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quarta-feira, 22 de julho de 2026

A Odisseia

A sétima arte sempre foi fascinada pela Odisseia, do cavalo de Troia que marcou o antepassados dessa história, aos seres míticos que vão do ciclope polifemo, sereias, deuses e até almas no inferno.

Mas curiosamente, o novo filme de Milan é centrado nas emoções humanas. Até a sua componente mitológica assume aqui uma posição coadjuvante.

A montagem favorece dois núcleos da história, separados por 10 anos e movidos por um reencontro. Reparem que quando as figuras míticas surgem, elas nunca se tornam mais importantes que seus personagens humanos. Não existe cortina de fumaça em A Odisseia.

Eu creio é que o filme vai deixar o próximo Oscar menos diverso. Som, fotografia e efeitos especiais estão na mira por estatuetas. Já as atuações foram bem calibradas, aqui temos um filme muito mais nivelado.

Existe um destaque especial para uma cena feita sob medida para colocar Anne Hathaway na disputa pelo Oscar. Até Matt Damon tem chances, embora sua interpretação seja bastante linear.

O grande destaque para mim foi Robert Pattinson, e ele cria um dos personagens mais inventivos desse filme.

Nolan continua encontrando dificuldade para aprofundar suas personagens femininas. E isso chama atenção justamente porque a própria Odisseia oferece espaço para que elas ocupem um protagonismo maior.

Lupita Nyong'o faz uma ponta cheia de vida, e com mais tempo de tela, poderia brilhar ainda mais. Do ponto de vista do roteiro, Nolan mastiga sua trama, e mastiga bem. É claro que ele continua priorizando a experiência cinematográfica, em detrimento de uma narrativa mais complexa. Mas o fato é que ele conseguiu transformar toda a grandiosidade da Odisseia em um filme comercial para o grande público.

Ao simplificar algumas camadas da obra de Homero, Nolan faz com que certos conflitos e personagens fiquem presos às funções que precisam cumprir dentro da jornada.

O Odisseu é sempre o mesmo homem tentando retornar, enquanto Penélope permanece muito ligada à espera. Existe emoção, existe nuance e existe drama nesses personagens, mas a narrativa frequentemente repete esses movimentos em vez de aprofundá-los. Ambos atravessam 10 anos de perdas e provações, mas suas transformações internas são mais sugeridas do que verdadeiramente exploradas.

Ainda assim, existe um brilho e um frescor genuinos em A Odisseia. É possível se perder, no bom sentido, nas cenas mais incríveis desse filme. Se deixar ser arrebatado pela Ilha de Circe ou pela minha sequência favorita de todas, a Descida ao Mundo dos Mortos.

No fim, o cinema é, antes de tudo, encantamento. E Nolan agarra nessa ideia com força na sua mais nova obra-prima. Uma experiência feita para ser vivida nas telonas e que tem tudo para se tornar um dos seus filmes mais marcantes.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 22 de junho de 2026

É o show das BETs na Cazé TV

A Cazé TV se vendeu completamente para as BETs e quase ninguém está falando disso, né?

Porque quando são as mulheres blogueiras, aí todos caem de críticas e com razão. Mas quando é o Casimiro, o gordinho gente boa, aí passa-se pano.

Você já viu os números da CazéTV? Quantas pessoas eles estão atingindo? Quantas pessoas estão inscritas? Quantas pessoas estão assistindo as lives que eles estão fazendo? Você viu os números?

Gente que apostava pouco recebe mais estímulo. Gente vulnerável agora passa a ser bombardeada por isso o dia inteiro por uma pessoa que ele gosta e confia, o Cazé

O que passa pano é o resumo da transmissão da CazéTV e de todo o futebol brasileiro em relação ao futebol brasileiro.

É uma passação de pano para uma seleção medíocre, uma seleção de influenciadores, de estrelinhas, de bilionários que sofreu muito para fazer três gols no Haiti.

Aí o menino Ney, o cara não consegue nem viajar que se lesiona, que comemorou a sua convocação induzindo as pessoas a jogar em BET. Está lá ocupando o lugar de outro atacante.

A seleção tem que ganhar para ficar nos Estados Unidos para não viajar para o México porque viajar desgasta. Ah é? Vai desgastar os bilionários fazer uma viagem num vôo particular fretado de primeira classe. É um homem lamber na bola do outro, assim uma coisa pornográfica. E tudo isso financiado por casa de apostas. 

Gente, hipocrisia tem limites.

Se você acha que isso é correto, continua, mas pelo menos assuma. Não seja hipócrita não de ficar pagando de: “ah! eu não gosto disso, eu critico isso…”, mas está aí, babando o ovo da CazéTV.

É Cazé, você está ferrando a vida de um monte de gente para ganhar mais dinheiro do que você já ganhou, do quarto na pandemia para os salões do sistema.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

domingo, 21 de junho de 2026

A Copa do Mundo me dá sono

Uma Copa do Mundo sem sal, sem emoção, sem alma. Talvez se a sede fosse somente no México eu sentiria mais tesão, mas isso seria impossível colocar 48 países e 104 jogos num único país.

