quinta-feira, 30 de abril de 2026

A imprensa e o gozo autoritário

Quando parte da imprensa deixa de cumprir seu papel clássico — o de mediadora crítica entre poder e sociedade — para assumir, ainda que de forma disfarçada, a posição de agente político interessado no resultado do jogo, cria-se um problema que não pode ser ignorado.

O que se vê em determinados setores do jornalismo brasileiro recente não é apenas uma cobertura enviesada, mas uma espécie de torcida editorial que escolheu lado — e nem sempre o lado mais comprometido com a democracia.

A complacência com o bolsonarismo não começou agora, nem foi episódica. Desde a ascensão de Jair Bolsonaro, parte da imprensa flertou com a ideia de que seria possível instrumentalizar um projeto autoritário em nome de agendas econômicas ou de conveniências conjunturais.

O resultado está aí: normalizou-se o absurdo, relativizou-se o ataque institucional e, pior, criou-se um ambiente onde o Supremo Tribunal Federal passou a ser tratado como inimigo político, e não como pilar da ordem constitucional.

Nesse contexto, a atuação de figuras como Davi Alcolumbre ganha contornos particularmente preocupantes.

Ao articular movimentos que fragilizam o STF — seja por meio de pressões políticas, seja ao pavimentar o terreno para pedidos de impeachment de ministros — Alcolumbre não atua apenas dentro do jogo institucional: ele tensiona os próprios limites da democracia. E o faz com o aplauso tácito de setores da imprensa que, ao invés de denunciar o risco, preferem celebrar o desgaste do Judiciário como se fosse um triunfo político legítimo.

O apoio à rejeição de indicações ao STF, como no caso de Jorge Messias, e a comemoração pela derrubada de vetos presidenciais — mesmo quando esses vetos dizem respeito a critérios técnicos como a dosimetria penal — revelam menos um compromisso com o interesse público e mais uma obsessão narrativa: a necessidade de carimbar manchetes com “derrota do governo” ou, mais especificamente, “derrota de Lula”.

A imprensa tem orgasmos com esses acontecimentos, sem lembrar que no governo anterior, era agredida nas ruas e perseguida pelo governo de turno.

Em termos mais xulos, a imprensa brasileira parece curtir um governo mais dominatrix. Nossa imprensa é sadomasoquista por opção.

E aqui está o ponto central: quando o jornalismo passa a medir a realidade exclusivamente pelo impacto político imediato — quem venceu, quem perdeu — ele abandona qualquer pretensão de analisar consequências concretas para a população. Pouco importa se a decisão enfraquece instituições, desorganiza políticas públicas ou amplia inseguranças jurídicas. O que interessa é o placar.

Essa lógica transforma a política em espetáculo e a imprensa em narradora de campeonato.

Mas democracia não é campeonato.

Quando o STF é sistematicamente deslegitimado, abre-se espaço para aventuras autoritárias.

Quando o Legislativo é estimulado a confrontar o Judiciário em bases oportunistas, cria-se uma instabilidade que não atinge apenas governos — atinge direitos.

Ao celebrar derrotas do Executivo sem examinar o conteúdo dessas derrotas, parte da imprensa incorre numa inversão perigosa: passa a tratar como vitória aquilo que pode, na prática, representar prejuízo direto ao cidadão. É o triunfo da narrativa sobre a realidade.

O mais irônico — e trágico — é que esse comportamento repete erros recentes. A mesma imprensa que hoje vibra com o enfraquecimento de um governo eleito já subestimou, no passado próximo, os riscos de alimentar forças que depois se voltaram contra ela própria. A história não apenas rima — ela insiste em dar segundas chances que parecem ser desperdiçadas com uma certa teimosia.

No fim, a pergunta que fica é simples e incômoda: quando a imprensa comemora derrotas políticas sem medir seus efeitos sociais, ela ainda está informando — ou apenas torcendo?

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Sopro de Fé, alimento de brasa, que faz reacender o coração

(por Antonio Gonzalez)

//Dedicado à tríade do Marketing Político e Governamental e da Comunicação do Vale do Paraíba (SP) – Celso de Almeida Jr, Marcelo Hespaña e Marcelo Pimentel//

Quem estudou História com alguma profundidade sabe: o que vivemos hoje é consequência de estruturas muito antigas. Desigualdade, exploração e concentração de riqueza não são fenômenos modernos, estão na base das civilizações.

Do Egito, com sua hierarquia divina, passando por persas, gregos e romanos, vemos o mesmo padrão: elites concentrando poder e riqueza, enquanto a base sustenta o sistema com poucos direitos. A desigualdade era naturalizada; justificada por religião, tradição ou força.

Na Idade Média, o feudalismo reorganiza essa lógica em três camadas: clero, nobreza e servos. A Igreja legitimava essa ordem como vontade divina. Pouca mobilidade social, poder concentrado.

Com a modernidade, surgem comércio, burguesia e a ideia de igualdade jurídica. Mas a igualdade formal não elimina a desigualdade real. No capitalismo, há liberdade e direitos formais, porém a riqueza continua concentrada em quem controla o capital. A exploração se torna menos visível, mais contratual.

O que muda ao longo do tempo não é a desigualdade em si, mas sua justificativa: de “ordem divina” para “ordem social” e, hoje, “mérito”. Sabemos que, na prática, o ponto de partida ainda pesa muito.

Nesse contexto, o Brasil (ainda jovem em idade histórica) nasce marcado por essa lógica. Desde 1500, forma-se a partir da mistura desigual entre povos indígenas, europeus e africanos escravizados, sob a colonização portuguesa. Ao longo do período colonial, do tráfico de escravos e do Império, consolidou-se uma sociedade profundamente hierarquizada, com concentração de renda e exclusão da maioria.

Mesmo após a, suposta, abolição da escravidão e a República, essas marcas persistem. O Brasil contemporâneo é diverso e culturalmente rico, mas ainda carrega desigualdades estruturais, racismo e acesso desigual a oportunidades.

Diante disso, arrisco dizer: tirando a ciência e as mentes abertas, muito do que vemos hoje é herança de mentalidades antigas, transmitidas de geração em geração, através dos séculos, quiçá milênios.

Nos últimos dias fui posto à prova, com direito à sensação de perda. Um dia o poeta Lulu Santos cantou “hoje o tempo voa, escorre pelas mãos”. Por momentos, em crises de ansiedade, senti a minha vida escorrer pelas minhas mãos, através de um simples dedo do meu pé.

Agradeço a Deus ter amigos de verdade, isso é mais do que tudo. É fundamental. Sem esquecer dessa fagulha acessa pelo sopro de , que reacendeu meu coração.

Com relação ao que a humanidade já construiu ou desconstruiu de história, em outubro próximo eu vou cumprir o meu papel de cidadão. É preciso dizer não.

Quanto ao Senador, BOÇAL, Marcio Bittar, que hoje de forma leviana e analfabeta afirmou que Caetano Velosopegou em armas” na Ditadura Militar, merece nota um. Justamente porque reconhece que o Brasil, realmente, viveu uma Ditadura Militar.

O problema não é ser de Direita, de Centro ou de Esquerda.

O problema é permitir que o país e que o mundo fique nas mãos de gente despreparada, interesseira e psicopata.

