segunda-feira, 30 de março de 2026

Neymar no divã

Dai a César o que é de César…
(CRISTO, Jesus)

Como já disse anteriormente, o Neymar é o maior talento do futebol brasileiro dos últimos 20 anos e também o maior desperdício.

Neymar talvez esteja vendo pela primeira vez em sua carreira de jogador de futebol que a vida não é um mar de flores. É um dos jogadores mais bem remunerados do mundo, possui patrimônio para seus filhos e netos, possui uma tropa de bajuladores para inflar o seu ego, influenciadores digitais e jornalistas para fazer o seu lobby em alta; mas mesmo assim não brilha aos olhos do atual técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti

Ancelotti por sinal deu mostras de uma tentativa de aproximação com Neymar, para vê-lo de perto; e não digo só dentro de campo na qual o Santos tinha se manifestado que ele não jogaria. Mas o Ancelotti testou o comportamento de Neymar ao ter ido a longíqua cidade de Mirassol, queria ver se Neymar estaria no estádio vendo e torcendo pelos seus companheiros e pelo clube na qual joga. Qualquer atleta mediano interessado em disputar a Copa do Mundo estaria no estádio com sangue nos olhos assistindo ao lado do técnico da seleção brasileira. Mesmo que não tivesse condições físicas, Neymar mostraria empatia com o seu clube e com Ancelotti

Ancelotti não puxa o saco de Neymar como foi os seus antecessores. Desde que assumiu a seleção ele vem dando recado em todas as suas convocações de que precisa estar 100% fisicamente. O Neymar precisa desse choque de realidade, talvez seja tarde demais na carreira mas que seja para a sua vida pela frente.

TEXTO DE :
Thiago Muniz

domingo, 29 de março de 2026

Bolsonarismo apoia misoginia

Não chega a causar espanto que parlamentares alinhados ao bolsonarismo se posicionem contra projetos que buscam criminalizar a misoginia.

Ao contrário: trata-se de uma coerência interna — ainda que desconfortável — com a trajetória política e discursiva que orbita em torno de Jair Bolsonaro.

Desde antes de sua chegada ao poder, Bolsonaro construiu capital político ancorado em declarações que frequentemente relativizavam ou desqualificavam pautas ligadas à igualdade de gênero.

Episódios amplamente divulgados, como suas falas direcionadas à deputada Maria do Rosário, não foram desvios pontuais, mas sinais de uma retórica que encontra eco em parte de sua base. Essa linguagem, longe de ser um ruído, acabou se consolidando como identidade política.

Dessa forma, quando projetos que visam tipificar a misoginia como crime avançam no debate público, o que se vê é uma reação previsível desse campo político.

A rejeição não nasce apenas de divergências técnicas ou jurídicas, mas de uma visão de mundo que frequentemente encara tais iniciativas como “exageros”, “censura” ou ameaças à liberdade de expressão — ainda que, na prática, o objetivo dessas propostas seja coibir violências estruturais e simbólicas contra mulheres.

Há também um cálculo político evidente. O bolsonarismo se sustenta, em parte, na mobilização de pautas identitárias invertidas, nas quais a defesa de direitos de minorias é retratada como privilégio ou imposição ideológica.

Nesse contexto, a criminalização da misoginia passa a ser apresentada como mais um elemento de uma suposta agenda “progressista” a ser combatida, reforçando a coesão de sua base eleitoral.

Por fim, é preciso reconhecer que esse posicionamento revela mais do que uma discordância legislativa: expõe os limites de um projeto político que, ao resistir ao reconhecimento de violências de gênero, acaba por normalizá-las — ainda que indiretamente.

Racismo, misoginia, homofobia, fazem parte da identidade bolsonarista.

E é justamente por isso que não surpreende. 

Surpreendente seria o contrário: uma ruptura com esse padrão discursivo que, até aqui, nunca deu sinais consistentes de acontecer.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Com gosto de despedida

Eu havia acabado de me mudar para a Espanha, naquele início de 1988. Estava às margens do rio Minho, do outro lado, talvez uns 30 metros de distância, Portugal.

Chovia horrores, meu primeiro inverno, a pele congelada pela capa vazada no ritmo forte da água que caia...

Do nada surgiram essas palavras:

"Vida no norte é dança da morte, é vida sem sorte, no sabor de corte.

E a ferida não cicatriza. Já não tem cura, nem atura o norte da vida...

Nas fronteiras da terra, os trilhos da morte, passam por perto, esse rumo incerto de viver sem viver.

Sem gosto da sorte, amigos não ter. E a distância aprofunda a paixão que inunda, esse grito contido, me mantém de pé.

Amo você, estrela da noite, mensageira brilhante; meu último adeus será Parati.

A solidão é meu reino, a prostituta rainha, seus cabelos largos... tão bela era França, mas o Império caiu...

Abaixo as guerras, peço paz pras terras, tudo é sempre possível... mas o trem vai partir...

O absoluto é monstro se não te parece... pra Roma eu vou...

O trem já partiu!"

