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quarta-feira, 4 de março de 2026

O Blefe Estadunidense

Os EUA blefou ao apostar na morte do líder supremo do Irã e achavam que ia ficar por isso mesmo, só que não.

Essa guerra não é do interesse dos Estados Unidos. O Trump mesmo foi avisado pelos militares de que essa era uma guerra que não tinha um sucesso garantido e que seria uma má ideia, basicamente, entrar nessa aventura. Para os Estados Unidos, essa é uma guerra de escolha.

O Irã respondeu muito mais do que eles imaginaram e simplesmente deu um xeque estratégico de âmbito global.

Enquanto que para o Irã, certamente, ela é uma guerra de sobrevivência, ela foi imposta a eles, ela é uma guerra necessária nesse sentido.

Israel vive essa guerra como uma guerra de interesse vital. Israel percebe no Irã a grande ameaça à sua hegemonia na região, à sua própria sobrevida.

As operações militares israelenses-estadunidenses contra o Irã foram conduzidas fora do direito internacional, o que não é certo.

Dito isso, a História nunca chora pelos executores. Como é que os israelenses conseguem sempre fazer com que os americanos embarquem nas suas aventuras é um mistério, porque, em parte, pode ser quase suicida em termos de carreira do Trump.

Para colocar o escândalo Epstein para debaixo do tapete, Trump decidiu bombardear Teerã e matar Khemenei com o argumento de levar liberdade ao povo iraniano. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos se autoproclamam defensores da “democracia” e da “liberdade”. Mas a história escrita em bombas, corpos e ruínas conta outra versão.

Tudo em nome da “segurança”, do “combate ao terrorismo” ou da “proteção de interesses estratégicos”. De forma geral, os países bombardeados ou invadidos pelos Estados Unidos não ficaram mais estáveis, mais democráticos ou mais seguros.

O padrão que se repete no pós-ataque é outro — marcado por caos social, crise econômica, violência prolongada e dependência externa.

A guerra virou política externa. A destruição, um método. O lucro da indústria bélica, uma prioridade.

Enquanto isso, civis pagam o preço mais alto: crianças, mulheres, povos inteiros reduzidos a estatísticas convenientes. Não é sobre liberdade. Nunca foi.

É sobre poder, controle geopolítico e dominação econômica. E enquanto algumas vidas forem consideradas descartáveis, a paz seguirá sendo apenas um slogan vazio.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


terça-feira, 3 de março de 2026

Por que Trump atacou o Irã, e por que agora?

A decisão não foi exatamente inesperada.

Nas semanas ao longo dos últimos dias, foi alertado que esse cenário era bastante provável, mas ainda assim levanta questionamentos sobre o momento escolhido, já que não havia um ataque iraniano iminente.

Pelo contrário, avaliações recentes da inteligência americana indicavam que o país estava militarmente enfraquecido após os bombardeios americanos em 2025, que danificaram as instalações iranianas.

Ainda assim, Trump lançou uma ofensiva ampla ao lado de Israel, conclamando os iranianos a derrubarem o regime.

Diferentemente de ataques pontuais no passado, desta vez trata-se de uma campanha aberta com risco real de escalada.

O próprio Trump admitiu que pode haver baixas americanas, linguagem típica de guerra declarada, mas sem autorização formal do Congresso.

A comparação com a invasão do Iraque em 2003 é inevitável.

Trata-se do que chamamos em inglês de “War of Choice”, uma guerra escolhida, não de autodefesa.

Em 2003, Washington pelo menos tentou obter em vão respaldo do Conselho de Segurança da ONU, algo que não fez agora.

Trata-se, portanto, de mais uma clara violação da soberania de um outro país e do direito nacional.

Um argumento central de Washington gira em torno da ameaça nuclear. No entanto, não há evidências de que o Irã tenha retomado o programa ativo de armas atômicas.

Autoridades americanas chegaram a dizer (1:39) que Teerã não está enriquecendo urânio neste momento. Outras justificativas evocadas pela Casa Branca incluem a repressão brutal a protestos internos no Irã, que deixou milhares de mortos, o apoio iraniano a milícias na região e décadas de confrontos indiretos com os Estados Unidos, da crise dos reféns de 1979 a ataques contra forças americanas no Oriente Médio.

Mas, no fundo, Trump parece apostar que um regime enfraquecido pode ruir sob ataque dos Estados Unidos e revolta interna.

Mas derrubar um governo de 90 milhões de pessoas apenas com poder aéreo é um risco enorme e a história mostra que guerras escolhidas raramente seguem o roteiro planejado.

Por fim, vale destacar que o Irã possui grandes reservas de petróleo. Dos cinco países com as maiores reservas comprovadas de petróleo, Venezuela, Arábia Saudita, Irã, Canadá e Iraque.

Arábia Saudita é o único país que os Estados Unidos não invadiram, bombardearam ou ameaçaram anexar ao longo das últimas décadas.

TEXTO DE:
Thiago Muniz




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Família Opressora Brasileira

Uma pessoa que se auto declara conservadora é nada mais nada menos que conservar a sua hipocrisia e sua ignorância com a realidade dos fatos.

Vejamos pessoas fanáticas pela extrema direita comemorando o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói por terem abordado o enredo sobre Luiz Inácio Lula da Silva.

Meus queridos, um detalhe: por questão histórica toda escola que sobe da série Ouro é praticamente fadada ao rebaixamento no ano seguinte; a caneta dos jurados é mais pesada, o sarrafo é mais alto na hora de dar as notas.

