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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Fim do Panem et Circenses Hermano

Durante anos, o futebol mundial comprou uma narrativa confortável.

A Argentina não era apenas uma seleção vencedora, era apresentada como protagonista de uma epopeia cinematográfica. Cada vitória parecia fazer parte de um roteiro previamente aprovado pela publicidade, pelas transmissões televisivas e pelas redes sociais. O espetáculo precisava de um herói, e o herói precisava levantar a taça.

Mas toda mitologia encontra um dia em que o palco desaba.

A final da Copa expôs uma Argentina muito diferente daquela embalada pelo romantismo dos documentários e das campanhas publicitárias. O verniz caiu. Restou o comportamento.

Lionel Messi protagonizou um lance que dificilmente combina com a imagem do "gênio absoluto" construída ao longo da última década. Em vez de seguir o jogo, preferiu tentar convencer a arbitragem de que Marc Cucurella deveria ser expulso. Não foi um gesto de liderança. Foi uma tentativa pouco digna de influenciar a decisão do árbitro. Quando um dos maiores jogadores da história precisa recorrer ao teatro para alterar uma partida, algo já não vai bem.

A derrota, porém, retirou definitivamente a maquiagem.

Nos minutos finais, a seleção argentina transformou a frustração em agressividade. Entradas desnecessárias, empurrões, discussões e um comportamento incompatível com quem tantas vezes exigiu respeito ao "espírito esportivo". O futebol aceita a derrota como parte de sua essência. O destempero, não.

E então veio a cena que talvez simbolize toda a noite.

Na cerimônia de premiação, enquanto a Espanha celebrava o título, os jogadores argentinos permaneceram de costas para a festa dos campeões. O gesto pretendia demonstrar indignação; acabou revelando incapacidade de reconhecer o mérito do adversário. Há derrotas dolorosas, mas existe uma diferença enorme entre sofrer e desrespeitar.

Os grandes campeões também são medidos pela forma como perdem.

Foi justamente isso que desmontou uma narrativa construída durante anos.

A Argentina sempre gostou de apontar arrogância nos outros. Criticou europeus, brasileiros e qualquer seleção que demonstrasse excesso de confiança. Na primeira grande derrota depois da conquista mundial, revelou exatamente aquilo que dizia combater.

A ironia é inevitável.

Durante muito tempo, quem questionava certos privilégios concedidos à seleção argentina era tratado como conspiracionista. Cada lance polêmico era relativizado. Cada excesso era romantizado como "raça". Cada reclamação era transformada em "personalidade". Quando vence, chama-se paixão, quando perde, descobre-se que muitas vezes era apenas falta de controle.

A final funcionou como um espelho.

A Espanha venceu o jogo. Mas o futebol venceu algo maior: a necessidade de fabricar heróis intocáveis.

Nenhum craque está acima da crítica.

(Viu, Neymar?)

Nenhuma seleção merece imunidade moral apenas porque possui uma boa história para vender. O esporte continua sendo fascinante justamente porque destrói mitologias quando a bola rola.

O velho panem et circenses sempre dependeu da ilusão. Bastava oferecer espetáculo para que ninguém percebesse os bastidores. A final desta Copa fez exatamente o contrário: interrompeu o espetáculo e acendeu as luzes do teatro.

Sob essa iluminação menos romântica, a Argentina apareceu sem o figurino da epopeia.

E, talvez pela primeira vez em muito tempo, foi desmascarada diante do mundo.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

É o show das BETs na Cazé TV

A Cazé TV se vendeu completamente para as BETs e quase ninguém está falando disso, né?

Porque quando são as mulheres blogueiras, aí todos caem de críticas e com razão. Mas quando é o Casimiro, o gordinho gente boa, aí passa-se pano.

Você já viu os números da CazéTV? Quantas pessoas eles estão atingindo? Quantas pessoas estão inscritas? Quantas pessoas estão assistindo as lives que eles estão fazendo? Você viu os números?

Gente que apostava pouco recebe mais estímulo. Gente vulnerável agora passa a ser bombardeada por isso o dia inteiro por uma pessoa que ele gosta e confia, o Cazé. 

O que passa pano é o resumo da transmissão da CazéTV e de todo o futebol brasileiro em relação ao futebol brasileiro.

É uma passação de pano para uma seleção medíocre, uma seleção de influenciadores, de estrelinhas, de bilionários que sofreu muito para fazer três gols no Haiti.

Aí o menino Ney, o cara não consegue nem viajar que se lesiona, que comemorou a sua convocação induzindo as pessoas a jogar em BET. Está lá ocupando o lugar de outro atacante.

A seleção tem que ganhar para ficar nos Estados Unidos para não viajar para o México porque viajar desgasta. Ah é? Vai desgastar os bilionários fazer uma viagem num vôo particular fretado de primeira classe. É um homem lamber na bola do outro, assim uma coisa pornográfica. E tudo isso financiado por casa de apostas. 

Gente, hipocrisia tem limites.

Se você acha que isso é correto, continua, mas pelo menos assuma. Não seja hipócrita não de ficar pagando de: “ah! eu não gosto disso, eu critico isso…”, mas está aí, babando o ovo da CazéTV.

É Cazé, você está ferrando a vida de um monte de gente para ganhar mais dinheiro do que você já ganhou, do quarto na pandemia para os salões do sistema.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

domingo, 21 de junho de 2026

A Copa do Mundo me dá sono

Uma Copa do Mundo sem sal, sem emoção, sem alma. Talvez se a sede fosse somente no México eu sentiria mais tesão, mas isso seria impossível colocar 48 países e 104 jogos num único país.

A FIFA quer arrecadar mais dinheiro e arrendar mais apoio político, por isso aumentou o número de participantes. E essa será a tendência por um bom tempo, se não for em caráter definitivo.

Uma FIFA que beijou a mão do presidente dos Estados Unidos, que chancelou a aniquilação de Gaza e quase a extinção dos palestinos por meio do regime sionista do estado de Israel. Que invadiu a Venezuela e tomou de assalto o seu petróleo e sequestrou o seu chefe de Estado. Onde declarou guerra ao Irã mas foi pega de surpresa com o fechamento do estreito de Ormuz e viu o preço do petróleo subir a níveis estratosféricos.

