Carybé é o nome artístico de Hector Julio Páride Bernabó, um argentino radicado em Salvador, que viveu seus primeiros anos na Itália e depois, já na adolescência, voltou a residir no Brasil.
Como jornalista, rodou o mundo até se fixar nos anos 1950 em Salvador.
Carybé foi um artista plástico de vasta produção, tendo desenvolvido sua arte em várias técnicas, como: aquarela, óleo sobre tela, escultura, gravura e serigrafia. Ele tinha uma verdadeira predileção por murais e painéis, pois, segundo o artista, era uma obra para os outros, ou seja, de visualização pública.
Foi ilustrador de alguns livros de Jorge Amado e em conjunto com o fotógrafo francês Pierre Verger, entre outros intelectuais, apresentou em suas obras a cultura baiana.
Carybé tem catalogado algo próximo de cinco mil obras, muitas delas sobre o candomblé e a umbanda. Aqui interessa-nos obras com outras temáticas do quotidiano soteropolitano.
Há também um número vasto de obras sobre os sertanejos do interior da Bahia, dos ribeirinhos do São Francisco, dos pescadores das praias baianas, entre outros modos de vida e territórios: Carnaval, bares, feiras e rodas de samba.
Em virtude de seus trabalhos voltados para a cultura afro-brasileira, enfocando seus ritos e orixás, principalmente em princípios dos anos 70, ele conquistou um importante título de honra do Candomblé, o obá de Xangô.
Parte de sua produção encontra-se hoje no Museu Afro-Brasileiro de Salvador, englobando 27 painéis simbolizando os orixás baianos, produzidos em madeira de cedro.
Por quase toda a sua vida, o pintor acreditou que o seu apelido Carybé provinha de um pássaro da fauna brasileira. Somente muitos anos depois, através do amigo Rubem Braga, descobriu que a sua alcunha significava "mingau ralo", o que lhe rendeu diversas brincadeiras.
Freqüentador do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, Carybé morreu aos 86 anos, no dia 1° de outubro de 1997, em Salvador, durante uma cerimônia no próprio terreiro.
O artista deixou como legado mais de 5.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços.
TEXTO DE:
Thiago Muniz

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