E a Niterói sabe disso; então resolveram abordar um enredo que eles sabiam que geraria burburinho. Lula gera desconforto aos candidatos a opressores, aos postulantes a raivosos. E deu um All-in perfeito.

A extrema direita por si só não tem apreço à cultura, as artes e a educação. Comemorar a desgraça alheia é a rotina perfeita de uma corja que não sensibiliza pela humanidade. Uma corja que bota a culpa na mãe pelo assassinato de seus filhos pelo pai deles. Uma corja que passa pano para pedófilos e lacradores da fé. Uma corja que protege assassinos de um pobre cachorro. 

Portanto, quando vemos um enredo como Ciça ganhar o Carnaval, vemos a vitória de toda uma engrenagem por trás do universo do samba. É uma vitória de todas as escolas de samba, um tapa na cara do desgosto e do recalque.

Eu sugiro a todos os admiradores da extrema direita a se mudarem para o estado de Santa Catarina; a capital do nazifascismo, o pilar do ódio e da ignorância. E enfiem o dedo no cool e rasguem até necrosar.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


Em um país Colonial, ser um preto livre incomoda a Casa Grande

No dia 17/02 houve o jogo do Benfica contra o Real Madrid, no Estádio da Luz em Lisboa.

E o jogo ficou marcado por um ato racista, inexplicável e revoltante contra o Vinicius Júnior.

Após um golaço que o Vini fez, ele precisou, apenas dançar, para aflorar todo racismo contra um jogador negro de pele retinta, que é livre e pode comemorar como bem quiser.

Um jogador argentino, chamado Prestianni, covardemente, colocando a camisa por cima da boca, começou a chamar o Vini de macaco.

E pra piorar todo cenário. O jogador racista, após cometer um crime, saiu aplaudido do estádio.

O que aconteceu com o Vini Jr. não é um caso isolado. Longe disso. Ele acumula inúmeros casos de racismo sofrido, seja na Champions League ou La Liga, os dias passam, as semanas voam e os meses mudam, mas, sempre ocorre atos racistas que as organizações não encontram soluções eficientes para punir severamente tais ações.

Aí tem uns imbecis que falam “ah mas isso só acontece com o Vini, pq o jogador X e Y não sofre racismo”.

Obviamente, o Vini Jr. é fora da curva. Ele se posiciona contra os racistas. Ele comprou esse luta dentro do futebol. Ele continua dançando. Ele continua fazendo gol e debochando. Ele continua sendo um dos jogadores mais bem pagos do mundo. Ele continua sendo o camisa 7 de um dos clubes mais ricos do mundo.
Ele é quase perfeito. Mas ele é preto.

E ser preto, em um país colonial, em uma Europa branca, elitista e supremacista, incomoda para um K-ralho.

Pois, ele não se rende a mudar. Ele não se rende a querer reformular suas atitudes.

E nem deve se render.

O método eficiente contra racista é simples: Fósforo e Gasolina.

Não tem diálogo, não tem justificativas. Se for possível, sem dúvidas, é fogo.

Não esperamos nada da Europa em punir o jogador racista, apenas uma nota com a hashtagno racism” e nada mais.

O que desejamos é muita força, muita fé, muito axé e que o Vini continue firme e forte, sem se abalar e entrando na mente de cada racista.

A pele preta incomoda.

Ainda mais, quando é um(a) preto(a) com cabeça erguida e disposição!

E que eles continuem sofrendo com o seu sorriso.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Ciça

Se eu for morrer de amor, que seja no samba…

A Viradouro deu “All-in” na escolha do enredo e particularmente eu subestimei essa aposta. E me surpreendi com a plástica e emoção na avenida.

O primeiro enredo vivo a defender o seu quesito: Ciça!

Homenagear uma personalidade em vida já é legal, exercendo o seu ofício então é um xeque mate emocional. E foi.

Da desconfiança ao clamor popular, a Viradouro soube contar uma história de cinquenta anos de trajetória em oitenta minutos.

Ciça não é um enredo diferente, é um enredo acessível, livro aberto, simpático e do povo. Um profissional que sempre procurou fazer algo diferente, nunca se escondeu em zona de conforto e nunca perdeu a sua essência.

Ciça, Viradouro e a história no Estácio produziram um dos momentos de maior glória de todos os tempos dos desfiles de escola de samba no Rio de Janeiro. Ser testemunha disso me enche de luz o coração.

A cereja do bolo com um final de desfile apoteótico, simplesmente a bateria em cima do carro alegórico, paradinha, ritmistas ajoelhados reverenciando o mestre e a Sapucaí em lágrimas de emoção.

O que a agremiação fez hoje não está explícito para todos. Fez história: para quem veio antes, para quem chega agora e para a geração que ainda não nasceu.

Obrigado Caveira! 💀

TEXTO DE:
Thiago Muniz


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Transmissão do Carnaval na Rede Globo: uma merda!

Está mais do que na hora da LIESA começar a pensar com mais carinho na transmissão do Carnaval.

A Rede Globo em favor de seus próprios interesses mercadológicos e editoriais não olha para o produto Carnaval com o devido respeito.

Assim como um jogo de tênis em que usa-se o bom senso de não narrar e/ou comentar nada enquanto o jogo se enrola para não atrapalhar a dinâmica do jogo perante ao público; deve-se usar o bom senso na transmissão do Carnaval.

A emissora não pode ser maior que o evento.

