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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

2026: A Era do Delist menos Sku, mais venda

Alguém precisa dizer isso.

Às vezes, a melhor forma de vender mais é tirar produto da prateleira. Não é erro. Não é fraqueza. É estratégia.

Durante anos, vendemos a ideia de que mais opções significam mais vendas.

Mais sabores, fragrâncias.

Mais variações do mesmo produto.

O cérebro humano discorda. A neurociência é clara. O cérebro gosta de limited choice (poucas escolhas) para se sentir seguro. O número mágico? 3 ou 4 opções.

O estudo clássico de Iyengar e Lepper mostrou isso sem piedade: com poucas opções, a conversão dispara, com muitas opções, o consumidor trava.

Isso tem nome: Paradox of Choice (Paradoxo da Escolha).

Mais escolha gera ansiedade.
Ansiedade não fecha compra.

Agora coloca isso no contexto atual. Hoje, 47% dos consumidores são price-driven shoppers (orientados a preço). Eles não estão comparando narrativa de marca. Estão comparando preço.

E aí acontece o que todo mundo já viu no ponto de venda. O cliente para. Olha. Se confunde. E escolhe o mais barato. Ou vai embora.

O problema não é falta de inovação. É excesso de portfólio.

2022–2024: As indústrias tinham o poder. Crise logística. Falta de produto. Tudo vendia. Até SKU confuso. Volume mascarava ineficiência.

2026: O jogo virou. O varejo retomou o controle da prateleira. O sortimento ficou mais racional. O consumidor ficou mais racional ainda.

Quem decide hoje não é a marca mais criativa. É quem entrega clareza, giro e margem.

E isso não é teoria. Já está acontecendo. Indústrias globais de bens de consumo vêm passando por ciclos profundos de racionalização de portfólio, cortando dezenas ou centenas de SKUs para recuperar giro, margem e execução.

Menos itens. Mais foco. Mais resultado.

No varejo alimentar europeu, redes como Lidl e Mercadona cresceram justamente reduzindo escolha, não ampliando. Menos marcas e variações. Mais marca própria forte e confiança do shopper. Na prática, o consumidor não sentiu perda. Sentiu alívio.

No Brasil, o movimento é ainda mais claro. 2026 é o ano da marca própria.

Grandes redes farmacêuticas como Raia e DPSP estão ampliando linhas próprias com sortimento enxuto, preço claro e promessa simples.

No atacarejo, redes como Assaí avançam com marca própria ocupando o espaço que antes era de SKUs redundantes da indústria.

Quando a prateleira aperta, sobra pouco espaço para excesso. E muito espaço para quem resolve rápido a decisão do consumidor. É por isso que grandes indústrias estão fazendo algo que parece radical, mas não é: enxugar para crescer.

Menos itens, menos canibalização.

Mais giro por SKU, mais eficiência logística, mais margem no final do mês.

Delistar não é perder espaço. É recuperar relevância. O varejo já entendeu. O consumidor também. Muitas marcas ainda não.

A pergunta é simples: você quer ocupar mais espaço ou vender mais rápido?

Porque em 2026, cada vez mais, menos SKU é mais venda.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Azeite de Oliva - entenda como funciona o acordo Mercosul / União Européia

Convém começar pelo óbvio — justamente porque o óbvio costuma ser soterrado pela retórica.

Acordos comerciais não são atos de fé. Não são “bons” ou “maus” em si mesmos. Produzem efeitos concretos, mensuráveis e, quase sempre, assimétricos.

O acordo entre Mercosul e União Europeia não foge à regra. E o azeite de oliva é um ótimo exemplo para entender o que está em jogo.

O produto estrangeiro: a virtude do acordo segundo seus defensores

Com o acordo em vigor, o azeite europeu tende a entrar no Brasil pagando menos tarifas. Isso não é ideologia; é matemática. Menor imposto na origem significa menor custo para o importador, maior oferta e, em alguma medida, preços mais baixos ao consumidor.

Resultado?
O brasileiro passa a encontrar com mais facilidade azeites espanhóis, portugueses, italianos e gregos (inclusive de melhor qualidade) a preços menos proibitivos. O discurso oficial celebra: concorrência, eficiência, escolha. Tudo muito bonito.

E não é falso. Apenas incompleto.

O que não aparece no rótulo

O problema começa quando se finge que o mercado é um jogo de iguais. Não é.

O azeite europeu que chega ao Brasil é produzido em países que:

  • Subsidiaram sua agricultura por décadas

  • Financiaram tecnologia, irrigação e pesquisa

  • Construíram cadeias produtivas maduras e protegidas

Já o azeite brasileiro — notadamente o gaúcho — é fruto de uma atividade ainda incipiente, de custos elevados, crédito caro e zero tradição secular. Colocar esses dois produtos para “competir” em nome da abstração do livre mercado não é liberalismo; é cinismo analítico.

O produtor nacional: concorrência ou esmagamento?

Com o avanço do azeite europeu:

  • O produtor brasileiro vê sua margem encolher

  • O investimento se torna mais arriscado

  • Pequenos e médios produtores tendem a desistir

Os mais otimistas falam em “especialização”, “nicho premium”, “valor agregado”. Ótimo — desde que existam políticas públicas que tornem isso viável. Sem elas, o resultado é previsível: desindustrialização do campo, travestida de modernização.

E o emprego? Não desaparece — evapora

Aqui entra o ponto que raramente vira manchete. A queda de preços é visível. A perda de empregos, não.

