No final de agosto passado a minha diabetes resolveu brincar de trem fantasma: um susto em cada curva, sobe e desce com ligação direta de picos extremos de mais de 400 de glicose. Sim, ao delirar vi a cara da morte que continua esperando-me em alguma esquina no circo dos horrores onde me aguarda a mulher barbuda. Enquanto surfo nesse devaneio procuro refúgio na boa música (aquela que traz consigo poesia).
Quem faz a minha cabeça é uma famosa banda espanhola de rock, “Fito & Fitipaldis”, que foi fundada em 1997 por Adolfo "Fito" Cabrales, um magistral guitarrista, dono de uma caneta afiada, tipo navalha na carne, de personalidade urbana, com própria e autêntica identidade.
"Me quedaré en el aire para no pisar la mierda"
(Entre dos mares)
Equivoca-se todo aquele que pensar que o título desse texto é uma ode ao Fluminense. Não é essa a minha proposta.
Na verdade, a maturidade que meus tombos desenharam, torna a minha conclusão definitiva: parte da sociedade apodrece; dela quero distância. Já não me assusto com nada, da mesma forma que tenho nojo do que vejo e, principalmente, no afastamento de princípios de certo tipo de pessoas que um dia coabitaram o mesmo espaço que frequentei. Minha ética não tem QR CODE de preço, nem data de validade.
O mundo capota em alta velocidade afastando-se dos novos horizontes na direção da perpetuação de velhos horrores, que assassinaram à centenas de milhões de pessoas ao longo da história. Entre pneus e negacionistas, algum banqueiro bilionário alimenta o seu gado de turno. Se Pedro que negou a Jesus três vezes foi citado nos quatro evangelhos canônicos do Novo Testamento, imagina quantos capítulos da Bíblia seriam necessários para quem fez pelo menos 43 declarações enganosas, em 2026, ao longo de um período de sete meses?
Quando Trump (USA), Maduro (Venezuela), Abascal (Espanha), Putin (Rússia), Netanyahu (Israel), Mohammad bin Salman (Arábia Saudita), Museveni (Uganda), Bukele (El Salvador), Ortega (Nicarágua), Kim Jong-un (Coreia do Norte) - entre outros ditadores - transformam-se em referência para parte da população mundial, afirmo que essa gente continua vivendo no mundo medieval, dividido por castas, senhores feudais e vassalos. Alguns se regozijam como ainda estivessem nos lupanares dos tempos do Império Romano e em suas sociedades escravocratas.
No instante em que alguém faz a opção de caminhar ao lado dessa gente perversa, tornando-se tão escrota como a que tem como referência, aceita o uniforme do “Quem se mistura com porcos, farelo come”. Isso eu não negocio.
“Si le duelen los recuerdos, se los cura con ginebra. Él quiere enterrar el tiempo, dentro de un reloj de arena”
(Como pollo sin cabeza)
No mundo normal, onde cada qual cuida do seu cada qual - nesse território onde habito, não existe espaço para fascistas, milicianos, racistas, homofóbicos, xenófobos, nazistas, bandidos. Muito menos para quem chuta a cabeça de imagem de santa. Nem para esse pastoreio e judiciário que de dia se vestem de família e pela noite frequentam a boate MADAME SATÃ, entre jatos de esperma e supositórios do cintaralho de alguma agenciadora.
Chegou a hora de escolher, sem histeria. Em frente e sem medo.
“Muy pocas personas, demasiada gente. Diferente sangre de una misma herida”
(Corazón oxidado)
Sim. Vários sangramentos para uma mesma ferida (podre, de odor putrefato, de tecido necrótico e infecção bacteriana grave) que tem nome próprio: O VERME “flávio bolsonaro”.
EU VOTO LULA 13! PELO BRASIL E POR NOSSA SENHORA APARECIDA! SOU CATÓLICO E AFILHADO DO SEU ZÉ PILINTRA!
TEXTO DE:
Antonio Gonzalez