Essa é a FIFA que foi capaz de conceder a medalha da paz para um homem que mais provocou o caos no mundo nos últimos dois anos.

Onde está a Copa da inclusão? Num país que não concede visto ao árbitro pela sua nacionalidade. Num país que caça imigrantes como se fossem ratos. Num país onde o futebol é o quinto esporte mais praticado, onde eles não chamam o futebol de futebol, chamam de “soccer”.

Volto aos meus 11 anos de idade lá em 1994, como foi boa aquela Copa, prefiro ter essas lembranças de juventude. Pode ser um tanto lúdicas? Sim! Mas pelo menos eu sentia verdade e emoção naquela Copa. Onde não havia a guerra da TV aberta e o streaming, era Galvão Bueno narrando e nada mais nada menos que Pelé comentando.

Ah! Bons tempos que não voltam mais. E lá nos idos de 1994 o Brasil trouxe a taça do Tetra homenageando o meu ídolo de infância Ayrton Senna.

Voltamos a 2026. Muito provavelmente não teremos o Hexa, uma Copa sem sal e tempero, vou voltar para minha cama onde o descanso é necessário. E torço para que o celular não toque com mais um falso alerta provocado por algum hacker mercenário.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Copa da Vergonha Mundial

Quando o VAR não aciona o árbitro para analisar uma entrada para expulsão de Leonel Messi, a FIFA apenas comprova sem pudor o que todos já sabíamos: que esta Copa é a Copa da Vergonha Mundial.

Uma Copa que poderia ser conhecida pela Copa da Diáspora, pela quantidade de jogadores nascidos fora do país cuja seleção defende, mas que será conhecida como Copa da Diáspora pelo tratamento colonial dado aos jogadores de países explorados.

Aliás, Copa do Exílio cairia bem, já que o principal árbitro africano foi exilado do torneio. Mas a FIFA já anunciou que pagará as diárias como se ele lá estivesse, afinal, trata-se de dinheiro. Ou você achava que a Copa tinha haver com futebol?

Árbitro faz sinal de "white power" dentro da cabine do VAR, e a FIFA estuda se vai poder punir, sem que corra o risco de desagradar o homem que comprou a Copa e justamente é o grande expoente mundial desse movimento racista.

Jogadores do Irã são barrados de entrar e depois de sair dos EUA, mas o fantoche, digo, presidente da FIFA vai ao vestiário fingir um apoio que não existe.

Estrangeiros são detidos pelo ICE, por cometer o crime hediondo de ter pele escura.

Mas o dinheiro corre solto. Messi imune as regras aplicadas aos jogadores que não dão o mesmo retorno finenceiro. Neymar mandando naquela que deveria ser a maior seleção do mundo, mas que não passa de um eterno azarão.

E a imprensa romantiza o Vozinha. Herói improvável vindo de uma nação "inferior" e que serve como distração para que os reais problemas do torneio sejam jogados para debaixo do tapete.

A conclusão que fica é que se alguns países tivessem um mínimo de vergonha na cara, jamais voltariam a participar de um torneio realizado por esse câncer chamado FIFA.

O atual fantoche que atualmente finge comandar a instituição não deveria permanecer no cargo, após o torneio, mas com certeza vai ficar. Obviamente, convidar quase todos os países mais pobres para dividir o palco com os europeus limpinhos vai trazer um apoio enorme.

Porque mesmo nesses países pobres, quem manda é o dinheiro, mesmo que em menores quantidades.

Pois é, amigos, linda Copa.

Aquela que deveria ficar na memória pela despedida de Messi, CR7 e até mesmo Neymar, vai ficar na memória pela despedida do futebol mesmo.

domingo, 14 de junho de 2026

A FIFA e a CBF: entre o meretrício, a subserviência e a Disney

Confesso que perdi o encanto pela Seleção Brasileira há tempos. Para ser exato, desde o Penta de 2002. Mataram a alma daquele menino que chorou no Tri de 1970 e se orgulhava de dizer aos amigos da escola: “o Félix, do Fluminense, é campeão do mundo”.

O que mudou? Talvez o fato de que, dos últimos seis presidentes da CBF, cinco tiveram seus mandatos encerrados por prisão, banimento ou decisão judicial.

Quando penso que nada mais pode surpreender, surge a notícia: a CBF banca passagens, hospedagem, alimentação e ingressos para presidentes dos 40 clubes das Séries A e B e para todas as federações estaduais.

Os dirigentes dos clubes passam dias em Nova York. Os das federações ganharam pacote premium em Orlando, ingressos em áreas nobres e direito a acompanhante para os jogos do Brasil.

No futebol, isso tem nome: “turismo eleitoral”. Afagos custeados pela entidade para agradar justamente quem decide eleições e destinos políticos da própria CBF.

Depois, espantam-se com a reeleição - por unanimidade - do Rubinho na FERJ. Na boa, isso é apenas um dos inúmeros fios da teia que aprisiona o futebol brasileiro.

A CBF segue cada vez mais rica. Já os clubes — inclusive o meu Fluminense — afundam em dívidas bilionárias, quase impagáveis.

Quanto ao jogo, resultou no empate que previ numa LIVE, na sexta à noite. Mas assistir ao limitado Paquetá, ao cansado Casemiro, ao bonde Igor Thiago, ao improvisado Ibañez, ao CHAMAGOL Alisson: é dose.

É óbvio que torci, mas com esse 4-2-4 e certos jogadores de empresários, não existe Viagra que dê jeito.

Mas, a razão maior desse texto é com relação à postura da FIFA, que virou TCHUTCHUCA do Trump. 

As principais reclamações giram em torno da sua omissão diante de restrições impostas pelos Estados Unidos a participantes da Copa de 2026.

Houve casos de negação de vistos e retenções prolongadas em aeroportos, afetando o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, membros de delegações (especialmente do Irã), jogadores, como Aymen Hussein, e profissionais de diversos países.

Gianni Infantino, o Presidente da FIFA, transformou-se em VASSALO do governo americano, não se posicionando com firmeza, limitando-se a lamentar os fatos, alegando não ter controle sobre políticas de imigração.

