sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Renato Falastrão Gaúcho
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Fim da escala 6x1: menos trabalho, mais descanso e o desafio de reorganizar a economia
A discussão sobre o fim da escala 6x1 vai muito além de conceder mais um dia de folga ao trabalhador. O debate envolve qualidade de vida, salários, produtividade e a maneira como as empresas brasileiras organizam suas atividades.
O texto aprovado pelo Senado em outubro de 2026 prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários. A mudança, entretanto, ainda depende da conclusão das etapas constitucionais para entrar em vigor.
Mas o que isso significa na prática?
Fim da escala 6x1: quem criou a proposta e como funcionaria a redução da jornada?
Para entender essa discussão, é importante separar três coisas: o fim da escala 6x1, a redução da jornada semanal de trabalho e a maneira como as empresas reorganizariam seus horários. São questões relacionadas, mas não significam exatamente a mesma coisa.
Hoje, a regra geral prevista na Constituição brasileira é de até 8 horas diárias e 44 horas semanais, com repouso semanal remunerado. A escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) é uma das formas de organizar essa jornada, desde que sejam respeitadas as regras legais e coletivas aplicáveis.
Reduzir o limite semanal de 44 para 40 horas, por exemplo, não significa necessariamente trabalhar uma hora a menos todos os dias. A distribuição depende do modelo adotado.
1. Quem é o autor do projeto?
A resposta correta é que a proposta atual resulta de diferentes iniciativas, de uma mobilização social e de negociações no Congresso. Não existe apenas uma pessoa responsável por toda a discussão.
Reginaldo Lopes (PT-MG)
É o autor da PEC 221/2019, que deu origem à proposta principal. O texto original previa a redução da jornada para 36 horas semanais. A proposta foi posteriormente modificada durante a tramitação na Câmara.
Erika Hilton (PSOL-SP)
Apresentou a PEC 8/2025, que propunha uma jornada de até 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias de trabalho e três de descanso. Essa iniciativa foi incorporada à discussão da PEC de Reginaldo Lopes.
Rick Azevedo
Foi uma das principais figuras da mobilização popular contra a escala 6x1, por meio do movimento Vida Além do Trabalho (VAT). Sua atuação ajudou a levar o assunto ao debate público, mas ele não é o autor da PEC 221/2019.
Leo Prates (Republicanos-BA)
Foi o relator que apresentou o texto substitutivo aprovado pela Câmara em maio de 2026. É importante distinguir a autoria da proposta original da responsabilidade pela elaboração do texto final votado naquela Casa.
Portanto, dizer que a pauta foi criada exclusivamente por um partido ou por um único parlamentar apaga parte da história. A proposta legislativa de Reginaldo Lopes existe desde 2019; Erika Hilton apresentou outra iniciativa em 2025; e o movimento VAT contribuiu para ampliar a mobilização pública.
2. O que aconteceu com a proposta até agora?
Atualização importante: em 14 de outubro de 2026, o Senado aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos. O resultado foi de 75 votos favoráveis e um contrário em cada turno.
O texto aprovado prevê:
redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas;
dois dias de descanso remunerado por semana;
manutenção do salário, sem redução nominal ou proporcional;
transição gradual para a nova jornada.
Atenção: a aprovação no Senado não significa que a nova regra já esteja em vigor. É necessário acompanhar a etapa de promulgação da emenda constitucional.
3. Na prática, como se passa de 44 para 40 horas?
Vamos imaginar uma pessoa que trabalha no comércio, em um supermercado ou em uma loja, com jornada de 44 horas semanais.
Como funciona hoje: escala 6x1
Seg - 8h
Ter - 8h
Qua - 8h
Qui - 8h
Sex - 8h
Sáb - 4h
Dom - Folga
44 horas distribuídas em seis dias. A jornada real varia conforme o contrato e a organização dos horários.
