domingo, 21 de junho de 2026

Shakira, a FIFA e o Feminismo de Camarote

Uma ironia difícil de ignorar quando Shakira volta a emprestar sua voz à FIFA.

A mesma cantora que construiu parte de sua imagem pública como defensora da autonomia feminina, da independência das mulheres e da superação de relacionamentos abusivos, torna-se novamente a trilha sonora oficial de uma das instituições mais associadas às contradições do capitalismo global.

Não se trata de questionar o talento de Shakira. Poucos artistas conseguiram atravessar tantas décadas permanecendo relevantes. Tampouco se trata de negar suas contribuições para causas sociais. A questão é outra: até que ponto o feminismo pode ser transformado em produto de marketing sem perder sua capacidade crítica?

A FIFA não é apenas uma organização esportiva. É uma máquina bilionária que movimenta interesses políticos, econômicos e comerciais em escala planetária. Ao longo de sua história recente, acumulou denúncias de corrupção, favorecimento político, exploração de trabalhadores em grandes obras e submissão dos interesses esportivos aos interesses comerciais.

Quando uma artista que se apresenta como voz do empoderamento feminino associa sua imagem a essa engrenagem, surge uma pergunta inevitável: empoderamento para quem?

O feminismo que desafia estruturas de poder deveria, em tese, questionar sistemas que transformam pessoas em ferramentas descartáveis para gerar lucro. Entretanto, boa parte do feminismo pop contemporâneo parece ter substituído a crítica estrutural pela celebração do sucesso individual. O importante já não é mudar o sistema, mas alcançar o topo dele.

Nesse modelo, uma mulher pode tornar-se símbolo feminista enquanto participa das mesmas estruturas econômicas que produzem desigualdades. O discurso passa a ser: não importa que o navio continue afundando, desde que haja mais mulheres na cabine de comando.

A trajetória recente de Shakira ilustra essa contradição.

Após transformar sua separação em um poderoso discurso de autonomia pessoal, a cantora consolidou-se como símbolo de resistência feminina. Porém, ao associar sua imagem novamente à FIFA, acaba ajudando a legitimar uma instituição cuja lógica pouco dialoga com qualquer projeto genuinamente emancipador.

Talvez a contradição não seja exclusivamente dela. Talvez seja a contradição de toda uma época.

Vivemos o momento histórico em que a rebeldia virou marca registrada, a contestação virou estratégia de marketing e a crítica ao poder tornou-se um segmento lucrativo da indústria do entretenimento. O mercado descobriu que vender discursos de transformação pode ser tão rentável quanto vender perfumes, refrigerantes ou direitos de transmissão esportiva.

Nesse contexto, o feminismo corre o risco de ser reduzido a uma estética. Uma camiseta. Um slogan. Uma campanha publicitária. Uma música-tema de um evento bilionário.

Shakira não criou essa lógica. Mas participa dela.

E talvez seja justamente essa a crítica mais incômoda: não a de que uma artista seja hipócrita, mas a de que o capitalismo contemporâneo se tornou tão eficiente que consegue transformar até mesmo discursos de resistência em combustível para sua própria máquina.

Quando isso acontece, o problema deixa de ser a cantora que canta na abertura do espetáculo. O problema passa a ser o espetáculo em si.

Marjane Satrapi: a mulher que transformou a memória em resistência

A morte de Marjane Satrapi, aos 56 anos, encerra uma das trajetórias mais singulares da literatura gráfica contemporânea.

Conhecida mundialmente por Persépolis, Satrapi não apenas revolucionou os quadrinhos como linguagem literária, mas também ajudou a redefinir a maneira pela qual o Ocidente enxerga o Irã, a diáspora e a experiência do exílio.

Sua morte, anunciada pela família em junho de 2026, foi recebida com pesar por leitores, artistas e defensores dos direitos humanos em todo o mundo.

A menina que viu uma revolução

Nascida em 1969, na cidade iraniana de Rasht, e criada em Teerã, Satrapi pertenceu a uma geração marcada pela ruptura histórica da Revolução Islâmica de 1979.

Filha de uma família politicamente engajada e crítica tanto da monarquia do quanto da teocracia que a sucedeu, ela testemunhou ainda criança a transformação radical de seu país.

Aos 14 anos, foi enviada para a Áustria pelos pais, numa tentativa de protegê-la do endurecimento do regime iraniano e da guerra contra o Iraque. A experiência do exílio — marcada por solidão, desenraizamento e crises de identidade — tornaria-se um dos temas centrais de sua obra.

