![]() |
| (por Antonio Gonzalez) |
Em tempos de Semana Santa e, principalmente, de saúde que merece cuidados intensos, vejo-me estritamente em contrição, à espera de uma reconciliação interna através das rupturas que me exijo.
Minha fortaleza emocional encara tempos sombrios, quiçá derradeiros, os meus, sem temor com relação à decisões e falas.
Luiz Carlos Sá (da dupla Sá & Guarabyra), imortalizado, também, na voz de Milton Nascimento, ao escrever a letra de "Caçador de Mim", sugere uma mistura de força e vulnerabilidade, indicando que enfrentar os próprios medos e contradições exige coragem e ressalta a inquietação do personagem, que se afasta do lugar de origem e atravessa a "mata escura", na dualidade da natureza humana, como nos versos “doce ou atroz, manso ou feroz”, mostrando que aceitar todas as emoções e experiências é parte fundamental do processo de autodescoberta.
Com relação a esse processo de interiorização, penso que tem que ser constante e renovada. A pessoa que um dia fui (não abrindo mãos dos princípios de um Pai e de uma Mãe que nunca me abandonaram) difere de que hoje sou e será diferente no mês que vem; a maturidade não pode ser limitada ao que você viveu ou vive.
Nesse caminhar que chamo de vida, percebo que o viver apresenta motivos suficientes para expulsar peças do teu tabuleiro de xadrez, que em certo momento se apresentavam como duradouras; em realidade, nas tuas costas, como titereiros manipulavam ocasiões do jogo.
Até que com o passar do tempo escolhi deixar de ser o trampolim, o degrau perfeito para ilustres "QUEM?", que no frigir dos ovos, somente apresentam falta de conteúdo e de estofo. Você só serve enquanto podem, de certa forma, se aproveitar para sair na mesma foto.
E nessa caminhada no redesenhar a idiossincrasia escolho a silenciosa solitude. Nas montanhas do Vale do Paraíba descubro a beleza da distância sonora do aparelho celular.
Nada definitivo, apenas explícito. Ao mesmo tempo da semeadura, vem a convicção da colheita. No aconchego das palavras de Nando Reis em "O Segundo Sol" encontro o transe da meditação que me acalma:
"Não digo que não me surpreendi, antes que eu visse, você disse e eu não pude acreditar. Mas você pode ter certeza, de que o seu telefone irá tocar, em sua nova casa que abriga agora a trilha, incluída nessa minha conversão."
Começo a rir, do nada, com total falta de respeito à Sexta-feira Santa, eis que surge um perfil fake numa rede social, me atacando.
Grátis. São dois bobos os responsáveis. É claro que na vida a gente erra, principalmente quando faz certo tipo de escolhas. Sim, errei. Gente errada eu extirpo, que nem carnegão de furúnculo.
Ninguém pode me acusar de misógino, nem de ter que comparecer em delegacia por suspeita de bater em mulher. Nem de chamar alguém de macaco. Tampouco de mandar um suposto policial dar um susto em alguém nas Paineiras. Nem estive próximo a fazer negócio com transgressor da lei, muito menos tem foto minha ao lado de miliciano.
Uma vez, em pleno cemitério do Caju (ano 2000) no enterro da mãe do falecido Carlos Henrique Corrêa, numa rodinha de conselheiros do clube, o Subsuperintendente, o ex-major da PM, Montanaro, quando perguntado sobre o que ele achava da morte - com “N” atos de chumbo trocado - prontamente respondeu:
"Se eu morrer hoje, amanhã faz um dia!"
Naquele momento a mudez total reinou. Nunca esqueci aquelas palavras. Secas. Duras. Reais.
Meu momento é de espera. É óbvio que luto por e para viver. Mas se tiver que voar na direção do desconhecido, irei sabedor que existi o que quis viver, em todas as faces.
Marighella disse: "Vivo tão depressa, que não tive tempo de ter medo". Isso me define, levo tatuado.
Nessa guerra que se colocou na minha frente, eu vou estar na linha de frente.
O final, neste sábado de Aleluia era, em seu início, para ser doce, de esperança.
Só que "doce ou atroz, manso ou feroz" os meus tempos eu decido como "caçador de mim". Curto e grosso.
TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

Nenhum comentário:
Postar um comentário