A FIFA quer arrecadar mais dinheiro e arrendar mais apoio político, por isso aumentou o número de participantes. E essa será a tendência por um bom tempo, se não for em caráter definitivo.

Uma FIFA que beijou a mão do presidente dos Estados Unidos, que chancelou a aniquilação de Gaza e quase a extinção dos palestinos por meio do regime sionista do estado de Israel. Que invadiu a Venezuela e tomou de assalto o seu petróleo e sequestrou o seu chefe de Estado. Onde declarou guerra ao Irã mas foi pega de surpresa com o fechamento do estreito de Ormuz e viu o preço do petróleo subir a níveis estratosféricos.

Essa é a FIFA que foi capaz de conceder a medalha da paz para um homem que mais provocou o caos no mundo nos últimos dois anos.

Onde está a Copa da inclusão? Num país que não concede visto ao árbitro pela sua nacionalidade. Num país que caça imigrantes como se fossem ratos. Num país onde o futebol é o quinto esporte mais praticado, onde eles não chamam o futebol de futebol, chamam de “soccer”.

Volto aos meus 11 anos de idade lá em 1994, como foi boa aquela Copa, prefiro ter essas lembranças de juventude. Pode ser um tanto lúdicas? Sim! Mas pelo menos eu sentia verdade e emoção naquela Copa. Onde não havia a guerra da TV aberta e o streaming, era Galvão Bueno narrando e nada mais nada menos que Pelé comentando.

Ah! Bons tempos que não voltam mais. E lá nos idos de 1994 o Brasil trouxe a taça do Tetra homenageando o meu ídolo de infância Ayrton Senna.

Voltamos a 2026. Muito provavelmente não teremos o Hexa, uma Copa sem sal e tempero, vou voltar para minha cama onde o descanso é necessário. E torço para que o celular não toque com mais um falso alerta provocado por algum hacker mercenário.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Os fracassados milionários


 Existe uma panela de jogadores que na última década estão rotineiramente dentro do calvário da Seleção Brasileira, não produzem resultados para justificar as suas presenças e ainda deixam a impressão que opinam em quem pode ou não estar nas convocações. 

Um pouco antes da convocação para a Copa do Mundo, vimos numa entrevista o jogador Casimiro declarar que o jogador Endrick não estava pronto para jogar na seleção.

No alto de seus 19 anos, foi importante na conquista de um Brasileirão para o Palmeiras, fez gols importantes para o Real Madrid e agora na última passagem pelo Lyon fez gols que ajudaram muito o clube.

Se aos 19 anos ele acha que o Endrick não está pronto, o que ele acha do Pelé em 1958? O que ele acha da convocação do Ronaldo Nazário em 1994?

Panela!

O que essa atual geração de jogadores produziu e conquistou com a Seleção Brasileira?

A tal ponto de dar pitacos em quem pode ou não ser convocado. Há os que pelo menos já disputaram no mínimo 1 Copa do Mundo e nada.

São bons jogadores, isso é um fato; possuem carreiras sólidas em seus clubes, uma ótima situação financeira, mas não foram capazes de se consolidar dentro da Seleção Brasileira. São milionários fracassados, e será mais uma Copa medíocre.

São os culpados pela derrocada da seleção brasileira? É claro que não, há diversas variantes, principalmente na cadeia de comando. Mas são potenciais indicadores por essa queda brusca na falta de resultados consistentes. E não há uma indignação, pois eles viram a chave e passam a viver suas ricas vidas. 

Falta sangue, suor e lágrimas; jogadores que tenham fome.

A Seleção Brasileira precisa dessa essência, e não se deixar ser dominada pela importação de costumes. 

TEXTO DE:
Thiago Muniz

terça-feira, 9 de junho de 2026

Pau que bate no Wesley não bate no Neymar

E aí Mr. Carlo Ancelotti? Onde está o parâmetro dos 100%?

Primeiro toda uma história e narrativa para a convocação de Neymar; o jogador com maior talento e maior desperdício dos últimos vinte anos no futebol brasileiro, os lobbies nitidamente comprados e argumentos nada factíveis fizeram que no dia 18 de maio foste enfim convocado.

Nisso tudo foi por água abaixo a declaração de Ancelotti sobre a convocação dos jogadores em estarem 100% da forma física.

Pois bem… o Neymar se apresentou na Granja Comary e o departamento médico da CBF dentro do seu protocolo fez exames de imagem nele, e contrariando o laudo enviado pelos médicos do Santos.

O Santos alegou edema, a CBF constatou lesão.

Neymar sofreu uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha. O problema médico, que envolve uma ruptura parcial das fibras musculares e causa dor e perda de força.

O edema é apenas o inchaço causado pelo acúmulo de líquidos em uma parte do corpo. A lesão é o dano real ou a ruptura nas fibras do tecido (como músculos ou ligamentos).

O Neymar já não apresentava estar em sua plena forma física, tecnicamente então nem se fala; bastava acompanhar os jogos, não precisa ser muito entendedor de futebol.

O lateral-direito Wesley sofreu uma lesão muscular de grau 3 no músculo adutor da coxa esquerda. Ele sentiu dores durante um amistoso da Seleção Brasileira contra o Egito no dia 06 de junho.