Pura hipocrisia e duplo padrão, pois a FIFA agiu com muito mais rigor em outras questões políticas, mas não usou sua influência para garantir igualdade de condições e o cumprimento dos princípios do torneio, deixando profissionais impedidos de exercer suas funções.

Cabe recordar que a política de restrições norte-americana contrasta com o histórico da própria FIFA, que chegou a remover a Indonésia do posto de sede do Mundial Sub-20 de 2023 por razões políticas semelhantes.

A atual Copa do Mundo está sendo disputada por 48 seleções, o que significa a antítese ao bom futebol.

Em todos os casos, bem-vindos à Disneylândia, onde o torcedor, quer dizer, o PATETA, é o funcionário do mês.

TEXTO DE:
Antonio Gonzalez

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Os fracassados milionários


 Existe uma panela de jogadores que na última década estão rotineiramente dentro do calvário da Seleção Brasileira, não produzem resultados para justificar as suas presenças e ainda deixam a impressão que opinam em quem pode ou não estar nas convocações. 

Um pouco antes da convocação para a Copa do Mundo, vimos numa entrevista o jogador Casimiro declarar que o jogador Endrick não estava pronto para jogar na seleção.

No alto de seus 19 anos, foi importante na conquista de um Brasileirão para o Palmeiras, fez gols importantes para o Real Madrid e agora na última passagem pelo Lyon fez gols que ajudaram muito o clube.

Se aos 19 anos ele acha que o Endrick não está pronto, o que ele acha do Pelé em 1958? O que ele acha da convocação do Ronaldo Nazário em 1994?

Panela!

O que essa atual geração de jogadores produziu e conquistou com a Seleção Brasileira?

A tal ponto de dar pitacos em quem pode ou não ser convocado. Há os que pelo menos já disputaram no mínimo 1 Copa do Mundo e nada.

São bons jogadores, isso é um fato; possuem carreiras sólidas em seus clubes, uma ótima situação financeira, mas não foram capazes de se consolidar dentro da Seleção Brasileira. São milionários fracassados, e será mais uma Copa medíocre.

São os culpados pela derrocada da seleção brasileira? É claro que não, há diversas variantes, principalmente na cadeia de comando. Mas são potenciais indicadores por essa queda brusca na falta de resultados consistentes. E não há uma indignação, pois eles viram a chave e passam a viver suas ricas vidas. 

Falta sangue, suor e lágrimas; jogadores que tenham fome.

A Seleção Brasileira precisa dessa essência, e não se deixar ser dominada pela importação de costumes. 

TEXTO DE:
Thiago Muniz

terça-feira, 9 de junho de 2026

Pau que bate no Wesley não bate no Neymar

E aí Mr. Carlo Ancelotti? Onde está o parâmetro dos 100%?

Primeiro toda uma história e narrativa para a convocação de Neymar; o jogador com maior talento e maior desperdício dos últimos vinte anos no futebol brasileiro, os lobbies nitidamente comprados e argumentos nada factíveis fizeram que no dia 18 de maio foste enfim convocado.

Nisso tudo foi por água abaixo a declaração de Ancelotti sobre a convocação dos jogadores em estarem 100% da forma física.

Pois bem… o Neymar se apresentou na Granja Comary e o departamento médico da CBF dentro do seu protocolo fez exames de imagem nele, e contrariando o laudo enviado pelos médicos do Santos.

O Santos alegou edema, a CBF constatou lesão.

Neymar sofreu uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha. O problema médico, que envolve uma ruptura parcial das fibras musculares e causa dor e perda de força.

O edema é apenas o inchaço causado pelo acúmulo de líquidos em uma parte do corpo. A lesão é o dano real ou a ruptura nas fibras do tecido (como músculos ou ligamentos).

O Neymar já não apresentava estar em sua plena forma física, tecnicamente então nem se fala; bastava acompanhar os jogos, não precisa ser muito entendedor de futebol.

O lateral-direito Wesley sofreu uma lesão muscular de grau 3 no músculo adutor da coxa esquerda. Ele sentiu dores durante um amistoso da Seleção Brasileira contra o Egito no dia 06 de junho.

Exames de ressonância magnética confirmaram a contusão, o que causou seu corte da Copa do Mundo. Por causa da gravidade, o jogador precisará de mais de 40 dias de recuperação, podendo ficar afastado dos gramados por até 8 a 12 semanas. Em seu lugar, o técnico convocou o volante Éderson para a sequência do Mundial.

E onde está a linha de raciocínio e coerência de Carlo Ancelotti? A regra só serve para uns? Privilégios para outros?

Bye bye Brasil! 

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Tristirinhas do Thiago Muniz edição Pré-Copa do Mundo 2026

1) Duas dúzias de torcedores na praça Mauá gritando pelo nome do Neymar. Isso não é clamor popular, isso é tráfego pago em tempo real pra alimentar mídia digital. Clamor popular foi em 1994 pra convocar o Romário no último jogo das Eliminatórias; o Parreira sabe bem o que foi pressão popular. Assistir um monte de pseudo-jornalistas e influencers-torcedores gritando pelo Neymar dentro do Museu do Amanhã foi uma cena deprimente.

2) O Paulo Vinicius Coelho fez uma pergunta que deixou o Ancelotti “de joelhos” sobre a não convocação de João Pedro e a convocação de Neymar, mas o italiano é raposa velha soube dar uma resposta sem perder a postura.

3) O pão e circo da CBF só entreteu aos bobos da corte; traduzindo: celebridades, influenciadores e pseudo-jornalistas, talvez alguns deles dentro da folha de pagamento da confederação.

4) Com a renovação de contrato para o ciclo 2030 fechado, muito provável que Ancelotti tenha cedido a convocar o Neymar. Quem pressionou? Não posso apontar ninguém sem provas, mas o italiano cedeu a pressão, com certeza. E teve que sacrificar alguém, e esse alguém foi o João Pedro, isso é um fato. João Pedro por sinal na semana anterior fez um golaço de bicicleta na Premier League, o Neymar mostrou o comprovante de substituição na frente da câmera. Prioridades!

5) João Pedro, que declarou publicamente que gostaria de ver o Neymar na seleção. Pois bem; vai assistir na TV. Cuidado com aquilo que desejas.

