quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Banco Master e o Teateo da Mídia Lavajatista

Não sei se vocês estão perdidos, mas é preciso lembrar que o escândalo do Banco Master diz respeito a bilhões de reais de dinheiro público alocados em operações financeiras temerárias, envolvendo bancos públicos, fundos de aposentadoria e governos estaduais. Isso é o essencial.

Todo o resto é distração. E distração, aqui, é estratégia preferencial das forças antidemocráticas. 

O caso é especialmente grave por envolver governadores e lideranças políticas ligadas ao bozismo institucional - entre eles, os governadores do Rio de Janeiro e de Brasília - que autorizaram investimentos massivos em títulos de alto risco, comprometendo recursos que pertencem à população - a nós, à você.

Quando o castelo começou a ruir, tentou-se socializar o prejuízo: determinado senador bolsonarista quase conseguiu emplacar a ampliação do Fundo Garantidor de Crédito para cobrir rombos privados com dinheiro coletivo. Foi quase.

Mas o debate público foi rapidamente deslocado. E muitos embarcaram na onda…

De repente, o “escândalo” deixou de ser o uso criminoso do Estado pelos bozistas e passou a ser um suposto contrato de advocacia envolvendo a esposa de um ministro do STF - aquele que foi relator do processo que condenou, justamente, o chefe da organização criminosa.

Um contrato discutível? Sim, é possível. Eticamente questionável? Pode ser. Ilegal? Até agora, não.

E, sobretudo, irrelevante diante da dimensão do dano financeiro em curso.

Essa inversão não é inocente. O escândalo, hoje, é uma arma política que as forças antidemocráticas manejam com destreza ao menos desde o lavajatismo. E o fato de o lavajatismo ter saído quase ileso dos crimes que cometeu cobra seu preço na sua repetição sempre que a situação dos canalhas de sempre aperta.

A distração na forma de escândalo de estilo lavajatista, plantada pela grande mídia, funciona como instrumento de ocultação. Em vez de revelar a verdade, fragmenta-a, moraliza-a e personaliza-a. Troca-se o crime estrutural pela indignação seletiva. Enquanto se discute o contrato e o parentesco da advogada com o juiz, os responsáveis pelo desaparecimento de bilhões do erário convenientemente desaparecem do noticiário.

A cereja do bolo desse lavajatismo redivivo é o chamado para uma CPI - proposta, não por acaso, por setores do congresso que são inimigos do povo diretamente implicados no caso - e apoiada por figuras que se dizem de esquerda, mas que fizeram parte do lavajatismo.

O mais curioso é o crime investigando a si mesmo: escolhendo o roteiro, inventando fatos e invertendo acusações - como no caso dos desvios no INSS, crime perpetrado em conluio com a mesmíssima organização criminosa do presidiário.

Essa CPI ou CPMI seguirá claramente a mesma lógica da CPMI do INSS e cumprirá, sem muita dúvida, o objetivo central da estratégia: reorganizar o espetáculo, controlar o foco da opinião pública e produzir equivalências falsas. E tudo isso em ano eleitoral.

Além disso, last but not least, figuras como o Governador de São Paulo surgem como atores indiretos no caso Master.

Ele recebeu doações de campanha de empresários ligados ao conglomerado do Banco, criando uma relação política e financeira que merece atenção. Até o momento, não há registro de investigação formal contra ele, mas o interesse da mídia antidemocrática em transformar o debate pode estar justamente em embaralhar o enredo e desfocar a verdade, desviando o foco do público das relações entre Tarcísio e o Master.

Tinha era que ter uma CPI sobre o lavajatismo da grande mídia…

Na montagem abaixo, identifiquem os personagens envolvidos… A grande imprensa não o fará por você.

TEXTO DE:
Sérgio Alarcon

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