domingo, 8 de novembro de 2026

Brasileiros homer simpson

É engraçado como no Brasil há cerca de 16 mortes por acidentes de carro por 100 mil habitantes, muitas delas produzidas por motoristas alcoolizados. E há 0,6 trans por 100 mil habitantes.

A chance de encontrar um trans no banheiro é uma coisa tão, mas tão remota, que você e seus filhinhos de cristal podem morrer de acidente de carro mil vezes antes de acontecer "a tragédia" de encontrar um trans no banheiro.

Ocorrências de assédio de trans então? É como ver a molécula de oxigênio no ar, nem em estatísticas entram.

E aí o brasileiro "homer simpson" passa horas atacando os trans enquanto chamam o amigo cachaceiro para a sua casa ou boteco pra umas "cervejinhas", e ambos saem depois dirigindo seus carros.

A falta de reflexão gera a ignorância.

Os bolsonaristas, em todos os aspectos, estão totalmente desconectados da realidade, dos fatos, dos problemas concretos do mundo.

Se houver uma forma de reconectá-los, estou pronta para ajudar.

Mas não vou conviver na mera tolerância com quem é capaz de pensar e apenas se recusa.

TEXTO DE:
Mirian Makeba

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Sem medo de ser feliz

Esse barbudo da foto sou eu. Preso em 1989 na campanha de Lula pelo crime de pintar uma propaganda de Lula num muro aqui em Mangabeira.

Era um sol, Lula 13 e a frase emblemática: SEM MEDO DE SER FELIZ.

Saí na primeira página de todos os jornais daqui, algemado e saindo de um camburão.

O juiz que mandou me prender, pouco tempo depois foi preso por envolvimento com roubo de carros. 

A delegada que ficou com uma espingarda 12 encostada no meu pescoço, também foi presa por ser do time do Fernandinho Beira-mar.

E eu? Eu fui processado, mas absolvido por uma questão de lógica jurídica.

Em 1989 eu estava há quatro anos na Paraíba. Hoje tenho 41 anos de Nordeste sem nunca ter despido minha origem pampeana, fronteiriça.

Filho de um brizolista, de 1989 até hoje, votei em Lula sempre que ele foi candidato.

Tenho orgulho de ter crescido lutando contra a ditadura e participado ativamente das lutas pela Constituinte e Diretas Já.

Nasci de uma família simples e digna que morava em Jaguarão. Lá aprendi que fronteira não é a divisória. Fronteira é território.

Na Paraíba criei duas filhas lindas. Vi nascer um neto e uma neta. Em 2018 viajei para Roraima para ver nascer mais um neto. E tudo isso me faz sentir brasileiro demais. Pampeano demais. Sertanejo demais e Macuxi demais.

Ocupei cargos importantes, mas nunca fui engolido pelas engrenagens do poder. Muito pelo contrário, sempre me conduzi como um membro da classe trabalhadora. Consciente dos meus direitos e deveres.

Meu sonho ainda é a unidade dos povos por um mundo mais justo e solidário. Tenho orgulho dos meus erros pois nunca confrontaram meus princípios.

Vivo uma vida simples e digna. Caminhando ao lado de quem respeita os direitos coletivos.

Sou antifascista e há muito ainda a ser feito. Não abro mão das minhas utopias, elas me ajudam a caminhar.

A vida presta! E eu ainda estou aqui, SEM MEDO DE SER FELIZ.

TEXTO DE:
Lau Siqueira

domingo, 1 de novembro de 2026

Palhaço Duarte

A vigarice do pastor Cláudio Duarte é a síntese perfeita do que virou a igreja evangélica bolsonarista.

Durante a campanha, era vídeo atrás de vídeo: ironizando o Lula, falando de trabalhador, mulher, gari, chamando de mentira, e no final dia 25 vota 22, Flávio Bolsonaro.

Declarou apoio, pediu voto, usou o púlpito como comitê.

Aí o cara perde.