Exames de ressonância magnética confirmaram a contusão, o que causou seu corte da Copa do Mundo. Por causa da gravidade, o jogador precisará de mais de 40 dias de recuperação, podendo ficar afastado dos gramados por até 8 a 12 semanas. Em seu lugar, o técnico convocou o volante Éderson para a sequência do Mundial.

E onde está a linha de raciocínio e coerência de Carlo Ancelotti? A regra só serve para uns? Privilégios para outros?

Bye bye Brasil

TEXTO DE:
Thiago Muniz

domingo, 24 de maio de 2026

Virgínia na Globo


Todo veículo; seja no digital ou TV aberta, necessitam produzir conteúdos que atraiam públicos e consequentemente audiências na qual são ferramentas de argumentação para trazer anunciantes. E quando traz público e anunciantes, o veículo fecha a conta e a possibilidade de se sustentar financeiramente se torna gradativa.

Grupo Globo historicamente por si só demorou em muito enfatizar a parte digital, usava a plataforma do Globoplay como um mero reprodutor de seus conteúdos porém nos últimos anos ela tem sido explorada melhor. Mas ainda não caiu nas graças do público, principalmente entre os 20-30 anos, muito atuante nas redes sociais.

Virgínia Fonseca atualmente possui mais de 50 milhões de seguidores somente no Instagram, fora as outras plataformas. Atualmente é um ativo extremamente valioso, gera valor na publicidade e agrega em vendas.

Globo enxergou valor em trazer a Virgínia para a cobertura da Copa do Mundo. Não enxergo que ela será uma repórter como muitos jornalistas estão afirmando, vejo que ela será uma produtora de conteúdo, principalmente para trazer um público que desconhece a Globo num todo no âmbito digital.

O foco será em aumentar a audiência, principalmente em relação a seus grandes concorrentes no streaming. A Globo quer fidelizar um público altamente potencial e de real consumo. Decisão mercadológica, somente. 

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Tristirinhas do Thiago Muniz edição Pré-Copa do Mundo 2026

1) Duas dúzias de torcedores na praça Mauá gritando pelo nome do Neymar. Isso não é clamor popular, isso é tráfego pago em tempo real pra alimentar mídia digital. Clamor popular foi em 1994 pra convocar o Romário no último jogo das Eliminatórias; o Parreira sabe bem o que foi pressão popular. Assistir um monte de pseudo-jornalistas e influencers-torcedores gritando pelo Neymar dentro do Museu do Amanhã foi uma cena deprimente.

2) O Paulo Vinicius Coelho fez uma pergunta que deixou o Ancelottide joelhos” sobre a não convocação de João Pedro e a convocação de Neymar, mas o italiano é raposa velha soube dar uma resposta sem perder a postura.

3) O pão e circo da CBF só entreteu aos bobos da corte; traduzindo: celebridades, influenciadores e pseudo-jornalistas, talvez alguns deles dentro da folha de pagamento da confederação.

4) Com a renovação de contrato para o ciclo 2030 fechado, muito provável que Ancelotti tenha cedido a convocar o Neymar. Quem pressionou? Não posso apontar ninguém sem provas, mas o italiano cedeu a pressão, com certeza. E teve que sacrificar alguém, e esse alguém foi o João Pedro, isso é um fato. João Pedro por sinal na semana anterior fez um golaço de bicicleta na Premier League, o Neymar mostrou o comprovante de substituição na frente da câmera. Prioridades!

5) João Pedro, que declarou publicamente que gostaria de ver o Neymar na seleção. Pois bem; vai assistir na TV. Cuidado com aquilo que desejas.

6) Gostei das convocações do Danilo, Endrick, Igor Thiago, Rayan e Luiz Henrique. São jogadores que tem fome e sangue nos olhos; não sentem a pressão, tem o espírito de jogador brasileiro ainda correndo em suas vêias. Prestemos atenção neles.

7) Já que o Neymar dará “pano pra manga”; torço para que ele não exija titularidade; mas acho que isso será muito difícil de acontecer.

8) O meu palpite hoje será de no máximo chegar nas quartas de final, com muito esforço podendo chegar a semifinal. Hoje tem seleções em nível superior ao Brasil: França, Portugal e Espanha; com Argentina, Holanda e Inglaterra um degrau acima. O Brasil vai ter que se encontrar durante a competição e mostrar o peso da camisa.

9) E vagabundo tá lá…

10) Vai Brasil! 🇧🇷

🇧🇷 4 x 1 🇮🇹 (México 1970)

O quarto gol marcado contra a forte seleção da Itália na Copa 1970, no México, foi o gol que consagrou a seleção brasileira.

Na final o Brasil já dominava e vencia por 3x1 quando protagonizou uma obra-prima coletiva: toques de primeira, inteligência tática, harmonia em movimento… até Pelé deixar a bola rolando suavemente para Carlos Alberto Torres chegar batendo com perfeição. A Seleção de 70 não foi só campeã — foi poesia em forma de futebol. Cada jogada era arte. Cada passe, história.

Naquela época, não era comum como é hoje, de um lateral subir ao ataque para tentar marcar um gol. Os homens daquela posição se limitavam a marcar na defesa e se alguém ousasse subir até o tento adversário, a bronca do técnico era mais que certa.