Terminando... entre ser pateta do curso do ator Juliano Cazarré (“O Farol e a Forja”) e ter pensamento evoluído, escolho ser do mundo do Papa Francisco, do Papa Leão XIV, da Érica Hilton, da Ana Paula Renault, do Ney Matogrosso, do Padre Júlio Lancellotti, do Pastor Caio Fábio, do Pastor Otoni de Paula, do Pastor Henrique Vieira, de Pedro Sánchez, SEM GUERRAS, sem terrorismo, sem genocídios / genocidas, sem racismo, sem homofóbicos, sem milicianos, sem narcotráfico e sem Trump.

Com certeza, é o mundo escolhido por Jesus Cristo!

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

Somos o Futuro fracassado de um Passado sonhador

O Brasil gosta de cultivar mitos sobre si mesmo. Um dos mais persistentes é o de que a democracia, uma vez conquistada, se torna uma espécie de cláusula pétrea da alma nacional — algo imune a retrocessos, blindado contra tentações autoritárias. Não é. Nunca foi.

A ascensão do bolsonarismo, com sua retórica de confronto, seu flerte explícito com a ditadura militar e sua disposição de tensionar instituições, não brotou do nada, como um raio em céu azul. Trata-se menos de uma ruptura e mais de uma revelação. Revelação de fragilidades antigas, mal resolvidas, convenientemente ignoradas por aqueles que apostaram que o tempo, por si só, faria o serviço da maturação democrática.

Não fez.

Os chamados campos democráticos — expressão ampla, por vezes vaga, mas útil — erraram feio ao confundir estabilidade institucional com adesão social à democracia. Uma Constituição avançada não garante, por si, cidadãos comprometidos com seus valores. O papel aceita tudo; a realidade, não.

Quando a política institucional se viu capturada por escândalos sucessivos de corrupção, quando a violência urbana passou a ditar a rotina de milhões, quando o Estado se mostrou ineficiente para entregar serviços básicos com qualidade, abriu-se uma avenida. E avenida larga. Nesse espaço, a democracia deixou de ser percebida como solução e passou a ser vista, por muitos, como parte do problema.

Convenhamos: terreno ideal para aventureiros — ou para quem se apresenta como antídoto contra tudo isso.

Há, também, uma omissão histórica que cobra seu preço. O Brasil fez uma transição negociada da ditadura para a democracia. Ganhou-se em estabilidade, perdeu-se em profundidade. Não houve um enfrentamento coletivo, contundente, das violações do regime militar. Sem esse acerto de contas, a memória se torna maleável. E memória maleável, em política, costuma ser sinônimo de perigo.

Daí a facilidade com que slogans autoritários são reciclados como se fossem soluções legítimas, não regressões.

O ambiente digital deu uma contribuição nada desprezível a esse cenário. As redes sociais pulverizaram o debate público, reduziram a complexidade a palavras de ordem e transformaram a indignação em combustível político de alta octanagem. A mediação institucional — aquela que exige tempo, argumento, contraditório — perdeu espaço para a lógica do grito e da simplificação.

Some-se a isso o comportamento, no mínimo, errático de parcelas das elites. Em momentos decisivos, setores que deveriam funcionar como fiadores do jogo democrático preferiram brincar com fogo. Flertaram com o autoritarismo, relativizaram excessos, apostaram que poderiam domesticar forças que, por definição, não aceitam domesticação. O resultado está aí.

E não adianta dourar a pílula: isso configura, sim, uma derrota dos campos democráticos. Não apenas porque perderam eleições em determinado momento, mas porque falharam em algo mais básico — convencer amplas parcelas da população de que a democracia vale a pena, de que ela entrega, de que ela protege.

Democracia não vive de abstrações. Vive de resultados e de sentido.

Quando esses dois elementos faltam, o discurso da ordem — ainda que autoritário, ainda que tosco — ganha apelo. Especialmente em uma sociedade cansada, desigual e impaciente.

O título desta coluna não é mero recurso retórico. Somos, em alguma medida, o futuro fracassado de um passado que acreditou ter resolvido suas contradições sem enfrentá-las de fato. Um país que preferiu a conciliação à pedagogia, o arranjo à transformação.

A boa notícia, se é que cabe uma, reside no fato de que democracias não são peças acabadas. Podem ser corroídas, é verdade, mas também podem ser reconstruídas. Para isso, no entanto, será preciso mais do que slogans edificantes ou indignação seletiva.

Será preciso fazer o que não foi feito: disputar valores, enfrentar a realidade e, sobretudo, tratar a democracia não como herança garantida, mas como tarefa permanente.

terça-feira, 28 de abril de 2026

A Ambev Não Vende Cerveja — Ela Controla o Jogo

A Ambev tem 60% do mercado de cerveja do Brasil.

Não porque a cerveja é melhor, mas porque ela controla 1 milhão de pontos de venda.

Você provavelmente acha que a Ambev vende cerveja... e vende! Mas o negócio real da Ambev não é cerveja, é logística.

O Brasil tem aproximadamente 1,3 milhões de bares, botequins e pontos de venda de bebidas. A Ambev tem relacionamento ativo com 1 milhão deles.

A Heineken, segunda maior, tem acesso direto a somente uma fração disso. Agora pensa no dono do botequim, ele não escolhe cerveja por gosto, ele escolhe pelo crédito.

A Ambev oferece prazo, geladeira, mesas, cadeiras, fachada e promotor que vai até ele toda semana. Ela não vende o produto, ela financia o ponto de venda.

Quando a Ambev coloca uma geladeira no bar, ela não doa, ela empresta, com contrato de exclusividade. A geladeira com logo da Brahma só pode ter produtos Ambev.

Um concorrente que quer entrar precisa comprar o espaço de volta.

Mas espera… Em 2019 a Ambev teve uma sacada que mudou tudo de novo.

Criou o BEES, uma plataforma digital, basicamente um marketplace B2B onde bares e restaurantes compram produtos.

Mais de 1 milhão de pontos de venda comprando pelo app em 2025. O BEES não é só um app de compras, é uma fintech disfarçada. Crédito para bar, seguro, dados de consumo, análise de estoque. Em 2025 o GMV do BEES cresceu 70% em um ano.

Pensa no que isso significa para o investidor. A cerveja tem margem, mas commodity tem limite. O BEES tem margem de plataforma, cada transação que passa pelo App, a Ambev cobra taxa. Cada crédito que oferece, cobra spread. Cada dado que coleta, vale em inteligência de mercado.

Quem construiu isso? A 3G capital, a mesma filosofia que transformou Brahma + Antarctica em Ambev em 1999.

Que fundiu Ambev com Interbrew para criar Inbev em 2004. Que comprou a Anheuser-Busch a Budweiser em 2008 por US$52 bilhões.

A Heineken chegou ao Brasil com capital global, e tem menos de 30% de mercado, produtos se copiam, propaganda se faz.

Logística de 1 milhão de pontos de vendas não se copia!

TEXTO DE:
Thiago Muniz

O Feminicídio Começa Muito Antes do Crime

Homem, você quer ser parceiro ou dono? Porque se a sua ideia de amor depende de controle, obediência e medo, isso não é amor. É dominação.

