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domingo, 23 de agosto de 2026

Guerra Civil: o dia em que os EUA bombardeou americanos

Alguns acontecimentos, com o passar do tempo, permanecem como feridas abertas, porque a passagem dos anos não consegue apagar a pergunta fundamental: como foi possível que o Estado chegasse a esse ponto?

Em 13 de maio de 1985, na Filadélfia, uma dessas perguntas ganhou uma resposta brutal.

Naquele dia, a cidade não enfrentava uma guerra estrangeira. Não estava sendo atacada por um exército invasor. Não era um campo de batalha. Era um bairro residencial de uma das maiores cidades dos Estados Unidos.

Mesmo assim, uma bomba foi lançada contra uma casa.

O alvo era a sede do MOVE, organização de ativistas negros que havia entrado em conflito durante anos com autoridades e moradores da Filadélfia.

A tensão entre o grupo e o poder público já tinha produzido confrontos violentos e prisões. Naquela manhã, policiais foram ao endereço de 6221 Osage Avenue para cumprir mandados de prisão e retirar os integrantes do MOVE.

O confronto se prolongou durante horas.

Então veio uma decisão que parece saída de uma distopia: às 17h27, um helicóptero lançou sobre o telhado um artefato explosivo improvisado contendo C-4, destinado a destruir uma estrutura fortificada construída pelos integrantes do MOVE.

Quarenta e dois segundos depois, o inferno começou.

O explosivo atingiu uma área do telhado onde existiam madeira, tecidos e recipientes de combustível.

O fogo se espalhou rapidamente pelas casas vizinhas. E o mais assustador talvez não seja apenas que a bomba tenha sido lançada.

É que o incêndio foi permitido continuar.

Quando as chamas finalmente foram controladas, 11 pessoas estavam mortas.

Entre elas estavam cinco crianças.

Onze seres humanos.

Cinco crianças.

Sessenta e uma casas foram destruídas e cerca de 250 pessoas ficaram desabrigadas.

A Filadélfia havia acabado de protagonizar algo que parecia inimaginável em uma democracia moderna: o poder público utilizara explosivos contra uma residência ocupada por seus próprios cidadãos e, em consequência da operação, uma parte inteira de um bairro residencial fora consumida pelo fogo.

Por isso o episódio ficou conhecido como o bombardeio do MOVE.

E talvez seja importante não suavizar a palavra.

Foi um bombardeio.

Não adianta alegar que o grupo não era pacífico ou inocente em todos os seus conflitos com a cidade. E muito menos alegar que suas posições políticas não fossem virtuosas.

O ato é injustificável.

Mesmo quando o Estado enfrenta adversários violentos, ele continua obrigado a obedecer aos limites da própria civilização que afirma defender.

Esse é o ponto que transforma o episódio de 1985 em algo muito maior do que uma disputa entre a polícia da Filadélfia e uma organização radical.

A democracia não se mede apenas pela maneira como trata aqueles que concordam com ela.

Mede-se, sobretudo, pela maneira como trata aqueles que considera inconvenientes, extremistas, perigosos ou indesejáveis.

O Estado possui uma força incomparavelmente maior que a de qualquer indivíduo. Tem polícia, armas, prisões, tribunais, inteligência e capacidade logística. Justamente por isso, seu poder precisa ser submetido a limites ainda mais rigorosos.

Quando o Estado perde esses limites, deixa de existir apenas uma operação policial mal conduzida.

Existe uma tragédia institucional.

A própria investigação posterior da cidade de Filadélfia reconheceu a dimensão extraordinária do episódio. Décadas depois, uma investigação independente sobre os restos mortais das vítimas recomendou que suas certidões de óbito fossem alteradas para registrar a causa das mortes e classificá-las como homicídio, e não acidente.

É uma mudança documental pequena diante da dimensão da tragédia.

Mas simbolicamente gigantesca.

Porque palavras importam.

Acidente é aquilo que acontece sem intenção ou controle. Homicídio remete à morte provocada por ação humana.

E o que aconteceu naquela tarde não foi uma fatalidade natural. Houve decisões. Houve autoridades. Houve uma operação planejada. Houve explosivos. Houve uma bomba lançada sobre uma casa.

O resultado foi uma carnificina.

Também é preciso lembrar que o MOVE não existia em um vácuo histórico. O grupo nasceu em uma Filadélfia marcada por conflitos raciais, desigualdade, brutalidade policial e profundas tensões sociais. Seus integrantes eram vistos por muitos vizinhos como uma ameaça e provocavam conflitos que não podem ser simplesmente apagados da narrativa.

Mas reconhecer os erros do MOVE não absolve automaticamente os erros do Estado.

Essa é uma distinção fundamental.

Condenar a violência de um grupo não significa conceder ao Estado uma licença para agir sem limites.

Se aceitarmos o contrário, chegaremos a uma lógica perigosa: basta rotular alguém como extremista, criminoso ou inimigo para que desapareçam seus direitos.

Foi exatamente esse tipo de raciocínio que tornou episódios como o de 13 de maio de 1985 tão perturbadores.

A pergunta que permanece não é apenas por que o MOVE chegou a um confronto tão radical com a cidade.

A pergunta também é: por que uma democracia considerou aceitável lançar uma bomba sobre uma casa?

E existe uma segunda pergunta, ainda mais incômoda: o que teria acontecido se aquelas pessoas não fossem negras, pobres e politicamente marginalizadas?

Não existe resposta simples para essa pergunta. Mas ignorá-la seria igualmente irresponsável.

A história americana é cheia de episódios em que a cor da pele, a pobreza e a posição política determinaram quem recebeu proteção e quem recebeu força.

O bombardeio do MOVE precisa ser lembrado justamente por isso.

Não como uma história de santos contra demônios.

Não como propaganda política.

Não como uma justificativa para transformar o MOVE em herói absoluto.

Mas como uma advertência.

Porque instituições democráticas também podem cometer atrocidades.

Policiais podem errar.

Governos podem abusar do poder.

Autoridades podem tomar decisões absurdas.

E sociedades inteiras podem assistir ao desastre acontecer enquanto procuram, depois, uma explicação confortável para aquilo que não deveria ter acontecido.

Em 13 de maio de 1985, a Filadélfia mostrou ao mundo uma imagem que deveria constranger qualquer democracia: um helicóptero sobrevoando um bairro residencial, uma bomba caindo sobre uma casa e crianças morrendo dentro dela.

Quarenta e um anos depois, a imagem continua difícil de encarar.

E talvez seja exatamente por isso que ela precise continuar sendo lembrada.

Porque esquecer é muito mais conveniente.

Lembrar é admitir que o Estado, quando não encontra limites para o próprio poder, pode transformar a defesa da ordem em destruição da própria ordem que deveria proteger.

Naquele 13 de maio, a Filadélfia não apenas perdeu 11 vidas.

Perdeu casas.

Perdeu uma parte de um bairro.

E, por algumas horas, perdeu também aquilo que uma democracia jamais deveria perder: o senso de que nenhuma autoridade está acima da vida humana.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Amai vossos inimigos

Algumas vezes, fotografias não registram apenas um instante, elas capturam um dilema moral.