Quando a produção local encolhe:

  • Some o emprego rural

  • Some o trabalho indireto

  • Some o incentivo à inovação local

Os postos de trabalho gerados pelo azeite europeu continuam na Europa. O Brasil vira consumidor eficiente e produtor irrelevante. Há quem chame isso de “integração competitiva”. Eu prefiro chamar de escolha política não assumida.

O padrão estrutural

O azeite é apenas um caso didático de um movimento maior: a União Europeia exporta produtos com valor agregado; o Mercosul exporta soja, minério e carne. Quando tentamos produzir algo além disso, somos aconselhados a “nos adaptar”.

Adaptar-se a quê?
À posição subordinada?

A pergunta que importa

Não se trata de demonizar o acordo nem de sacralizar a produção nacional. Trata-se de abandonar a mistificação. Sem política industrial, sem crédito, sem proteção transitória, o acordo melhora a vida do consumidor no curto prazo e empobrece a estrutura produtiva no médio.

O azeite pode até ficar mais barato.
A economia, não.

E isso não é uma fatalidade do mercado. É uma decisão — ou a ausência dela.

Conclusão

O acordo no geral melhora as relações comerciais entre os dois continentes, porém, deve ser tratado com responsabilidade.

Usamos aqui um único exemplo: o azeite de oliva. Para outros produtos haverá ganho para o Brasil, e prejuízo a produtores europeus.

O que o Brasil precisará fazer, é se reajustar a nova realidade que se desenhará no futuro, criando políticas internas que possam dar ao produtor nacional, condições de continuar disputando mercado interno e obviamente, ampliar o mercado externo.

Por isso, não só no Mercosul, mas também no Brics, o Brasil precisa manter o protagonismo e o pragmatismo, para continuar crescendo economicamente.


domingo, 18 de janeiro de 2026

Mercosul e União Europeia assinam acordo apesar de Trump

O acordo entre Mercosul e União Europeia finalmente saiu do papel.

Sim, aquele mesmo que atravessou governos, modismos ideológicos, crises ambientais, surtos protecionistas e toneladas de ceticismo diplomático.

Convém registrar, antes que o debate seja capturado por torcidas organizadas, um fato objetivo: trata-se de uma vitória pessoal e política do presidente Lula, o governante que mais insistiu (e por mais tempo) na ideia de que esse pacto era não apenas possível, mas necessário.

Lula defendeu o acordo quando ele era tratado como inevitável, sustentou-o quando passou a ser visto como inconveniente e o recolocou no centro da agenda quando muitos já o davam como enterrado.

Política externa não é improviso; é persistência. E nisso o presidente brasileiro mostrou método, memória e leitura de mundo.

O acordo, em linhas gerais, cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, conectando dois blocos que somam quase 800 milhões de pessoas.

Para o Mercosul, amplia-se o acesso a mercados europeus para produtos agrícolas e commodities. Para a União Europeia, consolida-se a entrada em mercados sul-americanos para bens industrializados, serviços e investimentos.

Não há altruísmo: há interesses bem calculados dos dois lados.

Mas é preciso dizer o óbvio — algo que anda em falta no debate público.

A assinatura não significa vigência imediata. 

Agora começa a fase menos fotogênica e mais decisiva: revisão jurídica, traduções oficiais e, sobretudo, a ratificação parlamentar.

Na Europa, o acordo enfrentará resistências protecionistas embaladas em discurso ambiental.

No Mercosul, passará por congressos que nem sempre primam pela visão estratégica de longo prazo.

Há ainda um elemento externo que ajuda a explicar a retomada do acordo: Donald Trump.

Com sua agenda declaradamente protecionista, hostil ao multilateralismo e avessa a pactos amplos, Trump tornou-se o grande antagonista involuntário desse processo.

O acordo Mercosul–União Europeia é, também, uma resposta geopolítica à lógica do “cada um por si” que ele representa. Trump terá de engolir: enquanto ele ergue muros comerciais, outros constroem pontes, ainda que imperfeitas.

Os protocolos adicionais sobre sustentabilidade seguem como o principal ponto de atrito.

Existe preocupação ambiental legítima? Sim. 

Existe também o velho protecionismo europeu com nova embalagem verde? Evidentemente.

Cabe ao Brasil e aos parceiros do Mercosul negociar com firmeza, sem submissão nem bravatas.

O acordo não é panaceia. Não industrializa o Brasil por decreto nem resolve as assimetrias históricas do bloco sul-americano.

Mas recoloca o país no tabuleiro internacional com previsibilidade, diálogo e protagonismo, algo que havia sido abandonado.

No mundo real, acordos não são perfeitos. São possíveis. E este só voltou a ser possível porque alguém decidiu insistir — mesmo quando o vento soprava contra.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Pastor preso é um dos maiores doadores de campanha... advinha de quem?

A Polícia Federal prende.

O inquérito avança. Os fatos se acumulam. O dinheiro deixa rastros.

O personagem central é investidor, pastor, empresário e — vejam só — um dos maiores doadores das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.

E então surge a pergunta que realmente importa para parte da imprensa e da bolha digital: “Mas o que Alexandre de Moraes tem a ver com isso?”

Pois é. Nada. Justamente por isso, insistem.

Temos aqui um caso típico de manual: relação empresarial nebulosa, conexões familiares com banqueiro de grande porte, operações financeiras sob suspeita e, por coincidência apenas estatística, proximidade política com o bolsonarismo.

A investigação é da PF. O inquérito corre nos trilhos legais. Não há canetada solitária, não há decisões monocráticas mirabolantes, não há capa preta pairando sobre os autos como entidade metafísica.