O feminicídio em tempos de redes sociais começa na Bíblia usada como regra de família, passa pelo frei, pastor, padre falando de submissão, chega no influencer vendendo “homem de verdade” e termina com uma mulher sendo punida por querer ser livre.

Os dados não deixam isso no campo da opinião. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que, entre 2021 e 2024, 59,4% das vítimas de feminicídio foram mortas pelo companheiro e 21,3% pelo ex-companheiro.

Ou seja: o perigo, muitas vezes, dorme dentro de casa ou continua perseguindo depois do fim.

O Atlas da Violência 2025 mostra que 47.463 mulheres foram assassinadas no Brasil entre 2013 e 2023. Só em 2023, foram 3.903 mulheres mortas. Isso não é caso isolado. É uma tragédia social repetida todos os anos.

A OMS estima que uma em cada três mulheres já sofreu violência física ou sexual por parceiro íntimo ou violência sexual por não parceiro. A forma mais comum é a violência praticada por parceiro íntimo.

Por isso é tão perigoso quando igreja, influencer e celebridade começam a romantizar “masculinidade tradicional” sem falar de machismo, misoginia, posse e violência.

Eles não estão apenas dando opinião. Estão alimentando uma mentalidade que já mata.

TEXTO DE:
Aline Câmara

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Pixote: Entre perder o dedo e o Alzheimer de uma amiga

(por Antonio Gonzalez)

Fiquei diabético aos 57 anos e logo ouvi: “a diabetes é silenciosa”. É verdade. Quando entra na sua vida, toma conta de tudo. Você passa a girar em torno dela e da insulina, que parece mandar em cada passo, verdadeira DOMINATRIX.

Recentemente, uma unha do pé inflamou. Arrancada, a ferida infeccionou e colocou meu dedo em risco.

Internado, em observação estou.

E aí a cabeça entra em parafuso: dor, medo, incerteza. A pergunta não sai da mente: por que isso está acontecendo comigo? E pior: como será o amanhã?

No meio desse turbilhão, me sinto até egoísta. Porque alguém fundamental na minha vida enfrenta algo ainda mais duro.

Em março de 1978, conheci uma freira que mudou minha forma de ver a , que mostrou-me o real sentido da vida. Foi ela quem me ensinou o sentido real dos Evangelhos e de seguir Jesus Cristo.

No ano seguinte, aos 17 anos, impulsivo, cantei numa missa uma versão inspirada em Geraldo Vandré: PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE CRISTO. Resultado: fui denunciado por um casal conservador (ele era irmão do General Walter Pires, Ministro do Exército do governo do Figueiredo) às forças politico-policiais do poder da época, que pressionaram pela minha saída da Igreja de São João Batista da Lagoa. Meus pais, estrangeiros, chegaram a cogitar me mandar para fora do país.

Mas essa freira ficou ao meu lado. Me defendeu, me acolheu, cuidou de mim, da minha cabeça. Até me dedicou uma canção:
"MEU QUERIDO AMIGO, MEU MENINO JÁ QUASE HOMEM... IDEALISTA E RADICAL, É PRA VOCÊ ESSA CANÇÃO... SIMPLES, POBRE, MAS DE CORAÇÃO".

Aquilo me marcou profundamente. Aprendi ali que o Cristo dos Evangelhos é exigente e que muita gente prefere uma fé mais confortável, quase folclórica.

Ela era à frente do seu tempo.

Essa freira tinha uma mente tão avançada para aqueles anos que, em 1980, lhe falei que havia visto o filme Pixote, que era um verdadeiro soco na boca da sociedade de então. Ela disse que queria  ver, retruquei que havia uma cena de nudez com a Marília Pera. Me convenceu a levá-la ao Cine Roxy, em Copacabana

Durante a sessão chorou várias vezes. Sempre preocupou-se pelo mais necessitados.

Sensível, corajosa, comprometida com os mais pobres. Viramos inseparáveis; eu a chamava de Mãe.

Com o tempo, foi transferida - Volta Redonda e Goiás -  cresceu dentro da Igreja, virou Madre Superiora. Fui para a Espanha. A vida nos afastou, mas nunca apagou o lugar que ela ocupa em mim.

Em 2022, quando falei do meu distanciamento da Igreja (especialmente por discordâncias com certos caminhos e figuras), ela respondeu com simplicidade:
Toni, meu compromisso é com o nosso Cristo”.

No último domingo, dia em que completou 80 anos, soube que foi diagnosticada com Alzheimer.

E aí tudo pesa diferente. Meu dedo, minha dor, meu medo… tudo parece pequeno. O que revolta é ver alguém que viveu para o próximo enfrentar esse fim, enquanto tanta hipocrisia prospera por aí, como esse FARISEU MISÓGINO que chamam de Frei Gilson

Se eu pudesse pedir algo, não seria pelo meu dedo.

Seria pela cura dela.

É o mínimo que ela merece.

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

sábado, 25 de abril de 2026

Entre Puritanos, Piratas e Maçons: o Mito da Fundação Cristã dos EUA

Neocons e olavistas dizem: “os Estados Unidos são uma nação fundada em valores cristãos”.

A tese de que os Estados Unidos são uma nação fundada sobre “valores cristãos” é um lugar-comum no meio direitista brasileiro, profundamente americanista.

Contudo, ao observarmos a gênese da ocupação europeia na América do Norte e a fundação da República, a narrativa se torna mais falsa e deturpada. A afirmação de que o país foi erguido por piratas, radicais puritanos e maçons seria uma descrição historicamente mais precisa dos vetores de força que moldaram a psique e as estruturas de poder americanas.

Quando falamos dos Peregrinos do Mayflower, a imagem direitista é a de homens e mulheres piedosos em busca de liberdade religiosa. A verdade, no entanto, é outra: eles não buscavam liberdade religiosa para todos os cristãos; buscavam a liberdade de impor um puritanismo radical, completamente tresloucado.

Na Inglaterra, eram vistos como subversivos; foram expulsos e perseguidos pelo rei. Na América, tornaram-se inquisidores verdadeiramente abusivos, cabendo, aqui sim, todos os ataques à Inquisição nos reinos católicos, feitos levianamente pelos inimigos da Igreja.

Na fundação da Colônia da Baía de Massachusetts, presenciou-se a loucura fanatizante daquelas seitas protestantes: expulsaram dissidentes como Roger Williams e Anne Hutchinson para o deserto gelado; enforcaram quakers em Boston Common; promoveram as infames caças às bruxas de Salém — não, não foi obra da Igreja Católica.

Acreditavam que eram os novos israelitas e que os nativos americanos eram cananeus a serem desapossados ou exterminados em nome da “Terra Prometida” — semelhança com a questão sionista atual não é mera coincidência.

O DNA dessa certeza moral inabalável, dessa convicção de ser um “povo eleito” acima das leis mundanas, está mais presente no Destino Manifesto do século XIX do que no Sermão da Montanha.

Enquanto os puritanos rezavam em igrejas de madeira, a verdadeira força motriz da colônia que se tornaria a capital financeira do mundo vinha da água salgada. Nova York, por sua vez, começou como Nova Amsterdã, um posto de comércio holandês que era, essencialmente, uma lavanderia de dinheiro sujo da pirataria global.

