à própria forca, empurrado pelo ódio que cultiva.

Já houve quem acreditasse, no Fluminense, que bastava trocar Gil Carneiro de Mendonça por Álvaro Barcellos. Erro histórico. Não se constrói futuro trocando apenas nomes, nem reduzindo o clube a ressentimento, truculência e mediocridade.

O Fluminense não pode ser pensado entre a cruz e a espada. Nunca. Se algo está errado, grite. Denuncie. Participe. Apresente propostas reais. Mas vote com inteligência, com responsabilidade histórica e com espírito coletivo.

Porque, no fim das contas, isso também é saúde. Saúde institucional, emocional, social – e de um clube que pertence a todos nós.


TEXTO DE:

Antonio Gonzalez

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Demens Bolsonaris

Vestir o preso com camisa de força; obrigá-lo a permanecer durante horas algemado ou amarrado em camas ou macas; manter o preso por muitos dias com os olhos vendados ou com um capuz enfiado na cabeça; mantê-lo sem comer, sem beber e sem dormir; confinar o preso em cubículos; isolar o preso; acender fortes refletores de luz sobre ele.

Estas foram algumas das técnicas de tortura empregadas pela ditadura brasileira com efeitos diretos na esfera psíquica dos presos políticos, “tais como alucinações e confusão mental”, conforme assinalado no relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

Que nem a “geladeira”, descrita assim na carta de presos políticos em São Paulo à OAB:

O preso é confinado em uma cela de aproximadamente 1,5 m × 1,5 m de altura, baixa, de forma a impedir que se fique de pé. A porta interna é de metal e as paredes são forradas com placas isolantes. Não há orifício por onde penetre luz ou som externos. Um sistema de refrigeração alterna temperaturas baixas com temperaturas altas fornecidas por um outro, de aquecimento. A cela fica totalmente escura na maior parte do tempo. No teto, acendem-se às vezes, em ritmo rápido e intermitente, pequenas luzes coloridas, ao mesmo tempo que um alto-falante instalado dentro da cela emite sons de gritos, buzinas e outros, em altíssimo volume. A vítima, despida, permanece aí por períodos que variam de horas até dias, muitas vezes sem qualquer alimentação ou água”.

Pela “geladeira” passou, por exemplo, Tito de Alencar Lima, o Frei Tito, que, “alucinado, suicidou-se num convento da França, porque, a todo o momento, ele via a figura sinistra do Fleury”, nas palavras do ex-preso politico Clóves de Castro ditas em sessão da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo.

Pelo menos 22 presos políticos foram internados pela ditadura em manicômios após serem submetidos a torturas. Um deles, o jornalista Paulo Roberto das Neves Benchimol, começou a ouvir vozes parecidas com as dos agentes que o torturam na Ilha das Flores. As vozes diziam que ele estava de volta às mãos do diabo.

Filho de Dermi Azevedo, jornalista perseguido e preso pela ditadura, Carlos Alexandre Azevedo foi torturado pela equipe do diabo — o sinistro delegado Fleury — quando tinha apenas um ano e oito meses de idade. Ele disse o seguinte em uma entrevista à IstoÉ em 2010: “Para mim, a ditadura não acabou. Até hoje sofro os seus efeitos. Tomo antidepressivo e antipsicótico […] Talvez, com um pouco de sorte, eu consiga recomeçar. Mesmo estando com 37 anos”.

Três anos depois, com 40 anos, Carlos Alexandre se matou com uma overdose de medicamentos.

Que não se atrevam, certos portadores de CRM, de OAB e de credencial da Folha de S.Paulo; que não venham com “certa paranoia causada por medicamentos”, “vozes saindo da tornozeleira”, “alucinações causadas por pregabalina misturada com sertalina”. Não depois da “cura por hidroxicloroquina”. Não para encobrir patente tentativa de fuga — com maçarico, com tudo — de defensor da ditadura, fã de torturador e condenado por tentativa de golpe de Estado.