Mas isso não impede que parte da imprensa (aquela sempre pronta a farejar “excessos” onde só há procedimento) force Alexandre de Moraes para dentro da cena, como se ele fosse uma espécie de personagem obrigatório de qualquer narrativa criminal que envolva aliados do bolsonarismo.

É quase tocante.

Quando o investigado é um “cidadão de bem”, empresário religioso, financiador de campanhas da direita, a lógica muda.

Já não se pergunta o que ele fez, mas quem ousou investigá-lo.

E aí Alexandre de Moraes deixa de ser ministro do Supremo para virar vilão de novela, onipresente, onisciente e, aparentemente, responsável até pela lei da gravidade.

Curioso: quando a PF investigava governos petistas, não havia essa súbita preocupação com o “Estado de Direito ferido”, com o “ativismo institucional”, com o “excesso de poder”.

A lei era dura, mas justa. Agora, quando os alvos orbitam o campo político oposto (aquele que se autodeclara guardião da moral, da família e de Deus) a lei vira suspeita, e o juiz, automaticamente, culpado.

O raciocínio é simples, embora intelectualmente indigente: se alguém ligado a Bolsonaro é investigado, logo Alexandre de Moraes está abusando de poder.

Se a PF age, é porque foi “mandada”. Se o Judiciário funciona, é porque conspira.

Não é jornalismo. É militância disfarçada de perplexidade.

E o mais revelador: ninguém consegue apontar qual ato ilegal de Moraes estaria em jogo.

Não há decisão específica. Não há despacho escandaloso. Não há nulidade processual.

Há apenas o incômodo profundo de ver que o sistema institucional brasileiro (com todos os seus defeitos) ainda funciona o suficiente para alcançar gente poderosa, rica, influente e politicamente alinhada ao bolsonarismo.

Isso, para alguns, é imperdoável.

No fundo, o que se quer não é justiça imparcial, mas imunidade seletiva. Quer-se um país onde investigar adversários seja virtude republicana, mas investigar aliados seja tirania togada. Onde a PF seja técnica quando convém e “instrumentalizada” quando não convém.

Alexandre de Moraes, nesse enredo, cumpre apenas o papel que lhe foi atribuído por quem não aceita perder: o de bode expiatório permanente.

É mais fácil atacar o árbitro do que admitir que o jogo foi jogado, e que alguém com boas relações políticas e religiosas pode, sim, estar do lado errado da lei.

A insistência em arrastá-lo para esse caso diz menos sobre Moraes e muito mais sobre o desespero de quem já não consegue sustentar a própria narrativa sem inventar um vilão institucional.

E isso, convenhamos, não é ironia. É só patético mesmo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Banco Master e o Teateo da Mídia Lavajatista

Não sei se vocês estão perdidos, mas é preciso lembrar que o escândalo do Banco Master diz respeito a bilhões de reais de dinheiro público alocados em operações financeiras temerárias, envolvendo bancos públicos, fundos de aposentadoria e governos estaduais. Isso é o essencial.

Todo o resto é distração. E distração, aqui, é estratégia preferencial das forças antidemocráticas. 

O caso é especialmente grave por envolver governadores e lideranças políticas ligadas ao bozismo institucional - entre eles, os governadores do Rio de Janeiro e de Brasília - que autorizaram investimentos massivos em títulos de alto risco, comprometendo recursos que pertencem à população - a nós, à você.

Quando o castelo começou a ruir, tentou-se socializar o prejuízo: determinado senador bolsonarista quase conseguiu emplacar a ampliação do Fundo Garantidor de Crédito para cobrir rombos privados com dinheiro coletivo. Foi quase.

Mas o debate público foi rapidamente deslocado. E muitos embarcaram na onda…

De repente, o “escândalo” deixou de ser o uso criminoso do Estado pelos bozistas e passou a ser um suposto contrato de advocacia envolvendo a esposa de um ministro do STF - aquele que foi relator do processo que condenou, justamente, o chefe da organização criminosa.

Um contrato discutível? Sim, é possível. Eticamente questionável? Pode ser. Ilegal? Até agora, não.

E, sobretudo, irrelevante diante da dimensão do dano financeiro em curso.

Essa inversão não é inocente. O escândalo, hoje, é uma arma política que as forças antidemocráticas manejam com destreza ao menos desde o lavajatismo. E o fato de o lavajatismo ter saído quase ileso dos crimes que cometeu cobra seu preço na sua repetição sempre que a situação dos canalhas de sempre aperta.

A distração na forma de escândalo de estilo lavajatista, plantada pela grande mídia, funciona como instrumento de ocultação. Em vez de revelar a verdade, fragmenta-a, moraliza-a e personaliza-a. Troca-se o crime estrutural pela indignação seletiva. Enquanto se discute o contrato e o parentesco da advogada com o juiz, os responsáveis pelo desaparecimento de bilhões do erário convenientemente desaparecem do noticiário.

A cereja do bolo desse lavajatismo redivivo é o chamado para uma CPI - proposta, não por acaso, por setores do congresso que são inimigos do povo diretamente implicados no caso - e apoiada por figuras que se dizem de esquerda, mas que fizeram parte do lavajatismo.

O mais curioso é o crime investigando a si mesmo: escolhendo o roteiro, inventando fatos e invertendo acusações - como no caso dos desvios no INSS, crime perpetrado em conluio com a mesmíssima organização criminosa do presidiário.

Essa CPI ou CPMI seguirá claramente a mesma lógica da CPMI do INSS e cumprirá, sem muita dúvida, o objetivo central da estratégia: reorganizar o espetáculo, controlar o foco da opinião pública e produzir equivalências falsas. E tudo isso em ano eleitoral.

Além disso, last but not least, figuras como o Governador de São Paulo surgem como atores indiretos no caso Master.