A imagem feita por Mark Brunner, em Ann Arbor, no Michigan, no verão de 1996, pertence a essa categoria. Ela não mostra um discurso histórico, uma vitória política ou uma multidão comemorando. O que ela eterniza é uma escolha.

No asfalto, um homem identificado com símbolos ligados ao supremacismo branco está caído. Sobre ele, protegendo-o dos golpes que vêm de todos os lados, uma jovem negra de apenas dezoito anos.

Em torno dos dois, uma multidão enfurecida. 

Os rostos revelam indignação; os braços, a disposição para a violência. Bastava mais um minuto para que a justiça cedesse lugar ao linchamento.

O nome daquela jovem era Keshia Thomas.

Sua atitude desafiou tanto a lógica dos extremistas quanto a dos justiceiros. Ela não correu para defender uma ideologia. Correu para impedir que o ódio mudasse apenas de endereço.

A fotografia provoca desconforto justamente porque desmonta uma das ilusões mais sedutoras do nosso tempo: a de que a violência se torna virtuosa quando dirigida contra quem julgamos merecê-la.

Keshia não ignorava o significado daqueles símbolos. Sabia muito bem o que representavam para uma mulher negra nos Estados Unidos. Mesmo assim, recusou-se a aceitar que a barbárie pudesse ser combatida reproduzindo seus próprios métodos.

Sua decisão contém uma lição incômoda.

O ser humano costuma acreditar que a maldade pertence sempre ao outro. Os intolerantes seriam apenas aqueles que vestem capuzes brancos, fazem saudações nazistas ou carregam bandeiras do ódio.

Mas a fotografia lembra que a intolerância também pode vestir a roupa da multidão convencida de sua superioridade moral.

Quando dezenas de pessoas gritam "matem o nazista", a frase pode até nascer de uma indignação compreensível. Ainda assim, ela revela o mesmo mecanismo que sustenta todo fanatismo: a desumanização do adversário.

Esse talvez seja o detalhe mais importante da imagem. Keshia não tentou convencer aquele homem de que estava errado. Também não lhe ofereceu absolvição. Fez algo muito mais difícil: impediu que ele fosse reduzido à condição de um corpo descartável.

Sua frase atravessou as décadas porque sintetiza essa postura: ninguém aprende a bondade apanhando.

A política contemporânea, as redes sociais e boa parte dos debates públicos parecem caminhar na direção oposta. Cada grupo acredita possuir o monopólio da virtude e, por isso, concede a si mesmo licença para humilhar, cancelar ou destruir quem pensa diferente. Muda-se o alvo, preserva-se o método.

A imagem de Ann Arbor continua atual porque rompe essa engrenagem.

Ela nos lembra que princípios não servem para proteger apenas quem admiramos. Seu verdadeiro valor aparece quando somos chamados a aplicá-los em favor de quem consideramos indigno deles.

O homem caído no chão talvez nunca tenha abandonado suas convicções. Talvez tenha mudado. Pouco importa para compreender o sentido daquela fotografia. O que realmente permaneceu foi a decisão de uma jovem que recusou permitir que o ódio escrevesse mais uma página de sua própria história.

No fim das contas, Mark Brunner não fotografou apenas um resgate. Fotografou o instante em que um corpo disse "não" à vingança. E, às vezes, um único "não" vale mais para a civilização do que milhares de gritos em nome da justiça.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Indústria brasileira aceita a acusação americana?

Achei curioso o patriotismo da CNI e da ABIMAQ: o do réu que aceita a acusação antes do julgamento

Existe um velho ditado no Direito segundo o qual quem confessa facilita o trabalho da acusação. Pois bem.

Se depender da reação inicial de parte da representação da indústria brasileira, os Estados Unidos nem precisarão gastar muito tempo tentando convencer o mundo de que o Brasil convive com trabalho forçado em sua cadeia produtiva. Alguns dos nossos representantes parecem dispostos a fazer esse serviço de graça.

Diante do anúncio das tarifas americanas, justificadas pela gravíssima acusação de utilização de trabalho forçado, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) correram para defender a negociação direta e advertir contra medidas de reciprocidade.

Negociar? Evidentemente. Diplomacia não é uma modalidade de luta livre.

Mas há uma questão anterior, muito anterior.

Onde estava a indignação contra a acusação?

Porque uma coisa é reconhecer que uma guerra comercial produz perdas para todos. Outra, muito diferente, é agir como se a acusação fosse apenas um detalhe burocrático no meio da negociação.

Quando uma potência econômica afirma que determinado país merece ser tarifado porque estaria associado a práticas de trabalho forçado, isso não representa apenas uma divergência comercial. É um ataque à reputação internacional de toda a sua produção.

A primeira reação esperada de quem representa a indústria seria perguntar: onde estão as provas?

Em vez disso, o debate rapidamente migrou para outro terreno: "não reajam", "não façam reciprocidade", "negociem".

Ora, negociar o quê? A tarifa ou a culpa?

Porque a impressão produzida é devastadora. Quem observa de fora pode concluir que, se as próprias entidades industriais brasileiras não contestam energicamente a acusação, talvez ela contenha algum fundo de verdade.

É evidente que isso não significa que defender reciprocidade seja necessariamente a melhor estratégia. Medidas dessa natureza precisam ser avaliadas com racionalidade econômica e diplomática. O ponto não é esse.

O problema é inverter a ordem das prioridades.

Antes de discutir como responder à sanção, seria razoável rejeitar publicamente a narrativa que tenta justificar a própria sanção.

Caso contrário, aceita-se a denúncia e passa-se diretamente à discussão da pena.

Mas existe uma ironia ainda maior.

Boa parte do empresariado organizado que hoje cobra do presidente Lula uma solução rápida para a crise foi, durante anos, uma das mais entusiasmadas bases de sustentação política do bolsonarismo.

Não estamos falando apenas de apoio eleitoral. Estamos falando de um ambiente político que tratou qualquer gesto de alinhamento automático aos Estados Unidos de Donald Trump como demonstração de patriotismo.

Essa mesma galera apoiava que o próximo presidente deveria ser o governador carioca de São Paulo, Tarcísio de Freitas que subiroa a rampa do Planalto com o boné "make América great again".

Agora, quando essa relação produz consequências econômicas e diplomáticas desfavoráveis ao Brasil, a responsabilidade desaparece como num passe de mágica.

Os responsáveis políticos pelo ambiente que desembocou nesse conflito tornam-se invisíveis.

E toda a cobrança recai sobre Lula, como se tivesse sido seu governo a incentivar confrontos institucionais, atacar parceiros comerciais ou transformar a política externa em instrumento de guerra ideológica.

É uma curiosa versão da responsabilidade seletiva.

Privatizam-se os aplausos quando a aposta parece render dividendos políticos.

Socializam-se os prejuízos quando a conta finalmente chega.

Não deixa de ser curioso que parte dos mesmos setores empresariais que tantas vezes denunciaram um Estado "intervencionista" agora exijam justamente desse Estado a solução imediata para uma crise cuja gênese política ajudaram a alimentar.