Ela deve ser o complemento para agregar, e não para irritar quem assiste. Sabemos que uma boa parcela que assiste não possui esse senso crítico e pode pensar que seja só uma perseguição ideológica contra a Globo, mas não é.

Quando você tem um dos apresentadores mais carismáticos como o Alex Escobar mais perdido do que cego em tiroteio, um dos comentaristas mais carismáticos como o Milton Cunha com um repertório cultural riquíssimo (mas a emissora não lhe dá o devido espaço), um dos comentaristas musicais mais gabaritados como o Pretinho da Serrinha que só acerta naquilo que fala mas conseguiram errar ao lhe dar a missão de mostrar a bateria ao vivo com uma câmera in loco com sinal fraquíssimo; não podem se dar ao luxo de detonar um produto genuinamente brasileiro.

Quando o áudio da transmissão se sobrepõe o tempo todo com o evento já começa errado.

Não se faz uma cobertura tão necessária na concentração, onde há uma tensão nos bastidores, não mostra mais o aquecimento, para quem não sabe cada agremiação tem o direito de cinco minutos para acalorar os seus componentes diante ao público presente.

Não faz mais a cobertura da dispersão, onde sempre tem também uma tensão final para não se perder pontos por exceder o tempo.

E importaram da Fórmula 1 a questão de mostrar o rádio, o que uma escola de samba se comunica durante o desfile, isso é constrangedor.

Para quem continuar achando que é somente uma implicância, o convido a assistir a transmissão do Rio Carnaval, os vídeos estão todos lá no youtube. Se prioriza a plástica do evento, só há comentários durante os intervalos.

O Carnaval do Rio de Janeiro precisa voltar a ser o protagonista, e não o complemento de uma engrenagem.

Pronto falei!

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

2026: A Era do Delist menos Sku, mais venda

Alguém precisa dizer isso.

Às vezes, a melhor forma de vender mais é tirar produto da prateleira. Não é erro. Não é fraqueza. É estratégia.

Durante anos, vendemos a ideia de que mais opções significam mais vendas.

Mais sabores, fragrâncias.

Mais variações do mesmo produto.

O cérebro humano discorda. A neurociência é clara. O cérebro gosta de limited choice (poucas escolhas) para se sentir seguro. O número mágico? 3 ou 4 opções.

O estudo clássico de Iyengar e Lepper mostrou isso sem piedade: com poucas opções, a conversão dispara, com muitas opções, o consumidor trava.

Isso tem nome: Paradox of Choice (Paradoxo da Escolha).

Mais escolha gera ansiedade.
Ansiedade não fecha compra.

Agora coloca isso no contexto atual. Hoje, 47% dos consumidores são price-driven shoppers (orientados a preço). Eles não estão comparando narrativa de marca. Estão comparando preço.

E aí acontece o que todo mundo já viu no ponto de venda. O cliente para. Olha. Se confunde. E escolhe o mais barato. Ou vai embora.

O problema não é falta de inovação. É excesso de portfólio.

2022–2024: As indústrias tinham o poder. Crise logística. Falta de produto. Tudo vendia. Até SKU confuso. Volume mascarava ineficiência.

2026: O jogo virou. O varejo retomou o controle da prateleira. O sortimento ficou mais racional. O consumidor ficou mais racional ainda.

Quem decide hoje não é a marca mais criativa. É quem entrega clareza, giro e margem.

E isso não é teoria. Já está acontecendo. Indústrias globais de bens de consumo vêm passando por ciclos profundos de racionalização de portfólio, cortando dezenas ou centenas de SKUs para recuperar giro, margem e execução.

Menos itens. Mais foco. Mais resultado.

No varejo alimentar europeu, redes como Lidl e Mercadona cresceram justamente reduzindo escolha, não ampliando. Menos marcas e variações. Mais marca própria forte e confiança do shopper. Na prática, o consumidor não sentiu perda. Sentiu alívio.

No Brasil, o movimento é ainda mais claro. 2026 é o ano da marca própria.

Grandes redes farmacêuticas como Raia e DPSP estão ampliando linhas próprias com sortimento enxuto, preço claro e promessa simples.

No atacarejo, redes como Assaí avançam com marca própria ocupando o espaço que antes era de SKUs redundantes da indústria.

Quando a prateleira aperta, sobra pouco espaço para excesso. E muito espaço para quem resolve rápido a decisão do consumidor. É por isso que grandes indústrias estão fazendo algo que parece radical, mas não é: enxugar para crescer.

Menos itens, menos canibalização.

Mais giro por SKU, mais eficiência logística, mais margem no final do mês.

Delistar não é perder espaço. É recuperar relevância. O varejo já entendeu. O consumidor também. Muitas marcas ainda não.

A pergunta é simples: você quer ocupar mais espaço ou vender mais rápido?

Porque em 2026, cada vez mais, menos SKU é mais venda.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Adolf Trump ou Donald Hitler?

Donald Trump publicou em uma rede social, uma imagem do Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, e a sua esposa, Michelle Obama, em corpos de macacos.

Sim! A Klu Klux Klan está dentro da Casa Branca e com o aval de boa parte da população dos EUA.

Isso não é só uma provocação política, isso é uma ofensa racial explícita.

Olhe o peso histórico que isso carrega.

Comparar pessoas negras a macacos não é uma metáfora infeliz, é um dos símbolos mais antigos, mais violentos, mais cruéis da desumanização racial no mundo. Foi esse imaginário que sustentou a escravidão, o colonialismo, a segregação, a ideia de que certos corpos seriam menos humanos do que outros.

