segunda-feira, 18 de maio de 2026

Neymar é um tapa na cara dos brasileiros

Em um país que transformou a meritocracia em religião de mercado, embora a realidade social desminta diariamente esse sermão neoliberal, a convocação de Neymar para a Copa do Mundo surge como uma espécie de parábola cruel do Brasil contemporâneo: aqui, o discurso do mérito vale apenas para o pobre anônimo.

Para os ídolos milionários, para os protegidos do espetáculo, para os ativos comerciais da indústria do futebol, sempre haverá uma exceção conveniente.

O cidadão comum ouve desde cedo que precisa “merecer” cada espaço. Dizem-lhe que fracasso é culpa individual, que ascensão depende apenas de esforço, disciplina e performance.

Mas basta olhar para a Seleção Brasileira para perceber que o país nunca acreditou verdadeiramente nisso.

Neymar, há anos mais relevante como celebridade digital do que como atleta decisivo em alto nível, segue tratado como patrimônio intocável da pátria.

Pouco importa sequência física irregular, pouco importa o futebol intermitente, pouco importa o histórico recente de lesões e ausência competitiva. O marketing pede sua presença. E, no Brasil do espetáculo, o marketing costuma derrotar o mérito.

Não se trata aqui de negar a importância histórica do jogador. Neymar foi um dos maiores talentos de sua geração. O problema é justamente outro: a imprensa esportiva brasileira se recusa a tratar o tema no tempo verbal correto.

Falam dele como se ainda estivéssemos em 2015. Como se bastasse pronunciar seu nome para que o campo se iluminasse automaticamente. Há uma infantilização permanente da cobertura esportiva nacional, incapaz de separar memória afetiva de análise objetiva.

E então começa o ritual da encenação coletiva.

Programas esportivos transformam a convocação em clima de réveillon patriótico.

Ex-jogadores agem como relações públicas emocionados. Narradores vendem esperança em tom messiânico. Repórteres sorriem diante das câmeras como quem anuncia a volta de um salvador nacional. A crítica desaparece. A análise tática desaparece. O debate físico desaparece. Some até mesmo o mínimo constrangimento profissional.

Em vez de perguntar se Neymar ainda entrega, discutem apenas como será “bonito” vê-lo novamente de amarelo.

Em vez de avaliar rendimento, intensidade, capacidade competitiva ou encaixe coletivo, preferem transformar o telejornal esportivo em peça publicitária emocional.

O telespectador não recebe informação; recebe torcida organizada travestida de jornalismo.

A imprensa esportiva brasileira, em muitos momentos, abandonou a função crítica para atuar como departamento de promoção do entretenimento futebolístico.

E talvez esteja aí o ponto mais vergonhoso de toda essa história. Porque não é apenas sobre Neymar. É sobre um sistema inteiro que protege celebridades enquanto exige brutal competitividade dos demais.

Quando um jovem jogador oscila durante três partidas, é massacrado em rede nacional. Quando um atleta menos midiático perde rendimento, logo surgem discursos sobre renovação, meritocracia e “fim de ciclo”. Mas Neymar habita outra categoria: a dos intocáveis do mercado. Sua convocação deixa de ser questão esportiva e passa a ser questão econômica, televisiva e simbólica.

O futebol brasileiro, que já produziu debates profundos sobre tática, formação e identidade de jogo, hoje frequentemente se rende à lógica rasa do engajamento. O que importa não é quem está melhor; importa quem gera clique, audiência, patrocinador e nostalgia.

E assim o país segue encenando sua grande mentira nacional: a de que acredita no mérito.

Não acredita. Nunca acreditou.

A meritocracia brasileira funciona como instrumento moral para disciplinar pobres, jamais como princípio real para distribuir oportunidades. No topo da pirâmide, o sobrenome, a fama, o capital simbólico e o interesse comercial continuam pesando mais do que desempenho concreto.