O governo, evidentemente, tem a obrigação de defender os interesses nacionais. É para isso que existe.

Mas também seria saudável que as entidades empresariais demonstrassem o mesmo vigor na defesa da honra da indústria brasileira que demonstram ao defender a necessidade de preservar mercados.

Porque reputação também é ativo econômico.

Aliás, talvez seja o principal deles.

Uma indústria cuja própria representação parece hesitar em contestar uma acusação internacional gravíssima já entra na mesa de negociação em posição defensiva.

Não porque perdeu a disputa comercial.

Mas porque, antes mesmo da primeira rodada, aceitou discutir o tamanho da punição sem exigir que a acusação fosse demonstrada.

Isso não é pragmatismo.

É rendição argumentativa.

E quem se rende na narrativa dificilmente vence na negociação.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

É o show das BETs na Cazé TV

A Cazé TV se vendeu completamente para as BETs e quase ninguém está falando disso, né?

Porque quando são as mulheres blogueiras, aí todos caem de críticas e com razão. Mas quando é o Casimiro, o gordinho gente boa, aí passa-se pano.

Você já viu os números da CazéTV? Quantas pessoas eles estão atingindo? Quantas pessoas estão inscritas? Quantas pessoas estão assistindo as lives que eles estão fazendo? Você viu os números?

Gente que apostava pouco recebe mais estímulo. Gente vulnerável agora passa a ser bombardeada por isso o dia inteiro por uma pessoa que ele gosta e confia, o Cazé

O que passa pano é o resumo da transmissão da CazéTV e de todo o futebol brasileiro em relação ao futebol brasileiro.

É uma passação de pano para uma seleção medíocre, uma seleção de influenciadores, de estrelinhas, de bilionários que sofreu muito para fazer três gols no Haiti.

Aí o menino Ney, o cara não consegue nem viajar que se lesiona, que comemorou a sua convocação induzindo as pessoas a jogar em BET. Está lá ocupando o lugar de outro atacante.

A seleção tem que ganhar para ficar nos Estados Unidos para não viajar para o México porque viajar desgasta. Ah é? Vai desgastar os bilionários fazer uma viagem num vôo particular fretado de primeira classe. É um homem lamber na bola do outro, assim uma coisa pornográfica. E tudo isso financiado por casa de apostas. 

Gente, hipocrisia tem limites.

Se você acha que isso é correto, continua, mas pelo menos assuma. Não seja hipócrita não de ficar pagando de: “ah! eu não gosto disso, eu critico isso…”, mas está aí, babando o ovo da CazéTV.

É Cazé, você está ferrando a vida de um monte de gente para ganhar mais dinheiro do que você já ganhou, do quarto na pandemia para os salões do sistema.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

domingo, 21 de junho de 2026

Shakira, a FIFA e o Feminismo de Camarote

Uma ironia difícil de ignorar quando Shakira volta a emprestar sua voz à FIFA.

A mesma cantora que construiu parte de sua imagem pública como defensora da autonomia feminina, da independência das mulheres e da superação de relacionamentos abusivos, torna-se novamente a trilha sonora oficial de uma das instituições mais associadas às contradições do capitalismo global.

Não se trata de questionar o talento de Shakira. Poucos artistas conseguiram atravessar tantas décadas permanecendo relevantes. Tampouco se trata de negar suas contribuições para causas sociais. A questão é outra: até que ponto o feminismo pode ser transformado em produto de marketing sem perder sua capacidade crítica?

A FIFA não é apenas uma organização esportiva. É uma máquina bilionária que movimenta interesses políticos, econômicos e comerciais em escala planetária. Ao longo de sua história recente, acumulou denúncias de corrupção, favorecimento político, exploração de trabalhadores em grandes obras e submissão dos interesses esportivos aos interesses comerciais.

Quando uma artista que se apresenta como voz do empoderamento feminino associa sua imagem a essa engrenagem, surge uma pergunta inevitável: empoderamento para quem?

O feminismo que desafia estruturas de poder deveria, em tese, questionar sistemas que transformam pessoas em ferramentas descartáveis para gerar lucro. Entretanto, boa parte do feminismo pop contemporâneo parece ter substituído a crítica estrutural pela celebração do sucesso individual. O importante já não é mudar o sistema, mas alcançar o topo dele.

Nesse modelo, uma mulher pode tornar-se símbolo feminista enquanto participa das mesmas estruturas econômicas que produzem desigualdades. O discurso passa a ser: não importa que o navio continue afundando, desde que haja mais mulheres na cabine de comando.

A trajetória recente de Shakira ilustra essa contradição.

Após transformar sua separação em um poderoso discurso de autonomia pessoal, a cantora consolidou-se como símbolo de resistência feminina. Porém, ao associar sua imagem novamente à FIFA, acaba ajudando a legitimar uma instituição cuja lógica pouco dialoga com qualquer projeto genuinamente emancipador.

Talvez a contradição não seja exclusivamente dela. Talvez seja a contradição de toda uma época.

Vivemos o momento histórico em que a rebeldia virou marca registrada, a contestação virou estratégia de marketing e a crítica ao poder tornou-se um segmento lucrativo da indústria do entretenimento. O mercado descobriu que vender discursos de transformação pode ser tão rentável quanto vender perfumes, refrigerantes ou direitos de transmissão esportiva.

Nesse contexto, o feminismo corre o risco de ser reduzido a uma estética. Uma camiseta. Um slogan. Uma campanha publicitária. Uma música-tema de um evento bilionário.

Shakira não criou essa lógica. Mas participa dela.

E talvez seja justamente essa a crítica mais incômoda: não a de que uma artista seja hipócrita, mas a de que o capitalismo contemporâneo se tornou tão eficiente que consegue transformar até mesmo discursos de resistência em combustível para sua própria máquina.

Quando isso acontece, o problema deixa de ser a cantora que canta na abertura do espetáculo. O problema passa a ser o espetáculo em si.

Marjane Satrapi: a mulher que transformou a memória em resistência

A morte de Marjane Satrapi, aos 56 anos, encerra uma das trajetórias mais singulares da literatura gráfica contemporânea.

Conhecida mundialmente por Persépolis, Satrapi não apenas revolucionou os quadrinhos como linguagem literária, mas também ajudou a redefinir a maneira pela qual o Ocidente enxerga o Irã, a diáspora e a experiência do exílio.

Sua morte, anunciada pela família em junho de 2026, foi recebida com pesar por leitores, artistas e defensores dos direitos humanos em todo o mundo.

A menina que viu uma revolução

Nascida em 1969, na cidade iraniana de Rasht, e criada em Teerã, Satrapi pertenceu a uma geração marcada pela ruptura histórica da Revolução Islâmica de 1979.

Filha de uma família politicamente engajada e crítica tanto da monarquia do quanto da teocracia que a sucedeu, ela testemunhou ainda criança a transformação radical de seu país.

Aos 14 anos, foi enviada para a Áustria pelos pais, numa tentativa de protegê-la do endurecimento do regime iraniano e da guerra contra o Iraque. A experiência do exílio — marcada por solidão, desenraizamento e crises de identidade — tornaria-se um dos temas centrais de sua obra.