Mas Carlos Alberto Torres não respeitava muito essas limitações, em toda sua história, ele sempre dizia que os técnicos ficavam loucos quando ele subia ao ataque. Essa era uma de suas características, ele sempre contava isso quando falava com a imprensa sobre um dos gols mais belos da história das Copas do Mundo.

TEXTOS DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Seleção Brasileira Copa 2026

O Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética.

Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: “O Brasil não vai nem se classificar!”.

E no ciclo para 2026 eu pessoalmente tive o receio que o Brasil não se classificasse para a Copa; mas ao mesmo tempo eu analisava as circunstâncias e via que isso seria muito difícil, afinal serão 48 seleções, as vagas correspondentes na América do Sul tornam potências como Brasil, Argentina e Uruguai favoritas sempre numa das vagas.

Convocação feita por Carlo Ancelotti, um dos maiores técnicos do cenário mundial. Acho que o maior acerto da CBF foi na renovação de contrato com Ancelotti, mostra a confiança plena em seu trabalho e tira um certo peso na obrigatoriedade em conquistar a taça, e isso pode facilitar em muito o trabalho de ciclo de quatro anos para 2030.

Óbvio que a torcida será já para 2026, mas devemos saber que o ciclo 2022-2026 foi uma catástrofe na falta de planejamento, o Ancelotti chegou não tem nem 1 ano e não teve tempo suficiente para montar por completo o seu grupo de confiança.

Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 15 de maio de 2026

A Falácia do 13 de maio de 1888

A data, marca apenas o fim jurídico da instituição da escravidão; na prática, a população negra continuou sob o jugo de uma sociedade excludente. A própria Lei nº 3.353/1888, que decretou o fim da escravização, não trouxe uma insígnia sequer acerca da reparação às pessoas que enfrentaram mais de três séculos de trabalho forçado e não remunerado.

Tirem do imaginário a benevolência colonial. Quem violenta, não ama.

Note o que dizia o texto legal:
Art. 1º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário.

O Estado brasileiro tinha como objetivo varrer a população negra da sociedade. Não oferecer políticas públicas reparatórias era a forma mais rápida de fazê-la desaparecer: sem acesso à saúde, moradia, educação e trabalho, acreditava-se que essas pessoas recém-libertas morreriam à míngua, leia o “Genocídio do negro brasileiro” de Abdias Nascimento.

Não alcançando esse objetivo nos anos subsequentes, implantou-se a política de eugenia e branqueamento. A eugenia deu-se através de diversos mecanismos de animalização, alçando esses corpos à condição de “não humanos” e instrumentalizando o Judiciário para contê-los através do Código Penal e de leis como a da vadiagem.

Já o branqueamento operou por meio de políticas de imigração voltadas exclusivamente para corpos brancos europeus.

O 13 de maio foi fruto de uma conjuntura política e de uma pressão exercida durante séculos pela resistência negra: dos corpos que se lançavam ao mar aos quilombos; dos levantes e fugas constantes aos movimentos de industrialização de países como a Inglaterra, que desejava comercializar suas mercadorias com o Brasil.

Foi a luta de Luiz Gama, Luiza Mahin, Maria Felipa, Rebouças, Malês e tantos outros.

O 13 de maio de Isabel não teve nada de bondade; foi apenas mais um estratagema da branquitude a fim de evitar um motim e preservar a elite e seus bens. São 138 anos de uma abolição inconclusa. Como diz o samba da mangueira: “não veio do céu nem das mãos de Isabel…”.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

terça-feira, 28 de abril de 2026

A Ambev Não Vende Cerveja — Ela Controla o Jogo

A Ambev tem 60% do mercado de cerveja do Brasil.

Não porque a cerveja é melhor, mas porque ela controla 1 milhão de pontos de venda.

Você provavelmente acha que a Ambev vende cerveja... e vende! Mas o negócio real da Ambev não é cerveja, é logística.

O Brasil tem aproximadamente 1,3 milhões de bares, botequins e pontos de venda de bebidas. A Ambev tem relacionamento ativo com 1 milhão deles.

A Heineken, segunda maior, tem acesso direto a somente uma fração disso. Agora pensa no dono do botequim, ele não escolhe cerveja por gosto, ele escolhe pelo crédito.

A Ambev oferece prazo, geladeira, mesas, cadeiras, fachada e promotor que vai até ele toda semana. Ela não vende o produto, ela financia o ponto de venda.

Quando a Ambev coloca uma geladeira no bar, ela não doa, ela empresta, com contrato de exclusividade. A geladeira com logo da Brahma só pode ter produtos Ambev.

Um concorrente que quer entrar precisa comprar o espaço de volta.

Mas espera… Em 2019 a Ambev teve uma sacada que mudou tudo de novo.

Criou o BEES, uma plataforma digital, basicamente um marketplace B2B onde bares e restaurantes compram produtos.

Mais de 1 milhão de pontos de venda comprando pelo app em 2025. O BEES não é só um app de compras, é uma fintech disfarçada. Crédito para bar, seguro, dados de consumo, análise de estoque. Em 2025 o GMV do BEES cresceu 70% em um ano.