Ele recebeu doações de campanha de empresários ligados ao conglomerado do Banco, criando uma relação política e financeira que merece atenção. Até o momento, não há registro de investigação formal contra ele, mas o interesse da mídia antidemocrática em transformar o debate pode estar justamente em embaralhar o enredo e desfocar a verdade, desviando o foco do público das relações entre Tarcísio e o Master.

Tinha era que ter uma CPI sobre o lavajatismo da grande mídia…

Na montagem abaixo, identifiquem os personagens envolvidos… A grande imprensa não o fará por você.

TEXTO DE:
Sérgio Alarcon

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

A imprensa que só gosta de democracia quando ela é silenciosa

A boa e velha hipocrisia que tem um berço esplêndido onde sempre pode se deitar: a imprensa brasileira.

Bastou que manifestantes, entre eles indígenas e movimentos sociais, tentassem forçar a entrada na sede da COP 30, em Belém, para que o noticiário voltasse ao velho tom moralista: “vandalismo”, “ameaça à imagem do Brasil”, “problema para o governo Lula” e claro, "terrorismo".

Ora, ora. Desde quando democracia se mede por conveniência estética ou diplomática?

Protestar é um ato de soberania civil, não um problema de relações públicas. E quando o protesto vem justamente dos grupos que sustentam historicamente a luta ambiental e os direitos humanos — indígenas, quilombolas, ribeirinhos, trabalhadores —, é duplamente legítimo. Eles não são “base de Lula”; são base da democracia.

Sim, houve tensão. Sim, houve excesso. E daí? Desde quando democracia é um chá das cinco? A história é feita de embates, de disputas, de vozes que gritam quando ninguém quer ouvir. O protesto — mesmo o que extrapola — é um espelho do vigor democrático.

O que causa espanto é ver jornalistas que, durante o governo Bolsonaro, chamavam seus apoiadores de “gado” por aplaudirem cegamente todo absurdo, agora indignados porque parte da base lulista decidiu fazer o oposto: apoiar criticamente, cobrar coerência, exigir compromisso.

Há algo de doentio nessa lógica. Quando o eleitor é passivo, é “gado”. Quando é ativo, é “radical”.

Talvez essa seja a tal polarização que eles tanto insistem em nos convencer que existe.

A imprensa parece querer um eleitorado obediente, de preferência calado. Só que democracia não se faz com plateia — se faz com participação, até com conflito.

Lula, goste-se ou não, não foi eleito para ser um rei, e seus eleitores não são súditos. Quando protestam, não traem o governo; exercem o direito que diferencia cidadãos de seguidores.

É curioso ver que os mesmos que relativizaram invasões de golpistas em Brasília, chamando-as de “ manifestações de velhinhas com Bíblias debaixo dos sovacos”, agora tratam indígenas e ambientalistas como inimigos da civilização.

O peso e a medida variam conforme o interesse editorial — ou o incômodo que causa ver o povo real ocupando o espaço público.

O Brasil, anfitrião da COP 30, mostra ao mundo que sua democracia é viva — às vezes ruidosa, às vezes desconfortável, mas viva. Só os autoritários travestidos de moderados acham que o povo deve ficar quieto para não “manchar a imagem do país”.

Pois saibam: o que mancha a imagem do Brasil não é o protesto legítimo; é a hipocrisia de quem finge defender a democracia, mas só quando ela cabe no editorial de domingo.

Democracia não é um espetáculo de bons modos. É um terreno de disputas, de vozes, de críticas — inclusive às próprias autoridades que ajudamos a eleger. E, sinceramente, se a imprensa não entende isso, talvez o problema não esteja na “base de Lula”, mas na base da imprensa.


Em tempo, apesar de apoiar todo tipo de protesto pacífico e acreditar na liberdade de crítica, não acredito que a tentativa de invasão forçada a sede do COP 30, seja o caminho mais correto para alcançar os objetivos políticos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

COP 30, O tornado não pediu licença

Enquanto em Belém do Pará se realiza a COP 30 — aquele encontro internacional onde líderes mundiais, cientistas, ambientalistas e até uns oportunistas muito bem vestidos se reúnem para discutir como evitar que o planeta vire um forno à lenha — no sempre altivo sul negacionsta do país, mais precisamente no Paraná, um tornado resolveu fazer uma visita.

E não houve governador ratazana, quro detivesse.

Sim, um tornado. Não, não é figura de linguagem. Não é metáfora. Não é exagero de ambientalista que “quer destruir o agronegócio”. Foi vento girando, arrancando telhado, matando gente — um tornado real, sem telegrama prévio, sem pedir habeas corpus preventivo.

E aí, claro, surgem as entrevistas de praxe. Aquelas que já fazem parte da pequena ópera bufa brasileira. O sujeito, de boné e convicções sólidas como gelatina ao sol, declara à TV:

Isso aí sempre aconteceu. A natureza é assim mesmo.

Claro. Sempre teve tornado no Paraná. E dinossauro no Pantanal. E unicórnio em Minas Gerais. Aliás, sempre teve tudo, não é? Sempre teve. É a frase favorita de quem não quer pensar, mas quer parecer muito seguro de si.

Enquanto em Belém se fala de descarbonização, neutralidade climática, justiça ambiental, responsabilidade global, no sul ainda se encontra quem ache que aquecimento global é invenção de francês vegetariano para acabar com o churrasco domingueiro.

Há uma ala — sempre muito convicta, sempre muito emocional — que ainda acredita que mudança climática é uma grande conspiração mundial. Um complô internacional. Uma obra comunista com Al Gore no lugar de grande líder conspirador.