Mais tarde, estabeleceu-se definitivamente na França, onde encontrou o ambiente artístico que permitiria florescer sua carreira internacional.

Persépolis: quando a História ganhou rosto humano

Publicada originalmente entre 2000 e 2003, Persépolis tornou-se rapidamente um marco cultural. A obra narra a infância e juventude da própria autora durante a Revolução Islâmica e seus anos de exílio na Europa. Mas sua importância ultrapassa a autobiografia.

O grande mérito de Satrapi foi compreender algo que historiadores e jornalistas frequentemente esquecem: regimes políticos afetam pessoas concretas.

Enquanto muitos livros sobre o Irã descreviam governos, líderes religiosos ou conflitos geopolíticos, Satrapi falava sobre uma adolescente que gostava de rock, discutia com os pais, sonhava com liberdade e tentava encontrar seu lugar no mundo. O resultado foi uma obra capaz de humanizar uma sociedade frequentemente reduzida a estereótipos.

Seu traço em preto e branco, deliberadamente simples, funcionava como uma linguagem universal. Sem o excesso de realismo, as imagens tornavam-se símbolos. O particular transformava-se em coletivo.

Nesse sentido, Persépolis realizou algo raro: foi simultaneamente testemunho histórico, romance de formação e denúncia política.

Uma crítica ao autoritarismo — e também aos preconceitos ocidentais

Reduzir Satrapi à condição de crítica do regime iraniano seria uma leitura incompleta.

Embora denunciasse abertamente a repressão política, a censura e a desigualdade de gênero impostas pela República Islâmica, ela também combatia a visão simplista do Ocidente sobre o Oriente Médio.

Em entrevistas e textos, insistia que os iranianos não podiam ser resumidos a fanáticos religiosos ou vítimas passivas. Havia humor, cultura, contradições e humanidade naquela sociedade. Seu trabalho procurava recuperar justamente essa complexidade.

Essa posição lhe garantiu um lugar singular no debate público: Satrapi recusava tanto a propaganda do regime iraniano quanto as caricaturas produzidas por certos discursos ocidentais.

Muito além dos quadrinhos

Embora Persépolis tenha se tornado sua obra mais conhecida, Satrapi construiu uma produção diversificada.

Livros como Bordados e Frango com Ameixas aprofundaram sua investigação sobre memória, afetos e identidade cultural. 

Sua adaptação animada de Persépolis, codirigida com Vincent Paronnaud, conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar, consolidando-a também como cineasta.

Nas décadas seguintes, continuou transitando entre literatura, cinema e ativismo, tornando-se uma das vozes mais respeitadas na defesa da liberdade de expressão e dos direitos das mulheres iranianas.

O legado de uma narradora da liberdade

Poucos autores conseguiram realizar aquilo que Satrapi alcançou: transformar uma experiência profundamente pessoal em patrimônio universal.

Ela demonstrou que os quadrinhos podiam ocupar o mesmo espaço intelectual da grande literatura memorialística. Mais do que isso, provou que a arte pode funcionar simultaneamente como documento histórico e exercício de empatia.

Sua morte encerra uma trajetória interrompida precocemente, mas sua obra permanece extraordinariamente atual. Em um mundo cada vez mais polarizado, Persépolis continua lembrando algo essencial: antes das ideologias, das bandeiras e das revoluções, existem pessoas.

E talvez seja justamente por isso que Marjane Satrapi sobreviverá ao seu tempo.

Não apenas porque contou a história do Irã.

Mas porque contou, com rara honestidade, a história universal de quem tenta permanecer livre quando a História decide esmagar os indivíduos.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Copa da Vergonha Mundial

Quando o VAR não aciona o árbitro para analisar uma entrada para expulsão de Leonel Messi, a FIFA apenas comprova sem pudor o que todos já sabíamos: que esta Copa é a Copa da Vergonha Mundial.

Uma Copa que poderia ser conhecida pela Copa da Diáspora, pela quantidade de jogadores nascidos fora do país cuja seleção defende, mas que será conhecida como Copa da Diáspora pelo tratamento colonial dado aos jogadores de países explorados.

Aliás, Copa do Exílio cairia bem, já que o principal árbitro africano foi exilado do torneio. Mas a FIFA já anunciou que pagará as diárias como se ele lá estivesse, afinal, trata-se de dinheiro. Ou você achava que a Copa tinha haver com futebol?

Árbitro faz sinal de "white power" dentro da cabine do VAR, e a FIFA estuda se vai poder punir, sem que corra o risco de desagradar o homem que comprou a Copa e justamente é o grande expoente mundial desse movimento racista.

Jogadores do Irã são barrados de entrar e depois de sair dos EUA, mas o fantoche, digo, presidente da FIFA vai ao vestiário fingir um apoio que não existe.

Estrangeiros são detidos pelo ICE, por cometer o crime hediondo de ter pele escura.

Mas o dinheiro corre solto. Messi imune as regras aplicadas aos jogadores que não dão o mesmo retorno finenceiro. Neymar mandando naquela que deveria ser a maior seleção do mundo, mas que não passa de um eterno azarão.

E a imprensa romantiza o Vozinha. Herói improvável vindo de uma nação "inferior" e que serve como distração para que os reais problemas do torneio sejam jogados para debaixo do tapete.

A conclusão que fica é que se alguns países tivessem um mínimo de vergonha na cara, jamais voltariam a participar de um torneio realizado por esse câncer chamado FIFA.

O atual fantoche que atualmente finge comandar a instituição não deveria permanecer no cargo, após o torneio, mas com certeza vai ficar. Obviamente, convidar quase todos os países mais pobres para dividir o palco com os europeus limpinhos vai trazer um apoio enorme.

Porque mesmo nesses países pobres, quem manda é o dinheiro, mesmo que em menores quantidades.

Pois é, amigos, linda Copa.

Aquela que deveria ficar na memória pela despedida de Messi, CR7 e até mesmo Neymar, vai ficar na memória pela despedida do futebol mesmo.

domingo, 14 de junho de 2026

A FIFA e a CBF: entre o meretrício, a subserviência e a Disney

Confesso que perdi o encanto pela Seleção Brasileira há tempos. Para ser exato, desde o Penta de 2002. Mataram a alma daquele menino que chorou no Tri de 1970 e se orgulhava de dizer aos amigos da escola: “o Félix, do Fluminense, é campeão do mundo”.

O que mudou? Talvez o fato de que, dos últimos seis presidentes da CBF, cinco tiveram seus mandatos encerrados por prisão, banimento ou decisão judicial.

Quando penso que nada mais pode surpreender, surge a notícia: a CBF banca passagens, hospedagem, alimentação e ingressos para presidentes dos 40 clubes das Séries A e B e para todas as federações estaduais.

Os dirigentes dos clubes passam dias em Nova York. Os das federações ganharam pacote premium em Orlando, ingressos em áreas nobres e direito a acompanhante para os jogos do Brasil.

No futebol, isso tem nome: “turismo eleitoral”. Afagos custeados pela entidade para agradar justamente quem decide eleições e destinos políticos da própria CBF.