Pensa no que isso significa para o investidor. A cerveja tem margem, mas commodity tem limite. O BEES tem margem de plataforma, cada transação que passa pelo App, a Ambev cobra taxa. Cada crédito que oferece, cobra spread. Cada dado que coleta, vale em inteligência de mercado.

Quem construiu isso? A 3G capital, a mesma filosofia que transformou Brahma + Antarctica em Ambev em 1999.

Que fundiu Ambev com Interbrew para criar Inbev em 2004. Que comprou a Anheuser-Busch a Budweiser em 2008 por US$52 bilhões.

A Heineken chegou ao Brasil com capital global, e tem menos de 30% de mercado, produtos se copiam, propaganda se faz.

Logística de 1 milhão de pontos de vendas não se copia!

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Oscar 14

Eu cresci na Itália assistindo ao jogos do Oscar Schmidt, e ele se tornou um ídolo meu. Era um jogador excelente. Conversei com ele em Londres. Tive a chance de falar um pouco com ele. Eu realmente gostava de vê-lo jogar quando eu era criança.
(Kobe Bryant)

Oscar Schmidt, o "Mão Santa", nos deixou aos 68 anos e deixa um legado eterno para o esporte brasileiro.

Nascido em Natal, ele se tornou o maior pontuador da história do basquete mundial: foram quase 50 mil pontos ao longo de 25 temporadas.

Participou de cinco Olimpíadas e ainda ostenta o recorde de maior cestinha da história dos Jogos. No Pan de 1987, liderou o Brasil na histórica vitória sobre os Estados Unidos, na casa deles.

Oscar mostrou ao mundo que o Brasil vai além do futebol. Um ídolo que ensinou gerações a amar o basquete e a acreditar no impossível.

Oscar construiu uma das carreiras mais impressionantes do basquete mundial. Ídolo da seleção brasileira, participou de cinco Olimpíadas e liderou o Brasil na histórica conquista do ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em uma vitória marcante sobre os Estados Unidos.

Ao longo de sua carreira, somou impressionantes 49.973 pontos e também se tornou o maior cestinha da história das Olimpíadas, com 1.093 pontos.

Pela Seleção Brasileira, conquistou o ouro no Pan-Americano de 1987 e foi três vezes campeão sul-americano, em 1977, 1983 e 1985.

Por clubes, construiu uma trajetória igualmente vitoriosa, com três títulos brasileiros, um título sul-americano de clubes campeões, um título mundial, seis conquistas do Campeonato Paulista e dois títulos do Campeonato Carioca.

Mesmo escolhido no draft da NBA, Oscar optou por não jogar na liga americana para seguir defendendo a seleção brasileira, decisão que ajudou a consolidar sua imagem como símbolo do esporte no país. Ao longo da carreira, acumulou recordes, prêmios e entrou para os halls da fama do basquete mundial, incluindo o Basketball Hall of Fame, nos Estados Unidos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


domingo, 12 de abril de 2026

Tristirinhas do Thiago Muniz

1) Que onda é essa de autoafirmação do cantor Latino? Que dancinha tosca e com a harmonização facial idêntico ao Diabo do Auto da Compadecida, fez o próprio Diabo se manifestar. Old School não lhe fez bem, síndrome de Peter Pan.

2) A pessoa com o nome Flávio, divulgado na mídia herdeira brasileira, possui o sobrenome Bolsonaro, portanto ele se chama Flávio Bolsonaro. Só pra que fique bem claro.

3) Ronaldo Caiado é o padre Kelmon do Agropop. Será o bobo da corte fascista entre a democracia versus golpismo.

4) Sionismo prega o Racismo. A imprensa golpista ocidental é servil aos seus patrões, que são judeus; simplesmente é isso.

5) E vagabundo tá lá: “Será que Carlo Ancelotti vai convocar o Neymar? E o Neymar não consegue andar em linha reta…

6) Já que Trump não conseguiu dominar o estreito de Ormuz (Salaam Aleikum!), sugiro a reabertura dos Arquivos Epstein.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A falência do futebol italiano

…Itália campeã mundial de futebol, com todos os méritos, com todas as justiças…
(VANUCCI, Fernando; 2006)

A Itália, tetracampeã do mundo, está fora da Copa do Mundo de novo. Tem uma geração inteira que nunca viu a Itália pisar numa Copa do Mundo.

E foi eliminada para a Bósnia.

E tudo começou bem, a Itália saiu na frente, mas aí veio a expulsão de Bastoni, que deixou a Itália com um jogador a menos.

A Bósnia aproveitou e empatou o jogo. É aquele drama total, sabe quando você olha e está com cara de tragédia? E que tudo vai dar errado?

O jogo foi para os pênaltis, e ali, 4x1, a Itália foi eliminada.

Sério, inacreditável.

Só pra dar um contexto, a Itália participava de todas as Copas do Mundo desde a copa de 62. Foram 60 anos de participação ininterrupta.

Só que em 2018, na Rússia, a Suécia eliminou a Itália na repescagem. Era a primeira ausência em 60 anos. Ali foi um choque.

Depois, em 2022, no Qatar, a Macedônia do Norte fez o inimaginável. Surpreendeu a Itália e a tirou da Copa novamente. E agora, em 2026, a Bósnia fechou o ciclo da tragédia.