E, claro, ONGs malvadas financiadas por George Soros, o réptiliano supremo.

Tudo isso para impedir o progresso, que na concepção desses gênios consiste basicamente em derrubar árvores com entusiasmo masculino.

Pois bem. O tornado passou. E não perguntou se alguém “acreditava” nele. Assim como a gravidade não pede voto, o clima não consulta opinião de youtubers.

Enquanto isso, em Belém, líderes mundiais tentam evitar justamente — vejam só que coincidência — eventos climáticos extremos. Aqueles que matam. Aqueles que destroem cidades. Aqueles que produzem manchetes fúnebres.

Mas é claro, é claro: “sempre aconteceu”.

A ironia é tão fina que chega a ter brilho:
— No Norte, discutem como impedir o desastre.
— No Sul, o desastre acontece, mas parte da população insiste que não está vendo.

É como se o apocalipse precisasse apresentar laudo de autenticidade emitido em cartório.

O tornado foi, digamos assim, didático. Mais didático do que painel trilíngue da COP, mais direto do que diplomata inglês com pressa para o chá das cinco.

Entrou, destruiu, saiu. Sem discurso. Sem PowerPoint. Sem hashtag. Deixando todas as construções planas, como a Terra que eles imaginam habitar.

A mensagem?
O clima não está negociando. Nem conosco, nem com eles.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Isenção do IR até R$ 5 mil: alívio imediato e impacto social duradouro


A eventual aprovação, pela Câmara, da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até cinco mil reais e sua sanção pelo presidente Lula representariam uma das maiores mudanças recentes na política tributária brasileira.

O benefício direto é claro: milhões de trabalhadores da base da classe média deixariam de ter parte do salário retido, o que, em tempos de inflação persistente e crédito caro, se traduz em mais fôlego para o consumo e alívio nas contas do mês.

Do ponto de vista social, a medida ataca uma distorção antiga: a defasagem da tabela do IR que, ao não ser corrigida integralmente, ampliava a carga sobre rendas mais baixas. O ganho líquido pode reforçar o mercado interno e reduzir a sensação de injustiça fiscal que há anos alimenta críticas ao sistema tributário.

Ainda que o debate sobre o custo fiscal permaneça — com impacto potencial na arrecadação da União —, os benefícios imediatos para a renda das famílias e para a economia real dão ao projeto um peso político significativo. Se aprovada, a isenção será vista não apenas como uma promessa cumprida, mas como uma reaproximação do Estado com o trabalhador assalariado.

Esta é uma pauta tão delicada, que acaba unindo, mesmo que por força, governo e oposição.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Morango do Amor, o capitalismo social

É verdade que o "marketing de influência" do morango do amor tem se mostrado uma ferramenta poderosa para impulsionar a economia local, especialmente ao beneficiar um grupo majoritariamente feminino de microempreendedoras e autônomas.

Essa tendência tem permitido que confeiteiras, doceiras e outras profissionais do ramo gerem uma renda extra significativa.

Nem toda "modinha" precisa ser alvo de críticas ou cancelamento.

Neste caso, não se trata de grandes indústrias ou bilionários lucrando, mas sim de pessoas como nós que estão batalhando por um dinheiro a mais.

É um ótimo exemplo de como uma tendência pode gerar um impacto positivo direto na vida de muitas pessoas.

Deixem de chatice e apoiem essa iniciativa!

E, se você não gosta do doce, compre um e me mande!

TEXTO DE:
Bia Rocha

terça-feira, 15 de julho de 2025

Petrobras mais feminina

O  anúncio feito pela Petrobras da nomeação da engenheira Angélica Garcia Cobas Laureano para a diretoria executiva de transição energética e sustentabilidade consolida pela primeira vez uma maioria feminina na alta gestão da companhia. Com a chegada de Angélica, cinco dos nove cargos da diretoria são agora ocupados por mulheres, incluindo a presidência, atualmente liderada por Magda Chambriard.

A nova composição, inédita na história da estatal, coloca a Petrobras na vanguarda da diversidade no mercado brasileiro. Segundo o estudo "Mulheres em ações", divulgado pela B3 no ano passado, apenas 6% das companhias listadas têm três ou mais mulheres em suas diretorias, enquanto 59% não possuem nenhuma.

A diversidade torna o ambiente mais saudável e produtivo. Esperamos inspirar outras mulheres a buscar cargos de liderança, especialmente no setor de petróleo e gás, que ainda é majoritariamente masculino”, disse Magda Chambriard.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Toma lá dá cá

O presidente Lula assinou nesta segunda (14) o decreto que regulamenta a chamada Lei da Reciprocidade.

O decreto vai estabelecer os procedimentos que devem ser adotados para a aplicação da lei e cria um comitê formado por representantes do governo e empresários para discutir o tarifaço.

A Lei da Reciprocidade foi aprovada pelo Congresso Nacional em abril, debaixo de protestos desesperados da bancada bolsonarista.

"Inaceitável que o Brasil queira retaliar os EUA, só porque eles estão defendendo sua economia. O Brasil devia agradecer a parceria americana e se submeter a maior nação do planeta."

Antes da lei, não havia um arcabouço que permitia ao governo reagir a agressões economicas de outro país.

O decreto será publicado na edição desta terça (15) do Diário Oficial da União.

Do outro lado, Eduardo Bolsonaro, o vabundo homiziado, pede que os empresários brasileiros apoiem e agradeçam a Donald Trump, o asno que governa os EUA.

Para Eduardo, os empresários precisam aceitar que tem de pagar um preço de bilhões para que seu pai seja anistiado.