Depois, espantam-se com a reeleição - por unanimidade - do Rubinho na FERJ. Na boa, isso é apenas um dos inúmeros fios da teia que aprisiona o futebol brasileiro.

A CBF segue cada vez mais rica. Já os clubes — inclusive o meu Fluminense — afundam em dívidas bilionárias, quase impagáveis.

Quanto ao jogo, resultou no empate que previ numa LIVE, na sexta à noite. Mas assistir ao limitado Paquetá, ao cansado Casemiro, ao bonde Igor Thiago, ao improvisado Ibañez, ao CHAMAGOL Alisson: é dose.

É óbvio que torci, mas com esse 4-2-4 e certos jogadores de empresários, não existe Viagra que dê jeito.

Mas, a razão maior desse texto é com relação à postura da FIFA, que virou TCHUTCHUCA do Trump

As principais reclamações giram em torno da sua omissão diante de restrições impostas pelos Estados Unidos a participantes da Copa de 2026.

Houve casos de negação de vistos e retenções prolongadas em aeroportos, afetando o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, membros de delegações (especialmente do Irã), jogadores, como Aymen Hussein, e profissionais de diversos países.

Gianni Infantino, o Presidente da FIFA, transformou-se em VASSALO do governo americano, não se posicionando com firmeza, limitando-se a lamentar os fatos, alegando não ter controle sobre políticas de imigração.

Pura hipocrisia e duplo padrão, pois a FIFA agiu com muito mais rigor em outras questões políticas, mas não usou sua influência para garantir igualdade de condições e o cumprimento dos princípios do torneio, deixando profissionais impedidos de exercer suas funções.

Cabe recordar que a política de restrições norte-americana contrasta com o histórico da própria FIFA, que chegou a remover a Indonésia do posto de sede do Mundial Sub-20 de 2023 por razões políticas semelhantes.

A atual Copa do Mundo está sendo disputada por 48 seleções, o que significa a antítese ao bom futebol.

Em todos os casos, bem-vindos à Disneylândia, onde o torcedor, quer dizer, o PATETA, é o funcionário do mês.

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Trump estende tapete vermelho para Lula

A reunião entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, realizada nesta quinta-feira na Casa Branca, teve um detalhe que desmonta parte da caricatura política criada no Brasil nos últimos anos: Trump tratou Lula como um estadista experiente, não como um adversário folclórico.

Chamou o presidente brasileiro de “dinâmico” e definiu o encontro como “muito produtivo”, após horas de conversa reservada sobre comércio, tarifas, segurança e geopolítica.

E isso não aconteceu por gentileza diplomática. Trump pode até transformar a política em espetáculo, mas não costuma desperdiçar pragmatismo quando enxerga poder real diante dele.

O presidente americano sabe que Lula chega à mesa carregando décadas de experiência internacional, trânsito global e capacidade de negociação construída desde o início dos anos 2000.

Enquanto muitos líderes surgem e desaparecem ao sabor das redes sociais e das guerras culturais, Lula atravessou governos Bush, Obama, Sarkozy, Merkel, Putin, Xi Jinping e agora volta a negociar diretamente com Trump.

Há uma diferença importante entre propaganda doméstica e percepção internacional.

Parte da elite econômica brasileira ainda insiste em enxergar Lula pela lente do preconceito social: “o pernambucano de nove dedos”, o retirante que ousou ocupar espaços historicamente reservados aos sobrenomes tradicionais do poder.

Mas o mundo não funciona segundo os ressentimentos da Casa Grande brasileira.

Lá fora, Lula continua sendo reconhecido como um dos políticos mais influentes do Sul Global e um dos líderes mais conhecidos da história contemporânea da América Latina.

Gostem ou não seus adversários, Lula se transformou num personagem histórico. Não apenas pela origem improvável ou pelas vitórias eleitorais, mas porque construiu relevância internacional duradoura.

Poucos líderes latino-americanos conseguiram dialogar simultaneamente com Washington, Pequim, Bruxelas e Moscou sem desaparecer politicamente no meio do caminho. Menos ainda conseguiram retornar ao poder depois de tudo o que viveu a política brasileira na última década.

Trump percebe isso. E talvez por isso tenha evitado qualquer confronto performático. O presidente americano entende linguagem de força política, de liderança popular e de sobrevivência institucional.

Lula representa exatamente isso. São dois líderes radicalmente diferentes em visão de mundo, mas semelhantes num aspecto essencial: ambos entendem a política como disputa de poder real, não como teatro para redes sociais.

No Brasil, porém, continua existindo uma dificuldade quase patológica de reconhecer a dimensão histórica de Lula.

Há quem prefira reduzi-lo a apelidos ou caricaturas porque admitir sua estatura política significaria aceitar algo intolerável para certos setores: o maior líder político da história brasileira nasceu pobre, nordestino, operário e sem diploma universitário.

E a história, cruel com os arrogantes, costuma rir desse tipo de preconceito.

Enquanto alguns ainda repetem insultos de WhatsApp, Lula segue sendo recebido na Casa Branca como interlocutor estratégico dos Estados Unidos.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Sopro de Fé, alimento de brasa, que faz reacender o coração

(por Antonio Gonzalez)

//Dedicado à tríade do Marketing Político e Governamental e da Comunicação do Vale do Paraíba (SP) – Celso de Almeida Jr, Marcelo Hespaña e Marcelo Pimentel//

Quem estudou História com alguma profundidade sabe: o que vivemos hoje é consequência de estruturas muito antigas. Desigualdade, exploração e concentração de riqueza não são fenômenos modernos, estão na base das civilizações.

Do Egito, com sua hierarquia divina, passando por persas, gregos e romanos, vemos o mesmo padrão: elites concentrando poder e riqueza, enquanto a base sustenta o sistema com poucos direitos. A desigualdade era naturalizada; justificada por religião, tradição ou força.

Na Idade Média, o feudalismo reorganiza essa lógica em três camadas: clero, nobreza e servos. A Igreja legitimava essa ordem como vontade divina. Pouca mobilidade social, poder concentrado.

Com a modernidade, surgem comércio, burguesia e a ideia de igualdade jurídica. Mas a igualdade formal não elimina a desigualdade real. No capitalismo, há liberdade e direitos formais, porém a riqueza continua concentrada em quem controla o capital. A exploração se torna menos visível, mais contratual.

O que muda ao longo do tempo não é a desigualdade em si, mas sua justificativa: de “ordem divina” para “ordem social” e, hoje, “mérito”. Sabemos que, na prática, o ponto de partida ainda pesa muito.

Nesse contexto, o Brasil (ainda jovem em idade histórica) nasce marcado por essa lógica. Desde 1500, forma-se a partir da mistura desigual entre povos indígenas, europeus e africanos escravizados, sob a colonização portuguesa. Ao longo do período colonial, do tráfico de escravos e do Império, consolidou-se uma sociedade profundamente hierarquizada, com concentração de renda e exclusão da maioria.

Mesmo após a, suposta, abolição da escravidão e a República, essas marcas persistem. O Brasil contemporâneo é diverso e culturalmente rico, mas ainda carrega desigualdades estruturais, racismo e acesso desigual a oportunidades.