Como ficaria: escala 5x2
Seg - 8h
Ter - 8h
Qua - 8h
Qui - 8h
Sex - 8h
Sáb - Folga
Dom - Folga
Cinco dias de oito horas, totalizando 40 horas semanais e dois dias de descanso.
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
A alfebetização paraense a todo vapor
terça-feira, 13 de outubro de 2026
Apesar de você
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Milei, o queridinho dos economistas brasileiros: quando a planilha vale mais que o povo
Assim funciona o debate econômico brasileiro: determinados especialistas demonstram uma capacidade extraordinária de enxergar os números positivos da Argentina de Javier Milei, mas parecem desenvolver uma espécie de miopia quando o assunto são as consequências sociais do ajuste.
A inflação cai? Um sucesso histórico! O governo alcança superávit fiscal? Uma demonstração de responsabilidade!
Empresas desaparecem, o emprego formal encolhe e a pobreza volta a crescer? Nesse momento, surgem as explicações sobre sacrifícios necessários, heranças malditas e benefícios que, quem sabe, chegarão algum dia.
A pergunta é inevitável: desde quando a economia passou a ser avaliada exclusivamente pela saúde das contas públicas, como se a população fosse um detalhe inconveniente na apresentação de resultados?
Os dados argentinos merecem ser examinados sem maquiagem. Segundo levantamento baseado em registros da Superintendência de Riscos do Trabalho, o número de empregadores registrados caiu de 512.357, em novembro de 2023, para 480.067, em julho de 2026: uma redução de 32.290 registros, equivalente a 6,3%. Isso não significa necessariamente que todas essas empresas tenham encerrado definitivamente suas atividades, mas revela uma retração expressiva do universo de empregadores formais. No mesmo período, o mercado de trabalho privado também perdeu postos de trabalho. E, segundo a Reuters, a pobreza argentina subiu de 28,2% para 32,3% no primeiro semestre de 2026.
São números que deveriam provocar perguntas incômodas. Quantos trabalhadores perderam sua fonte de renda? Quantos pequenos comerciantes precisaram fechar as portas? Quantas famílias passaram a depender de crédito ou de ajuda alheia para pagar despesas básicas?
Aparentemente, algumas dessas perguntas incomodam menos do que a possibilidade de um governo ideologicamente admirado apresentar dificuldades.
É preciso reconhecer que Milei assumiu uma Argentina marcada por inflação crônica, instabilidade monetária e graves desequilíbrios fiscais. A redução da inflação e a recuperação do equilíbrio das contas públicas são resultados relevantes. Negá-los seria trocar a análise econômica por torcida política. Mas reconhecer avanços específicos não obriga ninguém a declarar bem-sucedido um projeto inteiro, muito menos a ignorar seus custos sociais.
O problema começa quando a estabilização deixa de ser um instrumento para melhorar a vida das pessoas e passa a ser apresentada como uma finalidade suficiente. Como se o superávit fiscal pudesse pagar sozinho o aluguel de quem perdeu o emprego. Como se a confiança dos investidores substituísse o salário que deixou de entrar em casa. Como se a redução das despesas governamentais fosse automaticamente convertida em prosperidade para todos.
Não é assim que funciona.
Uma economia não pode ser considerada plenamente saudável apenas porque suas contas melhoraram, se uma parcela crescente da população enfrenta dificuldades para sobreviver.
A comparação que ignora o tamanho do Brasil
A defesa do modelo argentino ganha contornos ainda mais problemáticos quando determinados comentaristas tentam transformar o país vizinho em uma receita pronta para o Brasil.
Segundo dados do Banco Mundial para 2025, o Brasil tinha aproximadamente 212,8 milhões de habitantes, enquanto a Argentina possuía 45,9 milhões. O PIB brasileiro, medido em dólares correntes, era de cerca de US$ 2,28 trilhões, diante de US$ 683 bilhões da economia argentina. São diferenças de escala que não podem ser varridas para debaixo do tapete.