"O que é(sic) alguns milhares de empregos se comparados a liberdade do Messias vivo? O empresário que não aceita pagar um preço agora, jamais é digno de seguir ao Bolsonaro."

É muita cara-de-pau, não é mesmo?

Esta é a primeira vez na história que Governo e Congresso tomam medidas para que o Brasil deixe de ser vira-latas dos EUA.

Mas ainda tem muita gente sem a menor vergonha na cara, torcendo contra o Brasil.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Vassalo

Por motivos óbvios, não vamos dizer isso aqui de maneira explícita.

Mas o vassalo da cara de areia mijada sabe onde pode enfiar esse boné, não é mesmo?

terça-feira, 17 de junho de 2025

A Cascata da Casta para manter castos os seus ganhos

Ontem à noite, um "mantra" materialista foi bradado o tempo todo na Câmara: "chega de impostos!". Isso seduz mas, no caso, engana.

Para defender que não se altere a estrutura tributária e fiscal injusta - onde quem mais ganha menos paga - os deputados da elite "vendem gato por lebre": é MENTIRA que os impostos sobre Operações Financeiras "recaiam sobre toda a sociedade". 

O decreto do governo - cuja "urgência" para ser derrubado foi aprovada por 346 a 97 - afeta, moderadamente, quem tem grandes aplicações ou faz gastos expressivos no exterior - o "andar de cima".

O presidente Hugo Motta, para se contrapor a Haddad, diz que "todos moram no mesmo prédio". Só não diz que as regras do condomínio, que querem inalterada, privilegiam quem mora na cobertura.

Os ultraneoliberais repetem que é preciso "cortar gastos" - isto é, programas sociais, reajuste do salário mínimo e para aposentados/pensionistas, percentuais constitucionais de Educação e Saúde. E "esfregam as mãos": hoje, o Senado deve aprovar o aumento do número de deputados, de 513 para 531!

Cortar isenções bilionárias de empresas (R$ 800 bi este ano), benesses de parlamentares e emendas pouco transparentes (R$ 50 bi), juros e serviços da imensa dívida (R$ 540 bi)? Nem pensar.

Falta sinceridade no debate sobre a necessária Reforma Tributária estrutural. Sobra hipocrisia.

TEXTO DE:
Chico Alencar

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF): Quem mais chia?

O Novo Arcabouço Fiscal (NAF) impõe restrição excessiva ao orçamento público, estrangulando os gastos a 70% da arrecadação. Limita a implementação de novas políticas sociais e a recomposição dos orçamentos perdidos nos governos Temer e Bolsonaro.

O decreto de alteração nas alíquotas do IOF, com a tentativa de ampliar a arrecadação para evitar novos contingenciamentos, revela o empenho da equipe econômica pelo “déficit zero”, mas também visa o funcionamento do Estado para enfrentar os desafios sociais brasileiros.

A medida irá afetar principalmente a parcela mais rica da população, já que o foco foi a ampliação da alíquota em operações (de câmbio, crédito e gasto com cartão) no exterior. 

No entanto, esse tipo de imposto sobre operação financeira, cumulativo (que incide em mais de uma fase da cadeia produtiva), pode representar aumento da alíquota em operações de crédito para empresas do Simples e do MEI, dificultando a vida de pequenos empreendedores. É preciso evitar isso.

O recuo na parte que aumentava alíquota de fundos e investimentos no exterior - e, portanto, pouco afetaria a população mais pobre - mostra a força das demandas da "Faria Lima", dos banqueiros, dos grandes rentistas. Eles querem sempre mais: julgam-se intocáveis!

O caminho para repensar o planejamento econômico exige uma reforma tributária estratégica, que permita o crescimento do investimento público, com uma estrutura tributária que priorize impostos progressivos sobre renda e patrimônio, tributação de grandes fortunas, lucros e dividendos, e a revisão de isenções fiscais - com R$ 554 bilhões de renúncias esse ano! Desde 2024 apresentamos um PL para limitar a farra dessas isenções.

Por outro lado, a Câmara não tem freios para aumentar o número de deputados nem para conter  salários acima do teto constitucional ou para taxar os super ricos. Também se agarra nas emendas parlamentares de R$ 50 bi e pouco transparentes (o que se tenta arrecadar com o IOF, R$ 19 bi, é duas vezes e meia menos). Já cortes no Minha Casa Minha Vida e novo contingenciamento de R$ 31 bilhões são considerados normais...

Ainda estamos longe da verdadeira Justiça Tributária!

TEXTO DE:
Chico Alencar

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

A Fake News da discórdia sai vitoriosa

É notório que a Meta através dos seus algoritmos e abraçado a ideologia nazifascista da extrema-direita, com apenas 1 reel conseguiram atingir milhões de pessoas na propagação de mais 1 mentira, e as pessoas acreditando.

Por conta de criminosos que agiram de forma coordenada espalhando mentiras para enganar e dar golpe no povo, o governo federal revogou ato que modernizava o monitoramento das transações financeiras.

A medida existe desde 2003 e a atualização mudava a fiscalização para contas que movimentam acima de 5 mil reais / mês.

Com a revogação, a fiscalização retorna para contas que movimentam apenas 2 mil reais / mês, ou seja, quem ganha isso por mês voltará a cair na malha fina.

A Receita Federal não está interessada em você que trabalha em aplicativos, autônomos, MEI ou em você que movimenta mais de 5 mil reais mas tem uma renda menor, isso já é normal, ninguém da Receita tem interesse em acabar com a sua renda, eles já sabem das suas transações há muito tempo e nunca aconteceu nada, igual com o cartão de crédito o que é normal.