6) Gostei das convocações do Danilo, Endrick, Igor Thiago, Rayan e Luiz Henrique. São jogadores que tem fome e sangue nos olhos; não sentem a pressão, tem o espírito de jogador brasileiro ainda correndo em suas vêias. Prestemos atenção neles.

7) Já que o Neymar dará “pano pra manga”; torço para que ele não exija titularidade; mas acho que isso será muito difícil de acontecer.

8) O meu palpite hoje será de no máximo chegar nas quartas de final, com muito esforço podendo chegar a semifinal. Hoje tem seleções em nível superior ao Brasil: França, Portugal e Espanha; com Argentina, Holanda e Inglaterra um degrau acima. O Brasil vai ter que se encontrar durante a competição e mostrar o peso da camisa.

9) E vagabundo tá lá…

10) Vai Brasil! 🇧🇷

🇧🇷 4 x 1 🇮🇹 (México 1970)

O quarto gol marcado contra a forte seleção da Itália na Copa 1970, no México, foi o gol que consagrou a seleção brasileira.

Na final o Brasil já dominava e vencia por 3x1 quando protagonizou uma obra-prima coletiva: toques de primeira, inteligência tática, harmonia em movimento… até Pelé deixar a bola rolando suavemente para Carlos Alberto Torres chegar batendo com perfeição. A Seleção de 70 não foi só campeã — foi poesia em forma de futebol. Cada jogada era arte. Cada passe, história.

Naquela época, não era comum como é hoje, de um lateral subir ao ataque para tentar marcar um gol. Os homens daquela posição se limitavam a marcar na defesa e se alguém ousasse subir até o tento adversário, a bronca do técnico era mais que certa.

Mas Carlos Alberto Torres não respeitava muito essas limitações, em toda sua história, ele sempre dizia que os técnicos ficavam loucos quando ele subia ao ataque. Essa era uma de suas características, ele sempre contava isso quando falava com a imprensa sobre um dos gols mais belos da história das Copas do Mundo.

TEXTOS DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Neymar é um tapa na cara dos brasileiros

Em um país que transformou a meritocracia em religião de mercado, embora a realidade social desminta diariamente esse sermão neoliberal, a convocação de Neymar para a Copa do Mundo surge como uma espécie de parábola cruel do Brasil contemporâneo: aqui, o discurso do mérito vale apenas para o pobre anônimo.

Para os ídolos milionários, para os protegidos do espetáculo, para os ativos comerciais da indústria do futebol, sempre haverá uma exceção conveniente.

O cidadão comum ouve desde cedo que precisa “merecer” cada espaço. Dizem-lhe que fracasso é culpa individual, que ascensão depende apenas de esforço, disciplina e performance.

Mas basta olhar para a Seleção Brasileira para perceber que o país nunca acreditou verdadeiramente nisso.

Neymar, há anos mais relevante como celebridade digital do que como atleta decisivo em alto nível, segue tratado como patrimônio intocável da pátria.

Pouco importa sequência física irregular, pouco importa o futebol intermitente, pouco importa o histórico recente de lesões e ausência competitiva. O marketing pede sua presença. E, no Brasil do espetáculo, o marketing costuma derrotar o mérito.

Não se trata aqui de negar a importância histórica do jogador. Neymar foi um dos maiores talentos de sua geração. O problema é justamente outro: a imprensa esportiva brasileira se recusa a tratar o tema no tempo verbal correto.

Falam dele como se ainda estivéssemos em 2015. Como se bastasse pronunciar seu nome para que o campo se iluminasse automaticamente. Há uma infantilização permanente da cobertura esportiva nacional, incapaz de separar memória afetiva de análise objetiva.

E então começa o ritual da encenação coletiva.

Programas esportivos transformam a convocação em clima de réveillon patriótico.

Ex-jogadores agem como relações públicas emocionados. Narradores vendem esperança em tom messiânico. Repórteres sorriem diante das câmeras como quem anuncia a volta de um salvador nacional. A crítica desaparece. A análise tática desaparece. O debate físico desaparece. Some até mesmo o mínimo constrangimento profissional.

Em vez de perguntar se Neymar ainda entrega, discutem apenas como será “bonito” vê-lo novamente de amarelo.

Em vez de avaliar rendimento, intensidade, capacidade competitiva ou encaixe coletivo, preferem transformar o telejornal esportivo em peça publicitária emocional.

O telespectador não recebe informação; recebe torcida organizada travestida de jornalismo.

A imprensa esportiva brasileira, em muitos momentos, abandonou a função crítica para atuar como departamento de promoção do entretenimento futebolístico.

E talvez esteja aí o ponto mais vergonhoso de toda essa história. Porque não é apenas sobre Neymar. É sobre um sistema inteiro que protege celebridades enquanto exige brutal competitividade dos demais.

Quando um jovem jogador oscila durante três partidas, é massacrado em rede nacional. Quando um atleta menos midiático perde rendimento, logo surgem discursos sobre renovação, meritocracia e “fim de ciclo”. Mas Neymar habita outra categoria: a dos intocáveis do mercado. Sua convocação deixa de ser questão esportiva e passa a ser questão econômica, televisiva e simbólica.

O futebol brasileiro, que já produziu debates profundos sobre tática, formação e identidade de jogo, hoje frequentemente se rende à lógica rasa do engajamento. O que importa não é quem está melhor; importa quem gera clique, audiência, patrocinador e nostalgia.

E assim o país segue encenando sua grande mentira nacional: a de que acredita no mérito.

Não acredita. Nunca acreditou.

A meritocracia brasileira funciona como instrumento moral para disciplinar pobres, jamais como princípio real para distribuir oportunidades. No topo da pirâmide, o sobrenome, a fama, o capital simbólico e o interesse comercial continuam pesando mais do que desempenho concreto.

Neymar foi convocado apenas pelo que representa fora de campo e não pelo que entrega dentro dele, será mais um capítulo dessa velha tragédia brasileira: um país que exige excelência dos invisíveis enquanto transforma privilégios em espetáculo patriótico para consumo popular.

Seleção Brasileira Copa 2026

O Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética.

Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: “O Brasil não vai nem se classificar!”.

