Eu havia acabado de me mudar para a Espanha, naquele início de 1988. Estava às margens do rio Minho, do outro lado, talvez uns 30 metros de distância, Portugal.
Chovia horrores, meu primeiro inverno, a pele congelada pela capa vazada no ritmo forte da água que caia...
Do nada surgiram essas palavras:
"Vida no norte é dança da morte, é vida sem sorte, no sabor de corte.
E a ferida não cicatriza. Já não tem cura, nem atura o norte da vida...
Nas fronteiras da terra, os trilhos da morte, passam por perto, esse rumo incerto de viver sem viver.
Sem gosto da sorte, amigos não ter. E a distância aprofunda a paixão que inunda, esse grito contido, me mantém de pé.
Amo você, estrela da noite, mensageira brilhante; meu último adeus será Parati.
A solidão é meu reino, a prostituta rainha, seus cabelos largos... tão bela era França, mas o Império caiu...
Abaixo as guerras, peço paz pras terras, tudo é sempre possível... mas o trem vai partir...
O absoluto é monstro se não te parece... pra Roma eu vou...
O trem já partiu!"
Trinta e oito anos depois a estação continua lá... já os trilhos, definitivos, caminham noutra direção. Quem sabe, Parati.
TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

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