Os portos da Nova Inglaterra e das Colônias Centrais enriqueceram vertiginosamente, equipando e financiando corsários (piratas com licença governamental para roubar) e recebendo piratas declarados para vender seus saques.

Capitães como William Kidd transitavam entre a elite política de Nova York e a forca. O ouro e a prata espanhóis, saqueados dos galeões nas Caraíbas, eram derretidos e transformados em moeda corrente nas colônias americanas, construindo as primeiras grandes fortunas e universidades (Harvard, Yale).

O valor fundador aqui não é cristão; é a acumulação primitiva de capital por meio da violência marítima, bancada pela própria Coroa Britânica. O espírito do capitalismo americano — agressivo, especulativo e, muitas vezes, operando nas fronteiras da legalidade — deve-se a esse legado de bucaneiros.

E eis o elo que une o radicalismo puritano e o capitalismo pirata em uma República laica. A maioria esmagadora dos “Pais Fundadores” — George Washington, Benjamin Franklin, Paul Revere, John Hancock — não eram cristãos fervorosos, mas sim deístas e maçons.

A Maçonaria, com a arquitetura simbólica do Grande Arquiteto do Universo e o segredo iniciático, forneceu a estrutura organizacional e filosófica para a Revolução Americana. A festa do Boston Tea Party foi organizada na loja maçônica St. Andrew’s. A disposição de Washington, D.C., é um diagrama maçônico.

Enquanto o povo no campo ia à igreja batista ou metodista, a elite que escreveu a Constituição — um documento notavelmente secular, que proíbe testes religiosos para cargos públicos e, na Primeira Emenda, ergue um muro entre Igreja e Estado — operava sob princípios do Iluminismo radical, temperados com ritualismo hermético. Foram os maçons que traduziram o fervor puritano e a energia pirata em um Estado-nação.

Dizer que os EUA são uma “nação cristã” e protetora da “civilização ocidental” serve ao discurso neocon para justificar a guerra no Irã, o genocídio em Gaza patrocinado pelos EUA e todas as desastrosas invasões americanas no Oriente Médio.

TEXTO DE:
Eduardo Carvalho

terça-feira, 21 de abril de 2026

Inimigos do Povo

Em 1989, Boni passou glicerina em Collor pra simular suor e o candidato forjar uma imagem que “dialogasse com o povão”, pois viu que Lula era um fenômeno popular e fazia isso com naturalidade. A Globo interveio nas eleições pra tirar a vitória do então presidenciável novato Lula

Em 1994, os editoriais deixam claro a preferência por FHC, assim como em 98, pois Lula era tido como “sindicalista doidão”.

Em 2002, os maiores players de comunicação do país tentaram o último suspiro com Serra, mas viram a força popular de Lula, que foi pressionado pela Faria Lima até o último momento e obrigado a colocar um empresário como vice em sua chapa.

Ainda em seu primeiro mandato, Lula viu a bancada evangélica crescer, parlamentares levando grana e chantageando o governo como tática pra aprovar os projetos sociais administrados em sua gestão.

Muitos quadros fisiológicos do Partido dos Trabalhadores, filiados ao partido apenas pra comporem quociente eleitoral, acabaram se debandando para o lado do centrão, inclusive ministros nomeados pela chapa com o antigo PMDB.

Os escândalos que eram abafados pela imprensa durante todo governo FHC e suas privatarias escusas foram amplificados nos governos Lula a partir do então deputado Roberto Jefferson, um conhecido personagem remanescente da ditadura, amigo dos deputados evangélicos envolvidos na Máfia das Ambulâncias, e que tinha rixa com o empresário Marcos Valério, chamando pejorativamente de “mensalão” o que sempre foi visto antes como “emendas parlamentares”, oportunamente ignorado por Jefferson desde o governo militar. 

O objetivo era criar um rótulo forte que enfraquecesse o governo federal, e tudo com a chancela dos principais grupos de comunicação do país, que abriam espaços em suas grades de programação para mostrar o lado cantor de Roberto Jefferson, humanizando e suavizando a imagem do deputado, e pegando carona em suas denúncias como uma forma legítima de fritar o governo recorrendo a respaldos jurídicos, pois o “mensalão” era fato consumado - inclusive beneficiando o próprio Roberto Jefferson, que foi condenado pelo STF, posteriormente, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tendo recebido dinheiro em espécie da banda podre do PT, que migrou em massa, nos anos 2000, para diversos partidos do centrão.

Mesmo assim, em 2010, Lula sai com aprovação popular recorde, na casa dos 80%, diante do sucesso de suas políticas sociais que transformaram o país nos anos 2000, tiraram o Brasil do mapa da fome, inseriram a classe média no perfil do consumo e garantiram pleno emprego à população.

Os grandes empresários e os principais veículos de comunicação do país nunca admitiram a continuação de um governo petista, a ponto de darem força na esquematização de um golpe parlamentar que viria a tirar Dilma da presidência.

Nunca foi pedalada, mas sim uma “enfrentada” que Dilma tentou emplacar contra o forte Congresso de Eduardo Cunha, sem sucesso. 

A demonização final do PT ficou a cargo de figuras ressentidas do PSDB, que viram em Sérgio Moro e Deltan Dallagnol o lawfare necessário a criar um espantalho demoníaco da figura de Lula, como se ele fosse o grande operador de toda corrupção política que sempre existiu no país, mas que, oportunamente, era abafada pelos veículos de comunicação hegemônicos em governos neoliberais pretéritos.

Dito isso, a verdade nua e crua é que a imprensa foi contra o fim da escravidão lá atrás, no final do século XIX, assim como, já no século XX, foi contra a criação do salário mínimo, contra a criação do 13o salário e hoje se põe contra o fim da escala 6x1.

Qualquer governo popular que se atreva a criar políticas sociais que se oponham aos interesses dos grandes latifúndios e dos setores financeiros, sempre será demonizado pelas famílias da comunicação do país, que se beneficiam de suas parcerias.

Para emplacar uma terceira via, até Caiado, um grileiro de direita que relativiza crimes da época da ditadura, vira opção contra a “polarização”…

Lula é maior que tudo isso.

Se Flávio Bolsonaro vencê-lo esse ano, a maior derrota será nossa, e não de Lula.

A não ser que você seja acionista na Unilever, seja da família Marinho ou dono da Coca-Cola.

Ou também um evangélico médio, que em geral é ignorante e não tem culpa de sua condição hipossuficiente.

Mas se você for um funcionário público, um empregado CLT, dono de um mercadinho de bairro ou de uma oficina, ou tenha ações de baixo investimento na Bolsa e um BYD financiado na garagem, a derrota de Lula é a sua derrota, ainda que você se veja como um futuro entrevistado do Pequenas Empresas, Grandes Negócios por fabricar um abridor de sachê de maionese e fature 10 mil por mês com isso.

TEXTO DE:
Bruno Freixo

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Oscar 14

Eu cresci na Itália assistindo ao jogos do Oscar Schmidt, e ele se tornou um ídolo meu. Era um jogador excelente. Conversei com ele em Londres. Tive a chance de falar um pouco com ele. Eu realmente gostava de vê-lo jogar quando eu era criança.
(Kobe Bryant)

Oscar Schmidt, o "Mão Santa", nos deixou aos 68 anos e deixa um legado eterno para o esporte brasileiro.