Estamos falando de três Copas consecutivas sem a Itália. Uma geração inteira de italianos que cresceu sem ver uma das principais seleções do mundo jogar uma Copa.

Desde 2006, quando a Itália foi campeã pela última vez, parece que tudo desabou. Vinte anos se passaram, vinte anos de declínio no futebol. Essa camisa azul, que já fez duas finais de Copa do Mundo contra o Brasil, fez um planeta inteiro tremer, hoje pesa toneladas.

A Camisa que conquistou quatro títulos mundiais, gente; 34, 38, 82 e 2006. Agora carrega o peso de mais uma eliminação. 

E aí eu vou fazer a pergunta pra você: Camisa pesa para se classificar em Copa do Mundo? Para mim pode pesar mas depende do contexto da situação; no caso da Itália pesa demais mas no sentido do tabu que carrega em não disputar a Copa do Mundo; não só a camisa pesa mas também todo o psicológico em cima dos jogadores.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 30 de março de 2026

Neymar no divã

Dai a César o que é de César…
(CRISTO, Jesus)

Como já disse anteriormente, o Neymar é o maior talento do futebol brasileiro dos últimos 20 anos e também o maior desperdício.

Neymar talvez esteja vendo pela primeira vez em sua carreira de jogador de futebol que a vida não é um mar de flores. É um dos jogadores mais bem remunerados do mundo, possui patrimônio para seus filhos e netos, possui uma tropa de bajuladores para inflar o seu ego, influenciadores digitais e jornalistas para fazer o seu lobby em alta; mas mesmo assim não brilha aos olhos do atual técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti

Ancelotti por sinal deu mostras de uma tentativa de aproximação com Neymar, para vê-lo de perto; e não digo só dentro de campo na qual o Santos tinha se manifestado que ele não jogaria. Mas o Ancelotti testou o comportamento de Neymar ao ter ido a longíqua cidade de Mirassol, queria ver se Neymar estaria no estádio vendo e torcendo pelos seus companheiros e pelo clube na qual joga. Qualquer atleta mediano interessado em disputar a Copa do Mundo estaria no estádio com sangue nos olhos assistindo ao lado do técnico da seleção brasileira. Mesmo que não tivesse condições físicas, Neymar mostraria empatia com o seu clube e com Ancelotti

Ancelotti não puxa o saco de Neymar como foi os seus antecessores. Desde que assumiu a seleção ele vem dando recado em todas as suas convocações de que precisa estar 100% fisicamente. O Neymar precisa desse choque de realidade, talvez seja tarde demais na carreira mas que seja para a sua vida pela frente.

TEXTO DE :
Thiago Muniz

quarta-feira, 25 de março de 2026

Tristirinhas do Thiago Muniz

1) Trump e Netanyahu acharam que ganhariam fácil a guerra contra o Irã, ainda mais tendo tomado o petróleo venezuelano de assalto. Só que calcularam errado demais, o Irã já estava se preparando para esse embate desde que o Trump participava das orgias da ilha do Epstein. E agora está em posição de desvantagem já que não possui o controle do Estreito de Ormuz.

2) Que canalhice da Globonews. Fazer um Powerpoint Lavajatista do caso banco Master aos mesmos moldes de Deltan Dallagnol, tendo a audácia de colocar o Lula envolvido. Globo, Folha e Estadão abraçados na cova da extrema direita Faria Lima Agropop escravista.

3) Neymar 2026 e Romário 2002: são situações parecidas com contextos completamente diferentes. O Romário tecnicamente estava no fino da bola fazendo muitos gols, tinha capacidade para contribuir em campo mesmo aos 36 anos mas o que impactou para a sua não convocação foi o fator extracampo, principalmente com o Felipão, fora que ele tomou uma pernada do presidente da CBF na época, Ricardo Teixeira. O Neymar não está conseguindo entregar a parte física e muito menos a parte técnica, nunca foi convocado pelo atual técnico Carlo Ancelotti, e ao que parece ambos não possuem um relacionamento fora de campo, e a última janela de amistosos antes da convocação final não esteve entre os relacionados, acho que é o fim do Neymar na seleção brasileira.

4) E vagabundo tá lá: será que o Carlo Ancelotti vai convocar o Neymar? E o Neymar não consegue andar em linha reta. E o Neymar caminha que nem o “Tô doido!” do Zorra Total.

5) Os três primeiros jogos do Brasil na Copa de 2026: Holanda de 74, Real Madrid no Santiago Bernabeu e Fundo de Quintal com Arlindo Cruz e Sombrinha.

6) Banco Master: o banco do CENTRÃO e da EXTREMA DIREITA.

domingo, 22 de março de 2026

A F1 como produto oculto da Rede Globo

Imagina só, você ter o melhor produto do mundo e decidir escondê-lo do público.

É exatamente isso que a Globo está fazendo com a Fórmula 1.

Depois de alguns anos vendo a Band tratar a Fórmula 1 com o carinho de uma avó que faz aquele bolo de cenoura quentinho pra você, a Globo decidiu andar para o futuro com métodos do passado.

