quarta-feira, 8 de abril de 2026

Quando a dor não é levada a sério por causa da cor da pele

Alguns episódios de séries médicas se contentam em entreter. E alguns que incomodam.

O episódio “Se não agora, quando? (2x20), da série The Resident pertence, sem dúvida, à segunda categoria — porque não se limita à ficção. Ele acusa.

A história é simples, e justamente por isso devastadora: uma mulher negra sente dor. Muita dor. Dor suficiente para preocupar qualquer profissional atento. Mas não qualquer profissional distraído — ou pior, condicionado.

Ela fala. Insiste. Reclama. E não é ouvida.

O hospital segue funcionando, protocolos são cumpridos, formulários preenchidos, vozes técnicas ocupam o espaço. Mas o essencial falha: alguém escutar, de fato, o que está sendo dito.

Quando finalmente escutam, já é tarde.

E aqui está o ponto que desmonta qualquer tentativa de conforto: isso não é exceção. Isso é padrão.

Não se trata de um roteiro exagerado.

O episódio ecoa o caso real de Kira Johnson — uma mulher que morreu após uma cesárea, vítima de uma hemorragia ignorada por horas. Seu marido implorou por ajuda. Foi tratado como inconveniente. A medicina, naquele momento, não falhou por falta de conhecimento. Falhou por falta de escuta.

E quando se olha para os dados, a tr

agédia deixa de ser individual e ganha contornos estruturais.

Nos Estados Unidos, mulheres negras têm até quatro vezes mais risco de morrer durante a gravidez ou o parto do que mulheres brancas. Não é um desvio estatístico. É uma constante. E metade dessas mortes poderia ser evitada.

Evitar, nesse contexto, significa algo quase constrangedoramente básico: prestar atenção.

É comum que se tente explicar essa desigualdade apelando para fatores socioeconômicos. É um álibi confortável — e insuficiente. Porque mesmo mulheres negras com alta escolaridade e bom acesso à saúde continuam morrendo mais.

O problema não está apenas na porta de entrada do hospital. Está dentro dele.

Está na consulta apressada.
No sintoma relativizado.
Na dor subestimada.

Há estudos mostrando que pacientes negras são menos ouvidas quando relatam dor. Outros apontam para vieses inconscientes de profissionais de saúde — aqueles julgamentos automáticos que ninguém admite, mas que operam silenciosamente.

Não é o racismo explícito, que se reconhece e se condena. É o outro — o mais perigoso — porque se disfarça de rotina.

O episódio de The Resident acerta ao não transformar seus médicos em vilões caricatos. Eles não são monstros. São piores: são plausíveis.

São profissionais que seguem o fluxo, que confiam demais na própria avaliação, que não percebem quando deixam de enxergar o paciente como indivíduo e passam a tratá-lo como mais um caso.

E é assim que o erro se normaliza.

No fim, o que a série faz é nos obrigar a encarar uma pergunta desconfortável: quantas mortes poderiam ser evitadas se ouvir fosse levado tão a sério quanto diagnosticar?

Porque, no fundo, o que mata ali não é apenas a hemorragia. É a demora. É a dúvida seletiva. É o peso desigual dado à palavra de quem sofre.

E isso não é um problema de roteiro.

É um problema de mundo real.

Quando episódios como esse ocorrem na vida real, o fim não é apenas uma sequência de créditos subindo em uma tela de TV, o fim trágico, é a morte de mais uma mulher que ocorreu por um único motivo: a cor da sua pele.

Para esse tipo de caso, a medicina ainda não encrontrou uma cura.

domingo, 5 de abril de 2026

Duas mortes anunciadas e um país que finge surpresa

O Brasil acordou — mais uma vez — com a notícia que já não deveria surpreender ninguém, mas ainda choca: duas crianças, Sophya e Isaías, de 10 e 6 anos, mortas enquanto brincavam na garagem de casa, em Diadema.

Não estavam atravessando uma rodovia. Não estavam em situação de risco. Estavam brincando de pular corda.

O risco veio até elas — motorizado, alcoolizado e socialmente tolerado.

O motorista, segundo as autoridades, apresentava sinais de embriaguez confirmados por exame.

E aqui está o ponto: não se trata de um acidente. Trata-se de uma escolha. E mais do que isso — trata-se de um sistema que, na prática, permite que essa escolha seja feita todos os dias.

O Brasil gosta de chamar de “fatalidade” aquilo que é, na verdade, previsível.