E no ciclo para 2026 eu pessoalmente tive o receio que o Brasil não se classificasse para a Copa; mas ao mesmo tempo eu analisava as circunstâncias e via que isso seria muito difícil, afinal serão 48 seleções, as vagas correspondentes na América do Sul tornam potências como Brasil, Argentina e Uruguai favoritas sempre numa das vagas.

Convocação feita por Carlo Ancelotti, um dos maiores técnicos do cenário mundial. Acho que o maior acerto da CBF foi na renovação de contrato com Ancelotti, mostra a confiança plena em seu trabalho e tira um certo peso na obrigatoriedade em conquistar a taça, e isso pode facilitar em muito o trabalho de ciclo de quatro anos para 2030.

Óbvio que a torcida será já para 2026, mas devemos saber que o ciclo 2022-2026 foi uma catástrofe na falta de planejamento, o Ancelotti chegou não tem nem 1 ano e não teve tempo suficiente para montar por completo o seu grupo de confiança.

Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Oscar 14

“Eu cresci na Itália assistindo ao jogos do Oscar Schmidt, e ele se tornou um ídolo meu. Era um jogador excelente. Conversei com ele em Londres. Tive a chance de falar um pouco com ele. Eu realmente gostava de vê-lo jogar quando eu era criança.”
(Kobe Bryant)

Oscar Schmidt, o "Mão Santa", nos deixou aos 68 anos e deixa um legado eterno para o esporte brasileiro.

Nascido em Natal, ele se tornou o maior pontuador da história do basquete mundial: foram quase 50 mil pontos ao longo de 25 temporadas.

Participou de cinco Olimpíadas e ainda ostenta o recorde de maior cestinha da história dos Jogos. No Pan de 1987, liderou o Brasil na histórica vitória sobre os Estados Unidos, na casa deles.

Oscar mostrou ao mundo que o Brasil vai além do futebol. Um ídolo que ensinou gerações a amar o basquete e a acreditar no impossível.

Oscar construiu uma das carreiras mais impressionantes do basquete mundial. Ídolo da seleção brasileira, participou de cinco Olimpíadas e liderou o Brasil na histórica conquista do ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em uma vitória marcante sobre os Estados Unidos.

Ao longo de sua carreira, somou impressionantes 49.973 pontos e também se tornou o maior cestinha da história das Olimpíadas, com 1.093 pontos.

Pela Seleção Brasileira, conquistou o ouro no Pan-Americano de 1987 e foi três vezes campeão sul-americano, em 1977, 1983 e 1985.

Por clubes, construiu uma trajetória igualmente vitoriosa, com três títulos brasileiros, um título sul-americano de clubes campeões, um título mundial, seis conquistas do Campeonato Paulista e dois títulos do Campeonato Carioca.

Mesmo escolhido no draft da NBA, Oscar optou por não jogar na liga americana para seguir defendendo a seleção brasileira, decisão que ajudou a consolidar sua imagem como símbolo do esporte no país. Ao longo da carreira, acumulou recordes, prêmios e entrou para os halls da fama do basquete mundial, incluindo o Basketball Hall of Fame, nos Estados Unidos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


quinta-feira, 2 de abril de 2026

A falência do futebol italiano

“…Itália campeã mundial de futebol, com todos os méritos, com todas as justiças…”
(VANUCCI, Fernando; 2006)

A Itália, tetracampeã do mundo, está fora da Copa do Mundo de novo. Tem uma geração inteira que nunca viu a Itália pisar numa Copa do Mundo.

E foi eliminada para a Bósnia.

E tudo começou bem, a Itália saiu na frente, mas aí veio a expulsão de Bastoni, que deixou a Itália com um jogador a menos.

A Bósnia aproveitou e empatou o jogo. É aquele drama total, sabe quando você olha e está com cara de tragédia? E que tudo vai dar errado?

O jogo foi para os pênaltis, e ali, 4x1, a Itália foi eliminada.

Sério, inacreditável.

Só pra dar um contexto, a Itália participava de todas as Copas do Mundo desde a copa de 62. Foram 60 anos de participação ininterrupta.

Só que em 2018, na Rússia, a Suécia eliminou a Itália na repescagem. Era a primeira ausência em 60 anos. Ali foi um choque.

Depois, em 2022, no Qatar, a Macedônia do Norte fez o inimaginável. Surpreendeu a Itália e a tirou da Copa novamente. E agora, em 2026, a Bósnia fechou o ciclo da tragédia.

Estamos falando de três Copas consecutivas sem a Itália. Uma geração inteira de italianos que cresceu sem ver uma das principais seleções do mundo jogar uma Copa.

Desde 2006, quando a Itália foi campeã pela última vez, parece que tudo desabou. Vinte anos se passaram, vinte anos de declínio no futebol. Essa camisa azul, que já fez duas finais de Copa do Mundo contra o Brasil, fez um planeta inteiro tremer, hoje pesa toneladas.

A Camisa que conquistou quatro títulos mundiais, gente; 34, 38, 82 e 2006. Agora carrega o peso de mais uma eliminação. 

E aí eu vou fazer a pergunta pra você: Camisa pesa para se classificar em Copa do Mundo? Para mim pode pesar mas depende do contexto da situação; no caso da Itália pesa demais mas no sentido do tabu que carrega em não disputar a Copa do Mundo; não só a camisa pesa mas também todo o psicológico em cima dos jogadores.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 30 de março de 2026

Neymar no divã

“Dai a César o que é de César…”
(CRISTO, Jesus)

Como já disse anteriormente, o Neymar é o maior talento do futebol brasileiro dos últimos 20 anos e também o maior desperdício.

Neymar talvez esteja vendo pela primeira vez em sua carreira de jogador de futebol que a vida não é um mar de flores. É um dos jogadores mais bem remunerados do mundo, possui patrimônio para seus filhos e netos, possui uma tropa de bajuladores para inflar o seu ego, influenciadores digitais e jornalistas para fazer o seu lobby em alta; mas mesmo assim não brilha aos olhos do atual técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti. 