Aí o cara foge pela fronteira com passaporte italiano, com van escoltada pelo pessoal do Milei, descumprindo ordem do STF de entregar todos os passaportes.

Aí o que o pastor faz?

Muda de lado em 24 horas.

Soltou aquele discurso mole: Quem venceu, venceu, quem perdeu, perdeu. Isso não afeta minha rotina. Não afeta a rotina dele. Afeta a rotina do fiel que ele mandou votar, que agora está sendo investigado, que perdeu emprego, que brigou com a família.

Enquanto Malafaia pelo menos teve a coragem de assumir (defendeu a fuga, disse que foi medida preventiva contra prisão sem respaldo) o Duarte fez a coisa mais covarde que um líder religioso pode fazer: usou a Fé pra eleger e lavou as mãos quando deu errado.

É o pastor empresário.

Vende curso de casamento, vende palestra de relacionamento, vende voto no domingo e na segunda vende que é apolítico.

O fiel virou cliente. E cliente trocado quando não serve mais.

TEXTO:
Do amigo Anthemo Scott Feliciano

Cotas Raciais, 25 anos


O Engenheiro Wagner Victer, ex-Secretário Estadual de Educaçao, participou esta semana do programa Debates, da Rádio Tupi, com Francisco Barbosa, e falou sobre os 25 anos que serão completados no proximo dia 9 de Novembro, da  primeira Lei de Cotas Raciais do Brasil, Lei 3708 de 2001, criada no Estado do Rio de Janeiro.

À época, Victer era Secretário de Estado de Energia e Petroleo e participou ativamente da criação e aplicação desse processo pioneiro que foi um marco legal que estabeleceu uma das políticas afirmativas de maior sucesso do país e que se aplicou para o ingresso nas universidades estaduais UERJ e UENF.

Na entrevista, ele relembra a história da criação, importância da legislação e seus impactos e os resultados alcançados ao longo dessas duas décadas e meia e que ensejaram a criação de todas legislações do país, inclusive a própria Lei Federal de Cotas criada somente 11 anos depois ( 2012), Lei Federal 12.711.

O processo da criação da Lei de Cotas Raciais sofreu muitas resistências e questionamentos mas é uma notável  contribuição do Rio de Janeiro para o Brasil e na entrevista são lembrados muitos que participaram desse processo que teve até a Constitucionalidade questionada na época, o que gerou uma grande defesa pela Procuradoria Geral do Estado  junto ao STF.

Lula venceu, mas a Democracia ainda precisa de defesa

Nós podemos, por uma razão particularmente importante, celebrar que o Brasil não tenha escolhido Flávio Bolsonaro para comandar o país: a possibilidade de impedir que uma mentalidade autoritária, que ultrapassa os limites da disputa eleitoral e invade a vida privada das pessoas, conquiste ainda mais poder institucional.

Os acontecimentos em torno da disputa eleitoral oferecem um retrato preocupante dessa mentalidade. Empresários e influenciadores bolsonaristas passaram a incentivar demissões de trabalhadores que votaram em Lula. Surgiram campanhas para boicotar estabelecimentos, perseguir profissionais e transformar a preferência eleitoral em critério para decidir quem merece trabalhar, consumir ou simplesmente conviver em sociedade.

Como se não bastasse, o ambiente religioso também produziu manifestações igualmente absurdas. Pastores que ameaçaram expulsar fiéis por votarem em Lula, que questionaram a condição de cristão de quem não compartilha de suas preferências políticas e que transformaram o púlpito em instrumento de intimidação eleitoral.

É difícil encontrar expressão mais clara de desvio de finalidade do que utilizar a fé como mecanismo de controle da consciência.

O patrão não é proprietário do voto do funcionário. O pastor não é proprietário da consciência do fiel. Nenhum contrato de trabalho concede ao empregador autoridade sobre a orientação política de seus empregados. Nenhuma Bíblia concede ao líder religioso o direito de transformar uma congregação em propriedade eleitoral particular.