O Brasil possui uma estrutura produtiva de dimensão continental, com agricultura diversificada, mineração, indústria, serviços, um mercado consumidor muito maior e profundas diferenças regionais. A Argentina tem suas próprias vantagens produtivas, uma estrutura exportadora específica e uma trajetória monetária e fiscal particular. Os dois países compartilham problemas, mas não são economias intercambiáveis.
Copiar medidas sem considerar essas diferenças é como prescrever o mesmo tratamento para pacientes com históricos, organismos e condições clínicas distintos. A semelhança de alguns sintomas não elimina a necessidade de diagnóstico.
Isso não significa que o Brasil deva ignorar a experiência argentina. Significa que precisa examiná-la com seriedade, identificando quais políticas produziram resultados, quais custos provocaram e quais condições permitiram ou limitaram seus efeitos.
Comparar países exige mais do que selecionar o indicador que favorece a tese defendida. É preciso considerar o ponto de partida, a estrutura produtiva, o tamanho do mercado interno, o emprego, a distribuição de renda e os efeitos sobre os diferentes grupos sociais.
Quando a ideologia escolhe os números
Há, nesse debate, uma questão que ultrapassa a Argentina: a possibilidade de que convicções ideológicas determinem quais dados recebem destaque e quais são tratados como inconvenientes.
Isso não autoriza afirmar que todos os economistas favoráveis a Milei sejam desonestos ou que suas avaliações se resumam à simpatia política. Existem argumentos econômicos legítimos em defesa da disciplina fiscal, da desregulamentação e do controle inflacionário. O problema está na seletividade: quando resultados favoráveis são apresentados como provas definitivas, mas os resultados negativos são sempre adiados para um futuro indefinido.
Se a pobreza aumenta, seria preciso perguntar por quê. Se empresas desaparecem dos registros, seria necessário investigar os setores atingidos. Se o emprego formal recua, convém verificar se o crescimento de outras atividades compensa essas perdas. E, sobretudo, se o sacrifício presente é justificado por uma promessa de prosperidade futura, cabe exigir evidências de que essa prosperidade está efetivamente se materializando.
Uma teoria econômica não pode ser tratada como uma religião cujos dogmas sobrevivem a qualquer resultado. Se os fatos contrariam as expectativas, são as hipóteses que precisam ser revistas, não a realidade que deve ser convenientemente descartada.
O mesmo rigor deve valer para governos de qualquer orientação política. Um economista que critica o aumento dos gastos públicos precisa examinar seus efeitos, mas também deve reconhecer o custo social de cortes abruptos. Quem defende o equilíbrio fiscal deve explicar como ele será alcançado e quem suportará seus efeitos. E quem celebra o crescimento precisa demonstrar se ele gera empregos, eleva rendimentos e melhora as condições de vida.
A economia não é uma competição para ver qual governante consegue produzir a planilha mais atraente. É uma ferramenta para compreender como os recursos são produzidos, distribuídos e utilizados em uma sociedade.
No fim, o problema não é elogiar Milei quando os indicadores justificam elogios. É transformar esse elogio em compromisso ideológico, tornando qualquer dado negativo uma inconveniência secundária.
Se a inflação cai, mas a pobreza volta a subir; se as contas públicas melhoram, mas empresas e empregos desaparecem, não basta comemorar os primeiros números e relativizar os segundos. É necessário explicar o conjunto.
Afinal, de que serve uma economia teoricamente saneada se o cidadão comum continua esperando pela recuperação prometida?
Uma planilha equilibrada pode ser um instrumento importante de governo. Mas não é um atestado automático de prosperidade nacional. E, quando a defesa de um modelo econômico exige que se olhe para os números e se desvie o olhar das pessoas, talvez o problema não esteja apenas nos resultados apresentados, mas também nos critérios escolhidos para julgá-los.
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
O Nordeste merece respeito
O comportamento de quem transforma o mapa eleitoral brasileiro em uma espécie de certificado de superioridade regional revela uma perversidade bem particular.
