sábado, 10 de janeiro de 2026

F1 2026

2026 promete grandes emoções na F1

Uma paixão que passa de geração para geração. O maior evento automobilístico do universo.

O foco de qualquer piloto é chegar até esta divisão. Os olhos do mundo em termos de velocidade estão nesta iniciativa.

Já sabe do que estamos falando? Sim, a Fórmula 1 representa isso e muito mais.

Trata-se do palco de rivalidades inesquecíveis, um espaço que concentra marcas reconhecidas internacionalmente e dinheiro, muito dinheiro por parte dos patrocinadores.

O ano de 2026 chegou trazendo novidades para a Fórmula 1 - uma verdadeira revolução nos carros e motores. A categoria vai introduzir um novo regulamento técnico no campeonato deste ano, previsto para começar em 8 de março, mudanças que já estão gerando muita expectativa.

O motor da F1 seguirá sendo um turbo V6, híbrido: metade elétrico, metade à combustão. Porém, a unidade deixará de contar com o MGU-H, sistema de recuperação de energia térmica, mas manterá o sistema de recuperação de energia cinética (MGU-K).

Cerca de 35kg mais pesado que o anterior, ele terá a parte elétrica mais potente que a de combustão; os combustíveis fósseis foram banidos, e passarão a ser 100% sustentáveis.

As equipes serão responsáveis por desenvolver seus próprios biocombustíveis. Alem disso, o uso da bateria ganhou um impulso adicional que pode ser acionado manualmente pelos pilotos para atacar ou se defender.

Haverá cinco fabricantes de motores para as 11 equipas: Ferrari, Mercedes, Honda, Audi e Red Bull Powertrains (com apoio da Ford).

As alterações regulamentares para 2026 mantêm as unidades de potência V6 turbo híbridas com apenas 1.6 litros de cilindrada, onde geram impressionantes 1000 cavalos de potência.

A Fórmula 1 teve início no ano de 1950 a partir de um campeonato organizado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo).

Concebida no início com foco em um torneio entre pilotos, a F1, como é carinhosamente chamada ao redor do mundo, nasceu na Europa e só depois se espalhou por outros continentes.

O campeonato se consolidou ao longo dos anos e atualmente se apresenta como um dos maiores eventos esportivos do globo.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

América Latina no Alvo do Império em Declínio

As únicas diferenças desta última invasão dos EUA sobre a Venezuela em relação a todas as ações imperialistas similares ao redor do mundo é que agora há pressa e não há disfarces.

Trump não pediu autorização do congresso e fala abertamente que seu objetivo é tomar o petróleo de nosso vizinho.

Esse desprezo do executivo estadunidense aos ritos pseudo democráticos e aos discursos falaciosos oficiais me parece, contraintuitivamente, sintoma de decadência estrutural do império.

Ainda que a ação mostre musculatura militar, a pressa por recursos e o descaso com as posições até de aliados próximos mostra também desespero.

Processos históricos podem ser longos, muito longos. E vivemos indiscutivelmente o ocaso do império estadunidense. Porém não nos enganemos: eles vão cair atirando e somos alvos preferenciais.

Um bom primeiro ato de resistência é expor e denunciar todos os entreguistas que agora pedem a invasão de nosso próprio país; esse bando é tão inimigo nosso quanto Trump.


TEXTO DE:

Alexandre Périgo

domingo, 4 de janeiro de 2026

Prisão de Maduro. A derrubada de tiranos não pode ser pretexto para legitimar pilhagens


Não há absolutamente nada a comemorar na invasão da Venezuela por tropas americanas e na consequente captura de Nicolás Maduro.

Trata-se de uma ação flagrantemente ilegal, em afronta direta ao princípio da não intervenção entre Estados soberanos, consagrado na Carta das Nações Unidas.

Não se confunda esta crítica com qualquer tentativa, ainda que remota, de absolver o ditador venezuelano.

Maduro é um autocrata que se perpetuou no poder por meio de fraudes eleitorais reiteradas, repressão política e erosão sistemática das instituições democráticas. A natureza de seu regime não está em debate.

O ponto central é outro — e mais grave. Donald Trump violou conscientemente o regramento internacional não para restaurar a democracia venezuelana, mas para atender a interesses econômicos estratégicos, notadamente o controle sobre o petróleo do país.

Não há idealismo nem altruísmo nesta intervenção: há oportunismo geopolítico.

Neste embate, não existem mocinhos.

