sexta-feira, 1 de maio de 2026

Ana Paula Renaut, do Brasil

Uma mulher de mais de 40, lida pela parcela conservadora e machista deste país como “difícil” e frequentemente “louca”, está sendo ovacionada por um país inteiro: se isso não te interessa só porque aconteceu em um reality show numa TV aberta, acho que não vivemos no mesmo mundo, porque cultura de massas também é cultura, e dizer o contrário é, sim, elitismo intelectual.

Se não bastasse, essa mulher entrou por causa de um vídeo peitando Nikolas Ferreira em um avião: “Estamos falando do seu decoro parlamentar. Quando você vai parar de cometer crimes no Plenário?”, disse Ana Paula Renaut, em vídeo que viralizou.

Sim, ela é uma veterana do BBB, mas só voltou para o jogo 10 anos depois — pra buscar o que era seu — porque se destacou como apoiadora da esquerda progressista, não só no discurso e em vídeo nas redes sociais, mas na prática: nunca deixou de ajudar projetos e causas progressistas e feministas, inclusive se engajando especificamente contra a transfobia.

Durante o programa, criticou machismo e escala 6×1, defendeu feminismo e taxação das grandes fortunas e desceu o pau na direita conservadora, criticando diretamente, inclusive, pautas “espinhosas”, como ela diria, como fundamentalismo religioso.

Percebam: não é só uma mulher esquerdista ganhando um reality show. São posicionamentos esquerdistas sendo aceitos – e ovacionados – no discurso oficial, na TV aberta, diante do país inteiro, e é claro que isso influencia no jogo político no Brasil.

Não à toa, deixou os bolsonaristas e conservadores em geral embasbacados: uma mulher, que nem mesmo é jovem, uma “louca” ganhando atenção, confetes e 5,7 milhões de reais em um reality? Uma morte horrível pra cada um deles.

A vitória de Ana Paula Renaut é política não só porque ela é uma progressista engajada e aliada da esquerda, mas porque é uma mulher — mais velha, lida como “aquela que ficou pra titia”, “intensa demais”, “maluca” — rótulos que tantas de nós já recebemos.

É essa mulher — que é gigante — que está sendo celebrada por um país inteiro.

TEXTO DE:
@nathaleemacedo
para @dcm_on_line 

PL da absolvição criminosa

Sempre me orgulhei de não ter bandido de estimação. Continuo defendendo a aplicação da justa Justiça, sem privilégios, sem exceções, sem conveniências - doa a quem doer.

O PL da dosimetria, vetado pelo presidente da República, não passa de um cavalo de Tróia.

Uma vez aprovado, ele revela e espalha todo malefício que carrega dentro de si.

Se o veto for derrubado, o Código Penal será modificado para atenuar as penas para os criminosos do 8 de Janeiro, que tentaram dar um golpe na nossa democracia.

Mas, os beneficiários não serão apenas eles. A nova lei vai favorecer outros criminosos de alta periculosidade como homicidas e estupradores, que terão, também, suas penas diminuídas.

O PL da dosimetria é a prova cabal de que a extrema direita não está preocupada em punir o crime, como sempre vociferou.

Para essa gente, a Justiça boa é a justiça seletiva: que protege os amigos e pune os adversários.

A Justiça ideal da extrema direita é aquela  que, em vez de uma balança equilibrada, tem, nas mãos, um mesmo peso para duas medidas diferentes:

Uma medida de justiça que protege seus bandidos de estimação, e outra medida  - dura, cruel e desumana para quem não reza a cartilha desse grupo.

Os mesmos personagens odiosos adeptos do lema “bandido bom é bandido morto”, quem diria, se mobilizam para garantir a impunidade de seus bandidos pessoais.

Um peso, duas medidas e duas caras!

Eu, que nunca tive bandido de estimação, só espero que o bom senso prevaleça no Parlamento, e se não for possível, que ainda possamos apelar ao próprio judiciário.

TEXTO DE:
Raquel Sheherazade