Neymar foi convocado apenas pelo que representa fora de campo e não pelo que entrega dentro dele, será mais um capítulo dessa velha tragédia brasileira: um país que exige excelência dos invisíveis enquanto transforma privilégios em espetáculo patriótico para consumo popular.

Seleção Brasileira Copa 2026

O Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética.

Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: “O Brasil não vai nem se classificar!”.

E no ciclo para 2026 eu pessoalmente tive o receio que o Brasil não se classificasse para a Copa; mas ao mesmo tempo eu analisava as circunstâncias e via que isso seria muito difícil, afinal serão 48 seleções, as vagas correspondentes na América do Sul tornam potências como Brasil, Argentina e Uruguai favoritas sempre numa das vagas.

Convocação feita por Carlo Ancelotti, um dos maiores técnicos do cenário mundial. Acho que o maior acerto da CBF foi na renovação de contrato com Ancelotti, mostra a confiança plena em seu trabalho e tira um certo peso na obrigatoriedade em conquistar a taça, e isso pode facilitar em muito o trabalho de ciclo de quatro anos para 2030.

Óbvio que a torcida será já para 2026, mas devemos saber que o ciclo 2022-2026 foi uma catástrofe na falta de planejamento, o Ancelotti chegou não tem nem 1 ano e não teve tempo suficiente para montar por completo o seu grupo de confiança.

Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Dark Horse, o cavalo de Troia do jornalismo brasileiro

A velha imprensa brasileira adora um tribunal, desde que ela escolha o réu, o promotor e o momento do vazamento.

Quando o alvo era Luiz Inácio Lula da Silva, houve reportagem performática, “powerpoint” messiânico (outra vez), trilha sonora de indignação moral e um telejornalismo que parecia disputar prêmio de dramaturgia.

Lembram do vergonhoso espetáculo do procurador Deltan Dallagnol transformando suspeitas em convicções televisivas? Lula virou o “comandante máximo” de tudo, mesmo quando as provas eram menos sólidas do que a retórica inflamada dos procuradores.

A Globo repetiu de maneira despudorada o mesmo tipo de ataque, só que sob o comando de Andreia Sadi. A jornalista tentando encontrar uma ligação entre Lula e Vorcaro, foi um show de bizarrice. O pedido de desculpas dias depois sobre a exibição de "material incompleto e errático", foi a cereja de um bolo podre, confeituado com canalhice.

Agora, o roteiro muda. E como muda.

A revelação de relações financeiras e políticas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro expôs um curioso campeonato nacional de amnésia seletiva.

Entre entrevistas constrangidas, explicações burocráticas e análises cuidadosamente anestesiadas na GloboNews, instalou-se uma disputa de narrativas sobre “culpa”, “proximidade” e “responsabilidade”.

E aí surge Flávio Bolsonaro tentando posar de vítima de perseguição — logo ele, herdeiro político de um grupo que transformou associação indireta em sentença definitiva quando o alvo era adversário ideológico.

Ver Malu Gaspar acusar Flávio Bolsonaro de receber dinheiro de Vorcaro e ser lembrada por ele, de que a Globo através de Luciano Huck também recebeu grana do banqueiro, foi ao mesmo tempo constrangedor e cômico.

Duas caras de glúteo ao vivo, se encarando.

O mais fascinante é observar o desconforto da bancada jornalística diante do espelho. Porque, desta vez, o dinheiro não passou perto apenas de um campo político. O banqueiro circulou com desenvoltura entre ministros, parlamentares, figuras do Centrão, integrantes do mercado e personagens da República inteira.

Aparecem nomes ligados ao governo anterior, ao atual, ao Congresso e ao Judiciário em eventos, reuniões, negociações ou relações institucionais.

A elite brasileira sempre teve um talento extraordinário para transformar banqueiros em “visionários” até o minuto em que a fumaça começa a sair do cofre.