O plano seria brilhante se nós estivéssemos em 1994, e esconder a maioria das corridas atrás de um pedágio chamado Sport TV ou Globoplay.

É uma estratégia de sequestro da sua atenção. Eles pegam algo que a Band democratizou e escondem atrás de um cofre.

Enquanto a Band estava entregando horas e horas de transmissão com treino, com pódio e com pós-corrida, a Globo está esperando que você pague um resgate com parcelas mensais.

Enquanto isso, em algum lugar do YouTube, o pessoal da Cazé TV e da Live Mode deve estar assistindo isso no sofá, tomando um vinho bem tranquilo.

E o motivo você já sabe. Eles já provaram que a moeda da década não é assinatura forçada, mas é um engajamento massivo numa construção de comunidade.

E um modelo aberto e digital cria comunidades fortes, enquanto o modelo da Globo está criando ressentimento.

E ao ignorar o legado da Band e a revolução de acessibilidade da Cazé TV, a Globo parece que está cometendo um erro clássico de posicionamento.

Eles estão tentando resgatar um modelo de assinatura na televisão que está respirando por aparelhos, sacrificando a todo custo a conversa digital que torna marcas relevantes hoje. Porque se ninguém está vendo, não vai rolar conversa. E se ninguém conversa e comenta, os patrocinadores estão pagando apenas pra aparecer numa sala vazia com o ar-condicionado gelado.

E isso nos traz uma lição absurda sobre estratégia de canal.

O empresário precisa entender que ele precisa fluir pra onde a audiência dele já está, e não tentar obrigar a audiência a escalar um muro pra encontrá-lo. E quando você cria fricção e atrito no consumo, você abre brecha.

E no mercado, a brecha é a oportunidade pro próximo inovador que não tem medo de ser grátis pra parecer gigante.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

domingo, 8 de março de 2026

Até quando será normalizado o Feminicídio?

Ó abelha rainha
Faz de mim um instrumento
De teu prazer, sim, e de tua glória…
(Caetano Veloso / Wally Salomão)

Até quando continuaremos a normalizar o feminicídio?

Em pleno século XXI, a cada 6 minutos se mata uma mulher no Brasil.

É isso mesmo! A cada 6 minutos uma mulher morre.

Ela não é agredida ou “somente” assediada, o que já seria uma catástrofe, a cada 6 minutos 1 mulher morre, a cada hora são 10 mulheres, por dia são 240 mulheres.

O feminicídio no Brasil se tornou um genocídio, uma epidemia social. O Brasil não trata as mulheres como cidadãs, as torna como alvo.

E com o advento das redes sociais, deu-se voz a abjetos que bradam pela humilhação pública e vassalo eterno das mulheres; os chamados Red-Pills, fascistas cidadãos de bem e moralizadores hipócritas. Esses seres sim merecem ser aniquilados do mapa social, não quiseram evoluir como pessoas e incentivam com palavras bonitas e alguns usando até a fé para justificar o ódio às mulheres.

Desde que o mundo é mundo as mulheres são peça fundamental para o crescimento da humanidade.

Personagens como Dandara dos Palmares, Maria Quitéria, Tereza de Benguela, Maria Felipe, Nísia Floresta, Bertha Lutz, Princesa Isabel, Chiquinha Gonzaga, Cora Coralina, Cecília Meirelles, Tarsila do Amaral, Nise da Silveira, Carolina Maria de Jesus, Dona Ivone Lara, Enedina Alves Marques, Maria da Penha, Irmã Dulce, Bendita da Silva, Zilda Arns entre tantas outras destacam-se pela coragem, pioneirismo e impacto social.

Não devemos subestimar a força das mulheres. NÃO É NÃO! Mais amor e empatia com elas. 

TEXTO DE:
Thiago Muniz


quarta-feira, 4 de março de 2026

O Blefe Estadunidense

Os EUA blefou ao apostar na morte do líder supremo do Irã e achavam que ia ficar por isso mesmo, só que não.

Essa guerra não é do interesse dos Estados Unidos. O Trump mesmo foi avisado pelos militares de que essa era uma guerra que não tinha um sucesso garantido e que seria uma má ideia, basicamente, entrar nessa aventura. Para os Estados Unidos, essa é uma guerra de escolha.

O Irã respondeu muito mais do que eles imaginaram e simplesmente deu um xeque estratégico de âmbito global.

Enquanto que para o Irã, certamente, ela é uma guerra de sobrevivência, ela foi imposta a eles, ela é uma guerra necessária nesse sentido.

Israel vive essa guerra como uma guerra de interesse vital. Israel percebe no Irã a grande ameaça à sua hegemonia na região, à sua própria sobrevida.

As operações militares israelenses-estadunidenses contra o Irã foram conduzidas fora do direito internacional, o que não é certo.

Dito isso, a História nunca chora pelos executores. Como é que os israelenses conseguem sempre fazer com que os americanos embarquem nas suas aventuras é um mistério, porque, em parte, pode ser quase suicida em termos de carreira do Trump.

Para colocar o escândalo Epstein para debaixo do tapete, Trump decidiu bombardear Teerã e matar Khemenei com o argumento de levar liberdade ao povo iraniano. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se autoproclamam defensores da “democracia” e da “liberdade”. Mas a história escrita em bombas, corpos e ruínas conta outra versão.