Diante disso, arrisco dizer: tirando a ciência e as mentes abertas, muito do que vemos hoje é herança de mentalidades antigas, transmitidas de geração em geração, através dos séculos, quiçá milênios.

Nos últimos dias fui posto à prova, com direito à sensação de perda. Um dia o poeta Lulu Santos cantou “hoje o tempo voa, escorre pelas mãos”. Por momentos, em crises de ansiedade, senti a minha vida escorrer pelas minhas mãos, através de um simples dedo do meu pé.

Agradeço a Deus ter amigos de verdade, isso é mais do que tudo. É fundamental. Sem esquecer dessa fagulha acessa pelo sopro de , que reacendeu meu coração.

Com relação ao que a humanidade já construiu ou desconstruiu de história, em outubro próximo eu vou cumprir o meu papel de cidadão. É preciso dizer não.

Quanto ao Senador, BOÇAL, Marcio Bittar, que hoje de forma leviana e analfabeta afirmou que Caetano Velosopegou em armas” na Ditadura Militar, merece nota um. Justamente porque reconhece que o Brasil, realmente, viveu uma Ditadura Militar.

O problema não é ser de Direita, de Centro ou de Esquerda.

O problema é permitir que o país e que o mundo fique nas mãos de gente despreparada, interesseira e psicopata.

Terminando... entre ser pateta do curso do ator Juliano Cazarré (“O Farol e a Forja”) e ter pensamento evoluído, escolho ser do mundo do Papa Francisco, do Papa Leão XIV, da Érica Hilton, da Ana Paula Renault, do Ney Matogrosso, do Padre Júlio Lancellotti, do Pastor Caio Fábio, do Pastor Otoni de Paula, do Pastor Henrique Vieira, de Pedro Sánchez, SEM GUERRAS, sem terrorismo, sem genocídios / genocidas, sem racismo, sem homofóbicos, sem milicianos, sem narcotráfico e sem Trump.

Com certeza, é o mundo escolhido por Jesus Cristo!

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

sábado, 25 de abril de 2026

Entre Puritanos, Piratas e Maçons: o Mito da Fundação Cristã dos EUA

Neocons e olavistas dizem: “os Estados Unidos são uma nação fundada em valores cristãos”.

A tese de que os Estados Unidos são uma nação fundada sobre “valores cristãos” é um lugar-comum no meio direitista brasileiro, profundamente americanista.

Contudo, ao observarmos a gênese da ocupação europeia na América do Norte e a fundação da República, a narrativa se torna mais falsa e deturpada. A afirmação de que o país foi erguido por piratas, radicais puritanos e maçons seria uma descrição historicamente mais precisa dos vetores de força que moldaram a psique e as estruturas de poder americanas.

Quando falamos dos Peregrinos do Mayflower, a imagem direitista é a de homens e mulheres piedosos em busca de liberdade religiosa. A verdade, no entanto, é outra: eles não buscavam liberdade religiosa para todos os cristãos; buscavam a liberdade de impor um puritanismo radical, completamente tresloucado.

Na Inglaterra, eram vistos como subversivos; foram expulsos e perseguidos pelo rei. Na América, tornaram-se inquisidores verdadeiramente abusivos, cabendo, aqui sim, todos os ataques à Inquisição nos reinos católicos, feitos levianamente pelos inimigos da Igreja.

Na fundação da Colônia da Baía de Massachusetts, presenciou-se a loucura fanatizante daquelas seitas protestantes: expulsaram dissidentes como Roger Williams e Anne Hutchinson para o deserto gelado; enforcaram quakers em Boston Common; promoveram as infames caças às bruxas de Salém — não, não foi obra da Igreja Católica.

Acreditavam que eram os novos israelitas e que os nativos americanos eram cananeus a serem desapossados ou exterminados em nome da “Terra Prometida” — semelhança com a questão sionista atual não é mera coincidência.

O DNA dessa certeza moral inabalável, dessa convicção de ser um “povo eleito” acima das leis mundanas, está mais presente no Destino Manifesto do século XIX do que no Sermão da Montanha.

Enquanto os puritanos rezavam em igrejas de madeira, a verdadeira força motriz da colônia que se tornaria a capital financeira do mundo vinha da água salgada. Nova York, por sua vez, começou como Nova Amsterdã, um posto de comércio holandês que era, essencialmente, uma lavanderia de dinheiro sujo da pirataria global.

Os portos da Nova Inglaterra e das Colônias Centrais enriqueceram vertiginosamente, equipando e financiando corsários (piratas com licença governamental para roubar) e recebendo piratas declarados para vender seus saques.

Capitães como William Kidd transitavam entre a elite política de Nova York e a forca. O ouro e a prata espanhóis, saqueados dos galeões nas Caraíbas, eram derretidos e transformados em moeda corrente nas colônias americanas, construindo as primeiras grandes fortunas e universidades (Harvard, Yale).

O valor fundador aqui não é cristão; é a acumulação primitiva de capital por meio da violência marítima, bancada pela própria Coroa Britânica. O espírito do capitalismo americano — agressivo, especulativo e, muitas vezes, operando nas fronteiras da legalidade — deve-se a esse legado de bucaneiros.

E eis o elo que une o radicalismo puritano e o capitalismo pirata em uma República laica. A maioria esmagadora dos “Pais Fundadores” — George Washington, Benjamin Franklin, Paul Revere, John Hancock — não eram cristãos fervorosos, mas sim deístas e maçons.

A Maçonaria, com a arquitetura simbólica do Grande Arquiteto do Universo e o segredo iniciático, forneceu a estrutura organizacional e filosófica para a Revolução Americana. A festa do Boston Tea Party foi organizada na loja maçônica St. Andrew’s. A disposição de Washington, D.C., é um diagrama maçônico.

Enquanto o povo no campo ia à igreja batista ou metodista, a elite que escreveu a Constituição — um documento notavelmente secular, que proíbe testes religiosos para cargos públicos e, na Primeira Emenda, ergue um muro entre Igreja e Estado — operava sob princípios do Iluminismo radical, temperados com ritualismo hermético. Foram os maçons que traduziram o fervor puritano e a energia pirata em um Estado-nação.

Dizer que os EUA são uma “nação cristã” e protetora da “civilização ocidental” serve ao discurso neocon para justificar a guerra no Irã, o genocídio em Gaza patrocinado pelos EUA e todas as desastrosas invasões americanas no Oriente Médio.

TEXTO DE:
Eduardo Carvalho

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Oscar 14

Eu cresci na Itália assistindo ao jogos do Oscar Schmidt, e ele se tornou um ídolo meu. Era um jogador excelente. Conversei com ele em Londres. Tive a chance de falar um pouco com ele. Eu realmente gostava de vê-lo jogar quando eu era criança.
(Kobe Bryant)

Oscar Schmidt, o "Mão Santa", nos deixou aos 68 anos e deixa um legado eterno para o esporte brasileiro.

Nascido em Natal, ele se tornou o maior pontuador da história do basquete mundial: foram quase 50 mil pontos ao longo de 25 temporadas.