Ancelotti por sinal deu mostras de uma tentativa de aproximação com Neymar, para vê-lo de perto; e não digo só dentro de campo na qual o Santos tinha se manifestado que ele não jogaria. Mas o Ancelotti testou o comportamento de Neymar ao ter ido a longíqua cidade de Mirassol, queria ver se Neymar estaria no estádio vendo e torcendo pelos seus companheiros e pelo clube na qual joga. Qualquer atleta mediano interessado em disputar a Copa do Mundo estaria no estádio com sangue nos olhos assistindo ao lado do técnico da seleção brasileira. Mesmo que não tivesse condições físicas, Neymar mostraria empatia com o seu clube e com Ancelotti. 

Ancelotti não puxa o saco de Neymar como foi os seus antecessores. Desde que assumiu a seleção ele vem dando recado em todas as suas convocações de que precisa estar 100% fisicamente. O Neymar precisa desse choque de realidade, talvez seja tarde demais na carreira mas que seja para a sua vida pela frente.

TEXTO DE :
Thiago Muniz

domingo, 22 de março de 2026

A F1 como produto oculto da Rede Globo

Imagina só, você ter o melhor produto do mundo e decidir escondê-lo do público.

É exatamente isso que a Globo está fazendo com a Fórmula 1.

Depois de alguns anos vendo a Band tratar a Fórmula 1 com o carinho de uma avó que faz aquele bolo de cenoura quentinho pra você, a Globo decidiu andar para o futuro com métodos do passado.

O plano seria brilhante se nós estivéssemos em 1994, e esconder a maioria das corridas atrás de um pedágio chamado Sport TV ou Globoplay.

É uma estratégia de sequestro da sua atenção. Eles pegam algo que a Band democratizou e escondem atrás de um cofre.

Enquanto a Band estava entregando horas e horas de transmissão com treino, com pódio e com pós-corrida, a Globo está esperando que você pague um resgate com parcelas mensais.

Enquanto isso, em algum lugar do YouTube, o pessoal da Cazé TV e da Live Mode deve estar assistindo isso no sofá, tomando um vinho bem tranquilo.

E o motivo você já sabe. Eles já provaram que a moeda da década não é assinatura forçada, mas é um engajamento massivo numa construção de comunidade.

E um modelo aberto e digital cria comunidades fortes, enquanto o modelo da Globo está criando ressentimento.

E ao ignorar o legado da Band e a revolução de acessibilidade da Cazé TV, a Globo parece que está cometendo um erro clássico de posicionamento.

Eles estão tentando resgatar um modelo de assinatura na televisão que está respirando por aparelhos, sacrificando a todo custo a conversa digital que torna marcas relevantes hoje. Porque se ninguém está vendo, não vai rolar conversa. E se ninguém conversa e comenta, os patrocinadores estão pagando apenas pra aparecer numa sala vazia com o ar-condicionado gelado.

E isso nos traz uma lição absurda sobre estratégia de canal.

O empresário precisa entender que ele precisa fluir pra onde a audiência dele já está, e não tentar obrigar a audiência a escalar um muro pra encontrá-lo. E quando você cria fricção e atrito no consumo, você abre brecha.

E no mercado, a brecha é a oportunidade pro próximo inovador que não tem medo de ser grátis pra parecer gigante.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A importância das Artes Marciais na minha vida

 

Eu sou um apaixonado por artes marciais, eu fui uma criança forjada pelo fascínio do mundo das lutas; seja em torneios ou em filmes.

Um dos meus fascínios foi o antigo Ultimate Fighting Championship, atual UFC, lá nos meandros do ano de 1993.

Lá eu tive o primeiro contato com o Jiu Jitsu, onde eu assisti numa fita alugada de uma locadora do meu bairro (locadora é a avó do streaming) um lutador de 80kg como Royce Gracie vencer lutadores bem mais pesados do que ele usando golpes e alavancas onde simplesmente anulava o oponente; essa é a essência do jiu jitsu moderno oriundo do pioneirismo de Carlos Gracie e sua família.

Pois bem, eu iniciei no jiu jitsu através do filho de Carlos Gracie, o lendário mestre, o poderoso Carlson Gracie a quem tenho muito orgulho de não só ter conhecido mas ter sido treinado pelo próprio, tendo chegado a faixa preta através dos ensinamentos dele. 

O Jiu Jitsu para mim foi um dos pilares para que eu siga até hoje os ritos como disciplina e respeito ao próximo, pois a vida não é só nos limites do tatame, você conduz pelo mundo afora.

As artes marciais deveriam ser elemento obrigatório para que toda criança pudesse entender o quão importante é a figura do professor, o quão importante é defender a palavra honra, o quão importante é aprender no dia a dia a sabedoria.


TEXTO DE:

Thiago Muniz

Melancólico Fim de Ganso e Neymar

Houve um tempo em que a bola parecia obedecer a eles por gratidão. Não por imposição física, não por velocidade, não por choque — mas por talento. A bola ia porque queria ir.

Quando Paulo Henrique Ganso surgiu no Santos Futebol Clube, ao lado de um menino magro de cabelo moicano, falava-se em uma nova linhagem do futebol brasileiro.

Era a pausa contra o cronômetro, o passe que desmontava defesas como quem abre uma carta antiga. Ganso não corria: pensava. E pensar, naquele momento, parecia suficiente.

Do outro lado, estava Neymar, o mais improvável dos improváveis. Dribles que não pediam licença, gols que pareciam vídeos editados.

O mundo se curvou cedo demais. Barcelona, Paris, cifras astronômicas, campanhas publicitárias, e a promessa de finalmente devolver ao Brasil um protagonismo em Copa do Mundo.

O tempo passou. E o futebol, impiedoso, não espera quem joga em câmera lenta, nem perdoa quem vive em ritmo de trailer.

Ganso reencontrou dignidade no Fluminense Football Club. Foi campeão, foi útil, foi cerebral como sempre. Mas nunca foi ídolo incontestável.

Faltou-lhe a epopeia. Faltou-lhe o momento que transforma respeito em devoção. Sua carreira virou uma coleção de lampejos tardios, como se o auge tivesse ficado preso numa promessa de 2010.

Neymar voltou ao Santos cercado de nostalgia, quase como quem tenta reencontrar a própria adolescência.

Mas o futebol não é máquina do tempo. As lesões, as interrupções, o excesso de expectativa — tudo foi pesando.

