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sábado, 10 de janeiro de 2026
F1 2026
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
América Latina no Alvo do Império em Declínio
As únicas diferenças desta última invasão dos EUA sobre a Venezuela em relação a todas as ações imperialistas similares ao redor do mundo é que agora há pressa e não há disfarces.
Trump não pediu autorização do congresso e fala abertamente que seu objetivo é tomar o petróleo de nosso vizinho.
Esse desprezo do executivo estadunidense aos ritos pseudo democráticos e aos discursos falaciosos oficiais me parece, contraintuitivamente, sintoma de decadência estrutural do império.
Ainda que a ação mostre musculatura militar, a pressa por recursos e o descaso com as posições até de aliados próximos mostra também desespero.
Processos históricos podem ser longos, muito longos. E vivemos indiscutivelmente o ocaso do império estadunidense. Porém não nos enganemos: eles vão cair atirando e somos alvos preferenciais.
Um bom primeiro ato de resistência é expor e denunciar todos os entreguistas que agora pedem a invasão de nosso próprio país; esse bando é tão inimigo nosso quanto Trump.
TEXTO DE:
Alexandre Périgo
domingo, 4 de janeiro de 2026
Prisão de Maduro. A derrubada de tiranos não pode ser pretexto para legitimar pilhagens
Não há absolutamente nada a comemorar na invasão da Venezuela por tropas americanas e na consequente captura de Nicolás Maduro.
Trata-se de uma ação flagrantemente ilegal, em afronta direta ao princípio da não intervenção entre Estados soberanos, consagrado na Carta das Nações Unidas.
Não se confunda esta crítica com qualquer tentativa, ainda que remota, de absolver o ditador venezuelano.
Maduro é um autocrata que se perpetuou no poder por meio de fraudes eleitorais reiteradas, repressão política e erosão sistemática das instituições democráticas. A natureza de seu regime não está em debate.
O ponto central é outro — e mais grave. Donald Trump violou conscientemente o regramento internacional não para restaurar a democracia venezuelana, mas para atender a interesses econômicos estratégicos, notadamente o controle sobre o petróleo do país.
Não há idealismo nem altruísmo nesta intervenção: há oportunismo geopolítico.
Neste embate, não existem mocinhos.
Cometeu-se um crime internacional para, supostamente, interromper outro crime — o da permanência ilegítima de Maduro no poder. A lógica é perversa e perigosa: legitimar o uso da força em nome de uma pretensa moralidade superior.
As declarações do vice-presidente americano, J.D. Vance, segundo as quais seria necessário “retomar” um petróleo que teria sido roubado dos Estados Unidos, não resistem a uma análise histórica minimamente honesta. Trata-se de um biombo retórico, construído para encobrir o verdadeiro propósito da ação militar.
Os fatos são inequívocos. Em 1976 — há exatos cinquenta anos — o então presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez nacionalizou a indústria do petróleo.
Fê-lo dentro da legalidade, com respaldo institucional e, sobretudo, mediante o pagamento de compensações que ultrapassaram US$ 1 bilhão às empresas afetadas, entre elas Exxon, Mobil, Gulf Oil e Texaco.
Não houve confisco arbitrário, tampouco expropriação autocrática. Um governo democraticamente eleito decidiu nacionalizar um setor estratégico de sua economia, negociando compensações amplamente discutidas e aceitas à época.
Reescrever essa história para justificar uma intervenção militar é não apenas intelectualmente desonesto, mas politicamente perigoso.
Ao atropelar o direito internacional sob o pretexto de corrigir uma injustiça histórica inexistente, Washington abre um precedente perigoso.
Se a violação da soberania alheia passa a ser aceitável sempre que houver recursos estratégicos em jogo, o sistema internacional retorna à lei do mais forte — exatamente o oposto da ordem que se pretendeu construir após a Segunda Guerra Mundial.
A derrubada de tiranos não pode ser pretexto para legitimar pilhagens. Quando a força substitui o direito, todos perdem — inclusive aqueles que acreditam estar do lado vencedor.
Ainda mais frágil é a justificativa de que Maduro liderava uma organização criminosa transnacional voltada ao tráfico de drogas. Essa tese tampouco resiste a uma análise consistente.
A Venezuela é, no máximo, um corredor de passagem para a entrada de cocaína nos Estados Unidos. Mais de 95% da produção provém da Colômbia e do Peru. Ou seja, se esse fosse o propósito, o alvo não corresponderia aos fatos.