Participou de cinco Olimpíadas e ainda ostenta o recorde de maior cestinha da história dos Jogos. No Pan de 1987, liderou o Brasil na histórica vitória sobre os Estados Unidos, na casa deles.

Oscar mostrou ao mundo que o Brasil vai além do futebol. Um ídolo que ensinou gerações a amar o basquete e a acreditar no impossível.

Oscar construiu uma das carreiras mais impressionantes do basquete mundial. Ídolo da seleção brasileira, participou de cinco Olimpíadas e liderou o Brasil na histórica conquista do ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em uma vitória marcante sobre os Estados Unidos.

Ao longo de sua carreira, somou impressionantes 49.973 pontos e também se tornou o maior cestinha da história das Olimpíadas, com 1.093 pontos.

Pela Seleção Brasileira, conquistou o ouro no Pan-Americano de 1987 e foi três vezes campeão sul-americano, em 1977, 1983 e 1985.

Por clubes, construiu uma trajetória igualmente vitoriosa, com três títulos brasileiros, um título sul-americano de clubes campeões, um título mundial, seis conquistas do Campeonato Paulista e dois títulos do Campeonato Carioca.

Mesmo escolhido no draft da NBA, Oscar optou por não jogar na liga americana para seguir defendendo a seleção brasileira, decisão que ajudou a consolidar sua imagem como símbolo do esporte no país. Ao longo da carreira, acumulou recordes, prêmios e entrou para os halls da fama do basquete mundial, incluindo o Basketball Hall of Fame, nos Estados Unidos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Papa Trump

A essa altura, já não se trata mais de excentricidade política — é método, é vício e, talvez, algo mais preocupante.

A insistência de Donald Trump em se colocar como protagonista absoluto de qualquer cena, seja doméstica ou global, atravessou a fronteira do cálculo político e entrou no território da compulsão.

Não basta disputar narrativas: é preciso monopolizá-las. Não basta ser relevante: é preciso ser indispensável. E, ao que tudo indica, nem mesmo figuras de autoridade moral universal escapam dessa lógica.

A recente investida contra o Papa Leão XIV — acompanhada de publicações em sua própria rede social — escancara algo que vai além da retórica agressiva habitual.

Ao compartilhar uma imagem em que se associa, ainda que simbolicamente, a Jesus Cristo, Trump não apenas tensiona os limites do bom senso: ele desafia diretamente o senso de realidade.

Não se trata mais de hipérbole política; trata-se de um deslocamento perigoso entre o que é metáfora e o que é autoimagem.

Esse comportamento não surge no vácuo. 

Desde os tempos de campanha, Trump construiu sua persona pública como uma espécie de messias político — alguém que não apenas lidera, mas salva.

O problema é que, quando a política passa a operar sob esse registro quase religioso, o debate racional dá lugar à devoção, e a crítica passa a ser tratada como heresia.

O dado novo, porém, talvez seja o mais revelador: vozes dentro do próprio campo conservador começam a expressar desconforto. Aliados históricos, ainda que cautelosos, já deixam escapar avaliações sobre um possível declínio cognitivo, sugerindo que a insistência em comportamentos erráticos pode não ser apenas estratégia — mas sintoma.

A palavra “senilidade”, até pouco tempo restrita aos adversários mais duros, começa a circular também entre aqueles que, até ontem, preferiam o silêncio constrangido.

É evidente que diagnósticos médicos não podem — nem devem — ser feitos a distância, muito menos instrumentalizados politicamente. Mas a política, por sua própria natureza, exige algum grau de previsibilidade, de autocontenção e de aderência mínima à realidade. Quando essas balizas começam a ruir, o problema deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser institucional.

A questão central, portanto, não é mais se Trump exagera — isso sempre foi parte do pacote. A questão é se ainda há, por trás do espetáculo, algum compromisso com os limites que sustentam a própria ideia de liderança.

Porque quando um líder passa a se ver não como representante, mas como encarnação de uma causa — ou pior, de uma figura sagrada — o risco não é apenas o ridículo. É a erosão silenciosa do próprio conceito de realidade compartilhada.

E, sem realidade compartilhada, não há política. Apenas culto.

domingo, 12 de abril de 2026

Tristirinhas do Thiago Muniz

1) Que onda é essa de autoafirmação do cantor Latino? Que dancinha tosca e com a harmonização facial idêntico ao Diabo do Auto da Compadecida, fez o próprio Diabo se manifestar. Old School não lhe fez bem, síndrome de Peter Pan.

2) A pessoa com o nome Flávio, divulgado na mídia herdeira brasileira, possui o sobrenome Bolsonaro, portanto ele se chama Flávio Bolsonaro. Só pra que fique bem claro.

3) Ronaldo Caiado é o padre Kelmon do Agropop. Será o bobo da corte fascista entre a democracia versus golpismo.

4) Sionismo prega o Racismo. A imprensa golpista ocidental é servil aos seus patrões, que são judeus; simplesmente é isso.

5) E vagabundo tá lá: “Será que Carlo Ancelotti vai convocar o Neymar? E o Neymar não consegue andar em linha reta…

6) Já que Trump não conseguiu dominar o estreito de Ormuz (Salaam Aleikum!), sugiro a reabertura dos Arquivos Epstein.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Com gosto de despedida

Eu havia acabado de me mudar para a Espanha, naquele início de 1988. Estava às margens do rio Minho, do outro lado, talvez uns 30 metros de distância, Portugal.

Chovia horrores, meu primeiro inverno, a pele congelada pela capa vazada no ritmo forte da água que caia...

Do nada surgiram essas palavras:

"Vida no norte é dança da morte, é vida sem sorte, no sabor de corte.

E a ferida não cicatriza. Já não tem cura, nem atura o norte da vida...

Nas fronteiras da terra, os trilhos da morte, passam por perto, esse rumo incerto de viver sem viver.

Sem gosto da sorte, amigos não ter. E a distância aprofunda a paixão que inunda, esse grito contido, me mantém de pé.

Amo você, estrela da noite, mensageira brilhante; meu último adeus será Parati.

A solidão é meu reino, a prostituta rainha, seus cabelos largos... tão bela era França, mas o Império caiu...

Abaixo as guerras, peço paz pras terras, tudo é sempre possível... mas o trem vai partir...

O absoluto é monstro se não te parece... pra Roma eu vou...

O trem já partiu!"

Trinta e oito anos depois a estação continua lá... já os trilhos, definitivos, caminham noutra direção. Quem sabe, Parati.


TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

quarta-feira, 4 de março de 2026

O Blefe Estadunidense

Os EUA blefou ao apostar na morte do líder supremo do Irã e achavam que ia ficar por isso mesmo, só que não.

Essa guerra não é do interesse dos Estados Unidos. O Trump mesmo foi avisado pelos militares de que essa era uma guerra que não tinha um sucesso garantido e que seria uma má ideia, basicamente, entrar nessa aventura. Para os Estados Unidos, essa é uma guerra de escolha.

O Irã respondeu muito mais do que eles imaginaram e simplesmente deu um xeque estratégico de âmbito global.

