Algo é profundamente perturbador (e, convenhamos, revelador), quando uma empresa de comunicação decide transformar o seu ativo mais valioso, a credibilidade, em moeda descartável de conveniência editorial.
Foi o que se viu no episódio envolvendo Andreia Sadi, na GloboNews.
A jornalista, reconhecida por sua apuração sólida e trânsito em fontes relevantes de Brasília, foi levada ao constrangimento público de pedir desculpas no ar pela exibição de um material (um powerpoint), cuja veracidade passou a ser questionada (porque era uma mentira descarada).
E aqui mora o ponto central: não se trata apenas de um erro. O jornalismo erra, e deve corrigir. Isso é da natureza do ofício. O problema é outro. O problema é quando o erro parece ter CPF institucional, mas o pedido de desculpas ganha rosto individual.
Transforma-se a jornalista em para-raios de uma decisão que, tudo indica, não foi solitária.
Se ocorreu falha na checagem (e isso foi proposital), ela não pode ser tratada como se tivesse brotado espontaneamente na tela de Andreia Sadi. Um powerpoint não entra no ar por geração espontânea. Há editores, produtores, critérios... ou ao menos deveria haver.
Quando o conteúdo envolve figuras como Luiz Inácio Lula da Silva, simplesmente o presidente da República, e supostas relações políticas sensíveis, o dever de cautela deveria ser redobrado, não flexibilizado. E, se o material era falho ou impreciso, a responsabilidade é estrutural, não individual.
Mas o que fez a emissora? Optou pelo ritual clássico: expõe-se o rosto, preserva-se a engrenagem.
É um expediente antigo. O erro sobe ao palco com nome e sobrenome; a decisão editorial permanece nos bastidores, imune, silenciosa, quase etérea. Como se fosse possível dissociar o produto final do processo que o gerou.
Mais grave ainda é o efeito colateral disso tudo: a corrosão da confiança. Não apenas na jornalista, que injustamente se vê colocada em xeque, mas no próprio veículo. Porque, ao agir assim, a mensagem implícita é cristalina: quando a coisa aperta, a casa protege a estrutura — não quem assina.
E aí entra uma ironia incômoda: ao tentar conter um dano, amplia-se outro. Ao exigir um pedido de desculpas isolado, a GloboNews não necessariamente protegeu sua credibilidade — pode ter feito justamente o contrário. Afinal, quem assiste percebe. Sempre percebe.
Mas uma certeza é evidente, Andreia Sadi, não é digna de confiança. Ela mesma se sujeitou a isso.
No fim, fica a pergunta que realmente importa, e que não foi respondida no ar: quem decidiu que aquele conteúdo era confiável o suficiente para ser exibido?
Enquanto essa resposta não vier com a mesma transparência que se cobrou da jornalista, qualquer pedido de desculpas soará incompleto.
E, no jornalismo, meia verdade — ou meia responsabilidade — costuma ser apenas outra forma de erro.
Meu recado final para a GloboNews e para a Andreia Sadi, só pode ser um:
vão se lascar, seus mentirosos.

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