Mais tarde, estabeleceu-se definitivamente na França, onde encontrou o ambiente artístico que permitiria florescer sua carreira internacional.

Persépolis: quando a História ganhou rosto humano

Publicada originalmente entre 2000 e 2003, Persépolis tornou-se rapidamente um marco cultural. A obra narra a infância e juventude da própria autora durante a Revolução Islâmica e seus anos de exílio na Europa. Mas sua importância ultrapassa a autobiografia.

O grande mérito de Satrapi foi compreender algo que historiadores e jornalistas frequentemente esquecem: regimes políticos afetam pessoas concretas.

Enquanto muitos livros sobre o Irã descreviam governos, líderes religiosos ou conflitos geopolíticos, Satrapi falava sobre uma adolescente que gostava de rock, discutia com os pais, sonhava com liberdade e tentava encontrar seu lugar no mundo. O resultado foi uma obra capaz de humanizar uma sociedade frequentemente reduzida a estereótipos.

Seu traço em preto e branco, deliberadamente simples, funcionava como uma linguagem universal. Sem o excesso de realismo, as imagens tornavam-se símbolos. O particular transformava-se em coletivo.

Nesse sentido, Persépolis realizou algo raro: foi simultaneamente testemunho histórico, romance de formação e denúncia política.

Uma crítica ao autoritarismo — e também aos preconceitos ocidentais

Reduzir Satrapi à condição de crítica do regime iraniano seria uma leitura incompleta.

Embora denunciasse abertamente a repressão política, a censura e a desigualdade de gênero impostas pela República Islâmica, ela também combatia a visão simplista do Ocidente sobre o Oriente Médio.

Em entrevistas e textos, insistia que os iranianos não podiam ser resumidos a fanáticos religiosos ou vítimas passivas. Havia humor, cultura, contradições e humanidade naquela sociedade. Seu trabalho procurava recuperar justamente essa complexidade.

Essa posição lhe garantiu um lugar singular no debate público: Satrapi recusava tanto a propaganda do regime iraniano quanto as caricaturas produzidas por certos discursos ocidentais.

Muito além dos quadrinhos

Embora Persépolis tenha se tornado sua obra mais conhecida, Satrapi construiu uma produção diversificada.

Livros como Bordados e Frango com Ameixas aprofundaram sua investigação sobre memória, afetos e identidade cultural. 

Sua adaptação animada de Persépolis, codirigida com Vincent Paronnaud, conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar, consolidando-a também como cineasta.

Nas décadas seguintes, continuou transitando entre literatura, cinema e ativismo, tornando-se uma das vozes mais respeitadas na defesa da liberdade de expressão e dos direitos das mulheres iranianas.

O legado de uma narradora da liberdade

Poucos autores conseguiram realizar aquilo que Satrapi alcançou: transformar uma experiência profundamente pessoal em patrimônio universal.

Ela demonstrou que os quadrinhos podiam ocupar o mesmo espaço intelectual da grande literatura memorialística. Mais do que isso, provou que a arte pode funcionar simultaneamente como documento histórico e exercício de empatia.

Sua morte encerra uma trajetória interrompida precocemente, mas sua obra permanece extraordinariamente atual. Em um mundo cada vez mais polarizado, Persépolis continua lembrando algo essencial: antes das ideologias, das bandeiras e das revoluções, existem pessoas.

E talvez seja justamente por isso que Marjane Satrapi sobreviverá ao seu tempo.

Não apenas porque contou a história do Irã.

Mas porque contou, com rara honestidade, a história universal de quem tenta permanecer livre quando a História decide esmagar os indivíduos.

A Copa do Mundo me dá sono

Uma Copa do Mundo sem sal, sem emoção, sem alma. Talvez se a sede fosse somente no México eu sentiria mais tesão, mas isso seria impossível colocar 48 países e 104 jogos num único país.

A FIFA quer arrecadar mais dinheiro e arrendar mais apoio político, por isso aumentou o número de participantes. E essa será a tendência por um bom tempo, se não for em caráter definitivo.

Uma FIFA que beijou a mão do presidente dos Estados Unidos, que chancelou a aniquilação de Gaza e quase a extinção dos palestinos por meio do regime sionista do estado de Israel. Que invadiu a Venezuela e tomou de assalto o seu petróleo e sequestrou o seu chefe de Estado. Onde declarou guerra ao Irã mas foi pega de surpresa com o fechamento do estreito de Ormuz e viu o preço do petróleo subir a níveis estratosféricos.