Porque o país possui leis contra dirigir embriagado. A chamada Lei Seca existe. As campanhas existem. As operações existem.

Mas o que não existe — e isso é evidente — é o peso real da punição e, principalmente, a coerência entre discurso e prática.

A lógica é perversa: de um lado, o Estado adverte; do outro, ele lucra.

O mercado de bebidas alcoólicas movimenta bilhões de reais por ano no Brasil. Gera empregos, patrocina eventos, financia publicidade agressiva e sofisticada. Não vende apenas cerveja, vinho ou destilados — vende estilo de vida, celebração, pertencimento.

Vende a ideia de que beber é quase um ritual social obrigatório.

E aí está a blindagem.

Quando um setor econômico se torna grande demais, ele deixa de ser apenas um mercado, passa a ser um ator político.

E atores políticos não são enfrentados com facilidade. Regulá-los com rigor significa mexer com receitas, com publicidade, com interesses que atravessam o Congresso, governos e meios de comunicação.

O resultado é esse equilíbrio hipócrita: campanhas tímidas contra álcool ao volante convivendo com um bombardeio publicitário que glamouriza o consumo.

É como tentar apagar um incêndio com um copo d’água enquanto se despeja gasolina ao lado.

E, no meio disso, está a leniência penal.

Casos como o de Diadema frequentemente terminam classificados como homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A pena, na prática, é reduzida, negociável, muitas vezes convertida. A mensagem que fica não é jurídica — é cultural: beber e dirigir pode até ser ilegal, mas não é tratado como um crime gravíssimo.

E deveria ser.

Porque não há nada de “culposo” na decisão de assumir o volante após beber. O risco é conhecido, amplamente divulgado, repetido à exaustão. Quem dirige embriagado não ignora o perigo — escolhe ignorá-lo.

Sophya e Isaías não morreram por falta de lei. Morreram por excesso de tolerância.

Tolerância institucional, que pune pouco.
Tolerância econômica, que lucra muito.
E tolerância social, que ainda trata o “beber e dirigir” como deslize — nunca como violência.

Enquanto o Brasil não encarar o problema com a seriedade que ele exige — endurecendo penas, restringindo publicidade, tratando o álcool como questão de saúde pública e segurança — novos nomes substituirão Sophya e Isaías nas manchetes.

E, então, mais uma vez, o país vai fingir espanto.

Como se não soubesse.

Como se não tivesse escolhido.

Justiça para o Sakamoto famoso, mas não para os Sakamotos anônimos

A condenação do Estado do Paraná no caso envolvendo o CPF do jornalista Leonardo Sakamoto não é apenas um episódio jurídico pontual — é um retrato incômodo de como a máquina judicial brasileira escolhe, ainda que informalmente, suas prioridades.

No caso, o CPF de Sakamoto foi inserido de forma indevida — e grave — em uma condenação por homicídio no estado.

Não se trata de um erro burocrático qualquer: é a atribuição falsa de um crime hediondo a um cidadão. O episódio ganha contornos ainda mais delicados quando se observa o contexto: à época, o jornalista fazia críticas contundentes à atuação da Operação Lava Jato, o que inevitavelmente levanta questionamentos sobre o ambiente institucional e político em que o erro ocorreu.

Ainda que não se possa afirmar dolo sem provas, o encadeamento dos fatos exige reflexão.

O Estado foi responsabilizado, e a Justiça reconheceu o dano. O processo levou cerca de um ano para ser solucionado — tempo que, para padrões ideais, é longo, mas que, no contexto brasileiro, soa quase célere.

E é aqui que o contraste se impõe.

Enquanto um jornalista com visibilidade consegue, ainda que com demora, ver seu caso analisado e julgado, milhares de brasileiros vivem presos em um limbo judicial.

Segundo dados recorrentes do Conselho Nacional de Justiça, uma parcela significativa da população carcerária é composta por presos provisórios — pessoas que ainda não foram condenadas, mas que permanecem encarceradas por meses, às vezes anos, aguardando uma decisão que nunca chega no tempo devido.

Não se trata de desmerecer a gravidade do caso de Sakamoto. Ao contrário: o reconhecimento do erro estatal é um avanço necessário e civilizatório. O problema é que esse padrão de resposta não é universal.

Para muitos, especialmente os mais pobres, pretos e pardos, o Estado não apenas erra — ele demora a reconhecer o erro, e quando reconhece, o dano já se tornou irreversível.