Trinta e oito anos depois a estação continua lá... já os trilhos, definitivos, caminham noutra direção. Quem sabe, Parati.


TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

quinta-feira, 26 de março de 2026

Até que a Morte nos separe

William Shakespeare, descrevia a vida como um palco passageiro. Atribuem a ele a frase "A vida não é eterna e tudo tem um prazo".

Sou daqueles que pensa que tudo se resume a um piscar de olhos, tipo um vaga-lume até o instante da derradeira luz. O medo, sempre presente, por vezes onipotente, prefiro que não faça parte da conjugação.

Para nada melancólico, nem nostálgico, mas assumo ser refém de momentos eternizados pela LOUCA VIDA LOUCA, divididos entre a política estudantil, a Teologia da Libertação, a não separação dos meus pais, o Fluminense, o Sindicato dos Bancários, o Chile Libre, o jornal Barricada, o Diretas Já, a Força Flu. Tudo isso regado à noites sem fim de rock and roll no Circo Voador.

Daqui a pouco, um procedimento médico que, consigo, trará  a binariedade das respostas - o sim ou o não de uma suposta gravidade de como seguir em frente - de certo modo, me aflige na sensação de não ter mais a propriedade do meu futuro.

Em 1991, na noite do dia que cumpri 30 anos, estava em Madrid. Na varanda do apartamento, então ao lado da minha primeira esposa, Beatriz, disse: "Obrigado Senhor por ter chegado vivo aos 30; o que pintar daqui para a frente será gorjeta de Deus".

Generoso esse Deus que me presenteou com mais 34 primaveras. Apesar de que não precisei morrer para me separar. A tal jura do amor eterno é linda até que deixa de ser.

Na mesma cidade da  “vila do  urso e do madronheiro", dois anos depois escrevi:

"Já não somos donos de nossas vidas...
Já não choramos com alegrias...
A revolta o tempo secou...
O eu guerrilheiro em silêncio se foi...

Sem solução a minha razão...
Perdidas vidas, desiludidas...
Pro meio do mundo falta um segundo...
Meu tempo deserto de solidão...

Nessa Espanha, as rosas de maio já não tem cor e não existe muro que não possa cair..."

Mais de doze mil dias depois continuo derrubando meus muros, entretanto a luta por juntar e dar formato às pétalas secas, parece ter sido em vão.

Apostar pode ser problemático, quando descobrimos que os mesmos dados com seus lados de sempre estão adulterados. 

Mas prefiro cravar na aposta, de outra espórtula da mesma força. 

A enfermeira acaba de me chamar. Chegou a hora. Na segunda que vem, tem feedback da ciência. 

Valeu!

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

quarta-feira, 25 de março de 2026

Andreia Sadi se assumiu como mentirosa, indigna de confiança

Algo é profundamente perturbador (e, convenhamos, revelador), quando uma empresa de comunicação decide transformar o seu ativo mais valioso, a credibilidade, em moeda descartável de conveniência editorial.

Foi o que se viu no episódio envolvendo Andreia Sadi, na GloboNews.

A jornalista, reconhecida por sua apuração sólida e trânsito em fontes relevantes de Brasília, foi levada ao constrangimento público de pedir desculpas no ar pela exibição de um material (um powerpoint), cuja veracidade passou a ser questionada (porque era uma mentira descarada).

E aqui mora o ponto central: não se trata apenas de um erro. O jornalismo erra, e deve corrigir. Isso é da natureza do ofício. O problema é outro. O problema é quando o erro parece ter CPF institucional, mas o pedido de desculpas ganha rosto individual.

Transforma-se a jornalista em para-raios de uma decisão que, tudo indica, não foi solitária.

Se ocorreu falha na checagem (e isso foi proposital), ela não pode ser tratada como se tivesse brotado espontaneamente na tela de Andreia Sadi. Um powerpoint não entra no ar por geração espontânea. Há editores, produtores, critérios... ou ao menos deveria haver.

Quando o conteúdo envolve figuras como Luiz Inácio Lula da Silva, simplesmente o presidente da República, e supostas relações políticas sensíveis, o dever de cautela deveria ser redobrado, não flexibilizado. E, se o material era falho ou impreciso, a responsabilidade é estrutural, não individual.

Mas o que fez a emissora? Optou pelo ritual clássico: expõe-se o rosto, preserva-se a engrenagem.

É um expediente antigo. O erro sobe ao palco com nome e sobrenome; a decisão editorial permanece nos bastidores, imune, silenciosa, quase etérea. Como se fosse possível dissociar o produto final do processo que o gerou.

Mais grave ainda é o efeito colateral disso tudo: a corrosão da confiança. Não apenas na jornalista, que injustamente se vê colocada em xeque, mas no próprio veículo. Porque, ao agir assim, a mensagem implícita é cristalina: quando a coisa aperta, a casa protege a estrutura — não quem assina.