Essa é a FIFA que foi capaz de conceder a medalha da paz para um homem que mais provocou o caos no mundo nos últimos dois anos.

Onde está a Copa da inclusão? Num país que não concede visto ao árbitro pela sua nacionalidade. Num país que caça imigrantes como se fossem ratos. Num país onde o futebol é o quinto esporte mais praticado, onde eles não chamam o futebol de futebol, chamam de “soccer”.

Volto aos meus 11 anos de idade lá em 1994, como foi boa aquela Copa, prefiro ter essas lembranças de juventude. Pode ser um tanto lúdicas? Sim! Mas pelo menos eu sentia verdade e emoção naquela Copa. Onde não havia a guerra da TV aberta e o streaming, era Galvão Bueno narrando e nada mais nada menos que Pelé comentando.

Ah! Bons tempos que não voltam mais. E lá nos idos de 1994 o Brasil trouxe a taça do Tetra homenageando o meu ídolo de infância Ayrton Senna.

Voltamos a 2026. Muito provavelmente não teremos o Hexa, uma Copa sem sal e tempero, vou voltar para minha cama onde o descanso é necessário. E torço para que o celular não toque com mais um falso alerta provocado por algum hacker mercenário.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 20 de junho de 2026

Alerta sincero assusta o Brasil


A Defesa Civil emitiu um alerta. Não era sobre enchentes. Não era sobre tempestades. Não era sobre deslizamentos. Era sobre misantropia.

Depois descobriu-se que a mensagem era fruto de uma invasão criminosa ao sistema. Um ato de vandalismo digital. Um crime. Um absurdo.

Mas eis a ironia: talvez tenha sido o alerta mais sincero que o país recebeu nos últimos anos.

Porque, convenhamos, se existe uma emergência nacional sobre a qual ninguém pode alegar surpresa, é justamente essa.

Vivemos um tempo em que o ódio virou identidade política. Em que a agressividade foi transformada em virtude. Em que o preconceito deixou de ser um defeito a ser escondido e passou a ser exibido como medalha de coragem.

Não surgiu do nada.

Durante anos, bosonaristas normalizaram discursos que antes causariam constrangimento público.

Mulheres passaram a ser atacadas por ocuparem espaços de poder.

Jornalistas passaram a ser perseguidas por fazerem perguntas.

Professoras passaram a ser tratadas como inimigas da nação.

A violência verbal virou espetáculo.

Ao mesmo tempo, grupos neonazistas multiplicaram-se pelo país. Símbolos antes restritos aos esgotos da história reapareceram em redes sociais, fóruns e manifestações. A intolerância encontrou um ecossistema perfeito: algoritmos que recompensam indignação e lideranças que descobriram que o ressentimento rende votos.

E então chega aquele alerta.

"Misantropia".

Uma única palavra.

Acidental? Sim.

Criminosa em sua origem? Evidentemente.

Mas profundamente adequada ao momento histórico? Difícil negar.

Talvez porque o Brasil tenha se acostumado a ignorar alertas verdadeiros.

Ignorou os alertas sobre a radicalização política.

Ignorou os alertas sobre a violência contra mulheres. Contra negros. Contra LGBTs. Intolerância religiosa. Etc, etc, atrás de etc...

Ignorou os alertas sobre o crescimento de grupos extremistas.

Ignorou os alertas sobre a erosão da convivência democrática.

Quando finalmente apareceu uma mensagem estranha nos celulares, muita gente se espantou. Curioso. Há anos os sinais estão piscando diante dos nossos olhos.

A diferença é que, desta vez, o aviso veio acompanhado daquele som irritante que obriga as pessoas a olhar para a tela.

Talvez seja justamente isso que esteja faltando ao país.

Não um hacker.

Mas um alarme.

Um alarme capaz de interromper a distração coletiva e anunciar:

"Atenção. Atenção. Emergência democrática em andamento."

Porque enchentes destroem cidades.

Mas o ódio organizado destrói sociedades.

E, infelizmente, contra esse desastre ainda não existe sirene suficiente.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Copa da Vergonha Mundial

Quando o VAR não aciona o árbitro para analisar uma entrada para expulsão de Leonel Messi, a FIFA apenas comprova sem pudor o que todos já sabíamos: que esta Copa é a Copa da Vergonha Mundial.

