quarta-feira, 22 de julho de 2026
A Odisseia
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
Eulogy, o episódio perfeito de Black Mirror
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
O Agente Secreto e o Golden Globe
“A arte existe porque a vida não basta” (Ferreira Gullar)
O Agente Secreto, filme de Kleber Mendonça Filho com Wagner Moura, se passa no Brasil de 1977, durante a ditadura militar, e segue Marcelo, um professor de tecnologia que foge de um passado misterioso para Recife, buscando paz, mas encontra paranoia, vigilância e uma cidade cheia de tensão, sendo espionado por vizinhos e sentindo-se parte de um grande quebra-cabeça político e de memória que o passado tenta apagar. Em resumo: É um thriller político que usa a ambientação do Brasil militar para discutir a memória coletiva e individual, com um protagonista que se torna um "agente" em sua própria história de fuga e descoberta.
O título cria uma expectativa de um filme sobre espionagem, mantendo o espectador intrigado em boa parte do tempo, esperando revelações até que descobre que não se trata disso, que o agente secreto parece ser mais um ingrediente secreto de uma fórmula química ou receita de cozinha.
Seria esse o fio condutor, aliás, também das histórias paralelas, o elo comum que explicaria a existência da ditadura militar, da xenofobia contra nordestinos, do desaparecimento dos cinemas de rua no Recife e outros elementos dispersos pela narrativa.
O que seria esse ingrediente, esse agente, porém, não há como saber com certeza. O filme não dá respostas, nem poderia, pois se o esquecimento é o verdadeiro tema, como explicá-lo verbalmente? Como nomear o que, por definição, desaparece?
Por que torcemos para “O Agente Secreto” no Globo de Ouro?
Porque é um Filmaço! Porque somos brasileiros, viva a cultura brasileira.
Nosso audiovisual teve impacto econômico total de R$ 70,2 bilhões de PIB do Brasil em 2024. Gerou 608 mil empregos no país, sendo 121 mil empregos diretos. E R$ 9,9 bilhões em receitas tributárias (impostos).
Viva a produção audiovisual do Brasil! 🇧🇷
TEXTO DE:
Thiago Muniz
domingo, 1 de junho de 2025
Eulogy
quarta-feira, 2 de abril de 2025
Val Kilmer
terça-feira, 11 de março de 2025
A morte solitária de Gene Hackman
O que morre primeiro? O homem ou o mundo ao redor?
Gene Hackman morreu antes de seu coração parar de bater.
Teve fome. Teve sede.
E ninguém veio.
E então Gene Hackman, o grande Gene Hackman, morreu. Não de doença, não de fome. Morreu de esquecimento. Qual a verdadeira morte? A do último suspiro ou a do instante em que ninguém percebe a sua falta?
Gene Hackman morreu sozinho. Um dia, todos nós estaremos solitários no momento do encontro com o nosso destino final. É inevitável. Mas para Gene a morte chegou de um jeito mais lento, mais esquecido e doloroso. Ninguém bateu à porta. Nenhum amigo ligou. Nenhum familiar estranhou a ausência.
Betsy, sua esposa, morreu primeiro. Hantavírus. Uma doença rara, transmitida pelo pó das fezes de roedores. Pouco antes ela foi à farmácia e levou o cãozinho ao veterinário. Não sabia que aquelas eram suas horas finais, que seria abatida por algo mortal carregado pela poeira invisível, das coisas que existem e não se veem. Um dia ela estava ali, no outro não. Talvez tenha passado a manhã dobrando roupas. Talvez tenha planejado o jantar. E então veio a febre, o cansaço, o nada. De repente, o fim. Fulminante, sem aviso, sem tempo para despedidas e providências.
Gene ficou sozinho, sem entender. Por sete longos dias, perambulou pela casa sem saber o que fazer, sem lembrar como agir. Aos 95 anos, o Alzheimer já havia apagado parte de sua memória e a capacidade de pedir ajuda. Talvez tenha, no fundo da mente, sentido o vazio. Talvez tenha chamado por Betsy. Mas isso não se soube ou saberá, porque ninguém estava lá.
Ninguém veio.
O que acontece quando um homem se torna invisível?