Tudo em nome da “segurança”, do “combate ao terrorismo” ou da “proteção de interesses estratégicos”. De forma geral, os países bombardeados ou invadidos pelos Estados Unidos não ficaram mais estáveis, mais democráticos ou mais seguros.

O padrão que se repete no pós-ataque é outro — marcado por caos social, crise econômica, violência prolongada e dependência externa.

A guerra virou política externa. A destruição, um método. O lucro da indústria bélica, uma prioridade.

Enquanto isso, civis pagam o preço mais alto: crianças, mulheres, povos inteiros reduzidos a estatísticas convenientes. Não é sobre liberdade. Nunca foi.

É sobre poder, controle geopolítico e dominação econômica. E enquanto algumas vidas forem consideradas descartáveis, a paz seguirá sendo apenas um slogan vazio.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


terça-feira, 3 de março de 2026

Por que Trump atacou o Irã, e por que agora?

A decisão não foi exatamente inesperada.

Nas semanas ao longo dos últimos dias, foi alertado que esse cenário era bastante provável, mas ainda assim levanta questionamentos sobre o momento escolhido, já que não havia um ataque iraniano iminente.

Pelo contrário, avaliações recentes da inteligência americana indicavam que o país estava militarmente enfraquecido após os bombardeios americanos em 2025, que danificaram as instalações iranianas.

Ainda assim, Trump lançou uma ofensiva ampla ao lado de Israel, conclamando os iranianos a derrubarem o regime.

Diferentemente de ataques pontuais no passado, desta vez trata-se de uma campanha aberta com risco real de escalada.

O próprio Trump admitiu que pode haver baixas americanas, linguagem típica de guerra declarada, mas sem autorização formal do Congresso.

A comparação com a invasão do Iraque em 2003 é inevitável.

Trata-se do que chamamos em inglês de “War of Choice”, uma guerra escolhida, não de autodefesa.

Em 2003, Washington pelo menos tentou obter em vão respaldo do Conselho de Segurança da ONU, algo que não fez agora.

Trata-se, portanto, de mais uma clara violação da soberania de um outro país e do direito nacional.

Um argumento central de Washington gira em torno da ameaça nuclear. No entanto, não há evidências de que o Irã tenha retomado o programa ativo de armas atômicas.

Autoridades americanas chegaram a dizer (1:39) que Teerã não está enriquecendo urânio neste momento. Outras justificativas evocadas pela Casa Branca incluem a repressão brutal a protestos internos no Irã, que deixou milhares de mortos, o apoio iraniano a milícias na região e décadas de confrontos indiretos com os Estados Unidos, da crise dos reféns de 1979 a ataques contra forças americanas no Oriente Médio.

Mas, no fundo, Trump parece apostar que um regime enfraquecido pode ruir sob ataque dos Estados Unidos e revolta interna.

Mas derrubar um governo de 90 milhões de pessoas apenas com poder aéreo é um risco enorme e a história mostra que guerras escolhidas raramente seguem o roteiro planejado.

Por fim, vale destacar que o Irã possui grandes reservas de petróleo. Dos cinco países com as maiores reservas comprovadas de petróleo, Venezuela, Arábia Saudita, Irã, Canadá e Iraque.

Arábia Saudita é o único país que os Estados Unidos não invadiram, bombardearam ou ameaçaram anexar ao longo das últimas décadas.

TEXTO DE:
Thiago Muniz




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Família Opressora Brasileira

Uma pessoa que se auto declara conservadora é nada mais nada menos que conservar a sua hipocrisia e sua ignorância com a realidade dos fatos.

Vejamos pessoas fanáticas pela extrema direita comemorando o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói por terem abordado o enredo sobre Luiz Inácio Lula da Silva.

Meus queridos, um detalhe: por questão histórica toda escola que sobe da série Ouro é praticamente fadada ao rebaixamento no ano seguinte; a caneta dos jurados é mais pesada, o sarrafo é mais alto na hora de dar as notas.

E a Niterói sabe disso; então resolveram abordar um enredo que eles sabiam que geraria burburinho. Lula gera desconforto aos candidatos a opressores, aos postulantes a raivosos. E deu um All-in perfeito.

A extrema direita por si só não tem apreço à cultura, as artes e a educação. Comemorar a desgraça alheia é a rotina perfeita de uma corja que não sensibiliza pela humanidade. Uma corja que bota a culpa na mãe pelo assassinato de seus filhos pelo pai deles. Uma corja que passa pano para pedófilos e lacradores da fé. Uma corja que protege assassinos de um pobre cachorro. 

Portanto, quando vemos um enredo como Ciça ganhar o Carnaval, vemos a vitória de toda uma engrenagem por trás do universo do samba. É uma vitória de todas as escolas de samba, um tapa na cara do desgosto e do recalque.

Eu sugiro a todos os admiradores da extrema direita a se mudarem para o estado de Santa Catarina; a capital do nazifascismo, o pilar do ódio e da ignorância. E enfiem o dedo no cool e rasguem até necrosar.

TEXTO DE:
Thiago Muniz