Artigo publicado no Come Ananás sob o título "Sabe o que causa alucinações?".

domingo, 23 de novembro de 2025

Entre o Voto e a Joelheria

por Antonio Gonzalez
Em julho de 1993, no tatame do Gymnásio Nova, em Alcobendas, Madrid, preparava-me para um combate que nunca aconteceu.

Uma ruptura total dos ligamentos do joelho direito, desgarro de cartilagem e meniscos estilhaçados decretaram meu afastamento.

Como estava prestes a voltar ao Brasil, adiei a cirurgia.

Desde então, tornei-me inseparável de uma joelheira Robocop — cheia de guéri-guéri, mas sem nenhuma eletrônica.

Hoje, entre as armadilhas da minha diabetes descontrolada, o país em convulsão por causa de um aparelho de solda e a eleição que se avizinha no Fluminense, cada passo no tatame da memória me devolve à velha parceira metálica.

A joelheira, afinal, é símbolo de esforço; a tornozeleira eletrônica, não. Esta nasce da esperteza torta, e diante dela a lei não tem parentesco.

Eleições exigem voto, e eleitos são filhos legítimos das escolhas. Debates não podem ser reduzidos a birra de fígado. Quem ri da tragédia alheia não merece defesa: atletas usam joelheiras porque lutam; já tornozeleira é assinatura de quem perdeu o caminho.

A alternância de poder é saudável — quando carrega qualidade e peso. Mas a história brasileira adora suas ironias.

Em 1982, o trabalhismo fluminense oscilou entre Agnaldo Timóteo e Cacique Juruna.

O primeiro levou mais de meio milhão de votos; o segundo, 31 mil. Ambos se tornaram Deputados Federais.

Em 1988, o Macaco Tião quase virou prefeito com 400 mil votos. 

Somos jovens, avisou Belchior pela voz de Elis: e há perigo na esquina.

Em 2010, o frágil Peter Siemsen ascendeu a mandatário do Fluminense graças à Flusócio, ao Ideal Tricolor de Ademar Arraes (coordenador da campanha com Jackson Vasconcelos) e à Tricolor de Coração.

Reza a lenda que o próprio Ademar trouxe a Confraria do Garoto para tocar “Se gritar pega ladrão” na visita de Carlos Lupi, então Ministro do Trabalho, convidado de Júlio Bueno, o outro candidato. 

Peter foi reeleito em 2013 com a mesma base e trouxe o desconhecido Pedro Antônio. Em ambas gestões, o escritório de Mario Bittencourt prestava serviços ao clube. E o Jackson Vasconcelos era dono de procurações ilimitadas dadas pelo velejador.

Pois bem: o rito das tornozeleiras eletrônicas na boca do povo coincide com a eleição tricolor nas bocas dos nossos torcedores.

De um lado, temos o Mattheus Montenegro apoiado por pedaços daquela Flusócio e daquela Tricolor de Coração. Do outro, Ademar Arraes — com fragmentos da mesma Flusócio, o velho Ideal Tricolor (grupo pelego por natureza) e o que sobrou da Tricolor de Coração (inclusive com figuras – Monteagudo, Mitke, Branco - que deram suporte ao Mário em 2019).

Isso sem falar no Pedro Antônio que não votou contra as contas de 2016 do Peter.

Chamar isso de oposição é fantasia. São pais legítimos do "Novo Fluminense” surgido com Peter. Há anos vivemos um samba de uma nota só. Só não enxerga quem desconhece os subterrâneos do Dom Hélio e do Bar do Tênis, ou quem ainda acredita no coleguismo do poder.

A verdadeira oposição? Essa ficará em casa ou votará nulo.
No meu caso já decidi: Eu voto em quem usa joelheira.


TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

A Grande Queda e o Pequeno Homem, o Evangelho Segundo o Fanatismo

Existem fins melancólicos e existem fins anunciados. Esse inevitavelmente seria um deles.

O fim da carreira política de Jair Bolsonaro — aquele tipo raro de epílogo que mistura tragicomédia, decadência e um certo perfume de coisa esquecida no fundo da geladeira. Não porque tenha sido brilhante um dia, mas porque, mesmo entregue ao mofo, ainda tem quem o abra, cheire e diga: “hum… acho que ainda dá pra usar”.