Mas há um detalhe inconveniente para os profissionais da indignação seletiva: entre todos os nomes arrastados para a arena das suspeitas e insinuações, justamente Luiz Inácio Lula da Silva é aquele sobre quem não apareceu recebimento de dinheiro de Vorcaro, direta ou indiretamente.

O que não impediu parte da imprensa e das redes de tentarem encaixá-lo no enredo a qualquer custo — afinal, certos setores do jornalismo brasileiro desenvolveram uma dependência química de associar Lula a qualquer escândalo disponível no mercado.

E então fica a pergunta inevitável: onde está o powerpoint?

Cadê a animação em 3D? Cadê as setas vermelhas? Cadê Andréia Sadi diante de um telão explicando que “no centro de tudo” existe uma “organização criminosa financeira interplanetária”? Onde estão os comentaristas convertendo ilações em certezas morais antes mesmo da investigação amadurecer?

Curiosamente, agora prevalece um tom mais sofisticado, mais cauteloso, quase acadêmico. Descobriram, de repente, o valor da prudência jornalística, da presunção de inocência e da necessidade de “contextualizar”.

Que avanço civilizatório extraordinário.

O problema é que o público tem memória. E memória é fatal para narrativas construídas na base do casuísmo.

Quando Lula era o alvo, relações indiretas bastavam para manchetes condenatórias. Quando figuras do bolsonarismo, do mercado financeiro ou da elite institucional aparecem no mesmo tabuleiro, surgem nuances, mediações, ponderações e longos debates semânticos sobre o que significa “receber”, “intermediar”, “aproximar”, “investir” ou “manter relação”.

No fundo, o episódio revela menos sobre Daniel Vorcaro e mais sobre o jornalismo brasileiro. Um jornalismo que frequentemente abandona o compromisso com a coerência para aderir ao conforto ideológico do momento. Porque a credibilidade não morre apenas quando a imprensa mente; ela também apodrece quando aplica pesos morais diferentes conforme o sobrenome do investigado.

E talvez seja justamente isso que mais incomode certos comentaristas na atual disputa narrativa: desta vez, o personagem que eles gostariam de colocar no centro do diagrama simplesmente não recebeu o dinheiro.

E os outros bolsonaristas passados para trás, que ansiavam pelo filme biográfico de Bolsonaro, o Dark Horse, por enquanto terão de se contantar com o Cavalo de Tróia que Flávio Bolsonaro deu para eles.

Parece ironia, mas até em Jesus (Jim Caviezel), a família Bolsonaro deu golpe...

A Falácia do 13 de maio de 1888

A data, marca apenas o fim jurídico da instituição da escravidão; na prática, a população negra continuou sob o jugo de uma sociedade excludente. A própria Lei nº 3.353/1888, que decretou o fim da escravização, não trouxe uma insígnia sequer acerca da reparação às pessoas que enfrentaram mais de três séculos de trabalho forçado e não remunerado.

Tirem do imaginário a benevolência colonial. Quem violenta, não ama.

Note o que dizia o texto legal:
Art. 1º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário.

O Estado brasileiro tinha como objetivo varrer a população negra da sociedade. Não oferecer políticas públicas reparatórias era a forma mais rápida de fazê-la desaparecer: sem acesso à saúde, moradia, educação e trabalho, acreditava-se que essas pessoas recém-libertas morreriam à míngua, leia o “Genocídio do negro brasileiro” de Abdias Nascimento.

Não alcançando esse objetivo nos anos subsequentes, implantou-se a política de eugenia e branqueamento. A eugenia deu-se através de diversos mecanismos de animalização, alçando esses corpos à condição de “não humanos” e instrumentalizando o Judiciário para contê-los através do Código Penal e de leis como a da vadiagem.

Já o branqueamento operou por meio de políticas de imigração voltadas exclusivamente para corpos brancos europeus.

O 13 de maio foi fruto de uma conjuntura política e de uma pressão exercida durante séculos pela resistência negra: dos corpos que se lançavam ao mar aos quilombos; dos levantes e fugas constantes aos movimentos de industrialização de países como a Inglaterra, que desejava comercializar suas mercadorias com o Brasil.