Há, ainda, um paralelo inevitável no campo político-jurídico recente. A deputada Carla Zambelli foi condenada por inserir um mandado falso em sistemas vinculados ao Conselho Nacional de Justiça — um episódio que também expõe como a manipulação indevida de registros oficiais pode produzir consequências gravíssimas.

A diferença fundamental, porém, está na resposta institucional: quando há responsabilização, o sistema mostra que tem instrumentos para reagir.

O problema é quando essa reação não chega — ou chega tarde demais — para a maioria invisível.

O sistema de Justiça brasileiro, nesse sentido, revela uma assimetria estrutural. A Constituição promete igualdade perante a lei, mas a prática insiste em criar atalhos para alguns e labirintos para outros. A visibilidade social, o acesso a bons advogados e a capacidade de mobilizar opinião pública acabam funcionando como aceleradores processuais informais.

O caso de Sakamoto, portanto, serve como um espelho. Ele mostra que a Justiça pode funcionar — ainda que com falhas. Mas também evidencia que esse funcionamento não é distribuído de maneira equânime. Se um ano parece muito para quem teve seu CPF associado ilegalmente a um homicídio, imagine o que significam cinco, seis, sete anos de prisão sem condenação.

No fim, a pergunta que permanece não é sobre a correção da decisão judicial no caso específico, mas sobre sua excepcionalidade. Quantos “Sakamotos” invisíveis seguem esperando, sem nome, sem voz e sem prazo?

A Justiça brasileira não precisa apenas ser justa. Precisa, sobretudo, ser igual.

sábado, 4 de abril de 2026

Se eu morrer hoje, amanhã faz um dia

(por Antonio Gonzalez)
Em tempos de Semana Santa e, principalmente, de saúde que merece cuidados intensos, vejo-me estritamente em contrição, à espera de uma reconciliação interna através das rupturas que me exijo.

Minha fortaleza emocional encara tempos sombrios, quiçá derradeiros, os meus, sem temor com relação à decisões e falas.

Luiz Carlos Sá (da dupla & Guarabyra), imortalizado, também, na voz de Milton Nascimento, ao escrever a letra de "Caçador de Mim", sugere uma mistura de força e vulnerabilidade, indicando que enfrentar os próprios medos e contradições exige coragem  e ressalta a inquietação do personagem, que se afasta do lugar de origem e atravessa a "mata escura", na dualidade da natureza humana, como nos versos “doce ou atroz, manso ou feroz”, mostrando que aceitar todas as emoções e experiências é parte fundamental do processo de autodescoberta.

Com relação a esse processo de interiorização, penso que tem que ser constante e renovado. A pessoa que um dia fui (não abrindo mãos dos princípios de um Pai e de uma Mãe que nunca me abandonaram) difere de que hoje sou e será diferente no mês que vem; a maturidade não pode ser limitada ao que você viveu ou vive.

Nesse caminhar que chamo de vida, percebo que o viver apresenta motivos suficientes para expulsar peças do teu tabuleiro de xadrez, que em certo momento se apresentavam como duradouras; em realidade, nas tuas costas, como titereiros manipulavam ocasiões do jogo.

Até que com o passar do tempo escolhi deixar de ser o trampolim, o degrau perfeito para ilustres "QUEM?", que no frigir dos ovos, somente apresentam falta de conteúdo e de estofo. Você só serve enquanto podem, de certa forma, se aproveitar para sair na mesma foto.

E nessa caminhada no redesenhar a idiossincrasia escolho a silenciosa solitude. Nas montanhas do Vale do Paraíba descubro a beleza da distância sonora do aparelho celular.

Nada definitivo, apenas explícito. Ao mesmo tempo da semeadura, vem a convicção da colheita. No aconchego das palavras de Nando Reis em "O Segundo Sol" encontro o transe da meditação que me acalma:

"Não digo que não me surpreendi, antes que eu visse, você disse e eu não pude acreditar. Mas você pode ter certeza, de que o seu telefone irá tocar, em sua nova casa que abriga agora a trilha, incluída nessa minha conversão."

Começo a rir, do nada, com total falta de respeito à Sexta-feira Santa, eis que surge um perfil fake numa rede social, me atacando.

Grátis. São dois bobos os responsáveis. É claro que na vida a gente erra, principalmente quando faz certo tipo de escolhas. Sim, errei. Gente errada eu extirpo, que nem carnegão de furúnculo.

