domingo, 1 de março de 2026
Terceira Guerra Mundial já é realidade
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
A importância das Artes Marciais na minha vida
Eu sou um apaixonado por artes marciais, eu fui uma criança forjada pelo fascínio do mundo das lutas; seja em torneios ou em filmes.
Um dos meus fascínios foi o antigo Ultimate Fighting Championship, atual UFC, lá nos meandros do ano de 1993.
Lá eu tive o primeiro contato com o Jiu Jitsu, onde eu assisti numa fita alugada de uma locadora do meu bairro (locadora é a avó do streaming) um lutador de 80kg como Royce Gracie vencer lutadores bem mais pesados do que ele usando golpes e alavancas onde simplesmente anulava o oponente; essa é a essência do jiu jitsu moderno oriundo do pioneirismo de Carlos Gracie e sua família.
Pois bem, eu iniciei no jiu jitsu através do filho de Carlos Gracie, o lendário mestre, o poderoso Carlson Gracie a quem tenho muito orgulho de não só ter conhecido mas ter sido treinado pelo próprio, tendo chegado a faixa preta através dos ensinamentos dele.
O Jiu Jitsu para mim foi um dos pilares para que eu siga até hoje os ritos como disciplina e respeito ao próximo, pois a vida não é só nos limites do tatame, você conduz pelo mundo afora.
As artes marciais deveriam ser elemento obrigatório para que toda criança pudesse entender o quão importante é a figura do professor, o quão importante é defender a palavra honra, o quão importante é aprender no dia a dia a sabedoria.
TEXTO DE:
Thiago Muniz
Melancólico Fim de Ganso e Neymar
Houve um tempo em que a bola parecia obedecer a eles por gratidão. Não por imposição física, não por velocidade, não por choque — mas por talento. A bola ia porque queria ir.
Quando Paulo Henrique Ganso surgiu no Santos Futebol Clube, ao lado de um menino magro de cabelo moicano, falava-se em uma nova linhagem do futebol brasileiro.
Era a pausa contra o cronômetro, o passe que desmontava defesas como quem abre uma carta antiga. Ganso não corria: pensava. E pensar, naquele momento, parecia suficiente.
Do outro lado, estava Neymar, o mais improvável dos improváveis. Dribles que não pediam licença, gols que pareciam vídeos editados.
O mundo se curvou cedo demais. Barcelona, Paris, cifras astronômicas, campanhas publicitárias, e a promessa de finalmente devolver ao Brasil um protagonismo em Copa do Mundo.
O tempo passou. E o futebol, impiedoso, não espera quem joga em câmera lenta, nem perdoa quem vive em ritmo de trailer.
Ganso reencontrou dignidade no Fluminense Football Club. Foi campeão, foi útil, foi cerebral como sempre. Mas nunca foi ídolo incontestável.
Faltou-lhe a epopeia. Faltou-lhe o momento que transforma respeito em devoção. Sua carreira virou uma coleção de lampejos tardios, como se o auge tivesse ficado preso numa promessa de 2010.
Neymar voltou ao Santos cercado de nostalgia, quase como quem tenta reencontrar a própria adolescência.
Mas o futebol não é máquina do tempo. As lesões, as interrupções, o excesso de expectativa — tudo foi pesando.
Na Seleção Brasileira de Futebol, os números são grandes, os recordes são discutíveis, mas a ausência de uma Copa erguida é um silêncio que ecoa mais alto que qualquer estatística.
Não se trata de fracasso. Seria injusto.
Ambos foram gigantes técnicos. Ambos encantaram. Ambos ganharam muito dinheiro, muitos títulos, muitos aplausos.
Mas há uma diferença sutil entre ser talentoso e ser símbolo.
O futebol brasileiro, órfão de heróis absolutos desde gerações anteriores, depositou neles algo que talvez fosse grande demais: a esperança de um retorno ao romantismo, à genialidade que decide Copas, ao camisa 10 que carrega o país nas costas.
Hoje, ao vê-los em campo, o sentimento não é raiva. É melancolia.
É perceber que duas das maiores promessas da nossa geração estão se aproximando do fim da linha sem terem conquistado aquilo que parecia inevitável: a consagração indiscutível.
Ganso será lembrado como o maestro que o tempo atropelou.
Neymar, como o craque que teve o mundo aos pés, mas nunca o mundo nas mãos.
E talvez doa justamente por isso: porque por alguns anos acreditamos que eles seriam eternos.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Entre a legalidade e a moralidade: quando o sindicato senta dos dois lados da mesa
Existem situações na vida pública que não cabem na categoria do crime, mas tampouco cabem no terreno confortável da normalidade institucional.
A nomeação de um presidente de sindicato para assumir uma pasta na administração municipal, mantendo simultaneamente (mesmo qie indiretamente), o comando da entidade sindical, é uma dessas zonas cinzentas que exigem menos grito e mais reflexão.
Antes de tudo: não se trata, em regra, de ilegalidade automática.
A Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade e a autonomia sindical. A Consolidação das Leis do Trabalho também não estabelece vedação genérica para que um dirigente sindical ocupe cargo público.
E a Lei de Improbidade Administrativa só entra em cena quando há ato concreto que viole princípios da administração ou gere vantagem indevida.
Portanto, do ponto de vista estritamente formal, a acumulação pode existir.
O problema começa quando saímos do campo da legalidade e entramos no terreno mais exigente e mais frágil da moralidade administrativa.
Se o sindicato representa servidores municipais e seu presidente passa a comandar uma secretaria justamente no mesmo município, cria-se uma situação desconfortável: ele pode estar, em tese, negociando com a própria estrutura que integra.
Ainda que haja boa-fé, a aparência de conflito de interesses se impõe. E, em matéria de administração pública, a aparência também importa.
"À mulher de Cézar não basta ser honesta, há de se parecer honesta."
A administração pública brasileira é regida por princípios como legalidade, impessoalidade e moralidade.
Não basta não cometer crime; é preciso evitar circunstâncias que fragilizem a confiança pública. Quando decisões sindicais passam a beneficiar diretamente a pasta comandada pelo próprio dirigente (seja por meio de negociações salariais, reorganizações administrativas ou vantagens específicas), a situação deixa de ser apenas delicada: torna-se eticamente comprometida.
Não se afirma aqui que todo caso será imoral. Há contextos em que:
o sindicato não representa servidores municipais;
o dirigente se afasta formalmente da presidência;
há mecanismos transparentes de impedimento e declaração de conflito.
Nessas hipóteses, o risco diminui.
Mas quando o dirigente permanece no comando sindical, participa de decisões estratégicas e ocupa simultaneamente um posto no Executivo municipal que pode ser direta ou indiretamente beneficiado por deliberações sindicais, o problema não é jurídico — é moral e político.
A política brasileira já sofre de déficit de confiança. Não precisa de arranjos que, embora tecnicamente permitidos, pareçam convenientes demais para quem ocupa posições de poder.
A pergunta que deve orientar a análise não é “é crime?”, mas sim: é adequado? preserva a autonomia sindical? protege o interesse público? evita qualquer sombra de favorecimento?
Nem tudo que é legal é prudente.
Nem tudo que é permitido é recomendável.
E, em democracia, a ética não é um acessório ornamental, é o que sustenta a credibilidade das instituições.
TEXTO DE:
Tarciso Tertuliano