O objetivo é acabar com a sonegação de impostos do crime organizado.

Comércios que vão usar a placa de que “Não aceitam mais PIX”, sonegam imposto ou caíram nessa 7 que a corja bolsonarista está contando para causar medo e abrir brechas para vários golpes que já estão acontecendo.

Vitória da mentira dos Bolsonaristas criminosos que novamente ferraram com os trabalhadores.

E uma parcela da classe trabalhadora acreditando, seja dentro das igrejas ou na frente dos coachs picaretas.

A extrema-direita não está preocupada com os pobres, mas está preocupada com os amigos que sonegam impostos; essa é a verdade.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 21 de dezembro de 2024

A Conspiração Mercado/Banco Central/Imprensa Golpista contra Lula

O Mercado quer Lula fora do governo, principalmente antes de 2026, e por isso trama todo esse jogo de especulação para jogar o Brasil numa recessão e abrir as portas para um possível impeachment. O Mercado não vê a chance do Lula sair através do rito democrático porque todas as pesquisas apontam vitória de Lula em todos os cenários, vai querer apelar para a mesma tática usada e aplicada na queda de Dilma Rousseff.

É extremamente revoltante a lógica que o Mercado e o Banco Central impõem no país. O Mercado projetou um PIB de 1,7% para 2024, a economia deve entregar 3,5%, mais que o dobro do previsto. A inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,87%, apenas 0,37 pontos acima do teto da meta, puxada por fatores externos e sazonais: Câmbio, Commodities (alta nas carnes, soja e café) e Clima (a agropecuária caiu 3,5% reduzindo a oferta de alimentos).

O mesmo mercado que errou feio o PIB agora dramatiza a inflação como se o Brasil tivesse à beira do abismo. E não, não está.

Mas o Mercado usa isso para exigir cortes de gastos em nome da “responsabilidade fiscal”, porém a imprensa golpista passa pano e cortina de fumaça na transparência das emendas parlamentares impostas pelo STF.

O governo atende com 70 bilhões de reais em cortes anuais, praticamente o que eles exigiram, mesmo assim o Mercado reage com histeria e o Banco Central aumenta em 1% prometendo mais 2%. O que isso significa? Cada 1% de aumento na Selic adiciona 50 bilhões de reais ao ano em juros da dívida pública.

Com 3% o custo adicional será de 150 bilhões por ano - mais que o dobro dos cortes feito pelo governo. Cortam 70 bilhões do orçamento para transferir 150 bilhões aos rentistas. Isso não é “responsabilidade fiscal”, é uma transferência massiva de renda dos mais pobres para os mais ricos; Roberto Campos Neto que o diga.

Aumentar a Selic não abaixa o preço do café, carne ou dólar. Juros altos não resolvem os problemas que dizem combater. Eles reduzem investimentos, travam o crescimento e drenam recursos de áreas essenciais. No fundo a lógica é sempre a mesma: TIRAR DO ORÇAMENTO DO POBRE PARA ENCHER O BOLSO DO RICO.

Quando o governo propõe aliviar quem ganha até 5 mil reais e taxar quem ganha mais de 50 mil, o mercado grita: Por que?

Porque isso inverteria o jogo. Esse é o mercado “neutro” e “nada ideológico” que diz que o “Brasil quebrou” enquanto exaltam através de editorial a Argentina como um “paraíso”.

Um bando de bandidos parasitas que querem acabar com o Brasil.


TEXTO DE:

Thiago Muniz

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

A Faria Lima Surtada

Em um governo de centro-esquerda, eleito democraticamente em um dos países mais desiguais do planeta, não dava para esperar do presidente Lula que fizesse exatamente aquilo que a cartilha da Faria Lima determinava.

                       (André Trigueiro)

E mal o ministro da Fazenda anunciou o pacote de medidas, a Faria Lima surta e se movimenta com retaliação aumentando o dólar. Alegam que com a isenção do imposto de renda pra quem ganha até 5 mil a economia vai quebrar. E a esquizofrenia é ainda maior quando pseudos-jornalistas metidos a economistas chancelam essa narrativa utópica.

Isso porque no anúncio haverá o corte de gastos que o próprio mercado foi lobista, principalmente dentro do Congresso Nacional. A Faria Lima surtou com o aumento do imposto em quem ganha mais de 50 mil, aqueles traders bebedores de gim tônica, que financiam a Porsche blindada e compram uma quitinete no Morumbi, tudo na comissão da XP. Esses tomam Rivotril com whisky todo santo dia.

Mas não…

…a Faria Lima quer ditar os rumos do país. Desde a Abolição da Escravatura ela rege com o argumento de quebrar a economia. A Faria Lima quer pobreza extrema, chicoteada em preto pobre no Carrefour, feminicídio ao extremo, picanha e wangyu vendida por bitcoin, praia privada e apostas online rolando até de manhã. Ou seja: a orgia social. 

O mercado sempre vai olhar feio porque o ajuste promovido por Haddad não se concentrou nos cortes profundos de gastos sociais (saúde, educação). O ministro da Fazenda tem como mandato servir a toda sociedade brasileira. Mesmo com o pacote fiscal de 70 bilhões, que inclui cortes nas regras do salário mínimo e abono, especulam com voracidade contra o Brasil. A preocupação não é com as contas públicas, é em manter os privilégios e fazer com que o povo pague a conta sempre. Se o governo não se rende, enfrenta ataque especulativo e instabilidade. 

A Faria Lima sempre vai mostrar a sua face, seja através da mídia golpista oligárquica e agora através das redes sociais com os filhotes de Primo Rico.