Nos Estados Unidos, essa imagem tem um significado ainda mais cruel. Ela foi usada durante séculos para justificar a escravidão de milhões de africanos, a sistemática perseguição a mulheres negras, a separação das famílias, os linchamentos, as leis de segregação e exclusão social, que foram institucionalizadas nos Estados Unidos até a década de 1960.

Isso é história. Isso é reativar conscientemente um código de violência simbólica que atravessa gerações. Tem uma coisa muito grave aqui, que é o colapso do decoro institucional. Um chefe de estado não pode falar isso, nunca pode falar isso.

Ninguém pode falar isso, ainda mais um chefe de estado. Ele está carregando com ele o peso do cargo que ele está ocupando, da democracia que representa (mas não respeita!) e que ele representa as instituições que ele deveria proteger.

Quando alguém nessa posição normaliza um ataque como esse, a gente está desumanizando pessoas e estamos dizendo que é aceitável.

A política democrática pressupõe discordância, até debate, dureza. Ela não comporta a destruição do outro como ser humano. Quando esse limite é ultrapassado, a gente não está falando mais de direita, de esquerda, de conservador, de progressista. A gente está falando de civilização.

Normalizar um gesto como esse não fortalece ninguém, empobrece o debate público. Esse episódio não pode ser tratado como uma polêmica, ele tem que ser nomeado pelo que ele é, racismo explícito, desprezo institucional e falência ética.

A política imigratória de Trump, uma política xenófoba, racista e que tem atacado os direitos humanos e que tem sido muito prejudicial nos Estados Unidos.

A democracia é isso, uma experiência na qual a ideia de justiça é permanentemente em aberto para que quem vem depois pense se aquilo é justo para ele. O que foi justo para os nossos bisavós não é justo para nós. É preciso que a gente repense tudo isso, e é pela educação que se faz.

Então, é preciso um chamamento aos homens, é preciso, tem que ser constrangedor.

Fazer piada racista, machista, misógena, banalizar corpo, atitude, emancipação feminina, autonomia, é preciso ser constrangedor.

Essas pessoas têm que voltar para o armário dos traumas que eles têm, dos distúrbios que eles venham a ter, do ódio que eles carregam, vão se tratar, vão se tratar.

Não é mais aceitável esse ambiente de violência extrema, o silêncio dos bons. Se temos bons homens, bons pastores, bons líderes religiosos, bons líderes políticos, vambora trabalhar para acabar com esse cenário.

TEXTO DE:
Thiago Muniz



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Inflacionamento do futebol brasileiro

Há um movimento acontecendo no futebol brasileiro extremamente nocivo: inflação desacerbada de algumas contratações.

E vou exemplificar bem. Primeiro a de Gerson pelo Cruzeiro, depois a do Lucas Paquetá via Flamengo e agora estará sendo concretizada a de John Árias pelo Palmeiras.

Valores estratosféricos e nenhum deles faz jus aos valores empregados. É muito mais uma demonstração de poder perante aos demais clubes do que inteligência, uma aposta em médio e longo prazo.

O debate não é sobre méritos, e sim sobre ganância e poder de compra. E isso sempre existiu e não vai morrer dentro do universo do futebol.

O grande problema é esses clubes forçarem os demais a também tentarem cifras altas por contratações e mais para frente não honrarem com seus compromissos e na cara de pau ocasionarem calotes homéricos.

Valores e salários altos exigem expectativas e cobranças altas.

O Cruzeiro hoje possui o seu “Midas”, o Flamengo com essa atual diretoria ao que parece possui uma ideologia diferente do modelo de gestão anterior mas que mantém uma certa sustentabilidade financeira, e o Palmeiras onde tem uma presidente que acha que possui dinheiro infinito só porque o seu marido é banqueiro e já foram patrocinadores master com poderes.

Isso leva a contratações bem duvidosas, ainda mais pelas cifras inflacionadas. Num médio a longo prazo será extremamente nocivo pois vai mexer com o sentimento passional do torcedor.

Em ano de Copa do Mundo há alguns clubes com poder financeiro abastados, com modelos de gestão diferentes uns dos outros e que literalmente deram “All-in” em seus cofres.

Gerson saiu do Flamengo se sentindo desvalorizado, partiu para o futebol (sancionado) russo onde viu que a realidade era outra e vendo a possibilidade de mais uma Copa do Mundo escapar, seu pai e empresário achou a “galinha dos ovos de ouro” no Cruzeiro

Lucas Paquetá é um caso atípico de inflação. Sem espaço  na Premier League e nas demais ligas da Europa; acha uma espécie de portal da redenção voltando para o futebol brasileiro, no mesmo clube que o revelou, com uma realidade financeira megalomaníaca; bate na mesa e quebra o recorde do futebol brasileiro.

Detalhe: ele não tem repertório técnico para justificar esse valor de contratação. E seleção brasileira no currículo já não é mais parâmetro há décadas. Veremos cenas dos próximos capítulos e se por acaso o PIB de uma ilha homônima ao nome do jogador aumentar consideravelmente depois de algum jogo, desconfie.

O caso do Árias é atípico de como não se planejar e seguir somente um sonho. Tenhas muito cuidado com aquilo que desejas; um jogador com contrato vigente no Fluminense, com um acordo verbal do presidente anterior de que o liberaria após a Copa do Mundo de Clubes, na qual estava bem valorizado; fez valer ao máximo esse acordo verbal e saiu do clube na condição de ídolo máximo para um clube de zero expressão na Premier League na qual ficou meses no ostracismo.