A propósito da Colômbia, a entrevista de Donald Trump foi assustadora para o presidente Gustavo Petro.
O mandatário dos Estados Unidos o ameaçou ostensivamente, dando a entender que pode ser o próximo alvo.
Há diferenças gigantes entre os dois casos. De fato, a Colômbia é o maior produtor de cocaína das Américas, mas Petro não é um ditador: foi eleito democraticamente. Portanto, ameaçá-lo é uma demonstração pública de absoluto desprezo pelas instituições democráticas. Inaceitável.
Os arroubos retóricos de Trump chocaram também pela ausência de qualquer referência à retomada da ordem democrática na Venezuela.
Nem mesmo para atenuar o objetivo óbvio de espoliar as riquezas minerais do país invadido, Trump aludiu ao propósito de contribuir para o restabelecimento da normalidade institucional venezuelana, por meio de eleições livres e transparentes.
É necessário reconhecer que foi, ao menos, sincero: falou em petróleo de modo desabrido, sem pudores. Não escondeu o propósito real da operação.
Insolentes, Trump e seus auxiliares diretos deixaram no ar uma ameaça explícita a todos os países latino-americanos que eventualmente discordem das posições do atual governo estadunidense. “Ninguém nunca mais questionará o poderio americano no nosso hemisfério”, disse, citando a Doutrina Monroe, que preconiza a dominação da América Latina por Washington como poder hegemônico da região.
A tese revive um entulho ideológico do imperialismo clássico que o discurso diplomático parecia ter arquivado e restabelece a prática de violações em nome do controle absoluto da área de influência política da nação líder — a mesma justificativa invocada por Vladimir Putin para invadir a Ucrânia.
O que se vê é a normalização da força em desfavor do triunfo da justiça. Neste caso, foi contra Nicolas Maduro – um ditador. Mas quem será o próximo alvo de Donald Trump?
TEXTO DE:
sábado, 3 de janeiro de 2026
Venezuela Free
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Quando um Marajá decidiu que crianças não eram problema político
Em 1942, enquanto a Segunda Guerra transformava refugiados em estatísticas e fronteiras em muros, centenas de crianças polonesas vagavam entre decisões burocráticas e a indiferença internacional.
Eram órfãs, sobreviventes de deportações soviéticas, libertadas após anos em campos de trabalho e empurradas por uma rota improvável que passava pelo Irã até chegar à Índia Britânica.
A Índia, naquele momento, não era um país soberano, mas uma colônia.
Portos, navios e decisões passavam pelo crivo do Império Britânico, que lidava com refugiados como quem administra excesso de carga. Negociações se arrastavam. O tempo, não.
Foi então que a história saiu do eixo previsível.
No oeste da Índia, no pequeno Estado principesco de Nawanagar, o Marajá Jam Sahib Digvijaysinhji foi informado de que centenas de crianças polonesas precisavam de abrigo. Não se tratava de um gesto estratégico, nem de uma obrigação legal. Era apenas uma pergunta simples demais para a guerra: alguém iria acolhê-las?
O Marajá disse que sim.
Autorizou a entrada das crianças em seu território e destinou sua residência de verão, em Balachadi, para abrigá-las.
Não criou um campo improvisado, mas uma comunidade. Houve escola, médicos, alimentação regular e professores poloneses. Houve também algo raro em tempos de guerra: normalidade.
As crianças aprenderam novamente a brincar, estudar e celebrar datas que pareciam perdidas. Mantiveram a língua, a cultura e a memória de um país que talvez nunca mais vissem.
O próprio marajá acompanhava o cotidiano, financiava o abrigo e fazia questão de ser lembrado não como autoridade, mas como alguém presente.
Balachadi funcionou entre 1942 e o fim da guerra. Os números variam — algo entre 600 e 800 crianças —, mas o essencial é indiscutível: elas sobreviveram porque alguém se recusou a tratá-las como um problema diplomático.
Depois da guerra, essas crianças seguiram para outros países, reconstruíram a vida e levaram a história consigo. Na Polônia, o Marajá passou a ser conhecido como o “Bom Marajá”, homenageado com praças, escolas e memória oficial.
O monumento, no entanto, não está no bronze.
Está em cada vida que atravessou o século porque, em meio à guerra, um homem decidiu que compaixão não precisava de autorização.
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