E aqui está uma questão que merece ser observada com bastante atenção: não estamos falando simplesmente de pessoas que ficaram irritadas com um resultado eleitoral. Estamos falando de indivíduos que parecem não conseguir aceitar que outras pessoas tenham o direito de fazer escolhas diferentes das suas, mesmo quando essas escolhas são perfeitamente legítimas.

O comportamento é particularmente revelador porque expõe uma concepção profundamente hierárquica da sociedade. Para essa gente, existem pessoas que podem decidir e pessoas que devem obedecer. O empresário escolhe em quem o funcionário deve votar. O pastor determina em quem o fiel pode acreditar politicamente. Quem não aceita essas determinações passa a ser tratado como inimigo, traidor ou alguém indigno de permanecer naquele ambiente.

Isso não é convicção política. É uma forma doentia de autoritarismo.

E existe algo ainda mais grave: dependendo das circunstâncias, esse comportamento pode ultrapassar a reprovação moral e configurar ilícitos previstos na legislação brasileira.

O Código Eleitoral, em seu artigo 301, estabelece como crime o uso de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido. O artigo 297 também prevê punição para quem impede ou embaraça o exercício do sufrágio.

No caso dos empresários, a questão ganha contornos ainda mais específicos. A Resolução 23.735/2024 do Tribunal Superior Eleitoral, em seu artigo 6º, parágrafo 5º, prevê expressamente que utilizar a estrutura empresarial para constranger ou coagir trabalhadores, aproveitando-se de sua dependência econômica, com o objetivo de obter vantagem eleitoral, pode configurar abuso do poder econômico.

Isso significa que ameaçar empregos, utilizar a dependência financeira dos funcionários e transformar o ambiente profissional em instrumento de pressão política não é simplesmente uma atitude desagradável de um patrão. Pode representar uma violação da própria liberdade eleitoral, com consequências jurídicas.

A Lei Complementar 64/1990, em seu artigo 22, estabelece mecanismos para investigar o abuso do poder econômico e de autoridade em benefício de candidaturas ou partidos. Entre as consequências de uma condenação estão a inelegibilidade por oito anos dos responsáveis que preencham os requisitos legais e a cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado, conforme o caso.

É importante compreender que o abuso do poder econômico constitui um ilícito eleitoral, não sendo automaticamente um crime autônomo. Já a coação mediante violência ou grave ameaça pode configurar crime eleitoral, desde que preenchidos os requisitos legais.

O mesmo raciocínio merece atenção quando aplicado às lideranças religiosas. A liberdade de organização das igrejas não transforma o púlpito em território livre para ameaças contra a liberdade de voto. Se a ameaça de expulsão, acompanhada de outras formas de intimidação, atingir o patamar de grave ameaça e tiver por finalidade coagir alguém a votar ou não votar em determinado candidato, poderá ser examinada à luz do artigo 301 do Código Eleitoral. A caracterização depende das circunstâncias concretas e das provas.

É importante que essas pessoas compreendam que não estão acima da legislação simplesmente porque possuem dinheiro, empresas, influência religiosa ou milhares de seguidores.

A desigualdade de poder torna tudo ainda mais perverso. Um trabalhador que depende do salário para sustentar sua família não está em condições de igualdade com um patrão que ameaça seu emprego por causa de um voto. Da mesma maneira, um fiel que encontra na igreja seu espaço de acolhimento e convivência pode ser emocionalmente pressionado por uma liderança que ameaça sua permanência na comunidade.

É justamente por isso que a liberdade política precisa ser protegida também nos ambientes de trabalho e religiosos. Não basta permitir que alguém vote secretamente se, depois da eleição, essa pessoa corre o risco de perder o emprego, ser constrangida ou expulsa de sua comunidade por causa da escolha que fez.

Eis uma das razões pelas quais o resultado eleitoral teve uma importância que ultrapassa a vitória de um candidato sobre outro.

O Brasil não precisava entregar a Presidência da República a um projeto político cuja base mais radical demonstra tamanha dificuldade em respeitar a autonomia individual. Imagine o tamanho do problema se pessoas que hoje defendem a perseguição de trabalhadores e fiéis encontrassem ainda mais respaldo político e institucional para transformar suas convicções particulares em regras para toda a sociedade.