Foi a luta de Luiz Gama, Luiza Mahin, Maria Felipa, Rebouças, Malês e tantos outros.

O 13 de maio de Isabel não teve nada de bondade; foi apenas mais um estratagema da branquitude a fim de evitar um motim e preservar a elite e seus bens. São 138 anos de uma abolição inconclusa. Como diz o samba da mangueira: “não veio do céu nem das mãos de Isabel…”.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Xandão, herói da Lei não da nação

A chamada Lei da Dosimetria acaba de encontrar o seu primeiro obstáculo sério: Alexandre de Moraes suspendeu sua aplicação em pedidos de condenados do 8 de Janeiro até que o STF julgue as ações diretas de inconstitucionalidade contra a norma.

O caso concreto envolvia uma condenada que pediu revisão da pena com base na lei recém-promulgada. Moraes entendeu que a existência dessas ADIs é fato processual relevante e que a suspensão se impõe por segurança jurídica.

E aqui começa a gritaria de sempre.

Dirão que Moraesrasgou a lei”. Não rasgou.

Suspendeu a aplicação enquanto o Supremo decide se a lei passa ou não pelo filtro constitucional. Isso se chama controle de constitucionalidade. Existe antes de Bolsonaro descobrir o Pix, a cloroquina e o cercadinho.

Dirão que o Congresso é soberano. Também não. Congresso não é imperador de toga parlamentar. Lei aprovada pelo Legislativo pode ser questionada no STF, ainda mais quando nasce com cheiro de anistia disfarçada e endereço político anotado na testa.

Dirão que é perseguição aos patriotas. Patriotas que invadiram sedes dos Três Poderes, depredaram patrimônio público, pediram intervenção militar e agora querem desconto penal com nome técnico. A embalagem mudou, mas o conteúdo continua sendo o velho jeitinho golpista de pedir clemência sem perder a pose de mártir.

A lei foi promulgada por Davi Alcolumbre após a derrubada do veto de Lula e, segundo o próprio Senado, pode reduzir penas e facilitar progressão de regime para condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ou seja, ninguém está inventando destinatário oculto: o destinatário saiu do armário legislativo acenando bandeira.

O bolsonarismo tentou transformar dosimetria em lavanderia: pegou condenação por ataque ao Estado Democrático de Direito, passou um sabão parlamentar, borrifou perfume de “pacificação” e achou que sairia tudo limpo.

Moraes apenas fechou a máquina antes da centrifugação.

Agora o STF decidirá se essa lei é instrumento legítimo de política criminal ou anistia envergonhada para quem tentou arrombar a democracia e depois descobriu, comovido, que Código Penal também serve para eles.

TEXTO DE:
Julio Benchimol Pinto

sábado, 9 de maio de 2026

Te dá Aaaaasas...

A Red Bull é uma marca que ultrapassou o conceito tradicional de bebida energética e se transformou em um fenômeno cultural, esportivo e de marketing global.

Criada com foco em performance e energia, a empresa construiu sua identidade associando o produto a limites extremos, superação, velocidade e desafio constante.

Diferente de marcas que apenas patrocinam eventos, a Red Bull passou a criar, controlar e desenvolver seus próprios ecossistemas esportivos e culturais.

No esporte, a presença da Red Bull é estratégica e profunda. A marca investe em modalidades de alto risco e alta intensidade, como automobilismo, esportes radicais, aviação, esportes urbanos e eSports.

No automobilismo, sua atuação redefiniu padrões ao formar equipes próprias, desenvolver talentos desde a base e dominar categorias de elite. O foco nunca foi apenas vencer, mas construir narrativas de ousadia, inovação e quebra de expectativas.

Do ponto de vista de marketing, a Red Bull revolucionou a forma de comunicar. Em vez de anúncios tradicionais, ela produz conteúdo, histórias e experiências. Eventos como saltos estratosféricos, competições inéditas e desafios extremos criam impacto emocional e viralização espontânea.

