quarta-feira, 26 de novembro de 2025

A saúde entre a cruz e a espada

por Antonio Gonzalez
Na reta final, esse 2025 tem sido um campo de provas – físico, emocional e social.

Falo em primeira pessoa porque a vida, vez ou outra, cobra seu preço sem pedir licença. Janeiro me recebeu com um princípio de pneumonia. Entre o final de maio e o início de julho, perdi 12,9 quilos. Uma infecção urinária violenta, acompanhada de Covid, deixou meu corpo parecido com um cadáver ambulante – e minha cabeça, exausta de lutar.

Quando enfim a cirurgia de próstata foi aprovada, os exames pré-operatórios me deram uma sentença: a diabetes, fora de controle, impediria a mesa cirúrgica. A cicatrização seria um convite ao caos. De agosto para cá, essa mesma diabetes ganhou apetite tecnológico, exigindo insulinas de ponta para manter o mínimo de ordem no organismo.

Enquanto isso, a vida não poupou os meus. O Aieta e minha irmã travaram batalhas duras com suas tireoides – e vieram as cirurgias. 

Meu irmão Paulo Andel enfrenta um momento gravíssimo, desses que tiram o sono dos amigos mais fortes. 

Da Espanha, chegam notícias duras sobre minha sobrinha Alba Maria, que talvez precise colocar uma placa metálica na coluna cervical.

Puta que pariu!

Cada dia uma cruz, cada noite uma espada. O emocional grita por um sopro de paz.

E tudo isso acontece num Brasil que parece brincar com o próprio futuro. A política expõe o país dividido entre os interesses das classes dominantes – aquelas que acreditam que a vida é um vale-tudo onde vale tudo – e aqueles que ainda defendem um senso democrático de pertencimento, de evolução coletiva, de responsabilidade com o outro.

A violência cresce como mato em terreno abandonado. Mas não se combate desigualdade, crime e abandono apenas encarcerando a base da pirâmide. Cadeia não pode ser destino exclusivo dos soldadinhos de comando. É preciso mirar o topo: quem financia, quem importa drogas e armas, quem lucra com o caos e, muitas vezes, se abriga sob mandatos políticos bem vestidos.

E isso nos traz ao Fluminense, onde a política interna também revela suas próprias sombras. A eleição se aproxima e minha leitura é direta: Ademar Arraes não representa a linha ideológica de Júlio Bueno – linha que ele próprio jamais apoiou. Montou uma chapa que, em caso de vitória, implodirá em vinte pedaços no dia seguinte. Só não vê quem desconhece o tabuleiro e o artesanato político de Jackson Vasconcelos.

Cazuza cantou em “Boas Novas” que viu a cara da morte – e ela estava viva. Eu também vi. E digo: que se foda a morte. Estou vivo. E oro diariamente para que o Paulo Andel também a mande se foder, com a mesma força.

O número da chapa de Ademar é 30.

Trinta foram as moedas que Judas recebeu para trair Jesus Cristo.

O fake LOUCO DA CABEÇA personifica essa candidatura. A ira que ele plantou denuncia sua verdadeira natureza. E, como o Iscariotes, caminhará a passos largos em direção à própria forca, empurrado pelo ódio que cultiva.

Já houve quem acreditasse, no Fluminense, que bastava trocar Gil Carneiro de Mendonça por Álvaro Barcellos. Erro histórico. Não se constrói futuro trocando apenas nomes, nem reduzindo o clube a ressentimento, truculência e mediocridade.

O Fluminense não pode ser pensado entre a cruz e a espada. Nunca. Se algo está errado, grite. Denuncie. Participe. Apresente propostas reais. Mas vote com inteligência, com responsabilidade histórica e com espírito coletivo.

Porque, no fim das contas, isso também é saúde. Saúde institucional, emocional, social – e de um clube que pertence a todos nós.


TEXTO DE:

Antonio Gonzalez

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