quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Edílson, o desconhecido do BBB

Arte: Walace Sales
O futebol se distanciou do povo.
(Juca Kfouri)

Edilson, o Capetinha, é um dos integrantes da ala “Camarote”, ou seja, os integrantes famosos do Big Brother Brasil edição 2026.

A maioria dos integrantes da chamada ala “Pipoca”, ou seja, os anônimos, não o conheciam quando ele se apresentou e ficaram pasmos quando ele disse que foi um dos atletas pentacampeões da seleção brasileira de 2002.

Isso não é um fato isolado. É um processo longo e doloroso entre fatores sociológico e mercadológico.

As pessoas hoje em dia tem tantas opções de entretenimento; seja por meio de TV aberta, canal pago e streaming, que num determinado momento elas buscam os nichos onde se sentem mais confortáveis de consumir.

A chamada lei da oferta e da procura fez com que surgisse uma gama de celebridades extremamente conhecidas e famosas porém em suas determinadas bolhas.

Basta procurarmos nas Big Techs a quantidade infinita de nichos e os influencers digamos especializados com uma quantidade absurda de seguidores.

Num país como o Brasil onde há 30 anos atrás para ser uma celebridade você só tinha a TV aberta como porta de entrada (e era um círculo extremamente fechado de se entrar nela), nos dias de hoje as celebridades podem escolher em que mídia querem atuar, qual plataforma está valendo mais a pena de trabalhar, as vezes com mais de uma proposta para analisar.

Daí eu volto para a história do Edilson.

Quem sempre acompanhou futebol como eu (atualmente consumo muito menos que consumia quando jovem), conhece o Edilson desde que ele surgiu para o futebol lá no Vitória-BA, fez uma carreira vitoriosa e não jogou na Europa, num mercado onde a remuneração no velho continente era bem parelho com o que se pagava no Brasil.

Hoje em dia o atleta de ponta jogando no Brasil possui uma ótima remuneração mas não se compara aos euros pomposos do exterior. O futebol brasileiro nos últimos anos, principalmente a partir da Copa de 2014 passou por um processo chamado “Camarotização”.

Houve a reformulação de antigos estádios e a construção de novos estádios para sediar a Copa; e com isso surgiu a demanda de aumentar o ticket médio, o que fez com que se mudasse o perfil do público dentro dos estádios: poder aquisitivo maior, torcedor de seus clubes mas com um comportamento seleto e diferente do público de menor poder aquisitivo mais passional dentro dos estádios.

Público com maior poder aquisitivo, aumenta o valor dos ingressos e de todo a oferta de produtos e serviços dentro e fora dos estádios.

O povão passa a não frequentar mais os estádios como antigamente e com isso o interesse ao futebol vai se minguando.

E com isso essas gerações mais novas não conhecem o Edilson Capetinha não porque não quiseram conhecer, surgiram ofertas de conteúdos que fez com que esse público pulverizasse para os nichos de consumo.

Não foi por acaso, o futebol brasileiro está assim por meio de métodos e estratégias de seus dirigentes e articuladores. 

TEXTO DE:
Thiago Muniz


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