sábado, 9 de maio de 2026
Te dá Aaaaasas...
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Trump estende tapete vermelho para Lula
A reunião entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, realizada nesta quinta-feira na Casa Branca, teve um detalhe que desmonta parte da caricatura política criada no Brasil nos últimos anos: Trump tratou Lula como um estadista experiente, não como um adversário folclórico.
Chamou o presidente brasileiro de “dinâmico” e definiu o encontro como “muito produtivo”, após horas de conversa reservada sobre comércio, tarifas, segurança e geopolítica.
E isso não aconteceu por gentileza diplomática. Trump pode até transformar a política em espetáculo, mas não costuma desperdiçar pragmatismo quando enxerga poder real diante dele.
O presidente americano sabe que Lula chega à mesa carregando décadas de experiência internacional, trânsito global e capacidade de negociação construída desde o início dos anos 2000.
Enquanto muitos líderes surgem e desaparecem ao sabor das redes sociais e das guerras culturais, Lula atravessou governos Bush, Obama, Sarkozy, Merkel, Putin, Xi Jinping e agora volta a negociar diretamente com Trump.
Há uma diferença importante entre propaganda doméstica e percepção internacional.
Parte da elite econômica brasileira ainda insiste em enxergar Lula pela lente do preconceito social: “o pernambucano de nove dedos”, o retirante que ousou ocupar espaços historicamente reservados aos sobrenomes tradicionais do poder.
Mas o mundo não funciona segundo os ressentimentos da Casa Grande brasileira.
Lá fora, Lula continua sendo reconhecido como um dos políticos mais influentes do Sul Global e um dos líderes mais conhecidos da história contemporânea da América Latina.
Gostem ou não seus adversários, Lula se transformou num personagem histórico. Não apenas pela origem improvável ou pelas vitórias eleitorais, mas porque construiu relevância internacional duradoura.
Poucos líderes latino-americanos conseguiram dialogar simultaneamente com Washington, Pequim, Bruxelas e Moscou sem desaparecer politicamente no meio do caminho. Menos ainda conseguiram retornar ao poder depois de tudo o que viveu a política brasileira na última década.
Trump percebe isso. E talvez por isso tenha evitado qualquer confronto performático. O presidente americano entende linguagem de força política, de liderança popular e de sobrevivência institucional.
Lula representa exatamente isso. São dois líderes radicalmente diferentes em visão de mundo, mas semelhantes num aspecto essencial: ambos entendem a política como disputa de poder real, não como teatro para redes sociais.
No Brasil, porém, continua existindo uma dificuldade quase patológica de reconhecer a dimensão histórica de Lula.
Há quem prefira reduzi-lo a apelidos ou caricaturas porque admitir sua estatura política significaria aceitar algo intolerável para certos setores: o maior líder político da história brasileira nasceu pobre, nordestino, operário e sem diploma universitário.
E a história, cruel com os arrogantes, costuma rir desse tipo de preconceito.
Enquanto alguns ainda repetem insultos de WhatsApp, Lula segue sendo recebido na Casa Branca como interlocutor estratégico dos Estados Unidos.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
O Fariseu Malafaia
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| (por Antonio Gonzalez) |
domingo, 3 de maio de 2026
Carta aberta de um Católico à Frei Gilson
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Ana Paula Renaut, do Brasil
PL da absolvição criminosa
quinta-feira, 30 de abril de 2026
A imprensa e o gozo autoritário
Quando parte da imprensa deixa de cumprir seu papel clássico — o de mediadora crítica entre poder e sociedade — para assumir, ainda que de forma disfarçada, a posição de agente político interessado no resultado do jogo, cria-se um problema que não pode ser ignorado.
O que se vê em determinados setores do jornalismo brasileiro recente não é apenas uma cobertura enviesada, mas uma espécie de torcida editorial que escolheu lado — e nem sempre o lado mais comprometido com a democracia.
A complacência com o bolsonarismo não começou agora, nem foi episódica. Desde a ascensão de Jair Bolsonaro, parte da imprensa flertou com a ideia de que seria possível instrumentalizar um projeto autoritário em nome de agendas econômicas ou de conveniências conjunturais.
O resultado está aí: normalizou-se o absurdo, relativizou-se o ataque institucional e, pior, criou-se um ambiente onde o Supremo Tribunal Federal passou a ser tratado como inimigo político, e não como pilar da ordem constitucional.
Nesse contexto, a atuação de figuras como Davi Alcolumbre ganha contornos particularmente preocupantes.
Ao articular movimentos que fragilizam o STF — seja por meio de pressões políticas, seja ao pavimentar o terreno para pedidos de impeachment de ministros — Alcolumbre não atua apenas dentro do jogo institucional: ele tensiona os próprios limites da democracia. E o faz com o aplauso tácito de setores da imprensa que, ao invés de denunciar o risco, preferem celebrar o desgaste do Judiciário como se fosse um triunfo político legítimo.
O apoio à rejeição de indicações ao STF, como no caso de Jorge Messias, e a comemoração pela derrubada de vetos presidenciais — mesmo quando esses vetos dizem respeito a critérios técnicos como a dosimetria penal — revelam menos um compromisso com o interesse público e mais uma obsessão narrativa: a necessidade de carimbar manchetes com “derrota do governo” ou, mais especificamente, “derrota de Lula”.
A imprensa tem orgasmos com esses acontecimentos, sem lembrar que no governo anterior, era agredida nas ruas e perseguida pelo governo de turno.
Em termos mais xulos, a imprensa brasileira parece curtir um governo mais dominatrix. Nossa imprensa é sadomasoquista por opção.
E aqui está o ponto central: quando o jornalismo passa a medir a realidade exclusivamente pelo impacto político imediato — quem venceu, quem perdeu — ele abandona qualquer pretensão de analisar consequências concretas para a população. Pouco importa se a decisão enfraquece instituições, desorganiza políticas públicas ou amplia inseguranças jurídicas. O que interessa é o placar.
Essa lógica transforma a política em espetáculo e a imprensa em narradora de campeonato.
Mas democracia não é campeonato.
Quando o STF é sistematicamente deslegitimado, abre-se espaço para aventuras autoritárias.
Quando o Legislativo é estimulado a confrontar o Judiciário em bases oportunistas, cria-se uma instabilidade que não atinge apenas governos — atinge direitos.
Ao celebrar derrotas do Executivo sem examinar o conteúdo dessas derrotas, parte da imprensa incorre numa inversão perigosa: passa a tratar como vitória aquilo que pode, na prática, representar prejuízo direto ao cidadão. É o triunfo da narrativa sobre a realidade.
O mais irônico — e trágico — é que esse comportamento repete erros recentes. A mesma imprensa que hoje vibra com o enfraquecimento de um governo eleito já subestimou, no passado próximo, os riscos de alimentar forças que depois se voltaram contra ela própria. A história não apenas rima — ela insiste em dar segundas chances que parecem ser desperdiçadas com uma certa teimosia.
No fim, a pergunta que fica é simples e incômoda: quando a imprensa comemora derrotas políticas sem medir seus efeitos sociais, ela ainda está informando — ou apenas torcendo?