TEXTO DE:

Thiago Muniz

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

O G20 de Lula


Mas a economia e a política internacional não são monopólio de especialistas e nem de burocratas.
(Luiz Inácio Lula da Silva)

Assisti imagens do presidente Lula recebendo os chefes de Estado da cúpula do G20 com uma ternura e empatia, que me dá a sensação de que escolhi o voto certo. A diferença de tratamento a todos sem exceção é digna de respeito, um exemplo de estadista, onde preza as relações diplomáticas com ampla versão e não se importando se haverá reciprocidade, e sabemos quais são os países, mas isso não importa.

Num mundo tão ambicioso, egoísta, misógino, racista e homofóbico que estamos vivendo atualmente; é de suma importância um líder carismático reunir as 20 maiores economias do mundo, parar e refletir para que se entre num consenso. Falta ao mundo consenso, parar de gastar dinheiro exacerbado com guerras e mortes, usar para tirar populações da fome.

Os membros do G20 têm o poder e a responsabilidade de fazer a diferença para muita gente. Para o planeta, ao incentivarem a ambição climática em linha com o objetivo de limitar o aquecimento global a um grau e meio, como fez a Força Tarefa do Clima. Na prática, o presidente criou uma terceira trilha, que é o G20 Social, potencializando o trabalho dos grupos de engajamento e abrindo espaço para que a sociedade civil organizada do mundo inteiro pudesse contribuir com as políticas públicas que serão apresentadas aos chefes de Estado.

Este é um momento histórico para mim e para o G20. Ao longo deste ano, o grupo ganhou um terceiro pilar, que se somou aos pilares político e financeiro: o pilar social, construído por vocês. Aqui tomam forma a expressão e a vontade coletiva, motivadas pela busca de um mundo mais democrático, justo e diverso.
(Luiz Inácio Lula da Silva)

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 16 de novembro de 2024

Governo mira pensões militares para cortar gastos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu incluir o Ministério da Defesa nas discussões sobre o pacote de corte de gastos discutido há duas semanas pelo governo. Na mesa de negociação, está o regime de previdência dos militares e a proposta de pôr fim à pensão vitalícia para as filhas solteiras de militares falecidos.

Faz muito bem, diga-se. Se um setor da sociedade especula tomar o poder por uso de força, o mínimo que pode fazer é contribuir com as finanças do país.

O pagamento destas pensões foi extinto em 2001, mas a despesa com o benefício ainda é bilionária, já que militares que entraram até 2000 poderão garantir esse benefício à sua filha quando morrer. Em 2020, a União gastou R$ 19,3 bilhões com pensões de dependentes de militares. A maior parte do dinheiro foi para as filhas, muitas delas em idade produtiva.

Das 226 mil pessoas que recebem esse tipo de benefício no País, 137.916, ou 60% do total, são filhas de militares já mortos, segundo dados inéditos divulgados à época pela Controladoria-Geral da União (CGU), por meio do Portal da Transparência.

A reunião que irá discutir o tema entre o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o presidente Lula está prevista para esta quarta-feira, 13. O tema sobre regime de previdência dos militares é tratado como delicado no governo, pois envolve uma negociação entre o presidente Lula e as Forças Armadas, além da aprovação pelo Congresso.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, defendeu publicamente a inclusão da previdência dos militares na agenda de revisão de gastos do governo federal ao longo do ano. 

A previdência dos militares arrecadou R$ 9,1 bilhões no ano passado, mas as despesas totalizaram R$ 58,8 bilhões, resultando em um déficit de R$ 49,7 bilhões, apontou o Tribunal de Contas da União (TCU) no relatório das contas.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Escala 6x1 e o Pensamento Escravista

…Na morte eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis
Documentos fiéis
Ao descanso do patrão…
(Renato Russo)

A famosa escala 6x1, é a alegria de muitos patrões pelo Brasil afora, onde a empresa não pára e faz com que os funcionários produzam em larga escala. Isso em tese.

Mas será que produzem de fato com qualidade?

As pesquisas já provaram que não, vide que a qualidade de vida do funcionário cai drasticamente em virtude da longa jornada de trabalho e pouco tempo para o descanso. 

A escala 6x1 é de fato uma escravidão com carteira assinada. Essa escala faz parte do pensamento escravista dos empresários brasileiros que acham que o trabalhador é pior que uma máquina, e que precisa ser combatido. É necessário implementar alternativas que promovam uma jornada de trabalho mais equilibrada, permitindo que os trabalhadores desfrutem de tempo para suas vidas pessoais e familiares.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) em conjunto com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontou que exceder o limite de 40 horas semanais com frequência pode gerar problemas fatais.

Entre 2000 e 2016, cerca de 750 mil pessoas morreram devido às longas horas de trabalho, segundo o documento. No Brasil, a CLT impõe 44 horas semanais ao empregado.

As pessoas que trabalham na escala 6x1 estão numa situação análoga à escravidão. O Brasil foi o segundo país com mais casos de burnout (doença ocupacional decorrente do esgotamento físico, emocional e mental), segundo a pesquisa da International Stress Management Association (Isma-BR), realizada em 2021. Ainda de acordo com a organização, cerca de 30% dos trabalhadores no Brasil sofrem com a síndrome. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o trabalho em excesso pode levar a doenças graves e até à morte.

Movimentos neoliberais colonialistas empresariais e órgãos da imprensa tentam dizer pra você pensar o contrário, com o mesmo argumento de “afetar a economia”, mas isso já fazem desde o fim da escravidão, da criação do salário mínimo, da implementação do CLT e até do 13 salário.

Não caia nessa armadilha.


TEXTO DE:
Thiago Muniz