Com a Copa do Mundo batendo na porta e o clube de zero expressão já deixando bem claro que não vai contar com ele na próxima temporada, se vê numa “faca de dois legumes”; a promessa pública de que só voltaria ao futebol brasileiro para o Fluminense e pela proposta altíssima do Palmeiras.

Onde estava o assessor ou empresário do Árias lá no ano passado que não orientou ele a não falar isso publicamente?

Veremos cenas dos próximos capítulos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Alô, Rede Globo! Já passaram do ponto

Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão.

A primeira rodada do Brasileiro 2026 encerrou e já veio com polêmica: o inconformismo do locutor Luis Roberto com um  “pênalti” não marcado em favor do Clube de Regatas do Flamengo.

Um adendo: Regatas é a origem do Flamengo, e não futebol.

E mesmo assim a atual diretoria extinguiu o investimento nesse esporte alegando não dar retorno financeiro.

Ok! Se pensa e age como uma empresa deveria ser tratada e cobrada fiscalmente como uma empresa, e não uma instituição sem fins lucrativos.

E o Flamengo deixou de ser “sem fins lucrativos” há décadas.

Digo “há décadas” pois desde o final da década de 70 e início de 80, a Rede Globo com o aval de seu torcedor fanático Roberto Marinho e uma trupe de jornalistas extremamente parciais e passionais criaram a FlaPress, onde até hoje atuam em prol de criar, sustentar e manipular narrativas infames em prol de sempre manter o clube Flamengo nos holofotes da mídia.

E mantendo o holofote se cria uma redoma terraplanista de que esse clube é o mais importante do mundo. E não é!

Cria-se um cenário perigoso para manipular a realidade e distorcer os fatos para que o público compre essa narrativa e cobre a responsabilidade de pessoas que nada tem a ver com os fatos. 

Essa engrenagem comportamental se sustentou por algumas décadas; até chegar a pandemia, com uma diretoria abraçada ideologicamente com o governo federal da época: negacionista, fascista é misógino.

E que por ingratidão passou a dispensar os serviços de blindagem midiática e criou a sua própria mídia, em alguns episódios passou a assediar e ignorar quem lhe deu a mão há décadas atrás. 

Isso é só para provar o quanto a Rede Globo faz papel de ridícula criando narrativas não-verdadeiras para alcançar um público que não lhe quer mais e isso só mancha a própria imagem da emissora.

Como é só a primeira rodada espero que seja uma bela lição ter tomado.

Que não faça lobby a jogadores que não estão à altura da seleção brasileira, que não mude a sua visão de campo no meio de uma partida e que seja mais parcial em suas análises. Já está chato isso, não cola mais, o VAR não é um puxadinho da Gávea, como muitos pensam. 

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 31 de janeiro de 2026

Pra Tudo começar na quinta-feira

Pra tudo começar na quinta-feira” é um livro necessário não só para o universo do Carnaval quanto para a cultura popular brasileira num todo.

Mostra em caráter histórico, plural e literal uma forma distinta de contar uma história, que são os desfiles de escolas de samba.

O mais engraçado é que a primeira edição foi lançada no ano de 2016 e se passaram 10 anos para uma segunda edição, mas com uma explosão de informações pois exatamente depois da publicação houve uma injeção e revolução de novos carnavalescos e com uma fome inimaginável de enredos necessários para aquele período, principalmente no triênio 2019-2022 (2021 não houve carnaval devido a pandemia).

De 2016 para cá houve que uma certa passagem de bastão do “Old School” para a galera atual de maneira natural, sem alarde.

E as demandas do cotidiano permitiram o aceleramento deste processo em virtude de suas malhas criativas. De Fernando Pamplona / Rosa Magalhães / Joãozinho Trinta até Bora-Haddad / Leandro Vieira / Tarcísio Zanon.

Se passaram 10 anos onde os autores Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato: Simas com aquela dose de malícia acadêmica e malandragem das encruzilhadas e dos botequins; e Fabato com o carisma vocábulo em suas crônicas, com mais robustez e paixão em sua análise, fruto do amadurecimento que a própria vida o trouxe.

Um livro que pode muito bem ter uma terceira edição daqui a 10 anos, pois ele já nasceu atemporal. E as circunstâncias que o Carnaval sofreu permitiram acontecer, entre retaliações e racismo, ela continua em pé e para quem é amante do Carnaval como eu não podemos deixar morrer essa forma única de se contar uma história.

TEXTO DE:
Thiago Muniz



sábado, 17 de janeiro de 2026

Carybé

Carybé é o nome artístico de Hector Julio Páride Bernabó, um argentino radicado em Salvador, que viveu seus primeiros anos na Itália e depois, já na adolescência, voltou a residir no Brasil.

Como jornalista, rodou o mundo até se fixar nos anos 1950 em Salvador.

Carybé foi um artista plástico de vasta produção, tendo desenvolvido sua arte em várias técnicas, como: aquarela, óleo sobre tela, escultura, gravura e serigrafia. Ele tinha uma verdadeira predileção por murais e painéis, pois, segundo o artista, era uma obra para os outros, ou seja, de visualização pública.

Foi ilustrador de alguns livros de Jorge Amado e em conjunto com o fotógrafo francês Pierre Verger, entre outros intelectuais, apresentou em suas obras a cultura baiana.

Carybé tem catalogado algo próximo de cinco mil obras, muitas delas sobre o candomblé e a umbanda. Aqui interessa-nos obras com outras temáticas do quotidiano soteropolitano.