Cometeu-se um crime internacional para, supostamente, interromper outro crime — o da permanência ilegítima de Maduro no poder. A lógica é perversa e perigosa: legitimar o uso da força em nome de uma pretensa moralidade superior.

As declarações do vice-presidente americano, J.D. Vance, segundo as quais seria necessário “retomar” um petróleo que teria sido roubado dos Estados Unidos, não resistem a uma análise histórica minimamente honesta. Trata-se de um biombo retórico, construído para encobrir o verdadeiro propósito da ação militar.

Os fatos são inequívocos. Em 1976 — há exatos cinquenta anos — o então presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez nacionalizou a indústria do petróleo.

Fê-lo dentro da legalidade, com respaldo institucional e, sobretudo, mediante o pagamento de compensações que ultrapassaram US$ 1 bilhão às empresas afetadas, entre elas Exxon, Mobil, Gulf Oil e Texaco.

Não houve confisco arbitrário, tampouco expropriação autocrática. Um governo democraticamente eleito decidiu nacionalizar um setor estratégico de sua economia, negociando compensações amplamente discutidas e aceitas à época.

Reescrever essa história para justificar uma intervenção militar é não apenas intelectualmente desonesto, mas politicamente perigoso.

Ao atropelar o direito internacional sob o pretexto de corrigir uma injustiça histórica inexistente, Washington abre um precedente perigoso.

Se a violação da soberania alheia passa a ser aceitável sempre que houver recursos estratégicos em jogo, o sistema internacional retorna à lei do mais forte — exatamente o oposto da ordem que se pretendeu construir após a Segunda Guerra Mundial.

A derrubada de tiranos não pode ser pretexto para legitimar pilhagens. Quando a força substitui o direito, todos perdem — inclusive aqueles que acreditam estar do lado vencedor.

Ainda mais frágil é a justificativa de que Maduro liderava uma organização criminosa transnacional voltada ao tráfico de drogas. Essa tese tampouco resiste a uma análise consistente.

A Venezuela é, no máximo, um corredor de passagem para a entrada de cocaína nos Estados Unidos. Mais de 95% da produção provém da Colômbia e do Peru. Ou seja, se esse fosse o propósito, o alvo não corresponderia aos fatos.

A propósito da Colômbia, a entrevista de Donald Trump foi assustadora para o presidente Gustavo Petro.

O mandatário dos Estados Unidos o ameaçou ostensivamente, dando a entender que pode ser o próximo alvo.

Há diferenças gigantes entre os dois casos. De fato, a Colômbia é o maior produtor de cocaína das Américas, mas Petro não é um ditador: foi eleito democraticamente. Portanto, ameaçá-lo é uma demonstração pública de absoluto desprezo pelas instituições democráticas. Inaceitável.

Os arroubos retóricos de Trump chocaram também pela ausência de qualquer referência à retomada da ordem democrática na Venezuela.

Nem mesmo para atenuar o objetivo óbvio de espoliar as riquezas minerais do país invadido, Trump aludiu ao propósito de contribuir para o restabelecimento da normalidade institucional venezuelana, por meio de eleições livres e transparentes.

É necessário reconhecer que foi, ao menos, sincero: falou em petróleo de modo desabrido, sem pudores. Não escondeu o propósito real da operação.

Insolentes, Trump e seus auxiliares diretos deixaram no ar uma ameaça explícita a todos os países latino-americanos que eventualmente discordem das posições do atual governo estadunidense. “Ninguém nunca mais questionará o poderio americano no nosso hemisfério”, disse, citando a Doutrina Monroe, que preconiza a dominação da América Latina por Washington como poder hegemônico da região.

A tese revive um entulho ideológico do imperialismo clássico que o discurso diplomático parecia ter arquivado e restabelece a prática de violações em nome do controle absoluto da área de influência política da nação líder — a mesma justificativa invocada por Vladimir Putin para invadir a Ucrânia.

O que se vê é a normalização da força em desfavor do triunfo da justiça. Neste caso, foi contra Nicolas Maduro – um ditador.  Mas quem será o próximo alvo de Donald Trump


TEXTO DE:

Ricardo Bruno 

sábado, 3 de janeiro de 2026

Venezuela Free


 

Cada vez que os EUA ‘salvam’ um povo, o deixam transformado em manicômio ou cemitério
(Eduardo Galeano)

Com quantas fake news se faz uma guerra?

Não podemos esquecer a relação perversa entre o governo Trump e os bilionários das Big Techs, nem que as redes sociais são capazes de construir discursos que corroem democracias e justificam ataques.