Uma Copa que poderia ser conhecida pela Copa da Diáspora, pela quantidade de jogadores nascidos fora do país cuja seleção defende, mas que será conhecida como Copa da Diáspora pelo tratamento colonial dado aos jogadores de países explorados.

Aliás, Copa do Exílio cairia bem, já que o principal árbitro africano foi exilado do torneio. Mas a FIFA já anunciou que pagará as diárias como se ele lá estivesse, afinal, trata-se de dinheiro. Ou você achava que a Copa tinha haver com futebol?

Árbitro faz sinal de "white power" dentro da cabine do VAR, e a FIFA estuda se vai poder punir, sem que corra o risco de desagradar o homem que comprou a Copa e justamente é o grande expoente mundial desse movimento racista.

Jogadores do Irã são barrados de entrar e depois de sair dos EUA, mas o fantoche, digo, presidente da FIFA vai ao vestiário fingir um apoio que não existe.

Estrangeiros são detidos pelo ICE, por cometer o crime hediondo de ter pele escura.

Mas o dinheiro corre solto. Messi imune as regras aplicadas aos jogadores que não dão o mesmo retorno finenceiro. Neymar mandando naquela que deveria ser a maior seleção do mundo, mas que não passa de um eterno azarão.

E a imprensa romantiza o Vozinha. Herói improvável vindo de uma nação "inferior" e que serve como distração para que os reais problemas do torneio sejam jogados para debaixo do tapete.

A conclusão que fica é que se alguns países tivessem um mínimo de vergonha na cara, jamais voltariam a participar de um torneio realizado por esse câncer chamado FIFA.

O atual fantoche que atualmente finge comandar a instituição não deveria permanecer no cargo, após o torneio, mas com certeza vai ficar. Obviamente, convidar quase todos os países mais pobres para dividir o palco com os europeus limpinhos vai trazer um apoio enorme.

Porque mesmo nesses países pobres, quem manda é o dinheiro, mesmo que em menores quantidades.

Pois é, amigos, linda Copa.

Aquela que deveria ficar na memória pela despedida de Messi, CR7 e até mesmo Neymar, vai ficar na memória pela despedida do futebol mesmo.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Salto para a morte: tragédia que expõe o lado podre de um país moribundo

Reconhecer suas incompetências é uma das grandes qualidades que você pode ter. Não seja tão ousado se você é limitado. Tente ganhar dinheiro com coisas que não envolvam risco para você e para os outros, tenha ambições mais simples e possíveis para sua cognição. Isso é duro de ler, mas é necessário. 

Isso vai desde não ser médico se for desatento até não ser Uber se você dirige mal.

Seja receoso, a extroversão às vezes prejudica.

Três homens burros e medianos, mas de autoestima elevada, se propuseram a fazer algo extremamente complexo que envolvia risco de vida. Eles não tinham competência alguma, mas tiveram a audácia, audácia criminosa, ego grande, subestimaram a prática e a inteligência de quem contratava o serviço.

Os três juntos não tinham um cérebro inteiro e mesmo assim foram lá e fizeram. Reconheçam seus defeitos. Realmente falta aos bons a audácia dos imbecis. 

A tragédia não começou quando ela saltou, começou quando pessoas incapazes se convenceram de que eram capazes. Vivemos uma época em que confiança vale mais que competência, autoestima vale mais que preparo e audácia vale mais que responsabilidade.

O resultado é que profissionais sérios estudam anos para evitar erros enquanto irresponsáveis improvisam com a vida dos outros. Falta humildade para reconhecer limites. E quando o ego substitui a competência, alguém inocente paga a conta.

TEXTO DE:
Cora Descorada


Bastou a divulgação de fotos da jovem que morreu de maneira trágica durante a prática de Rope Jumping, para que os acéfalos hetero-virgens darem o ar da graça (ou desgraça).

Centenas de comentários sexuais, pervertidos e pasmem, que inclusive incentivam a necrofilia.

Obviamente, as big techs que comandam as redes sociais, após análise de seus termos, concluirá que nenhuma dessas agressões à jovem morta e aos familiares fere algum de seus critérios obscuros de avaliação.

Serão considerados pura liberdade de expressão.

Sim, a expressão de uma sociedade doente, machista, racista, homofóbica, xenofóbica, intolerante religiosa, e outros adjetivos que você quiser dar.