E aí entra um capítulo que merecia estudo antropológico: a fidelidade evangélica a Bolsonaro — não a Fé, veja bem, mas essa devoção política travestida de espiritualidade, como se o Messias errado tivesse subido ao púlpito.

Porque há algo de extraordinário, quase poético, no fato de que um político que fez carreira com grosseria, afronta e beligerância — e que nunca demonstrou, nem por acidente, um único "fruto do Espírito" — tenha sido convertido em ídolo justamente por aqueles que, teoricamente, deveriam reconhecê-los de longe. Mas a ironia da história trabalha em horário reduzido e nem sempre avisa antes de bater o ponto.

Some-se a isso outro ingrediente robusto: o ódio visceral a Lula (e tudo que ele representa), que sempre foi menos teológico e mais sociológico — um ressentimento de classe embrulhado em versículos, uma rejeição à figura do retirante nordestino que ousou sentar-se à mesa dos bem-nascidos e viver para contar a história.

É curioso: muitos desses templos pregam que Deus exalta o humilde, mas torcem o nariz quando o humilde ousa ser presidente.

Preferiam, claro, um homem “rude” no comportamento, mas alinhado com os códigos estéticos e sociais que confortam certos púlpitos.

E assim, enquanto Lula era demonizado não por causa de doutrinas, mas por causa de sua origem — o nordestino, o torneiro mecânico, o pobre que não pediu licença ao imaginário das elites sacralizadas — Bolsonaro era canonizado exatamente por aquilo que deveria ser motivo de repúdio cristão: a agressividade, o sarcasmo, o desprezo pelo oprimido, a política da ofensa como método.

Bolsonaro é um reflexo de espelho das lideranças evangélicas do Brasil.

Quando a maioria esmagadora dos pastores se colocam diante do espelho, o reflexo que surge é ódio as outras religiões, ódio a negros travestido de "teologia" (que reflete nas manifestações religiosas dessa raça), ódio à mulher, relativização do estupro (geralmente inocentando o homem e culpando a vítima pelo ato).

Com a derrocada final, vê-se uma procissão de justificativas.

Pastores que ontem diziam “ungido de Deus” hoje murmuram “perseguido”, “injustiçado”, “guerreiro espiritual”.

A cada escândalo, a cada passo rumo ao abismo jurídico, a cada demonstração de pequenez moral, surgem sermões improvisados para tentar manter de pé aquilo que já apodreceu por dentro — como se fosse possível reanimar múmia soprando versículos dentro dela.

E no entanto, quem deveria oferecer luz aceitou a confortável sombra do ódio. Quem deveria consolar escolheu inflamar. Quem deveria separar César de Deus preferiu misturar tudo e vender o combo na Black Friday da Fé.

Tudo para manter o controle sobre os fieis. Inclusive, manter o discurso de manipulação da imprensa e da conspiração satânica contra o escolhido. O que antes era um plano de Deus para o país, virou uma luta espiritual do bem contra o mal.

Claro, tudo um teste de Fé de Deus que precisa saber até onde o crente pode ir para provar sua Fé. Como onisciente, Ele até sabe, mas por algum capricho divino, gosta de brincar com essas situações.

A verdade — incômoda, inevitável, cristalina — é que a igreja evangélica institucional, em grande parte, falhou.

Falhou não por apoiar um político, mas por aceitar ser guiada por ele.

Falhou ao transformar preconceitos sociais em dogmas espirituais. Falhou ao confundir ressentimento com revelação e classe social com santidade. Falhou ao alimentar animosidade e chamar isso de discernimento.

E Bolsonaro?

Ah, Bolsonaro vai chegando ao fim como sempre viveu: pequeno, ruidoso, cercado de confusão e de um punhado de fanáticos que confundem carência emocional com patriotismo.

A carreira dele não termina com dignidade porque nunca começou com ela. Uma biografia não pode desaguar em grandeza quando nasceu de miudezas.

E à boa parte da igreja cabe agora encarar o espelho — não o do culto, aquele que só reflete o que convém, mas o real — e admitir que confundiu o Messias com o mensageiro do caos (e apesar das evidências preferiu caminhar com o segundo).