Quando o Nordeste vota majoritariamente em Lula, parte dos brasileiros do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste reage como se a escolha de milhões de cidadãos fosse uma prova de inferioridade intelectual, moral ou econômica. A divergência política deixa de ser debate democrático e passa a servir de pretexto para a discriminação.
O raciocínio é tão preconceituoso quanto historicamente desinformado: o Nordeste tem mais pobreza, logo seus habitantes seriam menos capazes de escolher os próprios representantes. Como se a renda determinasse a inteligência. Como se o CEP definisse a dignidade. Como se a democracia concedesse mais valor ao voto de quem ganha mais.
A pobreza existe, os indicadores mostram desigualdades reais, mas a interpretação que transforma essas desigualdades em defeitos de uma população é que constitui a fraude moral dessa discussão.
Segundo o IBGE, em 2023, 47,2% da população nordestina estava abaixo da linha de pobreza monetária adotada pelo instituto, baseada em US$ 6,85 diários pela paridade do poder de compra. No Sul, a proporção era de 14,8%. Os números não devem ser negados nem maquiados. Devem ser compreendidos. E compreender exige ir além de uma eleição e de uma postagem ofensiva nas redes sociais.
A desigualdade não nasceu na urna
A história econômica brasileira não começou com Lula, tampouco com o Bolsa Família. O Nordeste ocupou posição central na economia colonial, especialmente na produção açucareira, construída sobre a exploração do trabalho escravizado. Posteriormente, mudanças nos mercados, na estrutura produtiva e na localização dos investimentos contribuíram para deslocar o centro dinâmico da economia nacional.
No século XX, a industrialização brasileira concentrou-se sobretudo no Sudeste, com São Paulo assumindo papel decisivo. A infraestrutura, os capitais acumulados, a expansão do mercado consumidor e as políticas econômicas contribuíram para consolidar essa concentração. O Nordeste não percorreu a mesma trajetória, e as tentativas de reduzir as disparidades regionais, como a criação da Sudene em 1959, surgiram justamente diante desse problema histórico.
Isso não significa que o Sul e o Sudeste tenham prosperado apenas por causa do Nordeste, nem que todas as diferenças atuais possam ser explicadas por uma única causa. Significa que o desenvolvimento brasileiro ocorreu de maneira desigual, com oportunidades, investimentos e estruturas produtivas distribuídos de forma assimétrica.
A geografia econômica não é uma competição esportiva na qual uma região vence porque seus habitantes possuem alguma virtude inata. É resultado de processos históricos, decisões políticas, condições materiais, infraestrutura, educação, organização produtiva e acesso a oportunidades.
A contradição de quem condena a pobreza, mas despreza os pobres
A crueldade aparece quando a desigualdade deixa de ser um problema a enfrentar e vira instrumento para humilhar quem vive sob suas consequências.
Em outubro de 2022, após o primeiro turno presidencial, reportagens registraram ataques contra eleitores nordestinos, incluindo associações entre a votação em Lula, o analfabetismo e a dependência econômica.
Uma pesquisa divulgada pela Agência Fapesp em janeiro de 2026, baseada em estudo da Universidade Federal de São Carlos, identificou aumento de 821% no discurso de ódio contra nordestinos no X (Twitter), durante a eleição de 2022, conforme a metodologia utilizada pelos pesquisadores.
O fenômeno expõe uma contradição: pessoas que dizem desejar o desenvolvimento do país podem, ao mesmo tempo, tratar uma parcela da população como se ela não merecesse respeito por sua origem ou por sua condição econômica.
Quem realmente se preocupa com a pobreza deveria discutir empregos, saneamento, educação, infraestrutura, industrialização, produtividade e distribuição de renda. Deveria cobrar resultados dos governos, independentemente do partido. Deveria perguntar por que oportunidades e investimentos não alcançam todos os brasileiros nas mesmas condições.
