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sábado, 31 de janeiro de 2026

Pra Tudo começar na quinta-feira

Pra tudo começar na quinta-feira” é um livro necessário não só para o universo do Carnaval quanto para a cultura popular brasileira num todo.

Mostra em caráter histórico, plural e literal uma forma distinta de contar uma história, que são os desfiles de escolas de samba.

O mais engraçado é que a primeira edição foi lançada no ano de 2016 e se passaram 10 anos para uma segunda edição, mas com uma explosão de informações pois exatamente depois da publicação houve uma injeção e revolução de novos carnavalescos e com uma fome inimaginável de enredos necessários para aquele período, principalmente no triênio 2019-2022 (2021 não houve carnaval devido a pandemia).

De 2016 para cá houve que uma certa passagem de bastão do “Old School” para a galera atual de maneira natural, sem alarde.

E as demandas do cotidiano permitiram o aceleramento deste processo em virtude de suas malhas criativas. De Fernando Pamplona / Rosa Magalhães / Joãozinho Trinta até Bora-Haddad / Leandro Vieira / Tarcísio Zanon.

Se passaram 10 anos onde os autores Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato: Simas com aquela dose de malícia acadêmica e malandragem das encruzilhadas e dos botequins; e Fabato com o carisma vocábulo em suas crônicas, com mais robustez e paixão em sua análise, fruto do amadurecimento que a própria vida o trouxe.

Um livro que pode muito bem ter uma terceira edição daqui a 10 anos, pois ele já nasceu atemporal. E as circunstâncias que o Carnaval sofreu permitiram acontecer, entre retaliações e racismo, ela continua em pé e para quem é amante do Carnaval como eu não podemos deixar morrer essa forma única de se contar uma história.

TEXTO DE:
Thiago Muniz



sábado, 17 de janeiro de 2026

Carybé

Carybé é o nome artístico de Hector Julio Páride Bernabó, um argentino radicado em Salvador, que viveu seus primeiros anos na Itália e depois, já na adolescência, voltou a residir no Brasil.

Como jornalista, rodou o mundo até se fixar nos anos 1950 em Salvador.

Carybé foi um artista plástico de vasta produção, tendo desenvolvido sua arte em várias técnicas, como: aquarela, óleo sobre tela, escultura, gravura e serigrafia. Ele tinha uma verdadeira predileção por murais e painéis, pois, segundo o artista, era uma obra para os outros, ou seja, de visualização pública.

Foi ilustrador de alguns livros de Jorge Amado e em conjunto com o fotógrafo francês Pierre Verger, entre outros intelectuais, apresentou em suas obras a cultura baiana.

Carybé tem catalogado algo próximo de cinco mil obras, muitas delas sobre o candomblé e a umbanda. Aqui interessa-nos obras com outras temáticas do quotidiano soteropolitano.

Há também um número vasto de obras sobre os sertanejos do interior da Bahia, dos ribeirinhos do São Francisco, dos pescadores das praias baianas, entre outros modos de vida e territórios: Carnaval, bares, feiras e rodas de samba.

Em virtude de seus trabalhos voltados para a cultura afro-brasileira, enfocando seus ritos e orixás, principalmente em princípios dos anos 70, ele conquistou um importante título de honra do Candomblé, o obá de Xangô.

Parte de sua produção encontra-se hoje no Museu Afro-Brasileiro de Salvador, englobando 27 painéis simbolizando os orixás baianos, produzidos em madeira de cedro.

Por quase toda a sua vida, o pintor acreditou que o seu apelido Carybé provinha de um pássaro da fauna brasileira. Somente muitos anos depois, através do amigo Rubem Braga, descobriu que a sua alcunha significava "mingau ralo", o que lhe rendeu diversas brincadeiras.

Freqüentador do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, Carybé morreu aos 86 anos, no dia 1° de outubro de 1997, em Salvador, durante uma cerimônia no próprio terreiro.

O artista deixou como legado mais de 5.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 7 de março de 2025

Precisamos Modernizar Ainda Mais o Carnaval

Durante muitos anos, escrevi artigos sobre a necessidade de os desfiles das escola de samba no Sambódromo serem realizados em três dias. Finalmente, isso aconteceu este ano e, sem dúvida com muito sucesso.

Meu argumento era óbvio e se confirmou na prática. Toda infraestrutura do Sambódromo já estaria montada, e o impacto positivo de mais de um dia no chamado Grupo Especial da Liesa traria ganhos econômicos significativos para o evento, tanto pelo aumento na arrecadação de bilheteria quanto pela maior comercialização de camarotes e produtos. Além disso, ampliaria a visibilidade dos patrocinadores - tudo isso com uma medida simples e um custo marginal bastante baixo. Ou seja, com uma pequena mudança, tivemos um aumento de 50% na oferta do principal produto dos desfiles: o Grupo Especial.

A decisão acertada do novo presidente da Liesa, Gabriel David, embora tenha recebido críticas de alguns seguimentos, é extremamente positiva. No entanto, acredito que alguns ajustes poderiam ser feitos, e deixo aqui minhas sugestões. Tenho certeza de que o prefeito Eduardo Paes trabalhará em sinergia para aprimorar esse modelo.

O formato de três dias, com 12 escolas, ainda é insuficiente para evitar que algumas agremiações tradicionais sucumbam no futuro, especialmente diante do fortalecimento de novas escolas, não apenas da Baixada Fluminense ( Caxias, Belfort Roxo e Nilópolis ), mas também da região leste da Baía de Guanabara ( Niterói, São Gonçalo e Maricá ), que chegam com alto poder financeiro.

Dessa forma muitas escolas tradicionais do Carnaval, fortemente ligadas à cultura do samba, especialmente da capital - como União da Ilha do Governador ( com alguns dos sambas mais icônicos do Carnaval ), Estácio de Sá, São Clemente, Tradição, Império Serrano, Caprichosos de Pilares, entre outras - terão dificuldades para retornar ao Grupo Especial e tendem a desaparecer. O enfraquecimento dessas escolas teria um impacto cultural e social profundo, especialmente nas comunidades onde estão inseridas, pois elas funcionam como centros de encontro, lazer e valorização da cultura do samba. Diante disso, acredito que o modelo de três dias deveria evoluir de quatro para cinco escolas por dia, ampliando o Grupo Especial de 13 para 15 escolas.

Nessa nova composição, poderíamos inovar com a criação de um prêmio para cada dia de desfile (como se fossem chaves eliminatórias) e, no último dia - sábado, no Desfile das Campeãs -, teríamos a escolha do "Supercampeão", reunindo as três vencedoras de cada noite, que desfilariam junto com a escola vencedora do Grupo Série Ouro.

Esse último dia poderia incluir, além do desfile, uma grande roda de samba ou um show especial para o anúncio do resultado final, transformando o evento em uma verdadeira apoteose.

Toda grande festa precisa se modernizar e não pode se resumir a uma mera competição.

O desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí impulsiona e fortalece a cultura do samba e do Carnaval ao longo do ano em diversas comunidades. No entanto, à medida que essas escolas perdem seu espaço de destaque, vão se enfraquecendo, especialmente pela falta de seus históricos patronos.

O novo presidente da Liesa, Gabriel David, mesmo enfrentando algumas resistências, tem o vigor da juventude. Com o apoio do prefeito Eduardo Paes, certamente estará aberto a novas propostas e deve considerar essa situação. Caso contrário, há um grande risco de que muitas escolas tradicionais deixem de existir no futuro.

TEXTO DE:
Wagner Victer
Engenheiro, Administrador, Jornalista

domingo, 7 de abril de 2024

Valeu, Ziraldo

E assim vamos nos despedindo do Brasil que é o melhor do Brasil que fomos. Triste a partida de Ziraldo, aos 91 anos. Nas imagens, a Turma do Pererê e uma charge (abaixo) do Nando Motta, alusiva ao aniversário de Ziraldo, há alguns anos. Um encontro imaginário do Menino Maluquinho já adulto com o seu criador. Até sempre, Ziraldo.

Mário Fonseca
Um grande choque, uma grande perda. Ziraldo é uma referência única para gerações que puderam contemplar a sua arte, a sua criatividade e o seu recado para o mundo. Ziraldo se destacou pela resistência à repressão. Também jornalista, foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, um dos principais veículos a combater o regime militar e a lutar pela democracia, sendo na defesa da imaginação, de um Brasil mais justo, com democracia e liberdade de expressão.

Thiago Muniz