Há também um número vasto de obras sobre os sertanejos do interior da Bahia, dos ribeirinhos do São Francisco, dos pescadores das praias baianas, entre outros modos de vida e territórios: Carnaval, bares, feiras e rodas de samba.

Em virtude de seus trabalhos voltados para a cultura afro-brasileira, enfocando seus ritos e orixás, principalmente em princípios dos anos 70, ele conquistou um importante título de honra do Candomblé, o obá de Xangô.

Parte de sua produção encontra-se hoje no Museu Afro-Brasileiro de Salvador, englobando 27 painéis simbolizando os orixás baianos, produzidos em madeira de cedro.

Por quase toda a sua vida, o pintor acreditou que o seu apelido Carybé provinha de um pássaro da fauna brasileira. Somente muitos anos depois, através do amigo Rubem Braga, descobriu que a sua alcunha significava "mingau ralo", o que lhe rendeu diversas brincadeiras.

Freqüentador do terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, Carybé morreu aos 86 anos, no dia 1° de outubro de 1997, em Salvador, durante uma cerimônia no próprio terreiro.

O artista deixou como legado mais de 5.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 10 de janeiro de 2026

F1 2026

2026 promete grandes emoções na F1

Uma paixão que passa de geração para geração. O maior evento automobilístico do universo.

O foco de qualquer piloto é chegar até esta divisão. Os olhos do mundo em termos de velocidade estão nesta iniciativa.

Já sabe do que estamos falando? Sim, a Fórmula 1 representa isso e muito mais.

Trata-se do palco de rivalidades inesquecíveis, um espaço que concentra marcas reconhecidas internacionalmente e dinheiro, muito dinheiro por parte dos patrocinadores.

O ano de 2026 chegou trazendo novidades para a Fórmula 1 - uma verdadeira revolução nos carros e motores. A categoria vai introduzir um novo regulamento técnico no campeonato deste ano, previsto para começar em 8 de março, mudanças que já estão gerando muita expectativa.

O motor da F1 seguirá sendo um turbo V6, híbrido: metade elétrico, metade à combustão. Porém, a unidade deixará de contar com o MGU-H, sistema de recuperação de energia térmica, mas manterá o sistema de recuperação de energia cinética (MGU-K).

Cerca de 35kg mais pesado que o anterior, ele terá a parte elétrica mais potente que a de combustão; os combustíveis fósseis foram banidos, e passarão a ser 100% sustentáveis.

As equipes serão responsáveis por desenvolver seus próprios biocombustíveis. Alem disso, o uso da bateria ganhou um impulso adicional que pode ser acionado manualmente pelos pilotos para atacar ou se defender.

Haverá cinco fabricantes de motores para as 11 equipas: Ferrari, Mercedes, Honda, Audi e Red Bull Powertrains (com apoio da Ford).

As alterações regulamentares para 2026 mantêm as unidades de potência V6 turbo híbridas com apenas 1.6 litros de cilindrada, onde geram impressionantes 1000 cavalos de potência.

A Fórmula 1 teve início no ano de 1950 a partir de um campeonato organizado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo).

Concebida no início com foco em um torneio entre pilotos, a F1, como é carinhosamente chamada ao redor do mundo, nasceu na Europa e só depois se espalhou por outros continentes.

O campeonato se consolidou ao longo dos anos e atualmente se apresenta como um dos maiores eventos esportivos do globo.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 3 de janeiro de 2026

Venezuela Free


 

Cada vez que os EUA ‘salvam’ um povo, o deixam transformado em manicômio ou cemitério
(Eduardo Galeano)

Com quantas fake news se faz uma guerra?

Não podemos esquecer a relação perversa entre o governo Trump e os bilionários das Big Techs, nem que as redes sociais são capazes de construir discursos que corroem democracias e justificam ataques.

Fagulhas de mentira alimentadas por algoritmos invisíveis, se alastram e queimam a confiança pública.

Há mais do que dúzias de países mundo afora que vive sob regime ditatorial, que não respeitam legislações e submetem seus próprios povos a martírios intangíveis.

Eis que os Estados Unidos só se preocupam com os que são abundantes em hidrocarbonetos, combustíveis ou não. Coincidência ou não, nações que não possuem material bélico capaz de persuasão, como bombas atômicas.

Como pode uma tirania ser derrotada por outra tirania e as pessoas acharem isso bom?

Não há esperança em um mundo onde um país mais rico e mais forte segue conseguindo tudo o que quer na marra enquanto outros apenas fingem demência, tal qual o estado brasileiro, que há décadas se prostra em relação às ameaças vizinhas.

Somos corresponsáveis por tudo que ocorre em nosso quintal.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Esperança e resistência política em “New Year's Day” do U2

Composição: The Edge / Larry Mullen Jr. / Adam Clayton / Bono.

New Year's Day”, do U2, vai além de uma simples canção sobre renovação.

A música faz referência direta ao movimento Solidariedade na Polônia, liderado por Lech Walesa, trazendo um forte significado político.

A separação de Walesa e sua esposa Danuta, evocada por Bono, aparece nos versos “I want to be with you, be with you night and day / Nothing changes on New Year's Day” ( Quero estar com você, estar com você noite e dia / Nada muda no Dia de Ano Novo ), expressando tanto o desejo de união quanto a frustração diante da estagnação política e social.