Insultar o pobre não cria emprego. Ridicularizar o nordestino não instala uma fábrica no sertão. Desqualificar seu voto não melhora a educação pública nem constrói uma rede de abastecimento de água.
O voto é consequência de experiências, não de uma suposta inferioridade
A preferência eleitoral de uma população não pode ser explicada por uma única variável. Experiências econômicas, identificação partidária, políticas públicas, valores, expectativas e avaliações dos governos podem influenciar as escolhas dos eleitores. Isso vale para o Nordeste e também para quem vota de maneira diferente no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste.
Em 2022, Lula obteve 69,34% dos votos válidos no Nordeste no segundo turno, segundo os resultados eleitorais divulgados. Esse resultado expressou uma escolha política majoritária naquela região, não uma autorização para que brasileiros de outras partes do país tratassem seus habitantes como cidadãos de segunda classe.
O eleitor nordestino não precisa votar como o eleitor gaúcho, catarinense, paulista, mineiro, goiano ou mato-grossense para ter seus direitos respeitados. A democracia existe justamente porque cidadãos livres podem discordar.
E há uma ironia adicional: o Brasil inteiro se beneficia do trabalho de pessoas que migraram do Nordeste, construíram cidades, trabalharam na indústria, na construção civil, no comércio, nos serviços e em inúmeros outros setores. A contribuição nordestina não está confinada às fronteiras dos nove estados da região.
Não existe mérito em herdar oportunidades e desprezar quem teve menos
O desenvolvimento de uma região pode ser motivo de orgulho, mas não deveria servir como autorização para o desprezo. Ter acesso a melhores oportunidades econômicas não transforma ninguém em cidadão superior. Do mesmo modo, enfrentar pobreza não torna ninguém intelectualmente inferior ou politicamente incapaz.
O Nordeste não é homogêneo, não vive exclusivamente da pobreza e tampouco está condenado a ela. Possui centros urbanos, universidades, polos industriais, atividades agrícolas, turismo, produção cultural e setores econômicos diversos. Seus problemas estruturais são reais, mas não resumem a identidade de milhões de pessoas.
A mesma honestidade exige reconhecer as desigualdades existentes em outras regiões brasileiras. O Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste também têm populações vulneráveis e municípios com dificuldades econômicas. Indicadores regionais são médias que não descrevem igualmente todos os habitantes.
A questão, portanto, não é inverter o preconceito e declarar uma região moralmente superior a outra. É abandonar a ideia de que diferenças de renda autorizam diferenças de dignidade.
O Brasil que ainda precisa aprender a ser um país
O Nordeste não deve desculpas por votar em Lula, assim como qualquer outra região não deve desculpas por escolher candidatos diferentes. O voto é um direito, não uma concessão das regiões mais ricas às mais pobres.
Se a desigualdade regional preocupa, que a discussão seja sobre como superá-la. Se a educação preocupa, que se invista nela. Se faltam empregos e oportunidades, que se debatam políticas capazes de ampliar a atividade econômica e reduzir a vulnerabilidade social.
O que não se pode aceitar é que uma desigualdade construída ao longo de séculos seja utilizada como arma contra aqueles que ainda convivem com suas consequências.
O problema não está em reconhecer que o Nordeste enfrenta maiores índices de pobreza. Está em transformar esse dado em argumento para diminuir o nordestino.
Uma sociedade verdadeiramente comprometida com o desenvolvimento não pergunta por que os pobres ousam votar. Pergunta por que, em um país tão rico em recursos, trabalho e diversidade, tantos brasileiros ainda não dispõem das mesmas oportunidades.
A urna não mede a dignidade de uma população. E a renda de uma família não determina o valor de sua cidadania.
O Nordeste não precisa da autorização política ou moral de nenhuma outra região para existir, votar e exigir seu lugar no futuro brasileiro.
Até porque, um estado que elege como governador, uma besta completa, como Sérgio Moro, não tem muita moral para ofender todo o Nordeste.
Mas, isso é conversa para outro dia.


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