Ninguém pode me acusar de misógino, nem de ter que comparecer em delegacia por suspeita de bater em mulher. Nem de chamar alguém de macaco. Tampouco de mandar um suposto policial dar um susto em alguém nas Paineiras. Nem estive próximo a fazer negócio com transgressor da lei, muito menos tem foto minha ao lado de miliciano.

Uma vez, em pleno cemitério do Caju (ano 2000) no enterro da mãe do falecido Carlos Henrique Corrêa, numa rodinha de conselheiros do clube, o Subsuperintendente, o ex-major da PM, Montanaro, quando perguntado sobre o que ele achava da morte - com “N” atos de chumbo trocado - prontamente respondeu:

"Se eu morrer hoje, amanhã faz um dia!"

Naquele momento a mudez total reinou. Nunca esqueci aquelas palavras. Secas. Duras. Reais.

Meu momento é de espera. É óbvio que luto por e para viver. Mas se tiver que voar na direção do desconhecido, irei sabedor que existi o que quis viver, em todas as faces.

Marighella disse: "Vivo tão depressa, que não tive tempo de ter medo". Isso me define, levo tatuado.

Nessa guerra que se colocou na minha frente, eu vou estar na linha de frente.

O final, neste sábado de Aleluia era, em seu início, para ser doce, de esperança. 

Só que "doce ou atroz, manso ou feroz" os meus tempos eu decido como "caçador de mim". Curto e grosso.

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O Brasil tem medo de Schumpeter

Se Joseph Schumpeter resolvesse dar uma volta pelo Brasil de hoje, provavelmente sairia com a seguinte impressão: aqui, a inovação até aparece — mas sempre sob desconfiança, como se fosse uma ameaça, não uma solução.

E, em certo sentido, é mesmo. Mas não no sentido ruim.

Schumpeter ficou conhecido por uma ideia que, no Brasil, soa quase subversiva: a tal da destruição criativa. Traduzindo sem firula acadêmica: o novo precisa destruir o velho para que a economia avance.

Sim, destruir. Palavra feia para um país que adora preservar privilégios.

O problema não é a falta de empreendedor

Há uma narrativa confortável — e equivocada — de que o Brasil não cresce porque “falta gente empreendedora”. Ora, menos.

O brasileiro empreende até por necessidade. O camelô, o motorista de aplicativo, o pequeno comerciante — todos são, de alguma forma, respostas à ausência de oportunidades formais.

O ponto de Schumpeter é outro: o crescimento relevante vem do empreendedor inovador, aquele que muda o jogo.

E aqui está o nó: o Brasil não impede totalmente esse sujeito de existir — mas faz questão de dificultar sua vida.

Quando o novo incomoda, o sistema reage

Toda inovação relevante cria atrito. Isso é inevitável.

  • Bancos digitais desafiam bancos tradicionais

  • Aplicativos mudam mercados inteiros

  • Novas tecnologias expõem ineficiências antigas

Em vez de o sistema se adaptar, o que frequentemente acontece por aqui?

Ele tenta domesticar a inovação.

Regula-se antes de entender. Taxa-se antes de amadurecer. Complica-se antes de permitir.

Schumpeter chamaria isso de um erro clássico: proteger o passado em vez de apostar no futuro.

O Brasil que protege o atraso

Existe, no país, uma espécie de pacto silencioso: não se mexe demais no que já está estabelecido.

E isso aparece em várias frentes:

  • burocracia que consome tempo e energia

  • sistema tributário que pune quem cresce

  • dificuldade crônica de acesso a crédito

Nada disso impede totalmente a inovação — mas reduz sua velocidade. E, na economia, tempo é tudo.

Ainda assim, a inovação insiste

Apesar do ambiente, alguns setores avançam quase “apesar do Brasil”:

  • fintechs revolucionando o sistema financeiro

  • tecnologia no agronegócio aumentando produtividade (esse financiado e protegido pelo Estado, como nenhum outro setor)

  • comércio digital redesenhando o varejo

Esses casos mostram que, quando a inovação consegue furar o bloqueio, o impacto é imediato.

É Schumpeter puro.

Crescer dói — e o Brasil evita a dor

A ideia central aqui é desconfortável, mas necessária: crescer implica perda.

Empresas desaparecem. Modelos de negócio deixam de existir. Profissões mudam.

Mas o que se ganha em troca é produtividade, eficiência e dinamismo.