Enquanto que para o Irã, certamente, ela é uma guerra de sobrevivência, ela foi imposta a eles, ela é uma guerra necessária nesse sentido.

Israel vive essa guerra como uma guerra de interesse vital. Israel percebe no Irã a grande ameaça à sua hegemonia na região, à sua própria sobrevida.

As operações militares israelenses-estadunidenses contra o Irã foram conduzidas fora do direito internacional, o que não é certo.

Dito isso, a História nunca chora pelos executores. Como é que os israelenses conseguem sempre fazer com que os americanos embarquem nas suas aventuras é um mistério, porque, em parte, pode ser quase suicida em termos de carreira do Trump.

Para colocar o escândalo Epstein para debaixo do tapete, Trump decidiu bombardear Teerã e matar Khemenei com o argumento de levar liberdade ao povo iraniano. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se autoproclamam defensores da “democracia” e da “liberdade”. Mas a história escrita em bombas, corpos e ruínas conta outra versão.

Tudo em nome da “segurança”, do “combate ao terrorismo” ou da “proteção de interesses estratégicos”. De forma geral, os países bombardeados ou invadidos pelos Estados Unidos não ficaram mais estáveis, mais democráticos ou mais seguros.

O padrão que se repete no pós-ataque é outro — marcado por caos social, crise econômica, violência prolongada e dependência externa.

A guerra virou política externa. A destruição, um método. O lucro da indústria bélica, uma prioridade.

Enquanto isso, civis pagam o preço mais alto: crianças, mulheres, povos inteiros reduzidos a estatísticas convenientes. Não é sobre liberdade. Nunca foi.

É sobre poder, controle geopolítico e dominação econômica. E enquanto algumas vidas forem consideradas descartáveis, a paz seguirá sendo apenas um slogan vazio.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


terça-feira, 3 de março de 2026

Por que Trump atacou o Irã, e por que agora?

A decisão não foi exatamente inesperada.

Nas semanas ao longo dos últimos dias, foi alertado que esse cenário era bastante provável, mas ainda assim levanta questionamentos sobre o momento escolhido, já que não havia um ataque iraniano iminente.

Pelo contrário, avaliações recentes da inteligência americana indicavam que o país estava militarmente enfraquecido após os bombardeios americanos em 2025, que danificaram as instalações iranianas.

Ainda assim, Trump lançou uma ofensiva ampla ao lado de Israel, conclamando os iranianos a derrubarem o regime.

Diferentemente de ataques pontuais no passado, desta vez trata-se de uma campanha aberta com risco real de escalada.

O próprio Trump admitiu que pode haver baixas americanas, linguagem típica de guerra declarada, mas sem autorização formal do Congresso.

A comparação com a invasão do Iraque em 2003 é inevitável.

Trata-se do que chamamos em inglês de “War of Choice”, uma guerra escolhida, não de autodefesa.

Em 2003, Washington pelo menos tentou obter em vão respaldo do Conselho de Segurança da ONU, algo que não fez agora.

Trata-se, portanto, de mais uma clara violação da soberania de um outro país e do direito nacional.

Um argumento central de Washington gira em torno da ameaça nuclear. No entanto, não há evidências de que o Irã tenha retomado o programa ativo de armas atômicas.

Autoridades americanas chegaram a dizer (1:39) que Teerã não está enriquecendo urânio neste momento. Outras justificativas evocadas pela Casa Branca incluem a repressão brutal a protestos internos no Irã, que deixou milhares de mortos, o apoio iraniano a milícias na região e décadas de confrontos indiretos com os Estados Unidos, da crise dos reféns de 1979 a ataques contra forças americanas no Oriente Médio.

Mas, no fundo, Trump parece apostar que um regime enfraquecido pode ruir sob ataque dos Estados Unidos e revolta interna.

Mas derrubar um governo de 90 milhões de pessoas apenas com poder aéreo é um risco enorme e a história mostra que guerras escolhidas raramente seguem o roteiro planejado.

Por fim, vale destacar que o Irã possui grandes reservas de petróleo. Dos cinco países com as maiores reservas comprovadas de petróleo, Venezuela, Arábia Saudita, Irã, Canadá e Iraque.

Arábia Saudita é o único país que os Estados Unidos não invadiram, bombardearam ou ameaçaram anexar ao longo das últimas décadas.

TEXTO DE:
Thiago Muniz




domingo, 1 de março de 2026

Terceira Guerra Mundial já é realidade

Eu trago más notícias para vocês.

Meu amigo Tarciso (Língua Preta), diz que a gente já está em uma Terceira Guerra Mundial, e que ela não vai ser como as guerras do século 20.

Porque o sistema internacional que organizava os conflitos, baseado em tratados, convenções e no chamado direito internacional, claramente está sendo tensionado. Ninguém está respeitando mais nada como antes.

O que a gente está vendo é uma escalada simultânea de conflitos regionais, sanções econômicas, embargos e envolvimento indireto ou direto de grandes potências.

Só que existe uma diferença importante: hoje as guerras também são econômicas, tecnológicas, financeiras e informacionais. Não é só tanque e míssil. São sanções, bloqueios comerciais, disputa por semicondutores, controle de rotas energéticas e guerra monetária.

E o mundo já não confia nas grandes potências como antes.

Isso não é opinião isolada. Existe um debate real sobre o processo de perda relativa de hegemonia dos Estados Unidos, principalmente no campo econômico e geopolítico, com o avanço de outros polos como China e o fortalecimento de blocos como o BRICS.

Um exemplo concreto é o comportamento dos ativos de segurança. Historicamente, em momentos de crise global, investidores corriam para o dólar e títulos do Tesouro americano. Isso ainda acontece, mas também houve aumento significativo na demanda por ouro por bancos centrais e investidores institucionais como forma de diversificação e proteção contra instabilidade geopolítica e monetária.

Sobre o dólar, ele oscila conforme vários fatores: juros nos Estados Unidos, fluxo de capital global, política monetária e cenário fiscal.

A queda recente frente ao real tem relação com diferencial de juros, fluxo de investimentos e percepção de risco.

Muito graças a Deus que Lula, Alckmin e Haddad são grandes estrategistas, estrategistas econômicos, porque estão segurando a onda aqui. E todo mundo sabe disso, inclusive quem é contra eles.

Agora, uma coisa é fato: uma guerra em larga escala entre potências nucleares não é boa para ninguém. O conceito central da era nuclear é o da dissuasão, a chamada destruição mutuamente assegurada.

Ou seja, não existe vencedor real em um conflito nuclear. Existe colapso econômico global, ruptura de cadeias produtivas, crise energética, alimentar e financeira.

Então sim, o mundo está em uma fase de escalada de tensões sistêmicas. Não necessariamente uma guerra mundial formal como em 1914 ou 1939, com declaração oficial e frentes definidas. Mas uma fase de confrontação simultânea em múltiplos domínios: militar, econômico, tecnológico e monetário.

E, no fim, a frase da Dilma continua sendo uma das mais tecnicamente precisas sobre guerra:

Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem quem perder, vai ganhar ou perder. Todo mundo vai perder.

TEXTO DE:
Cora Descorada