Na Seleção Brasileira de Futebol, os números são grandes, os recordes são discutíveis, mas a ausência de uma Copa erguida é um silêncio que ecoa mais alto que qualquer estatística.

Não se trata de fracasso. Seria injusto.

Ambos foram gigantes técnicos. Ambos encantaram. Ambos ganharam muito dinheiro, muitos títulos, muitos aplausos.

Mas há uma diferença sutil entre ser talentoso e ser símbolo.

O futebol brasileiro, órfão de heróis absolutos desde gerações anteriores, depositou neles algo que talvez fosse grande demais: a esperança de um retorno ao romantismo, à genialidade que decide Copas, ao camisa 10 que carrega o país nas costas.

Hoje, ao vê-los em campo, o sentimento não é raiva. É melancolia.

É perceber que duas das maiores promessas da nossa geração estão se aproximando do fim da linha sem terem conquistado aquilo que parecia inevitável: a consagração indiscutível.

Ganso será lembrado como o maestro que o tempo atropelou.

Neymar, como o craque que teve o mundo aos pés, mas nunca o mundo nas mãos.

E talvez doa justamente por isso: porque por alguns anos acreditamos que eles seriam eternos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Em um país Colonial, ser um preto livre incomoda a Casa Grande

No dia 17/02 houve o jogo do Benfica contra o Real Madrid, no Estádio da Luz em Lisboa.

E o jogo ficou marcado por um ato racista, inexplicável e revoltante contra o Vinicius Júnior.

Após um golaço que o Vini fez, ele precisou, apenas dançar, para aflorar todo racismo contra um jogador negro de pele retinta, que é livre e pode comemorar como bem quiser.

Um jogador argentino, chamado Prestianni, covardemente, colocando a camisa por cima da boca, começou a chamar o Vini de macaco.

E pra piorar todo cenário. O jogador racista, após cometer um crime, saiu aplaudido do estádio.

O que aconteceu com o Vini Jr. não é um caso isolado. Longe disso. Ele acumula inúmeros casos de racismo sofrido, seja na Champions League ou La Liga, os dias passam, as semanas voam e os meses mudam, mas, sempre ocorre atos racistas que as organizações não encontram soluções eficientes para punir severamente tais ações.

Aí tem uns imbecis que falam “ah mas isso só acontece com o Vini, pq o jogador X e Y não sofre racismo”.

Obviamente, o Vini Jr. é fora da curva. Ele se posiciona contra os racistas. Ele comprou esse luta dentro do futebol. Ele continua dançando. Ele continua fazendo gol e debochando. Ele continua sendo um dos jogadores mais bem pagos do mundo. Ele continua sendo o camisa 7 de um dos clubes mais ricos do mundo.
Ele é quase perfeito. Mas ele é preto.

E ser preto, em um país colonial, em uma Europa branca, elitista e supremacista, incomoda para um K-ralho.

Pois, ele não se rende a mudar. Ele não se rende a querer reformular suas atitudes.

E nem deve se render.

O método eficiente contra racista é simples: Fósforo e Gasolina.

Não tem diálogo, não tem justificativas. Se for possível, sem dúvidas, é fogo.

Não esperamos nada da Europa em punir o jogador racista, apenas uma nota com a hashtag “no racism” e nada mais.

O que desejamos é muita força, muita fé, muito axé e que o Vini continue firme e forte, sem se abalar e entrando na mente de cada racista.

A pele preta incomoda.

Ainda mais, quando é um(a) preto(a) com cabeça erguida e disposição!

E que eles continuem sofrendo com o seu sorriso.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Inflacionamento do futebol brasileiro

Há um movimento acontecendo no futebol brasileiro extremamente nocivo: inflação desacerbada de algumas contratações.

E vou exemplificar bem. Primeiro a de Gerson pelo Cruzeiro, depois a do Lucas Paquetá via Flamengo e agora estará sendo concretizada a de John Árias pelo Palmeiras.

Valores estratosféricos e nenhum deles faz jus aos valores empregados. É muito mais uma demonstração de poder perante aos demais clubes do que inteligência, uma aposta em médio e longo prazo.

O debate não é sobre méritos, e sim sobre ganância e poder de compra. E isso sempre existiu e não vai morrer dentro do universo do futebol.

O grande problema é esses clubes forçarem os demais a também tentarem cifras altas por contratações e mais para frente não honrarem com seus compromissos e na cara de pau ocasionarem calotes homéricos.

Valores e salários altos exigem expectativas e cobranças altas.

O Cruzeiro hoje possui o seu “Midas”, o Flamengo com essa atual diretoria ao que parece possui uma ideologia diferente do modelo de gestão anterior mas que mantém uma certa sustentabilidade financeira, e o Palmeiras onde tem uma presidente que acha que possui dinheiro infinito só porque o seu marido é banqueiro e já foram patrocinadores master com poderes.

Isso leva a contratações bem duvidosas, ainda mais pelas cifras inflacionadas. Num médio a longo prazo será extremamente nocivo pois vai mexer com o sentimento passional do torcedor.

Em ano de Copa do Mundo há alguns clubes com poder financeiro abastados, com modelos de gestão diferentes uns dos outros e que literalmente deram “All-in” em seus cofres.

Gerson saiu do Flamengo se sentindo desvalorizado, partiu para o futebol (sancionado) russo onde viu que a realidade era outra e vendo a possibilidade de mais uma Copa do Mundo escapar, seu pai e empresário achou a “galinha dos ovos de ouro” no Cruzeiro. 

Lucas Paquetá é um caso atípico de inflação. Sem espaço  na Premier League e nas demais ligas da Europa; acha uma espécie de portal da redenção voltando para o futebol brasileiro, no mesmo clube que o revelou, com uma realidade financeira megalomaníaca; bate na mesa e quebra o recorde do futebol brasileiro.

Detalhe: ele não tem repertório técnico para justificar esse valor de contratação. E seleção brasileira no currículo já não é mais parâmetro há décadas. Veremos cenas dos próximos capítulos e se por acaso o PIB de uma ilha homônima ao nome do jogador aumentar consideravelmente depois de algum jogo, desconfie.