Nascido em Natal, ele se tornou o maior pontuador da história do basquete mundial: foram quase 50 mil pontos ao longo de 25 temporadas.

Participou de cinco Olimpíadas e ainda ostenta o recorde de maior cestinha da história dos Jogos. No Pan de 1987, liderou o Brasil na histórica vitória sobre os Estados Unidos, na casa deles.

Oscar mostrou ao mundo que o Brasil vai além do futebol. Um ídolo que ensinou gerações a amar o basquete e a acreditar no impossível.

Oscar construiu uma das carreiras mais impressionantes do basquete mundial. Ídolo da seleção brasileira, participou de cinco Olimpíadas e liderou o Brasil na histórica conquista do ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em uma vitória marcante sobre os Estados Unidos.

Ao longo de sua carreira, somou impressionantes 49.973 pontos e também se tornou o maior cestinha da história das Olimpíadas, com 1.093 pontos.

Pela Seleção Brasileira, conquistou o ouro no Pan-Americano de 1987 e foi três vezes campeão sul-americano, em 1977, 1983 e 1985.

Por clubes, construiu uma trajetória igualmente vitoriosa, com três títulos brasileiros, um título sul-americano de clubes campeões, um título mundial, seis conquistas do Campeonato Paulista e dois títulos do Campeonato Carioca.

Mesmo escolhido no draft da NBA, Oscar optou por não jogar na liga americana para seguir defendendo a seleção brasileira, decisão que ajudou a consolidar sua imagem como símbolo do esporte no país. Ao longo da carreira, acumulou recordes, prêmios e entrou para os halls da fama do basquete mundial, incluindo o Basketball Hall of Fame, nos Estados Unidos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Papa Trump

A essa altura, já não se trata mais de excentricidade política — é método, é vício e, talvez, algo mais preocupante.

A insistência de Donald Trump em se colocar como protagonista absoluto de qualquer cena, seja doméstica ou global, atravessou a fronteira do cálculo político e entrou no território da compulsão.

Não basta disputar narrativas: é preciso monopolizá-las. Não basta ser relevante: é preciso ser indispensável. E, ao que tudo indica, nem mesmo figuras de autoridade moral universal escapam dessa lógica.

A recente investida contra o Papa Leão XIV — acompanhada de publicações em sua própria rede social — escancara algo que vai além da retórica agressiva habitual.

Ao compartilhar uma imagem em que se associa, ainda que simbolicamente, a Jesus Cristo, Trump não apenas tensiona os limites do bom senso: ele desafia diretamente o senso de realidade.

Não se trata mais de hipérbole política; trata-se de um deslocamento perigoso entre o que é metáfora e o que é autoimagem.

Esse comportamento não surge no vácuo. 

Desde os tempos de campanha, Trump construiu sua persona pública como uma espécie de messias político — alguém que não apenas lidera, mas salva.

O problema é que, quando a política passa a operar sob esse registro quase religioso, o debate racional dá lugar à devoção, e a crítica passa a ser tratada como heresia.

O dado novo, porém, talvez seja o mais revelador: vozes dentro do próprio campo conservador começam a expressar desconforto. Aliados históricos, ainda que cautelosos, já deixam escapar avaliações sobre um possível declínio cognitivo, sugerindo que a insistência em comportamentos erráticos pode não ser apenas estratégia — mas sintoma.

A palavra “senilidade”, até pouco tempo restrita aos adversários mais duros, começa a circular também entre aqueles que, até ontem, preferiam o silêncio constrangido.

É evidente que diagnósticos médicos não podem — nem devem — ser feitos a distância, muito menos instrumentalizados politicamente. Mas a política, por sua própria natureza, exige algum grau de previsibilidade, de autocontenção e de aderência mínima à realidade. Quando essas balizas começam a ruir, o problema deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser institucional.

A questão central, portanto, não é mais se Trump exagera — isso sempre foi parte do pacote. A questão é se ainda há, por trás do espetáculo, algum compromisso com os limites que sustentam a própria ideia de liderança.

Porque quando um líder passa a se ver não como representante, mas como encarnação de uma causa — ou pior, de uma figura sagrada — o risco não é apenas o ridículo. É a erosão silenciosa do próprio conceito de realidade compartilhada.

E, sem realidade compartilhada, não há política. Apenas culto.

domingo, 12 de abril de 2026

Tristirinhas do Thiago Muniz

1) Que onda é essa de autoafirmação do cantor Latino? Que dancinha tosca e com a harmonização facial idêntico ao Diabo do Auto da Compadecida, fez o próprio Diabo se manifestar. Old School não lhe fez bem, síndrome de Peter Pan.

2) A pessoa com o nome Flávio, divulgado na mídia herdeira brasileira, possui o sobrenome Bolsonaro, portanto ele se chama Flávio Bolsonaro. Só pra que fique bem claro.

3) Ronaldo Caiado é o padre Kelmon do Agropop. Será o bobo da corte fascista entre a democracia versus golpismo.

4) Sionismo prega o Racismo. A imprensa golpista ocidental é servil aos seus patrões, que são judeus; simplesmente é isso.

5) E vagabundo tá lá: “Será que Carlo Ancelotti vai convocar o Neymar? E o Neymar não consegue andar em linha reta…

6) Já que Trump não conseguiu dominar o estreito de Ormuz (Salaam Aleikum!), sugiro a reabertura dos Arquivos Epstein.

sábado, 11 de abril de 2026

Caso Alemão: quando a fiscalização repete endereço

Na geografia caprichosa das manchetes, algumas histórias parecem maiores do que são, e outras que, sendo pequenas no papel, ganham o peso de um símbolo.

A nova prisão do empresário Edson Alemão, a segunda em menos de seis meses em Campo Grande, pertence a essa segunda categoria: deixou de ser apenas um caso policial para se transformar em narrativa urbana, dessas que circulam em padarias, grupos de WhatsApp e mesas de bar.

Porque, convenhamos, o fato bruto já não caminha sozinho. Ele vem acompanhado de uma pergunta incômoda, repetida com variações: por que sempre ele?

Ou, ampliando o foco, por que operações desse porte parecem mirar com lupa negócios específicos, enquanto gigantes do setor seguem suas rotinas sem sobressaltos equivalentes?

Não se trata aqui de absolver previamente ninguém — essa é tarefa da Justiça, com seus ritos e provas. Mas o sentimento difuso de seletividade é, por si só, um fenômeno digno de nota.

Quando a população passa a desconfiar não apenas do investigado, mas também da intensidade e da direção da fiscalização, o problema deixa de ser individual e passa a ser institucional.

Campo Grande, como tantas cidades fora do eixo mais visível do país, carrega uma peculiaridade: o equilíbrio delicado entre pequenos e médios empresários e as grandes redes nacionais.

É um ecossistema em que a concorrência não é apenas econômica mas é também, simbólica. O comerciante local não disputa só preço; disputa espaço, clientela e, muitas vezes, sobrevivência.

Nesse contexto, operações reiteradas sobre um mesmo alvo acabam alimentando uma narrativa de assimetria. Não importa, necessariamente, se ela é verdadeira ou não, importa que ela encontra terreno fértil.