Fagulhas de mentira alimentadas por algoritmos invisíveis, se alastram e queimam a confiança pública.

Há mais do que dúzias de países mundo afora que vive sob regime ditatorial, que não respeitam legislações e submetem seus próprios povos a martírios intangíveis.

Eis que os Estados Unidos só se preocupam com os que são abundantes em hidrocarbonetos, combustíveis ou não. Coincidência ou não, nações que não possuem material bélico capaz de persuasão, como bombas atômicas.

Como pode uma tirania ser derrotada por outra tirania e as pessoas acharem isso bom?

Não há esperança em um mundo onde um país mais rico e mais forte segue conseguindo tudo o que quer na marra enquanto outros apenas fingem demência, tal qual o estado brasileiro, que há décadas se prostra em relação às ameaças vizinhas.

Somos corresponsáveis por tudo que ocorre em nosso quintal.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Quando um Marajá decidiu que crianças não eram problema político

Em 1942, enquanto a Segunda Guerra transformava refugiados em estatísticas e fronteiras em muros, centenas de crianças polonesas vagavam entre decisões burocráticas e a indiferença internacional.

Eram órfãs, sobreviventes de deportações soviéticas, libertadas após anos em campos de trabalho e empurradas por uma rota improvável que passava pelo Irã até chegar à Índia Britânica.

A Índia, naquele momento, não era um país soberano, mas uma colônia.

Portos, navios e decisões passavam pelo crivo do Império Britânico, que lidava com refugiados como quem administra excesso de carga. Negociações se arrastavam. O tempo, não.

Foi então que a história saiu do eixo previsível.

No oeste da Índia, no pequeno Estado principesco de Nawanagar, o Marajá Jam Sahib Digvijaysinhji foi informado de que centenas de crianças polonesas precisavam de abrigo. Não se tratava de um gesto estratégico, nem de uma obrigação legal. Era apenas uma pergunta simples demais para a guerra: alguém iria acolhê-las?

O Marajá disse que sim.

Autorizou a entrada das crianças em seu território e destinou sua residência de verão, em Balachadi, para abrigá-las. 

Não criou um campo improvisado, mas uma comunidade. Houve escola, médicos, alimentação regular e professores poloneses. Houve também algo raro em tempos de guerra: normalidade.

As crianças aprenderam novamente a brincar, estudar e celebrar datas que pareciam perdidas. Mantiveram a língua, a cultura e a memória de um país que talvez nunca mais vissem.

O próprio marajá acompanhava o cotidiano, financiava o abrigo e fazia questão de ser lembrado não como autoridade, mas como alguém presente.

Balachadi funcionou entre 1942 e o fim da guerra. Os números variam — algo entre 600 e 800 crianças —, mas o essencial é indiscutível: elas sobreviveram porque alguém se recusou a tratá-las como um problema diplomático.

Depois da guerra, essas crianças seguiram para outros países, reconstruíram a vida e levaram a história consigo. Na Polônia, o Marajá passou a ser conhecido como o “Bom Marajá”, homenageado com praças, escolas e memória oficial.

O monumento, no entanto, não está no bronze.

Está em cada vida que atravessou o século porque, em meio à guerra, um homem decidiu que compaixão não precisava de autorização.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Esperança e resistência política em “New Year's Day” do U2

Composição: The Edge / Larry Mullen Jr. / Adam Clayton / Bono.

New Year's Day”, do U2, vai além de uma simples canção sobre renovação.

A música faz referência direta ao movimento Solidariedade na Polônia, liderado por Lech Walesa, trazendo um forte significado político.

A separação de Walesa e sua esposa Danuta, evocada por Bono, aparece nos versos “I want to be with you, be with you night and day / Nothing changes on New Year's Day” ( Quero estar com você, estar com você noite e dia / Nada muda no Dia de Ano Novo ), expressando tanto o desejo de união quanto a frustração diante da estagnação política e social.

O cenário descrito como “world in white” ( mundo em branco ) e a repetição de “All is quiet on New Year's Day” ( Tudo está quieto no Dia de Ano Novo ) sugerem um momento de pausa e reflexão, mas também de esperança silenciosa em meio à opressão, reforçada pelo inverno rigoroso mostrado no videoclipe e pelo “blood red sky” ( céu vermelho sangue ) da letra, que remete à violência e tensão política da época.