Não se trata de afirmar que todos os eleitores de Flávio Bolsonaro compartilham dessas práticas. Trata-se de reconhecer que existe um núcleo de intolerância que precisa ser enfrentado, especialmente quando tenta se apresentar como defensor da liberdade, da família, da religião e da propriedade privada.

Aliás, existe uma contradição quase caricatural em defender a liberdade econômica enquanto se pretende decidir quem pode trabalhar em determinada empresa por causa do voto. Ou falar tanto em liberdade religiosa enquanto se ameaça retirar de alguém o direito de frequentar uma igreja por discordar politicamente de seu pastor.

A democracia não existe para garantir que determinado grupo tenha o direito de governar a consciência dos demais. Ela existe justamente para impedir que alguém adquira esse poder.

A vitória eleitoral de Lula não resolveu todos os problemas brasileiros, tampouco eliminou o autoritarismo da sociedade. Mas impediu que um projeto político chegasse ao comando do país com a possibilidade de ampliar sua influência institucional.

E talvez uma das maiores lições desse episódio seja esta: uma sociedade verdadeiramente livre não pode depender da autorização de um patrão para exercer sua cidadania, nem da aprovação de um pastor para exercer sua fé.

O voto pertence ao cidadão. A consciência pertence ao indivíduo. E nenhuma autoridade empresarial, política ou religiosa tem o direito de confiscar qualquer uma dessas liberdades.

Quem não consegue conviver com isso pode até disputar eleições, defender suas ideias e tentar convencer a sociedade. O que não pode é transformar a derrota política em autorização para perseguir quem pensa diferente.

A democracia não é um favor que os poderosos concedem aos cidadãos. É um direito que existe, inclusive, para proteger os cidadãos dos poderosos.

CONFIRA:

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Virada de Lula é marco histórico

A virada de Lula é um marco histórico, e não apenas brasileiro.

Nunca, em nenhuma democracia ocidental moderna, havia ocorrido um fato de tal monta, envolvendo tamanha quantidade de votos. Não à toa, a repercussão internacional do segundo turno da eleição presidencial está tornando o Brasil em um exemplo de resistência à onda fascista global.

Lula amealhou nada mais, nada menos do que 10 milhões de votos a mais no segundo turno do que teve no primeiro; melhorou seu desempenho em 97% dos municípios do país, algo impressionante e de efeito eleitoral devastador. Até nos estados em que perdeu, Lula cresceu mais no segundo turno do que seu adversário. 

A mobilização nacional, nas ruas e na internet, que promoveu essa virada, além de emocionante e histórica, é também a chance do início da construção de uma nova Esquerda e de um novo jeito de governar, muito mais sintonizado com as demandas populares.

Lula, a um só tempo, se transformou no primeiro presidente a virar uma eleição no segundo turno e, sem mais nenhuma dúvida, no maior personagem da história brasileira. 

O menino que nasceu em Garanhuns, que veio para o Sudeste no pau de arara, que virou torneiro mecânico, que perdeu um dedo durante o trabalho e que sofreu na pele todas as mazelas de ser pobre no Brasil, fundou o partido político de Esquerda de maior alcance em todo o planeta e, agora, tornou-se presidente eleito por quatro vezes.

É uma história de vida épica, monumental, sem paralelos desde as capitanias hereditárias.

Goste-se ou não de Lula, não se trata mais disso, apenas de reconhecer a grandiosidade inigualável desse personagem histórico. Não há Dom Pedro, Getúlio, Maria Quitéria, Prestes, Tiradentes, Pelé, Zumbi ou JK que lhe faça frente. 

Domingo último vivenciamos a história sendo escrita ao vivo, amigos. Apreciemos, portanto, esse espetáculo da vida!

Toda minha admiração a Lula!

TEXTO DE:
 Alexandre de Oliveira Périgo