Afinal, para o cidadão comum, parece desproporcional que estruturas gigantescas, com histórico nacional e volume financeiro incomparável, raramente sejam vistas sob o mesmo tipo de ação ostensiva.

A sensação que fica é a de que o rigor tem endereço conhecido, enquanto a indulgência, ou ao menos a discrição, escolhe seus caminhos com mais cautela.

E sensação, em política e em vida pública, é matéria-prima poderosa. Ela molda reputações, influencia percepções e, não raro, corrói a confiança.

Há também um outro efeito colateral: o risco de transformar a fiscalização, que deveria ser instrumento de equilíbrio, em elemento de desconfiança.

Quando o cidadão passa a enxergar a ação do Estado como potencialmente enviesada, perde-se algo fundamental: a legitimidade.

Nada disso invalida a possibilidade de irregularidades concretas, nem diminui a importância de investigá-las com rigor. Mas a coerência é irmã da credibilidade. Se há critérios, eles precisam ser visíveis; se há regras, precisam parecer universais.

No fim das contas, o caso de Edson Alemão talvez diga menos sobre um homem e mais sobre o ambiente em que ele está inserido. Um ambiente onde, mais do que fatos, disputam espaço as interpretações e onde a linha entre justiça e percepção de injustiça é, muitas vezes, tênue demais.

E quando essa linha começa a borrar, não é apenas um empresário que está em julgamento.

É a própria confiança pública.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Quando a dor não é levada a sério por causa da cor da pele

Alguns episódios de séries médicas se contentam em entreter. E alguns que incomodam.

O episódio “Se não agora, quando? (2x20), da série The Resident pertence, sem dúvida, à segunda categoria — porque não se limita à ficção. Ele acusa.

A história é simples, e justamente por isso devastadora: uma mulher negra sente dor. Muita dor. Dor suficiente para preocupar qualquer profissional atento. Mas não qualquer profissional distraído — ou pior, condicionado.

Ela fala. Insiste. Reclama. E não é ouvida.

O hospital segue funcionando, protocolos são cumpridos, formulários preenchidos, vozes técnicas ocupam o espaço. Mas o essencial falha: alguém escutar, de fato, o que está sendo dito.

Quando finalmente escutam, já é tarde.

E aqui está o ponto que desmonta qualquer tentativa de conforto: isso não é exceção. Isso é padrão.

Não se trata de um roteiro exagerado.

O episódio ecoa o caso real de Kira Johnson — uma mulher que morreu após uma cesárea, vítima de uma hemorragia ignorada por horas. Seu marido implorou por ajuda. Foi tratado como inconveniente. A medicina, naquele momento, não falhou por falta de conhecimento. Falhou por falta de escuta.

E quando se olha para os dados, a tr

agédia deixa de ser individual e ganha contornos estruturais.

Nos Estados Unidos, mulheres negras têm até quatro vezes mais risco de morrer durante a gravidez ou o parto do que mulheres brancas. Não é um desvio estatístico. É uma constante. E metade dessas mortes poderia ser evitada.

Evitar, nesse contexto, significa algo quase constrangedoramente básico: prestar atenção.

É comum que se tente explicar essa desigualdade apelando para fatores socioeconômicos. É um álibi confortável — e insuficiente. Porque mesmo mulheres negras com alta escolaridade e bom acesso à saúde continuam morrendo mais.

O problema não está apenas na porta de entrada do hospital. Está dentro dele.

Está na consulta apressada.
No sintoma relativizado.
Na dor subestimada.

Há estudos mostrando que pacientes negras são menos ouvidas quando relatam dor. Outros apontam para vieses inconscientes de profissionais de saúde — aqueles julgamentos automáticos que ninguém admite, mas que operam silenciosamente.

Não é o racismo explícito, que se reconhece e se condena. É o outro — o mais perigoso — porque se disfarça de rotina.

O episódio de The Resident acerta ao não transformar seus médicos em vilões caricatos. Eles não são monstros. São piores: são plausíveis.

São profissionais que seguem o fluxo, que confiam demais na própria avaliação, que não percebem quando deixam de enxergar o paciente como indivíduo e passam a tratá-lo como mais um caso.

E é assim que o erro se normaliza.

No fim, o que a série faz é nos obrigar a encarar uma pergunta desconfortável: quantas mortes poderiam ser evitadas se ouvir fosse levado tão a sério quanto diagnosticar?

Porque, no fundo, o que mata ali não é apenas a hemorragia. É a demora. É a dúvida seletiva. É o peso desigual dado à palavra de quem sofre.

E isso não é um problema de roteiro.

É um problema de mundo real.

Quando episódios como esse ocorrem na vida real, o fim não é apenas uma sequência de créditos subindo em uma tela de TV, o fim trágico, é a morte de mais uma mulher que ocorreu por um único motivo: a cor da sua pele.

Para esse tipo de caso, a medicina ainda não encrontrou uma cura.

domingo, 5 de abril de 2026

Duas mortes anunciadas e um país que finge surpresa

O Brasil acordou — mais uma vez — com a notícia que já não deveria surpreender ninguém, mas ainda choca: duas crianças, Sophya e Isaías, de 10 e 6 anos, mortas enquanto brincavam na garagem de casa, em Diadema.

Não estavam atravessando uma rodovia. Não estavam em situação de risco. Estavam brincando de pular corda.

O risco veio até elas — motorizado, alcoolizado e socialmente tolerado.

O motorista, segundo as autoridades, apresentava sinais de embriaguez confirmados por exame.

E aqui está o ponto: não se trata de um acidente. Trata-se de uma escolha. E mais do que isso — trata-se de um sistema que, na prática, permite que essa escolha seja feita todos os dias.

O Brasil gosta de chamar de “fatalidade” aquilo que é, na verdade, previsível.

Porque o país possui leis contra dirigir embriagado. A chamada Lei Seca existe. As campanhas existem. As operações existem.

Mas o que não existe — e isso é evidente — é o peso real da punição e, principalmente, a coerência entre discurso e prática.

A lógica é perversa: de um lado, o Estado adverte; do outro, ele lucra.

O mercado de bebidas alcoólicas movimenta bilhões de reais por ano no Brasil. Gera empregos, patrocina eventos, financia publicidade agressiva e sofisticada. Não vende apenas cerveja, vinho ou destilados — vende estilo de vida, celebração, pertencimento.

Vende a ideia de que beber é quase um ritual social obrigatório.

E aí está a blindagem.

Quando um setor econômico se torna grande demais, ele deixa de ser apenas um mercado, passa a ser um ator político.

E atores políticos não são enfrentados com facilidade. Regulá-los com rigor significa mexer com receitas, com publicidade, com interesses que atravessam o Congresso, governos e meios de comunicação.

O resultado é esse equilíbrio hipócrita: campanhas tímidas contra álcool ao volante convivendo com um bombardeio publicitário que glamouriza o consumo.

É como tentar apagar um incêndio com um copo d’água enquanto se despeja gasolina ao lado.

E, no meio disso, está a leniência penal.

Casos como o de Diadema frequentemente terminam classificados como homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A pena, na prática, é reduzida, negociável, muitas vezes convertida. A mensagem que fica não é jurídica — é cultural: beber e dirigir pode até ser ilegal, mas não é tratado como um crime gravíssimo.