E aí entra uma ironia incômoda: ao tentar conter um dano, amplia-se outro. Ao exigir um pedido de desculpas isolado, a GloboNews não necessariamente protegeu sua credibilidade — pode ter feito justamente o contrário. Afinal, quem assiste percebe. Sempre percebe.

Mas uma certeza é evidente, Andreia Sadi, não é digna de confiança. Ela mesma se sujeitou a isso.

No fim, fica a pergunta que realmente importa, e que não foi respondida no ar: quem decidiu que aquele conteúdo era confiável o suficiente para ser exibido?

Enquanto essa resposta não vier com a mesma transparência que se cobrou da jornalista, qualquer pedido de desculpas soará incompleto.

E, no jornalismo, meia verdade — ou meia responsabilidade — costuma ser apenas outra forma de erro.

Meu recado final para a GloboNews e para a Andreia Sadi, só pode ser um:
vão se lascar, seus mentirosos.

Tristirinhas do Thiago Muniz

1) Trump e Netanyahu acharam que ganhariam fácil a guerra contra o Irã, ainda mais tendo tomado o petróleo venezuelano de assalto. Só que calcularam errado demais, o Irã já estava se preparando para esse embate desde que o Trump participava das orgias da ilha do Epstein. E agora está em posição de desvantagem já que não possui o controle do Estreito de Ormuz.

2) Que canalhice da Globonews. Fazer um Powerpoint Lavajatista do caso banco Master aos mesmos moldes de Deltan Dallagnol, tendo a audácia de colocar o Lula envolvido. Globo, Folha e Estadão abraçados na cova da extrema direita Faria Lima Agropop escravista.

3) Neymar 2026 e Romário 2002: são situações parecidas com contextos completamente diferentes. O Romário tecnicamente estava no fino da bola fazendo muitos gols, tinha capacidade para contribuir em campo mesmo aos 36 anos mas o que impactou para a sua não convocação foi o fator extracampo, principalmente com o Felipão, fora que ele tomou uma pernada do presidente da CBF na época, Ricardo Teixeira. O Neymar não está conseguindo entregar a parte física e muito menos a parte técnica, nunca foi convocado pelo atual técnico Carlo Ancelotti, e ao que parece ambos não possuem um relacionamento fora de campo, e a última janela de amistosos antes da convocação final não esteve entre os relacionados, acho que é o fim do Neymar na seleção brasileira.

4) E vagabundo tá lá: será que o Carlo Ancelotti vai convocar o Neymar? E o Neymar não consegue andar em linha reta. E o Neymar caminha que nem o “Tô doido!” do Zorra Total.

5) Os três primeiros jogos do Brasil na Copa de 2026: Holanda de 74, Real Madrid no Santiago Bernabeu e Fundo de Quintal com Arlindo Cruz e Sombrinha.

6) Banco Master: o banco do CENTRÃO e da EXTREMA DIREITA.

domingo, 22 de março de 2026

A F1 como produto oculto da Rede Globo

Imagina só, você ter o melhor produto do mundo e decidir escondê-lo do público.

É exatamente isso que a Globo está fazendo com a Fórmula 1.

Depois de alguns anos vendo a Band tratar a Fórmula 1 com o carinho de uma avó que faz aquele bolo de cenoura quentinho pra você, a Globo decidiu andar para o futuro com métodos do passado.

O plano seria brilhante se nós estivéssemos em 1994, e esconder a maioria das corridas atrás de um pedágio chamado Sport TV ou Globoplay.

É uma estratégia de sequestro da sua atenção. Eles pegam algo que a Band democratizou e escondem atrás de um cofre.

Enquanto a Band estava entregando horas e horas de transmissão com treino, com pódio e com pós-corrida, a Globo está esperando que você pague um resgate com parcelas mensais.

Enquanto isso, em algum lugar do YouTube, o pessoal da Cazé TV e da Live Mode deve estar assistindo isso no sofá, tomando um vinho bem tranquilo.

E o motivo você já sabe. Eles já provaram que a moeda da década não é assinatura forçada, mas é um engajamento massivo numa construção de comunidade.

E um modelo aberto e digital cria comunidades fortes, enquanto o modelo da Globo está criando ressentimento.

E ao ignorar o legado da Band e a revolução de acessibilidade da Cazé TV, a Globo parece que está cometendo um erro clássico de posicionamento.

Eles estão tentando resgatar um modelo de assinatura na televisão que está respirando por aparelhos, sacrificando a todo custo a conversa digital que torna marcas relevantes hoje. Porque se ninguém está vendo, não vai rolar conversa. E se ninguém conversa e comenta, os patrocinadores estão pagando apenas pra aparecer numa sala vazia com o ar-condicionado gelado.

E isso nos traz uma lição absurda sobre estratégia de canal.

O empresário precisa entender que ele precisa fluir pra onde a audiência dele já está, e não tentar obrigar a audiência a escalar um muro pra encontrá-lo. E quando você cria fricção e atrito no consumo, você abre brecha.

E no mercado, a brecha é a oportunidade pro próximo inovador que não tem medo de ser grátis pra parecer gigante.

TEXTO DE:
Thiago Muniz