O cenário descrito como “world in white” ( mundo em branco ) e a repetição de “All is quiet on New Year's Day” ( Tudo está quieto no Dia de Ano Novo ) sugerem um momento de pausa e reflexão, mas também de esperança silenciosa em meio à opressão, reforçada pelo inverno rigoroso mostrado no videoclipe e pelo “blood red sky” ( céu vermelho sangue ) da letra, que remete à violência e tensão política da época.

Apesar do tom de desolação, a música traz uma mensagem de esperança e resistência, especialmente nos versos “Say it's true, it's true / And we can break through / Though torn in two / We can be one” ( Diga que é verdade, é verdade / E nós podemos superar / Mesmo divididos em dois / Podemos ser um ).

Bono sugere que, apesar das divisões, é possível superar as dificuldades e buscar união, refletindo o espírito do Solidariedade.

Ao mencionar “gold is the reason for the wars we wage” ( o ouro é o motivo das guerras que travamos ), a música amplia seu alcance, conectando a luta polonesa a conflitos universais motivados por interesses materiais.

Assim, “New Year's Day” se destaca como um hino à esperança, renovação e persistência diante dos desafios, marcando a transição do U2 para temas sociais e políticos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Havaianas todo mundo USA, será?

Está acontecendo o falecimento da interpretação munido pelo discurso do ódio; a cada semana se prega uma nova narrativa abastecida pela semântica dos algoritmos.

É só termos um raciocínio simples; a Havaianas, amada e consumida que agrega valor no mundo todo, vai perder seu tempo com polarização?

E mesmo se alguém internamente levantasse essa hipótese alguém acha mesmo que a Itausa permitiria isso com o grande risco de diminuir o seu share?

Money, business!

A Fernanda Torres aparece dizendo que não quer começar o ano com o pé direito. Começar o ano com o pé esquerdo foi associado a ter azar, e é uma frase recorrente no fim do ano. Essa campanha se conecta a uma outra campanha clássica das Havaianas. É uma campanha de 2014 onde Romário compra Havaianas e pede para separar a esquerda e a direita em dois embrulhos, e ele manda o pé esquerdo para o Diego Maradona. Então, Fernanda Torres complementa.

Eu não quero começar o ano com o pé direito, porque você tem que começar com os dois pés. Dois pés é a união. Dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés no chão para que você tenha equilíbrio.

E Natal, normalmente, que era conhecido como uma época de harmonia, virou uma época de desarmonia.

E se vem aquele tema tabu, todo mundo começa a brigar. E é mais um ano a família sem se falar.

Exceto no lugar que a família mais se encontra, que é nos grupos de WhatsApp, essa campanha, na verdade, é um plot twist.

Ela não traz valores de esquerda ou de direita.

Ela não fala sobre liberalismo econômico, ela não fala sobre pautas morais, ela não fala sobre privatizações, ela não fala sobre justiça social, não fala sobre desigualdade, não fala sobre distribuição de renda.

Ela não fala sobre meritocracia ou não fala sobre acessibilidade.

E seria um tipo de liberdade de expressão que não tem nenhum motivo de boicote.

Aliás, se a gente fosse fazer uma análise semiótica dessa campanha, ela tem inclusive valores até mais voltados para a direita, porque ela inclusive fala que depende de você o seu ano.

E é justamente a ideia do liberalismo que vai defender essa responsabilidade única e pessoal pelo seu próprio sucesso. E aí, a paranoia generalizada em forma de vergonha alheia faz as pessoas se unirem para devolver as Havaianas que ganharam, pois dessa marca não mais consumirei.

Imagina se toda marca e pessoa começasse a fazer isso, né?

Você tá cancelando a Havaianas porque ela tocou no nome proibido?

Mas você tá cancelando todo mundo da sua família, todo mundo da sua sala de aula, todo mundo do seu círculo de trabalho?

E imagina se as marcas fazem isso de volta, colocam a estrelinha na testa de todo mundo?

Desculpa, senhor consumidor, na minha empresa você não pode entrar, porque eu identifiquei que você tem certos valores que não condizem com a minha marca. O que a gente vê são culturas do cancelamento seletivas.

A gente pode escolher as marcas que a gente consome que nos representam. Se a marca, por exemplo, tiver propagando racismo, tiver propagando homofobia, se tiver propagando ódio para qualquer um dos lados, se tiver uma intolerância religiosa, se tiver fazendo apologia ou incentivo a crimes. Mas acho que não foi o caso, né?

Uma mulher que recentemente inclusive foi símbolo de patriotismo, levando o seu nome e o nome do seu país em escala internacional.

Em vez de a gente se cancelar, a gente poderia dialogar mais, ter um pouco mais de educação. Até porque eu acredito firmemente que a maioria das pessoas não sabem a diferença entre esquerda e direita.

Elas simplesmente se dividiram em times de futebol, que gritam enlouquecidamente. Quanto mais desinformação, mais caos, mais as pessoas brigando, mais as pessoas divididas.

E aí é mais fácil de manipular e controlar.

Por exemplo, enquanto a maioria das pessoas tá brigando, o Congresso faz a festa com as emendas parlamentares. E na calada da noite votam um monte de projetos. A maioria não vai beneficiar nenhum de nós dois.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Higher Ground



Higher Ground” foi escrito por Stevie Wonder sobre ter uma segunda chance e aproveitar ao máximo.

O que é mais surpreendente nessa música é que Stevie a gravou três meses antes de quase ser morto a caminho de um concerto beneficente. Stevie ficou em coma por três meses.

No verso “I'm so darn glad he let me try it again / 'Cause my last time on earth I lived a whole world of sin” ( Estou tão feliz que ele me deixou tentar de novo / Porque da última vez na Terra vivi um mundo inteiro de pecado ), Wonder expressa a crença de que a vida oferece oportunidades para aprender e evoluir espiritualmente.

Esse significado ganha ainda mais profundidade ao considerar que, pouco depois do lançamento da música, Stevie Wonder sofreu um grave acidente de carro e entrou em coma.

Durante sua recuperação, a canção foi usada como estímulo, simbolizando literalmente uma nova chance de viver e crescer.

A letra também alterna entre críticas sociais e mensagens de perseverança.

Em “Powers keep on lyin' / While your people keep on dyin'” ( Os poderosos continuam mentindo / Enquanto seu povo continua morrendo ), Wonder denuncia injustiças e a persistência de problemas sociais.

Apesar disso, ele contrapõe essas dificuldades com esperança, especialmente no refrão: “Gonna keep on tryin' / Till I reach the highest ground” ( Vou continuar tentando / Até alcançar o ponto mais alto ).

Assim, a música se transforma em um hino de superação, fé e busca constante por crescimento, tanto individual quanto coletivo, com a espiritualidade servindo como fonte de força.

#steviewonder #music #world #groove #r&b

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Paulo-Roberto Andel

Ideologia eu quero uma pra viver…” (Cazuza)

Paulo-Roberto Andel, nascido em 1968; no ano da dura repressão da ditadura militar no Brasil, um ano atípico de vários movimentos pelo mundo, dentre eles: Os Panteras Negras e o banimento dos atletas vencedores dos 100 metros rasos nas Olimpíadas da Cidade do México com o gesto de punho cerrado e braço para o alto; o movimento estudantil na França, manifestações contra a Guerra do Vietnã, a instauração do AI-5 no Brasil e o assassinato de Martin Luther King Jr.

A efervescência cultural, com movimentos como a Tropicália no Brasil, também foi um reflexo das mudanças e tensões da época.

Andel nasceu em um ano de caos, mas foi criado com muito amor por sua mãe, sobre quem ele já contou várias histórias engraçadas, e recebeu do pai tudo o que ele pôde lhe prover.

Andel foi um arrimo de família e isso não é nenhum demérito, foi líder de escotismo, é um torcedor fanático pelo Fluminense e hoje se tornou o escritor com mais publicações sobre o clube, e isso é um fato.

Um apaixonado por jazz e muito conhecedor da cultura pop; por pouco não se tornou VJ da minha querida finada MTV Brasil. Um homem que honrou seus pais até seus últimos segundos de vida, não largou a mão de nenhum dos dois, um filho extremamente leal.

Como tenho admiração pelo Paulo, não é só um amigo mas uma referência cultural e editorial.

Me vejo há exatamente dez anos atrás no longíquo 2015 publicando o primeiro texto no Panorama Tricolor sobre 1969 e a relação com a música “Aquele Abraço” do nosso orixá em Terra Gilberto Gil e até então o septuagésimo texto sobre o falecimento do querido Celso Barros.

Como o meu texto evoluiu bebendo da fonte Paulo-Roberto Andel, o quanto sou grato por tê-lo em minha vida; um cara agregador de tribos distintas e consegue unir num só propósito: o Fluminense.

Para quem não sabe, Andel é ateu; mas dessa vez vou ignorar esse detalhe e rogar aos deuses, anjos e aos orixás que o acolham para a sua recuperação da melhor maneira possível. E também dizer que não está só; tem uma rede de amigos que te amam e querem o seu bem pois ele pratica o bem.

Sigamos na fé! 


TEXTO DE:

Thiago Muniz


NOTA:

No momento deste texto, Andel está sob tratamento de saúde.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Jards Macalé

Meus heróis vão me deixando sozinho e triste na pista.”
(Paulo-Roberto Andel)

Jards acordou de uma cirurgia cantando “Meu nome é Gal”; bem a característica dele, alegre e de bom humor, mesmo que seu rosto dissesse o contrário; e assim ele se despediu desse planeta; cantando e feliz.

A cada ser genial como Jards Macalé que nos deixa o coração aperta. Um artista fundamental para a música brasileira. Cantor, compositor, instrumentista e inquieto criador. Macalé construiu uma obra marcada pela liberdade e pela experimentação.

Um herói quase desconhecido, que embora não goste do reconhecimento em massa de muitos de seus pares, é um pilar indiscutível da música criado através do Atlântico. Revolucionário, visionário, moderno - há muitos adjetivos para descrevê-lo.

Aquele que entrou no Hotel das Estrelas e foi ser violonista de Nora Ney e Gal Costa. Ao sair, driblou o mal secreto da besta fera, o Dragão da Maldade e os contrastes de Macunaíma no cinema, assinando suas trilhas dissonantes, ainda que seu feito mor na sétima arte tenha sido mesmo ser dublê do nosso maior super-herói, Kid Morengueira, nas cenas perigosas dos morros cariocas.

Macalé nunca foi apenas um artista, foi um gesto de resistência.

Um homem que viveu a música com uma verdade tão intensa que não cabia em rótulos, nem em modas, nem nos limites impostos pela indústria.

Compositor inquieto, cantor de voz que doía e libertava, figura central da contracultura.

Foi também opositor firme da ditadura militar (1964-1985), colocando a sua arte na linha de frente.

Ao lado de Chico Buarque marcou o histórico Banquete dos Mendigos (MAM, 1973), enfrentando a censura com coragem. E de coragem fica a sua obra, com poesia e verdade, sua arte permanecerá.

TEXTO DE:
Thiago Muniz