A marca vende uma ideia de estilo de vida: quem consome Red Bull não compra apenas energia, compra pertencimento a um universo de atitude e movimento.

Financeiramente e estrategicamente, o modelo é preciso. A marca entende que visibilidade associada a emoção e performance gera valor de longo prazo. Cada atleta, equipe ou evento carrega a identidade visual, o discurso e os valores da empresa. Não há improviso: tudo é alinhado para reforçar a imagem de ousadia controlada, risco calculado e excelência técnica.

Mais do que uma bebida, a Red Bull se consolidou como uma plataforma de influência global. Ela mostra que, quando marketing, esporte e narrativa caminham juntos, o produto deixa de ser o centro e passa a ser consequência.

A Red Bull não acompanha tendências — ela cria.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Trump estende tapete vermelho para Lula

A reunião entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, realizada nesta quinta-feira na Casa Branca, teve um detalhe que desmonta parte da caricatura política criada no Brasil nos últimos anos: Trump tratou Lula como um estadista experiente, não como um adversário folclórico.

Chamou o presidente brasileiro de “dinâmico” e definiu o encontro como “muito produtivo”, após horas de conversa reservada sobre comércio, tarifas, segurança e geopolítica.

E isso não aconteceu por gentileza diplomática. Trump pode até transformar a política em espetáculo, mas não costuma desperdiçar pragmatismo quando enxerga poder real diante dele.

O presidente americano sabe que Lula chega à mesa carregando décadas de experiência internacional, trânsito global e capacidade de negociação construída desde o início dos anos 2000.

Enquanto muitos líderes surgem e desaparecem ao sabor das redes sociais e das guerras culturais, Lula atravessou governos Bush, Obama, Sarkozy, Merkel, Putin, Xi Jinping e agora volta a negociar diretamente com Trump.

Há uma diferença importante entre propaganda doméstica e percepção internacional.

Parte da elite econômica brasileira ainda insiste em enxergar Lula pela lente do preconceito social: “o pernambucano de nove dedos”, o retirante que ousou ocupar espaços historicamente reservados aos sobrenomes tradicionais do poder.

Mas o mundo não funciona segundo os ressentimentos da Casa Grande brasileira.

Lá fora, Lula continua sendo reconhecido como um dos políticos mais influentes do Sul Global e um dos líderes mais conhecidos da história contemporânea da América Latina.

Gostem ou não seus adversários, Lula se transformou num personagem histórico. Não apenas pela origem improvável ou pelas vitórias eleitorais, mas porque construiu relevância internacional duradoura.

Poucos líderes latino-americanos conseguiram dialogar simultaneamente com Washington, Pequim, Bruxelas e Moscou sem desaparecer politicamente no meio do caminho. Menos ainda conseguiram retornar ao poder depois de tudo o que viveu a política brasileira na última década.

Trump percebe isso. E talvez por isso tenha evitado qualquer confronto performático. O presidente americano entende linguagem de força política, de liderança popular e de sobrevivência institucional.

Lula representa exatamente isso. São dois líderes radicalmente diferentes em visão de mundo, mas semelhantes num aspecto essencial: ambos entendem a política como disputa de poder real, não como teatro para redes sociais.

No Brasil, porém, continua existindo uma dificuldade quase patológica de reconhecer a dimensão histórica de Lula.

Há quem prefira reduzi-lo a apelidos ou caricaturas porque admitir sua estatura política significaria aceitar algo intolerável para certos setores: o maior líder político da história brasileira nasceu pobre, nordestino, operário e sem diploma universitário.

E a história, cruel com os arrogantes, costuma rir desse tipo de preconceito.

Enquanto alguns ainda repetem insultos de WhatsApp, Lula segue sendo recebido na Casa Branca como interlocutor estratégico dos Estados Unidos.