O caso do Árias é atípico de como não se planejar e seguir somente um sonho. Tenhas muito cuidado com aquilo que desejas; um jogador com contrato vigente no Fluminense, com um acordo verbal do presidente anterior de que o liberaria após a Copa do Mundo de Clubes, na qual estava bem valorizado; fez valer ao máximo esse acordo verbal e saiu do clube na condição de ídolo máximo para um clube de zero expressão na Premier League na qual ficou meses no ostracismo.

Com a Copa do Mundo batendo na porta e o clube de zero expressão já deixando bem claro que não vai contar com ele na próxima temporada, se vê numa “faca de dois legumes”; a promessa pública de que só voltaria ao futebol brasileiro para o Fluminense e pela proposta altíssima do Palmeiras.

Onde estava o assessor ou empresário do Árias lá no ano passado que não orientou ele a não falar isso publicamente?

Veremos cenas dos próximos capítulos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Alô, Rede Globo! Já passaram do ponto

“Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão.”

A primeira rodada do Brasileiro 2026 encerrou e já veio com polêmica: o inconformismo do locutor Luis Roberto com um  “pênalti” não marcado em favor do Clube de Regatas do Flamengo.

Um adendo: Regatas é a origem do Flamengo, e não futebol.

E mesmo assim a atual diretoria extinguiu o investimento nesse esporte alegando não dar retorno financeiro.

Ok! Se pensa e age como uma empresa deveria ser tratada e cobrada fiscalmente como uma empresa, e não uma instituição sem fins lucrativos.

E o Flamengo deixou de ser “sem fins lucrativos” há décadas.

Digo “há décadas” pois desde o final da década de 70 e início de 80, a Rede Globo com o aval de seu torcedor fanático Roberto Marinho e uma trupe de jornalistas extremamente parciais e passionais criaram a FlaPress, onde até hoje atuam em prol de criar, sustentar e manipular narrativas infames em prol de sempre manter o clube Flamengo nos holofotes da mídia.

E mantendo o holofote se cria uma redoma terraplanista de que esse clube é o mais importante do mundo. E não é!

Cria-se um cenário perigoso para manipular a realidade e distorcer os fatos para que o público compre essa narrativa e cobre a responsabilidade de pessoas que nada tem a ver com os fatos. 

Essa engrenagem comportamental se sustentou por algumas décadas; até chegar a pandemia, com uma diretoria abraçada ideologicamente com o governo federal da época: negacionista, fascista é misógino.

E que por ingratidão passou a dispensar os serviços de blindagem midiática e criou a sua própria mídia, em alguns episódios passou a assediar e ignorar quem lhe deu a mão há décadas atrás. 

Isso é só para provar o quanto a Rede Globo faz papel de ridícula criando narrativas não-verdadeiras para alcançar um público que não lhe quer mais e isso só mancha a própria imagem da emissora.

Como é só a primeira rodada espero que seja uma bela lição ter tomado.

Que não faça lobby a jogadores que não estão à altura da seleção brasileira, que não mude a sua visão de campo no meio de uma partida e que seja mais parcial em suas análises. Já está chato isso, não cola mais, o VAR não é um puxadinho da Gávea, como muitos pensam. 

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Edílson, o desconhecido do BBB

Arte: Walace Sales
“O futebol se distanciou do povo.”
(Juca Kfouri)

Edilson, o Capetinha, é um dos integrantes da ala “Camarote”, ou seja, os integrantes famosos do Big Brother Brasil edição 2026.

A maioria dos integrantes da chamada ala “Pipoca”, ou seja, os anônimos, não o conheciam quando ele se apresentou e ficaram pasmos quando ele disse que foi um dos atletas pentacampeões da seleção brasileira de 2002.

Isso não é um fato isolado. É um processo longo e doloroso entre fatores sociológico e mercadológico.

As pessoas hoje em dia tem tantas opções de entretenimento; seja por meio de TV aberta, canal pago e streaming, que num determinado momento elas buscam os nichos onde se sentem mais confortáveis de consumir.

A chamada lei da oferta e da procura fez com que surgisse uma gama de celebridades extremamente conhecidas e famosas porém em suas determinadas bolhas.

Basta procurarmos nas Big Techs a quantidade infinita de nichos e os influencers digamos especializados com uma quantidade absurda de seguidores.

Num país como o Brasil onde há 30 anos atrás para ser uma celebridade você só tinha a TV aberta como porta de entrada (e era um círculo extremamente fechado de se entrar nela), nos dias de hoje as celebridades podem escolher em que mídia querem atuar, qual plataforma está valendo mais a pena de trabalhar, as vezes com mais de uma proposta para analisar.

Daí eu volto para a história do Edilson.

Quem sempre acompanhou futebol como eu (atualmente consumo muito menos que consumia quando jovem), conhece o Edilson desde que ele surgiu para o futebol lá no Vitória-BA, fez uma carreira vitoriosa e não jogou na Europa, num mercado onde a remuneração no velho continente era bem parelho com o que se pagava no Brasil.

Hoje em dia o atleta de ponta jogando no Brasil possui uma ótima remuneração mas não se compara aos euros pomposos do exterior. O futebol brasileiro nos últimos anos, principalmente a partir da Copa de 2014 passou por um processo chamado “Camarotização”.

Houve a reformulação de antigos estádios e a construção de novos estádios para sediar a Copa; e com isso surgiu a demanda de aumentar o ticket médio, o que fez com que se mudasse o perfil do público dentro dos estádios: poder aquisitivo maior, torcedor de seus clubes mas com um comportamento seleto e diferente do público de menor poder aquisitivo mais passional dentro dos estádios.

Público com maior poder aquisitivo, aumenta o valor dos ingressos e de todo a oferta de produtos e serviços dentro e fora dos estádios.

O povão passa a não frequentar mais os estádios como antigamente e com isso o interesse ao futebol vai se minguando.

E com isso essas gerações mais novas não conhecem o Edilson Capetinha não porque não quiseram conhecer, surgiram ofertas de conteúdos que fez com que esse público pulverizasse para os nichos de consumo.

Não foi por acaso, o futebol brasileiro está assim por meio de métodos e estratégias de seus dirigentes e articuladores. 

TEXTO DE:
Thiago Muniz