E deveria ser.

Porque não há nada de “culposo” na decisão de assumir o volante após beber. O risco é conhecido, amplamente divulgado, repetido à exaustão. Quem dirige embriagado não ignora o perigo — escolhe ignorá-lo.

Sophya e Isaías não morreram por falta de lei. Morreram por excesso de tolerância.

Tolerância institucional, que pune pouco.
Tolerância econômica, que lucra muito.
E tolerância social, que ainda trata o “beber e dirigir” como deslize — nunca como violência.

Enquanto o Brasil não encarar o problema com a seriedade que ele exige — endurecendo penas, restringindo publicidade, tratando o álcool como questão de saúde pública e segurança — novos nomes substituirão Sophya e Isaías nas manchetes.

E, então, mais uma vez, o país vai fingir espanto.

Como se não soubesse.

Como se não tivesse escolhido.

Justiça para o Sakamoto famoso, mas não para os Sakamotos anônimos

A condenação do Estado do Paraná no caso envolvendo o CPF do jornalista Leonardo Sakamoto não é apenas um episódio jurídico pontual — é um retrato incômodo de como a máquina judicial brasileira escolhe, ainda que informalmente, suas prioridades.

No caso, o CPF de Sakamoto foi inserido de forma indevida — e grave — em uma condenação por homicídio no estado.

Não se trata de um erro burocrático qualquer: é a atribuição falsa de um crime hediondo a um cidadão. O episódio ganha contornos ainda mais delicados quando se observa o contexto: à época, o jornalista fazia críticas contundentes à atuação da Operação Lava Jato, o que inevitavelmente levanta questionamentos sobre o ambiente institucional e político em que o erro ocorreu.

Ainda que não se possa afirmar dolo sem provas, o encadeamento dos fatos exige reflexão.

O Estado foi responsabilizado, e a Justiça reconheceu o dano. O processo levou cerca de um ano para ser solucionado — tempo que, para padrões ideais, é longo, mas que, no contexto brasileiro, soa quase célere.

E é aqui que o contraste se impõe.

Enquanto um jornalista com visibilidade consegue, ainda que com demora, ver seu caso analisado e julgado, milhares de brasileiros vivem presos em um limbo judicial.

Segundo dados recorrentes do Conselho Nacional de Justiça, uma parcela significativa da população carcerária é composta por presos provisórios — pessoas que ainda não foram condenadas, mas que permanecem encarceradas por meses, às vezes anos, aguardando uma decisão que nunca chega no tempo devido.

Não se trata de desmerecer a gravidade do caso de Sakamoto. Ao contrário: o reconhecimento do erro estatal é um avanço necessário e civilizatório. O problema é que esse padrão de resposta não é universal.

Para muitos, especialmente os mais pobres, pretos e pardos, o Estado não apenas erra — ele demora a reconhecer o erro, e quando reconhece, o dano já se tornou irreversível.

Há, ainda, um paralelo inevitável no campo político-jurídico recente. A deputada Carla Zambelli foi condenada por inserir um mandado falso em sistemas vinculados ao Conselho Nacional de Justiça — um episódio que também expõe como a manipulação indevida de registros oficiais pode produzir consequências gravíssimas.

A diferença fundamental, porém, está na resposta institucional: quando há responsabilização, o sistema mostra que tem instrumentos para reagir.

O problema é quando essa reação não chega — ou chega tarde demais — para a maioria invisível.

O sistema de Justiça brasileiro, nesse sentido, revela uma assimetria estrutural. A Constituição promete igualdade perante a lei, mas a prática insiste em criar atalhos para alguns e labirintos para outros. A visibilidade social, o acesso a bons advogados e a capacidade de mobilizar opinião pública acabam funcionando como aceleradores processuais informais.

O caso de Sakamoto, portanto, serve como um espelho. Ele mostra que a Justiça pode funcionar — ainda que com falhas. Mas também evidencia que esse funcionamento não é distribuído de maneira equânime. Se um ano parece muito para quem teve seu CPF associado ilegalmente a um homicídio, imagine o que significam cinco, seis, sete anos de prisão sem condenação.

No fim, a pergunta que permanece não é sobre a correção da decisão judicial no caso específico, mas sobre sua excepcionalidade. Quantos “Sakamotos” invisíveis seguem esperando, sem nome, sem voz e sem prazo?

A Justiça brasileira não precisa apenas ser justa. Precisa, sobretudo, ser igual.

sábado, 4 de abril de 2026

Se eu morrer hoje, amanhã faz um dia

(por Antonio Gonzalez)
Em tempos de Semana Santa e, principalmente, de saúde que merece cuidados intensos, vejo-me estritamente em contrição, à espera de uma reconciliação interna através das rupturas que me exijo.

Minha fortaleza emocional encara tempos sombrios, quiçá derradeiros, os meus, sem temor com relação à decisões e falas.

Luiz Carlos Sá (da dupla & Guarabyra), imortalizado, também, na voz de Milton Nascimento, ao escrever a letra de "Caçador de Mim", sugere uma mistura de força e vulnerabilidade, indicando que enfrentar os próprios medos e contradições exige coragem  e ressalta a inquietação do personagem, que se afasta do lugar de origem e atravessa a "mata escura", na dualidade da natureza humana, como nos versos “doce ou atroz, manso ou feroz”, mostrando que aceitar todas as emoções e experiências é parte fundamental do processo de autodescoberta.

Com relação a esse processo de interiorização, penso que tem que ser constante e renovado. A pessoa que um dia fui (não abrindo mãos dos princípios de um Pai e de uma Mãe que nunca me abandonaram) difere de que hoje sou e será diferente no mês que vem; a maturidade não pode ser limitada ao que você viveu ou vive.

Nesse caminhar que chamo de vida, percebo que o viver apresenta motivos suficientes para expulsar peças do teu tabuleiro de xadrez, que em certo momento se apresentavam como duradouras; em realidade, nas tuas costas, como titereiros manipulavam ocasiões do jogo.

Até que com o passar do tempo escolhi deixar de ser o trampolim, o degrau perfeito para ilustres "QUEM?", que no frigir dos ovos, somente apresentam falta de conteúdo e de estofo. Você só serve enquanto podem, de certa forma, se aproveitar para sair na mesma foto.

E nessa caminhada no redesenhar a idiossincrasia escolho a silenciosa solitude. Nas montanhas do Vale do Paraíba descubro a beleza da distância sonora do aparelho celular.

Nada definitivo, apenas explícito. Ao mesmo tempo da semeadura, vem a convicção da colheita. No aconchego das palavras de Nando Reis em "O Segundo Sol" encontro o transe da meditação que me acalma:

"Não digo que não me surpreendi, antes que eu visse, você disse e eu não pude acreditar. Mas você pode ter certeza, de que o seu telefone irá tocar, em sua nova casa que abriga agora a trilha, incluída nessa minha conversão."

Começo a rir, do nada, com total falta de respeito à Sexta-feira Santa, eis que surge um perfil fake numa rede social, me atacando.

Grátis. São dois bobos os responsáveis. É claro que na vida a gente erra, principalmente quando faz certo tipo de escolhas. Sim, errei. Gente errada eu extirpo, que nem carnegão de furúnculo.