Uma sociedade que agride mulheres, negros, homossexuais, estupra crianças dentro de casa, mas depois se une nas "marchas para Jesus", louvar todo tipo de canalha fascista.

Não há de se medir palavras na hora de combater essa corja suja.

Guarde a educação e o discurso bonito e para quem merece.

Com esses, é colocar limites. Combater com unhas e dentes. Denunciar, expor, envergonhar.

Não há debate sadio com quem comete vilipêndio de cadáver. Mesmo que virtualmente.

Chega. Esses caras já sufocaram a Direita Democrática e a calaram debaixo de um monturo de lixo. Não há porque a Esquerda Democrática se calar diante desse tipo de comportamento.

Parafraseando Gertrude Stein, e correndo o risco de ofender-lhe a memória:

Um vagabundo é um vagabundo
é um vagabundo.

E com vagabundo, não há debate.

Democracia não é o regime onde tudo é permitido, mas o regime do Estado de Direito, o que significa que nem tudo é permitido.

Ela exige respeito às leis, às instituições e aos direitos fundamentais de todos.

Nenhum direito, porém, é absoluto e a liberdade de expressão não protege discursos de ódio ou atentados contra as instituições.

TEXTO DE:
Tarciso Tertuliano

domingo, 14 de junho de 2026

A FIFA e a CBF: entre o meretrício, a subserviência e a Disney

Confesso que perdi o encanto pela Seleção Brasileira há tempos. Para ser exato, desde o Penta de 2002. Mataram a alma daquele menino que chorou no Tri de 1970 e se orgulhava de dizer aos amigos da escola: “o Félix, do Fluminense, é campeão do mundo”.

O que mudou? Talvez o fato de que, dos últimos seis presidentes da CBF, cinco tiveram seus mandatos encerrados por prisão, banimento ou decisão judicial.

Quando penso que nada mais pode surpreender, surge a notícia: a CBF banca passagens, hospedagem, alimentação e ingressos para presidentes dos 40 clubes das Séries A e B e para todas as federações estaduais.

Os dirigentes dos clubes passam dias em Nova York. Os das federações ganharam pacote premium em Orlando, ingressos em áreas nobres e direito a acompanhante para os jogos do Brasil.

No futebol, isso tem nome: “turismo eleitoral”. Afagos custeados pela entidade para agradar justamente quem decide eleições e destinos políticos da própria CBF.

Depois, espantam-se com a reeleição - por unanimidade - do Rubinho na FERJ. Na boa, isso é apenas um dos inúmeros fios da teia que aprisiona o futebol brasileiro.

A CBF segue cada vez mais rica. Já os clubes — inclusive o meu Fluminense — afundam em dívidas bilionárias, quase impagáveis.

Quanto ao jogo, resultou no empate que previ numa LIVE, na sexta à noite. Mas assistir ao limitado Paquetá, ao cansado Casemiro, ao bonde Igor Thiago, ao improvisado Ibañez, ao CHAMAGOL Alisson: é dose.

É óbvio que torci, mas com esse 4-2-4 e certos jogadores de empresários, não existe Viagra que dê jeito.

Mas, a razão maior desse texto é com relação à postura da FIFA, que virou TCHUTCHUCA do Trump

As principais reclamações giram em torno da sua omissão diante de restrições impostas pelos Estados Unidos a participantes da Copa de 2026.

Houve casos de negação de vistos e retenções prolongadas em aeroportos, afetando o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, membros de delegações (especialmente do Irã), jogadores, como Aymen Hussein, e profissionais de diversos países.

Gianni Infantino, o Presidente da FIFA, transformou-se em VASSALO do governo americano, não se posicionando com firmeza, limitando-se a lamentar os fatos, alegando não ter controle sobre políticas de imigração.

Pura hipocrisia e duplo padrão, pois a FIFA agiu com muito mais rigor em outras questões políticas, mas não usou sua influência para garantir igualdade de condições e o cumprimento dos princípios do torneio, deixando profissionais impedidos de exercer suas funções.

Cabe recordar que a política de restrições norte-americana contrasta com o histórico da própria FIFA, que chegou a remover a Indonésia do posto de sede do Mundial Sub-20 de 2023 por razões políticas semelhantes.

A atual Copa do Mundo está sendo disputada por 48 seleções, o que significa a antítese ao bom futebol.

Em todos os casos, bem-vindos à Disneylândia, onde o torcedor, quer dizer, o PATETA, é o funcionário do mês.

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez