segunda-feira, 4 de novembro de 2024

QUINCY

Quincy Jones é uma personificação inspiradora da capacidade humana de transcender adversidades e moldar o próprio destino. Originário de uma Chicago empobrecida e marcada pela violência dos anos 1930, ele emergiu como uma das figuras mais proeminentes da música internacional, deixando um legado que transcende gerações.

Sua ascensão meteórica como produtor e arranjador não passou despercebida. Aos poucos, Quincy se estabeleceu como uma figura influente na indústria musical, colaborando com lendas como Lesly Gore, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong e Sarah Vaughan. Sua produção do álbum "For Those in Love" de Dinah Washington, contra a vontade da gravadora, solidificou sua reputação como um visionário musical.

Compositor, arranjador, produtor e empresário de sucesso, ele é um verdadeiro monstro sagrado na indústria do entretenimento. Em seus mais de 60 anos de atividade, detém o recorde de 80 indicações para o Grammy, com 28 prêmios e um Grammy Legend, em reconhecimento à sua carreira.

"Q", como era conhecido, sempre foi um profissional atento e foi um dos primeiros a compreender os movimentos musicais e comportamentais que se formavam durante o início da massificação da imagem e do som. Com alguns baixos e muitos altos, construiu uma carreira fenomenal: gravou mais de 300 álbuns e 2.900 músicas; fez 51 trilhas de filmes e programas de televisão; foi indicado 79 vezes e ganhou 27 prêmios Grammy; também levou os prêmios Oscar, Emmy e Tony.

Quincy Jones ficou mundialmente conhecido por ao lado do Rei do Pop Michael Jackson, foi o responsável pela produção de três álbuns: Off The Wall, em 1979, Thriller, em 1983, e Bad, em 1987. Apenas no ano do lançamento, Thriller vendeu mais de 20 milhões de cópias. O músico também produziu “We Are The World”, projeto que reuniu diversas estrelas em 1985 com a intenção de arrecadas fundos para a luta contra a pobreza na África. Além de Michael Jackson, participaram artistas como Lionel Richie, Bruce Springsteen, Cindy Lauper, Stevie Wonder, Bob Dylan e Billy Joel.


TEXTO DE:

Thiago Muniz

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Alegria, alegria

Seu estava feliz.

Sua casa estava debaixo d'água e não havia luz.

O atual prefeito não cuidou da manutenção do sistema de drenagem da cidade e veio as chuvas e sua casa acabou debaixo d'água.

A empresa privada de energia não tinha gente suficiente para fazer a manutenção da rede e por isso estava trabalhando primeiro nas áreas mais ricas da cidade. Não tinha luz havia uns 4 dias.

Também não ia jantar hoje. Nem ele, nem a esposa e nem os filhos, pois a prefeitura havia mandado recolher sua barraca de camelô.

As dores na costela estavam diminuindo.
Tinha levado uns bons socos dos policiais ao tentar explicar que sua barraca era a única fonte de renda.

Mas não havia problema, ele ainda sim estava feliz.

E o motivo era simples: ele havia ajudado a derrotar o PT.

Votou no atual prefeito que ajudou a reeleger e impediu a vitória do PT.

Seu estava feliz.

Estava sem luz, estava debaixo d'água, estava com fome e com dores, e já estava irritado com o choro de fome das crianças, mas ainda assim estava feliz.

Estava livre do comunismo. Estava livre do PT.

Isso que é ser feliz.


Texto de
Tarciso Tertuliano

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Campo Democrático terá de se reavaliar

Os limites da real politik e da política institucional do campo democrático-progressista estão aí:

Hegemonia absoluta da extrema-direita, da direita e do "Centrão" (direita fisiológica) nas eleições de 2024.

Está na hora da esquerda parar com a retórica liberal-institucional e voltar a debater um projeto nacional-popular, com a defesa de um Estado presente para o povo com plenos Direitos Sociais, combatendo a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários.

Para combater o discurso meritocrático e individualista da direita, oferecer políticas de promoção de apoio aos micro e pequenos empresários e fomentar a ideia de que o Estado pode fomentar a prosperidade dos trabalhadores que queiram apostar em melhores condições de vida através da criação de pequenos negócios e, destarte, promover o bem-estar.

Sobre o discurso de costumes, é a hora da esquerda adentrar os ambientes religiosos com o discurso de justiça social contra o fundamentalismo religioso e enfrentar abertamente o discurso demagógico da direita nas igrejas, paróquias e sinagogas. E ao mesmo tempo, freiar a cultura "woke" dos Democratas dos EUA que invadiu os partidos da esquerda brasileira com o "excesso" do politicamente correto e do identitarismo, afugentando o eleitorado histórico e popular de esquerda para a direita.

Defesa dos Direitos Humanos, com a inclusão de minorias e com o discurso acoplado à ideia da defesa do amor ao próximo e aos direitos do povo brasileiro que não podem ser retirados! Um projeto claro de nação!

E em suma, voltar para as ruas, além das redes sociais! Fazer muito trabalho de base! Disputar intelectualmente com um projeto de emancipação nacional e em prol do povo brasileiro com a defesa dos direitos sociais consagrados na Constituição

O discurso de mudança não pode estar monopolizado na extrema-direita. O papel do campo progressista é denunciar a incoerência entre os discursos e as práticas da extrema-direita a partir da perspectiva e do olhar do dia a dia do cidadão. Do trabalhador e do profissional liberal da classe média.

É isso, minha gente!


TEXTO DE:

Wendel Pinheiro

domingo, 27 de outubro de 2024

Governador Tarcísio age como vagabundo apesar de todo apoio da Imprensa

Apesar de toda a imprensa hegemônica tentar pintar o atual governador de São Paulo como um moderado, como gentleman da política, e tentar desligar sua imagem do golpista Bolsonaro, ele continua sendo um vagabundo.

Ele usou uma entrevista coletiva durante o segundo turno da eleição municipal para cometer um crime eleitoral descarado.

Mesmo com o resultado da vitória de Ricardo Nunes já consolidado, o governador, com sua cara de areia mijada, ele mentiu que o PCC instruiu voto em Boulos.

Mentiu que há interceptação de mensagens do PCC instruindo voto em Boulos.

Uma vez vagabundo, sempre vagabundo.

Favorito dos bolsonaristas envergonhados, que não tem coragem de assumir que votaram e votariam no homem do intestino preso, esse crápula segue fazendo e falando coisas por vezes piores que o ex-presidente golpista.

Infelizmente, o crime desse vagabundo ficará impune, porque a justiça eleitoral de São Paulo, se fará de besta.

Este crime deveria deixar esse cara de areia de gato com diarréia, inelegível.

Não à toa, nem Bolsonaro suporta esse crápula.

Depois que deixaram Marçal fazer o que fez durante todo o processo eleitoral, há alguém que ainda acredita que será feito algo contra esse canalha?

Se o eleitor de São Paulo aprova esse tipo de comportamento, lamento, problema deles, mas aqui pelo menos, esse cretino não se cria.

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Rio de Janeiro da beleza do Caos

A minha alma 'tá armada
E apontada para a cara do sossego
Pois paz sem voz paz sem voz
Não é paz é medo” [Minha alma (A paz que eu não quero) - Canção de O Rappa]

A Cidade Maravilhosa, por trás da beleza de suas praias e paisagens, esconde-se uma realidade sombria e caótica: a violência.

A cidade onde é o berço do samba e do carnaval, hoje é palco de uma guerra constante. O som dos tiros é mais comum do que o som da música. As ruas que antes eram repletas de vida e alegria, agora são cenários de confrontos entre policiais, milicianos e traficantes.

Mas não é apenas o número de mortos que é preocupante. A violência no Rio de Janeiro é uma questão que afeta todos os aspectos da vida da cidade. As pessoas vivem com medo de sair de casa, de ir ao trabalho ou de estudar. As crianças crescem ouvindo tiros e vivendo em meio ao caos.

A cidade do Rio de Janeiro precisa de uma solução urgente para o problema da violência. É preciso investir em segurança, educação e oportunidades para os jovens. É preciso lembrar que a vida vale mais do que qualquer outra coisa.

A Cidade Maravilhosa precisa ser devolvida aos seus moradores. Precisa ser um lugar onde as pessoas possam viver com dignidade e segurança. O Rio de Janeiro pode ser novamente um lugar de alegria e beleza, mas para isso é preciso enfrentar a violência com coragem e determinação.


TEXTO DE:
Thiago Muniz


quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Quando o poeta se vai

Antônio Cícero ao lado de Adriana Calcanhotto

As palavras me interessam desde bem pequeno. Os nomes, os nomes originais.

Quando ouvi o nome de Antonio Cícero, nunca mais esqueci. Primeiro, ouvi sua poesia nas grandes letras. Depois, nos livros. Para completar, AC era irmão de Marina, que o nosso mundo de Copacabana amava de paixão - ela passava pelo shopping depois de uma peça de teatro - de camiseta e jeans -, sorria e ficávamos encantados.

Muitas vezes vi Antonio Cícero nas ruas e deveria tê-lo cumprimentando, mas não o fiz. Ele estava sempre na região dos sebos. Sei lá, fiquei com vergonha, não queria interromper seu flanar, fiz a mesma besteira com João Carlos Assis Brasil, que vivia pela Carioca e Tiradentes

Foi gigantesco. Passou por cima da eterna comparação entre a poesia, digamos, formal e a das letras de música: brilhou em ambas muitas vezes e a quantidade destes brilhos é um argumento definitivo de sua obra. 

Tudo passa com enorme brevidade. O trem da vida dispara pelos trilhos a seiscentos quilômetros por hora. Eu ainda lembro da primeira vez que li o nome de Antonio Cícero. Tudo é brevidade. 

Quando um poeta se vai, o rombo parece ainda maior. No mundo das injustiças, ganâncias, covardia e tudo muito temperado com o azeite da hipocrisia, são os poetas que dão algum sentido à vida para que se possa prosseguir.

Assim, perder um poeta é tirar o oxigênio da beleza, é asfixiar o cotidiano e apedrejar a sensação de humanidade.

Mas como ir embora é inevitável, o poeta deixa seus versos para sempre, pouco importando se são extremamente sofisticados ou mais simples, se têm profundidade continental ou são mais rasos. Não importa. "O poeta é a pimenta do planeta".

As coisas não precisam de você/ Quem disse que eu tinha que precisar?/ As luzes brilham no Vidigal/ E não precisam de você/ Os Dois Irmãos também não.

O Hotel Marina quando acende/ Não é por nós dois/ Nem lembra o nosso amor.

Os inocentes do Leblon/ Esses nem sabem de você/ Nem vão querer saber


@p.r.andel

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Gente interessada X interesseira


Era pra ser engraçado, talvez cruel ou nada disso. Há pouco me procurou uma pessoa que não falava comigo há anos.

Não uma conhecida qualquer, mas alguém que contou comigo em várias situações importantes, e que evidentemente não foi recíproca, daquelas que some para não correr o risco mínimo de algum pedido.

Tudo bem,  a vida é assim e a maioria das pessoas é ingrata mesmo. Acontece que, se você só se relaciona com as pessoas que não vão te amolar, precisa estar preparado para o desprezo, a frieza e indiferença por aí.

Depois de um tímido oi, a criatura vem perguntar se tem algo errado e digo que não. Insiste, persiste. Explico que não, mas...

"Puxa vida, há tanto tempo que a gente não se fala, né?" (show de cinismo)

"É, tem sim. Desde que você achou que eu ia te pedir favores ou dinheiro emprestado, simplesmente deixou de fazer contato e desapareceu." (não contem comigo para hipocrisia)

[Mensagem visualizada, silêncio e demora de réplica porque o soco foi no queixo e, se a pessoa não é completamente calhorda, ela sente

[Três minutos...

"Eu só queria saber como você está."

"Estou bem. Ótima semana".

"Fique bem". (certamente o objetivo original desta expressão era outro, mas com o tempo ela se tornou um ícone do "phoda c" - reparem que em muitos casos, quem a usa gosta de manter distância regulamentar de todo mundo para "não alimentar relações tóxicas" ou "só ficar perto do que faz bem". resumo: gente interesseira que usa a companhia alheia como um objeto descartável...)

Polegar amarelo, outro ícone para dar fim a conversas desimportantes de gente que só te procura de maneira interesseira, não interessada e nem interessante. Toda relação positiva tem interesses também positivos: você tem o interesse fraternal, cordial, afetivo, amoroso, sexual etc, todas com desdobramentos. O interesseiro, não: ele só procura alguém para resolver algo, seja imediatamente ou não, mas já tendo em mente que tem prazo de validade para descartar o próximo, que vê como um simples objeto.

Sua questão é apenas atender aos próprios interesses, geralmente materiais, e mais nada.

É fácil identificar o interesseiro em qualquer lugar, basta pensar no nome da criatura em análise e refletir o seguinte: "Se a minha relação com fulano/a NÃO envolvesse dinheiro, poder, prestígio ou visibilidade, ela estaria aqui do meu lado?".

O jogo da vida é simples e direto. Com os recursos atuais, só não se fala quem simplesmente não quer.

Se os tempos ficaram mais curtos, mandar um recado pela internet, um olá etc, não leva mais do que dez segundos. Desculpas esfarrapadas soam cada vez mais ridículas.

Honestidade não faz mal a ninguém. Se você não sente obrigação de valorizar nenhum contato, este é um direito legítimo; apenas não reclame se no futuro o tratamento recebido for idêntico ao que você adotou.

A indiferença é democrática e dói para todo mundo, até para os mais calhordas. Não que eu queira oferecer dor a ninguém, longe disso: é apenas uma questão de justiça. 

[O polegar foi respondido com um smile. Para certas pessoas, só cabe mesmo o silêncio sepulcral. 

TEXTO DE:
@p.r.andel