Gene Hackman foi um dos maiores atores de Hollywood. Um ícone. O rosto duro, a voz grave, o talento bruto. Interpretou presidentes, assassinos, heróis. Foi duas vezes vencedor do Oscar, amado pelo público, respeitado pelos colegas. No auge da carreira, era forte, imbatível, voz que não tremia. Mas o que isso significa quando se tem 95 anos e se está sozinho e desamparado em casa? Quando a memória se apagou, o corpo está fragilizado e os amados ausentes?
A fama é um engano que o tempo desfaz.
O que resta quando o telefone para de tocar? Quando as pessoas presumem que você não quer ser incomodado? Quando a casa grande e confortável se torna um território de esquecimento?
De que vale um nome célebre quando se está idoso, doente e só?
A solidão não chega de repente. Ela começa no dia em que ninguém mais pergunta como você está. No dia em que as pessoas supoem que você já tem tudo, que está bem. O esquecimento vem devagar. Constrói-se aos poucos, como uma casa onde ninguém entra.
Gene – que não se dava ares de celebridade – buscou se distanciar de Hollywood. Escolheu o isolamento, apostou que a esposa, trinta anos mais jovem, o assistiria até o final. Acreditou que não precisava de um cuidador, enfermeiro ou outros empregados. Porém, o que durante muito tempo foi bênção, converteu-se em armadilha. A casa grande ficou menor. O silêncio ficou maior. A porta ficou fechada.
Ninguém bateu.
E o homem um dia visto por milhões, partiu sem que ninguém olhasse.
A solidão dos que vivem muito por vezes me assusta. A velhice é um país estrangeiro e inóspito. Ninguém quer visitá-lo sem garantias e medidas de segurança, mas poucos são os que ousam pensar no que acontecerá quando os dias se tornarem longos demais e as noites silenciosas em excesso. Raros são os que tomam decisões conscientes para que a vida não se dissolva quando não houver mais reuniões de trabalho, estreias, jantares com amigos, idas ao cinema.
Recolho em mim cada lição dessa tragédia: morrer é um caminho sem testemunhas; a fama, uma ilusão que se desmancha na poeira; o sucesso, um eco que não se sustenta; e escolhas para a velhice devem considerar vários cenários, pois a vida é mutável e imprevisível. Ela nos surpreende em uma esquina qualquer, com a sua maleta transbordante de espantos.
No fim, somos casas sem luz se não há quem bata à porta.
TEXTO DE:
Sonia Zaghetto
segunda-feira, 6 de janeiro de 2025
Fernanda Torres ganha o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Drama
sábado, 4 de janeiro de 2025
Ainda Estou Aqui
Assisti ao filme e como toda obra cinematográfica não é possível contar uma história na íntegra, mesmo que se divida em partes, sempre haverá uma decupação no tratamento do roteiro, definir prioridades e critérios que sejam mais interessantes no ponto de vista artístico e mercadológico.
E por isso quando esta obra é baseada num livro o ideal é você ler para se ter uma ideia ampla da história, muita mais rica em detalhes.
“Ainda estou aqui” é escrito por um filho que perdeu o seu pai precocemente em plena ditadura militar, num período deste regime autoritário extremamente violento, opressor e cerceador; este mesmo filho conta a história de sua mãe, que mesmo depois de presa foi obrigada a ser arrimo de família sem um destino definido de seu marido, foi estudar Direito e batalhar pelos direitos dos povos originários.
“Ainda estou aqui” é uma pequena amostra de quantas famílias foram destroçadas por uma ditadura. Onde há ditadura não há voz, mas pode existir coragem e esperança, e essa viúva teve essas virtudes do dia em que seu marido saiu de casa para nunca mais voltar até o último dia de sua vida, lutando contra o mal de Alzheimer.
“Ainda Estou Aqui” é um filme que além de ser assistido, deve ser sentido. Busque se desligar e somente SENTIR!
A cinematografia no geral, é muito assertiva. Adorei os momentos em que a direção aposta em planos sequenciais, que me deixaram ainda mais dentro da obra.
A escolha da fotografia, que identifico como “dramático frio”, é bastante condizente com o tom do filme. E foi lindo ver tantas coisas assertivas, que sobrepõe qualquer coisa em uma obra audiovisual.
E o melhor? Saber que isso vem de uma obra nacional, é revigorante.
TEXTO DE:
Thiago Muniz



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