domingo, 29 de setembro de 2013

Crônicas de Uma República Pantaneira

A ÁRVORE QUE CAIU
Dia desses estava sentado na Praça Ary Coelho, lendo o Livro de Daniel, enquanto a maravilhosa fonte musical nos agraciava com Jingle Bell Rock ( Bobby Helms ), quando uma enorme árvore tombou, assustando todos os presentes.
Neste momento um senhor de idade muito avançada me olhou e disse: "Lá se vai a candidatura do Nelsinho".
Ponderei e lhe disse que uma árvore caída não significaria uma derrota dele ao governo do estado, e tentei argumentar. Porém o senhor era muito decidido, e me disse novamente: "Esse barco do PMDB afundou, filho. E tem muita gente indo a pique com ele".
Caso do ex-suplente-de-senador e senador por 5 minutos em 2006, Antônio João Hugo Rodrigues, que pensou estar do lado certo, e agora sofre dor de cotovelo.
O senhor, me disse que quando escutou Antônio João dizer que Campo Grande estava cansada de médicos na administração e que a cidade precisava de um empresário, ele se solidarizou, e pensou que enfim aparecia um homem forte para concorrer a prefeitura.
Ledo engano, pois após passar tempos usando seu jornal para mostrar as mazelas da péssima, porém maquiada, administração de Nelsinho, Antônio João, foi à maldita pescaria.
Bastou um fim de semana pescando com Nelsinho e um certo italiano, para não só desistir da candidatura, como passar a ser o maior defensor da candidatura de Edson Giroto ( PMDB ).
Seu jornal de circulação diária passou de mídia séria a mídia marrom-escura, trazendo elogios rasgados ao prefeito Nelsinho e a Giroto, além de acusações ridículas contra Alcídes Bernal.
Reinaldo Azambuja e Vander Loubet eram tratados como azarões e os outros dois candidatos não lembro o nome.
Suél Ferrante nem considerei candidato, porque não entendo o que fala mesmo...
Quando o "paraguaio" Bernal se mostrou um fenômeno de votos, o eixo-do-mal passou a usar lixo na campanha. Vídeos montados na Internet, jornalecos e panfletos jogados nas casas durante a madrugada, e denúncias no jornalzão de Antônio João que se mostravam ridículas, após uma análise mais séria.
O pior acontece, e Bernal acabou humilhando, italiano, Trades, Girotos e "raposões" do Detran.
Após este resumo, o senhor me olhou e disse sério: "dor de cotovelo das grossas", pois Antônio João agora sabe que ele mesmo poderia ter vencido aquele tal Giroto que foi fabricado pelo amigão italiano, mas que ninguém engoliu. Agora fica por aí, atacando Bernal e escondendo benfeitorias que este vem fazendo, como mero exemplo, o recapeamento da avenida das Bandeiras.
Uma pena ver o desespero de um derrotado não pelos votos mas por sua própria covardia e acomodação, que acabou destruindo os próprios sonhos e agora dia a dia destrói sua própria imagem despejando mágoas em páginas amareladas de um jornal que só é vendido por causa dos anúncios e caderno de esportes.
O que sei, disse o senhor ajeitando o boné, é que depois que foi trocado pelo Pedro Chaves na suplência do senador Delcídio, Antônio João passou a atacar o senador e ainda tem esperanças de conseguir eleger Nelsinho ao governo, para se vingar do corumbaense.
Uma pena, pois para um homem que abandonou o PTB, na intenção de fazer oposição ao péssimo Nelsinho na prefeitura de Campo Grande e até ameaçou sair candidato, hoje ser defensor de Nelsinho ao governo, é no mínimo triste, pois vemos que ele não tem condições de se decidir. Não consegue saber que rumo tomar da vida, mesmo sendo dono de um grupo tão grande como o grupo Correio do Estado. Lamentável...
Quando consegui digerir a enxurrada de informações, o senhor já havia partido. No meu devaneio nem perguntei o seu nome.
Apenas me ficou a imagem de um senhor que já não acredita mais nos homens públicos e na mídia tendenciosa.
Em tempo, lembrei que se o saudoso tenente Antônio João conhecesse o atual coronel da imprensa estadual, mudaria de nome, com certeza.


ESTA CRÔNICA É UM TEXTO DO MESMO AUTOR, PUBLICADO NO "JORNAL ISTO É MS" DO DIA 29/09/2013.