O Brasil, no entanto, parece preferir um crescimento mais lento — desde que menos traumático.

O problema? Essa escolha cobra seu preço.

No fim das contas…

Schumpeter não defendia o caos — defendia o movimento.

E é justamente isso que falta ao Brasil em escala maior: não a capacidade de inovar, mas a disposição de permitir que a inovação transforme de verdade.

Porque transformar, no sentido schumpeteriano, não é ajustar o sistema.

É mexer nas estruturas.

E isso, convenhamos, nunca foi exatamente a especialidade nacional.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A falência do futebol italiano

…Itália campeã mundial de futebol, com todos os méritos, com todas as justiças…
(VANUCCI, Fernando; 2006)

A Itália, tetracampeã do mundo, está fora da Copa do Mundo de novo. Tem uma geração inteira que nunca viu a Itália pisar numa Copa do Mundo.

E foi eliminada para a Bósnia.

E tudo começou bem, a Itália saiu na frente, mas aí veio a expulsão de Bastoni, que deixou a Itália com um jogador a menos.

A Bósnia aproveitou e empatou o jogo. É aquele drama total, sabe quando você olha e está com cara de tragédia? E que tudo vai dar errado?

O jogo foi para os pênaltis, e ali, 4x1, a Itália foi eliminada.

Sério, inacreditável.

Só pra dar um contexto, a Itália participava de todas as Copas do Mundo desde a copa de 62. Foram 60 anos de participação ininterrupta.

Só que em 2018, na Rússia, a Suécia eliminou a Itália na repescagem. Era a primeira ausência em 60 anos. Ali foi um choque.

Depois, em 2022, no Qatar, a Macedônia do Norte fez o inimaginável. Surpreendeu a Itália e a tirou da Copa novamente. E agora, em 2026, a Bósnia fechou o ciclo da tragédia.

Estamos falando de três Copas consecutivas sem a Itália. Uma geração inteira de italianos que cresceu sem ver uma das principais seleções do mundo jogar uma Copa.

Desde 2006, quando a Itália foi campeã pela última vez, parece que tudo desabou. Vinte anos se passaram, vinte anos de declínio no futebol. Essa camisa azul, que já fez duas finais de Copa do Mundo contra o Brasil, fez um planeta inteiro tremer, hoje pesa toneladas.

A Camisa que conquistou quatro títulos mundiais, gente; 34, 38, 82 e 2006. Agora carrega o peso de mais uma eliminação. 

E aí eu vou fazer a pergunta pra você: Camisa pesa para se classificar em Copa do Mundo? Para mim pode pesar mas depende do contexto da situação; no caso da Itália pesa demais mas no sentido do tabu que carrega em não disputar a Copa do Mundo; não só a camisa pesa mas também todo o psicológico em cima dos jogadores.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 30 de março de 2026

Neymar no divã

Dai a César o que é de César…
(CRISTO, Jesus)

Como já disse anteriormente, o Neymar é o maior talento do futebol brasileiro dos últimos 20 anos e também o maior desperdício.

Neymar talvez esteja vendo pela primeira vez em sua carreira de jogador de futebol que a vida não é um mar de flores. É um dos jogadores mais bem remunerados do mundo, possui patrimônio para seus filhos e netos, possui uma tropa de bajuladores para inflar o seu ego, influenciadores digitais e jornalistas para fazer o seu lobby em alta; mas mesmo assim não brilha aos olhos do atual técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti

Ancelotti por sinal deu mostras de uma tentativa de aproximação com Neymar, para vê-lo de perto; e não digo só dentro de campo na qual o Santos tinha se manifestado que ele não jogaria. Mas o Ancelotti testou o comportamento de Neymar ao ter ido a longíqua cidade de Mirassol, queria ver se Neymar estaria no estádio vendo e torcendo pelos seus companheiros e pelo clube na qual joga. Qualquer atleta mediano interessado em disputar a Copa do Mundo estaria no estádio com sangue nos olhos assistindo ao lado do técnico da seleção brasileira. Mesmo que não tivesse condições físicas, Neymar mostraria empatia com o seu clube e com Ancelotti

Ancelotti não puxa o saco de Neymar como foi os seus antecessores. Desde que assumiu a seleção ele vem dando recado em todas as suas convocações de que precisa estar 100% fisicamente. O Neymar precisa desse choque de realidade, talvez seja tarde demais na carreira mas que seja para a sua vida pela frente.

TEXTO DE :
Thiago Muniz