Que escolheu o escândalo em vez do evangelho. E que, se continuar assim, arrisca transformar o púlpito num monumento à própria cegueira.

Porque, ao fim das contas, a ruína de Bolsonaro é dele.
Mas a cumplicidade… essa é de quem o aplaudiu.

sábado, 22 de novembro de 2025

É hoje o dia... da Alegria!

Gente… eu vou falar… kkkkk

Que delícia de dia.

Mas me pego agora lembrando da prisão de Lula. Aquele mundaréu de gente. Ele dizendo que iria se entregar e provar sua inocência.

Mas se, naquele momento, ele pedisse ao povo que lutasse… ninguém pensaria duas vezes. Foi preso. E foi solto. Inocentado. Se candidatou novamente e venceu. 

Hoje vejo um Bolsonaro que parece um rato. Abandonado a própria sorte e vítima da burrice de seus próprios filhos e meia dúzia de pessoas que o dinheiro ainda pode comprar.

Se fazendo de coitado e vítima das circunstâncias, como se planejar um ataque à democracia de um país não fosse nada demais.

Ele e seus cupinchas militares me trazem à memória alguns episódios de Os TrapalhõesNão fazem nada direito.

Tentou tirar a tornozeleira. Queria fugir. Não tem vergonha na cara. Planejou assassinatos, golpes, proferiu palavras e deboches que fizeram doer mais ainda em quem já estava em carne viva por causa da pandemia.

Apesar de acreditar muito em karma, sempre achei que as vezes ele demorasse um pouco pra bater na porta de quem deve ser cobrado. Dessa vez foi rápido.

Deve ser a tal justiça divina dada as milhares de pessoas que não puderam se despedir e nem enterrar seus queridos. 

Eu queria trazer essa foto.

E dizer que, apesar das dificuldades que nosso país enfrenta, tenho orgulho de ter um presidente que não foge.

Tenho orgulho de ter um presidente que eu posso criticar sem que escute ameaças de ser fuzilada por isso (mesmo que travestido de brincadeira de péssimo gosto).

E reproduzo uma fala que ouvi hoje: 

Eu me arrependo dos dias que estive presente nas manifestações pró-Bolsonaro. Tudo o que eu vi ali foi ódio. Só tinha ódio no coração dessas pessoas. Chegou um momento em que não era mais sobre política. E mesmo concordando com muitos aspectos da direita conservadora, meus princípios me distanciam disso. Então eu saí. Se não fossem meus princípios, provavelmente eu também estaria lá (no 8 de janeiro).

Senhor Waldemir, sócio-proprietário do Supermercado do Produtor

Agora, aos eleitores de Bolsonaro: não existe problema sobre o que você acredita ser melhor para esse país, mas existe um problema se você não consegue ser humilde e reconhecer que você falhou em seu julgamento e cometeu um erro.

Não precisa nem reconhecer em voz alta… mas reflita. Se os seus princípios te fazem concordar com o ódio, isso diz muito mais a seu respeito do que sobre o Lula, a Esquerda ou quem quer que seja que você esteja direcionando isso.


TEXTO DE:

Cora Descorada

Campo Grande, cidade Luz em Trevas

Entre as luzes de milhões, brilha o abandono.

Numa tentativa de revestir a cidade com um clima natalino que, neste ano, simplesmente não se impõe, a gestora municipal gastou quase dois milhões de reais com luzes que cumprem o seu papel: é a maquiagem que esconde a verdadeira face sofrida da nossa capital. 

Enquanto isso o povo sofre.

O povo é paulatinamente humilhado. Quando falta médico e remédio. Quando torram o dinheiro do contribuinte sem zelo. Quando falta assistência e quando não cuidam da cidade.

A contradição chama à atenção diante de uma administração marcada pela forte presença de líderes religiosos em cargos com salários altíssimos. Mais uma vez venderam a igreja de Cristo

Nesse contexto, cabe recordar um dos princípios bíblicos, presente em Provérbios 29:2:
Quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio domina, o povo geme.

AUTOR DESCONHECIDO