Apesar do tom de desolação, a música traz uma mensagem de esperança e resistência, especialmente nos versos “Say it's true, it's true / And we can break through / Though torn in two / We can be one” ( Diga que é verdade, é verdade / E nós podemos superar / Mesmo divididos em dois / Podemos ser um ).

Bono sugere que, apesar das divisões, é possível superar as dificuldades e buscar união, refletindo o espírito do Solidariedade.

Ao mencionar “gold is the reason for the wars we wage” ( o ouro é o motivo das guerras que travamos ), a música amplia seu alcance, conectando a luta polonesa a conflitos universais motivados por interesses materiais.

Assim, “New Year's Day” se destaca como um hino à esperança, renovação e persistência diante dos desafios, marcando a transição do U2 para temas sociais e políticos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Banco Master e o Teateo da Mídia Lavajatista

Não sei se vocês estão perdidos, mas é preciso lembrar que o escândalo do Banco Master diz respeito a bilhões de reais de dinheiro público alocados em operações financeiras temerárias, envolvendo bancos públicos, fundos de aposentadoria e governos estaduais. Isso é o essencial.

Todo o resto é distração. E distração, aqui, é estratégia preferencial das forças antidemocráticas. 

O caso é especialmente grave por envolver governadores e lideranças políticas ligadas ao bozismo institucional - entre eles, os governadores do Rio de Janeiro e de Brasília - que autorizaram investimentos massivos em títulos de alto risco, comprometendo recursos que pertencem à população - a nós, à você.

Quando o castelo começou a ruir, tentou-se socializar o prejuízo: determinado senador bolsonarista quase conseguiu emplacar a ampliação do Fundo Garantidor de Crédito para cobrir rombos privados com dinheiro coletivo. Foi quase.

Mas o debate público foi rapidamente deslocado. E muitos embarcaram na onda…

De repente, o “escândalo” deixou de ser o uso criminoso do Estado pelos bozistas e passou a ser um suposto contrato de advocacia envolvendo a esposa de um ministro do STF - aquele que foi relator do processo que condenou, justamente, o chefe da organização criminosa.

Um contrato discutível? Sim, é possível. Eticamente questionável? Pode ser. Ilegal? Até agora, não.

E, sobretudo, irrelevante diante da dimensão do dano financeiro em curso.

Essa inversão não é inocente. O escândalo, hoje, é uma arma política que as forças antidemocráticas manejam com destreza ao menos desde o lavajatismo. E o fato de o lavajatismo ter saído quase ileso dos crimes que cometeu cobra seu preço na sua repetição sempre que a situação dos canalhas de sempre aperta.

A distração na forma de escândalo de estilo lavajatista, plantada pela grande mídia, funciona como instrumento de ocultação. Em vez de revelar a verdade, fragmenta-a, moraliza-a e personaliza-a. Troca-se o crime estrutural pela indignação seletiva. Enquanto se discute o contrato e o parentesco da advogada com o juiz, os responsáveis pelo desaparecimento de bilhões do erário convenientemente desaparecem do noticiário.

A cereja do bolo desse lavajatismo redivivo é o chamado para uma CPI - proposta, não por acaso, por setores do congresso que são inimigos do povo diretamente implicados no caso - e apoiada por figuras que se dizem de esquerda, mas que fizeram parte do lavajatismo.

O mais curioso é o crime investigando a si mesmo: escolhendo o roteiro, inventando fatos e invertendo acusações - como no caso dos desvios no INSS, crime perpetrado em conluio com a mesmíssima organização criminosa do presidiário.

Essa CPI ou CPMI seguirá claramente a mesma lógica da CPMI do INSS e cumprirá, sem muita dúvida, o objetivo central da estratégia: reorganizar o espetáculo, controlar o foco da opinião pública e produzir equivalências falsas. E tudo isso em ano eleitoral.

Além disso, last but not least, figuras como o Governador de São Paulo surgem como atores indiretos no caso Master.

Ele recebeu doações de campanha de empresários ligados ao conglomerado do Banco, criando uma relação política e financeira que merece atenção. Até o momento, não há registro de investigação formal contra ele, mas o interesse da mídia antidemocrática em transformar o debate pode estar justamente em embaralhar o enredo e desfocar a verdade, desviando o foco do público das relações entre Tarcísio e o Master.

Tinha era que ter uma CPI sobre o lavajatismo da grande mídia…

Na montagem abaixo, identifiquem os personagens envolvidos… A grande imprensa não o fará por você.

TEXTO DE:
Sérgio Alarcon