Ninguém pode me acusar de misógino, nem de ter que comparecer em delegacia por suspeita de bater em mulher. Nem de chamar alguém de macaco. Tampouco de mandar um suposto policial dar um susto em alguém nas Paineiras. Nem estive próximo a fazer negócio com transgressor da lei, muito menos tem foto minha ao lado de miliciano.

Uma vez, em pleno cemitério do Caju (ano 2000) no enterro da mãe do falecido Carlos Henrique Corrêa, numa rodinha de conselheiros do clube, o Subsuperintendente, o ex-major da PM, Montanaro, quando perguntado sobre o que ele achava da morte - com “N” atos de chumbo trocado - prontamente respondeu:

"Se eu morrer hoje, amanhã faz um dia!"

Naquele momento a mudez total reinou. Nunca esqueci aquelas palavras. Secas. Duras. Reais.

Meu momento é de espera. É óbvio que luto por e para viver. Mas se tiver que voar na direção do desconhecido, irei sabedor que existi o que quis viver, em todas as faces.

Marighella disse: "Vivo tão depressa, que não tive tempo de ter medo". Isso me define, levo tatuado.

Nessa guerra que se colocou na minha frente, eu vou estar na linha de frente.

O final, neste sábado de Aleluia era, em seu início, para ser doce, de esperança. 

Só que "doce ou atroz, manso ou feroz" os meus tempos eu decido como "caçador de mim". Curto e grosso.

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O Brasil tem medo de Schumpeter

Se Joseph Schumpeter resolvesse dar uma volta pelo Brasil de hoje, provavelmente sairia com a seguinte impressão: aqui, a inovação até aparece — mas sempre sob desconfiança, como se fosse uma ameaça, não uma solução.

E, em certo sentido, é mesmo. Mas não no sentido ruim.

Schumpeter ficou conhecido por uma ideia que, no Brasil, soa quase subversiva: a tal da destruição criativa. Traduzindo sem firula acadêmica: o novo precisa destruir o velho para que a economia avance.

Sim, destruir. Palavra feia para um país que adora preservar privilégios.

O problema não é a falta de empreendedor

Há uma narrativa confortável — e equivocada — de que o Brasil não cresce porque “falta gente empreendedora”. Ora, menos.

O brasileiro empreende até por necessidade. O camelô, o motorista de aplicativo, o pequeno comerciante — todos são, de alguma forma, respostas à ausência de oportunidades formais.

O ponto de Schumpeter é outro: o crescimento relevante vem do empreendedor inovador, aquele que muda o jogo.

E aqui está o nó: o Brasil não impede totalmente esse sujeito de existir — mas faz questão de dificultar sua vida.

Quando o novo incomoda, o sistema reage

Toda inovação relevante cria atrito. Isso é inevitável.

  • Bancos digitais desafiam bancos tradicionais

  • Aplicativos mudam mercados inteiros

  • Novas tecnologias expõem ineficiências antigas

Em vez de o sistema se adaptar, o que frequentemente acontece por aqui?

Ele tenta domesticar a inovação.

Regula-se antes de entender. Taxa-se antes de amadurecer. Complica-se antes de permitir.

Schumpeter chamaria isso de um erro clássico: proteger o passado em vez de apostar no futuro.

O Brasil que protege o atraso

Existe, no país, uma espécie de pacto silencioso: não se mexe demais no que já está estabelecido.

E isso aparece em várias frentes:

  • burocracia que consome tempo e energia

  • sistema tributário que pune quem cresce

  • dificuldade crônica de acesso a crédito

Nada disso impede totalmente a inovação — mas reduz sua velocidade. E, na economia, tempo é tudo.

Ainda assim, a inovação insiste

Apesar do ambiente, alguns setores avançam quase “apesar do Brasil”:

  • fintechs revolucionando o sistema financeiro

  • tecnologia no agronegócio aumentando produtividade (esse financiado e protegido pelo Estado, como nenhum outro setor)

  • comércio digital redesenhando o varejo

Esses casos mostram que, quando a inovação consegue furar o bloqueio, o impacto é imediato.

É Schumpeter puro.

Crescer dói — e o Brasil evita a dor

A ideia central aqui é desconfortável, mas necessária: crescer implica perda.

Empresas desaparecem. Modelos de negócio deixam de existir. Profissões mudam.

Mas o que se ganha em troca é produtividade, eficiência e dinamismo.

O Brasil, no entanto, parece preferir um crescimento mais lento — desde que menos traumático.

O problema? Essa escolha cobra seu preço.

No fim das contas…

Schumpeter não defendia o caos — defendia o movimento.

E é justamente isso que falta ao Brasil em escala maior: não a capacidade de inovar, mas a disposição de permitir que a inovação transforme de verdade.

Porque transformar, no sentido schumpeteriano, não é ajustar o sistema.

É mexer nas estruturas.

E isso, convenhamos, nunca foi exatamente a especialidade nacional.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A falência do futebol italiano

…Itália campeã mundial de futebol, com todos os méritos, com todas as justiças…
(VANUCCI, Fernando; 2006)

A Itália, tetracampeã do mundo, está fora da Copa do Mundo de novo. Tem uma geração inteira que nunca viu a Itália pisar numa Copa do Mundo.

E foi eliminada para a Bósnia.

E tudo começou bem, a Itália saiu na frente, mas aí veio a expulsão de Bastoni, que deixou a Itália com um jogador a menos.

A Bósnia aproveitou e empatou o jogo. É aquele drama total, sabe quando você olha e está com cara de tragédia? E que tudo vai dar errado?

O jogo foi para os pênaltis, e ali, 4x1, a Itália foi eliminada.

Sério, inacreditável.

Só pra dar um contexto, a Itália participava de todas as Copas do Mundo desde a copa de 62. Foram 60 anos de participação ininterrupta.

Só que em 2018, na Rússia, a Suécia eliminou a Itália na repescagem. Era a primeira ausência em 60 anos. Ali foi um choque.

Depois, em 2022, no Qatar, a Macedônia do Norte fez o inimaginável. Surpreendeu a Itália e a tirou da Copa novamente. E agora, em 2026, a Bósnia fechou o ciclo da tragédia.

Estamos falando de três Copas consecutivas sem a Itália. Uma geração inteira de italianos que cresceu sem ver uma das principais seleções do mundo jogar uma Copa.

Desde 2006, quando a Itália foi campeã pela última vez, parece que tudo desabou. Vinte anos se passaram, vinte anos de declínio no futebol. Essa camisa azul, que já fez duas finais de Copa do Mundo contra o Brasil, fez um planeta inteiro tremer, hoje pesa toneladas.

A Camisa que conquistou quatro títulos mundiais, gente; 34, 38, 82 e 2006. Agora carrega o peso de mais uma eliminação. 

E aí eu vou fazer a pergunta pra você: Camisa pesa para se classificar em Copa do Mundo? Para mim pode pesar mas depende do contexto da situação; no caso da Itália pesa demais mas no sentido do tabu que carrega em não disputar a Copa do Mundo; não só a camisa pesa mas também todo o psicológico em cima dos jogadores.

TEXTO DE:
Thiago Muniz