William Shakespeare, descrevia a vida como um palco passageiro. Atribuem a ele a frase "A vida não é eterna e tudo tem um prazo".
Sou daqueles que pensa que tudo se resume a um piscar de olhos, tipo um vaga-lume até o instante da derradeira luz. O medo, sempre presente, por vezes onipotente, prefiro que não faça parte da conjugação.
Para nada melancólico, nem nostálgico, mas assumo ser refém de momentos eternizados pela LOUCA VIDA LOUCA, divididos entre a política estudantil, a Teologia da Libertação, a não separação dos meus pais, o Fluminense, o Sindicato dos Bancários, o Chile Libre, o jornal Barricada, o Diretas Já, a Força Flu. Tudo isso regado à noites sem fim de rock and roll no Circo Voador.
Daqui a pouco, um procedimento médico que, consigo, trará a binariedade das respostas - o sim ou o não de uma suposta gravidade de como seguir em frente - de certo modo, me aflige na sensação de não ter mais a propriedade do meu futuro.
Em 1991, na noite do dia que cumpri 30 anos, estava em Madrid. Na varanda do apartamento, então ao lado da minha primeira esposa, Beatriz, disse: "Obrigado Senhor por ter chegado vivo aos 30; o que pintar daqui para a frente será gorjeta de Deus".
Generoso esse Deus que me presenteou com mais 34 primaveras. Apesar de que não precisei morrer para me separar. A tal jura do amor eterno é linda até que deixa de ser.
Na mesma cidade da “vila do urso e do madronheiro", dois anos depois escrevi:
"Já não somos donos de nossas vidas...
Já não choramos com alegrias...
A revolta o tempo secou...
O eu guerrilheiro em silêncio se foi...
Sem solução a minha razão...
Perdidas vidas, desiludidas...
Pro meio do mundo falta um segundo...
Meu tempo deserto de solidão...
Nessa Espanha, as rosas de maio já não tem cor e não existe muro que não possa cair..."
Mais de doze mil dias depois continuo derrubando meus muros, entretanto a luta por juntar e dar formato às pétalas secas, parece ter sido em vão.
Apostar pode ser problemático, quando descobrimos que os mesmos dados com seus lados de sempre estão adulterados.
Mas prefiro cravar na aposta, de outra espórtula da mesma força.
A enfermeira acaba de me chamar. Chegou a hora. Na segunda que vem, tem feedback da ciência.
Valeu!
TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

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