“O pior inimigo do pobre é outro pobre que se acha rico e que defende aqueles que o tornam pobres.”
(Pepe Mujica)
Quando você reelege uma força de ultra-direita, você favorece uma deterioração da democracia e endossa posições antidemocráticas.
A grande mídia fez um jogo muito perigoso e macabro com os anseios antidemocráticos, golpistas e fascistas. As falsas equivalências, as relativizações, os diferentes pesos e medidas, o resultado está aí.
Curiosamente serão os primeiros amordaçados no cercadinho. Espero que tomem vergonha na cara. Mas talvez não haja mais tempo.
Uma noite de glória para os sapatênis do horário nobre, os artistas omissos, os donos das telas. Tenhamos a decência de não responsabilizar os ferrados desse país. Esses resultados são da conta da elite em pele de bom-mocismo. Tigre em pele de cordeiro.
Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos utilizaram a religião como instrumento de influência política na América Latina, em uma estratégia de combate a movimentos de Esquerda. Pesquisas históricas e documentos revelam que organizações religiosas conservadoras receberam apoio norte-americano, enquanto a CIA monitorava o avanço da Teologia da Libertação, corrente da Igreja Católica comprometida com a justiça social e a defesa dos mais pobres.
No Brasil, a presença de missionários protestantes dos Estados Unidos cresceu significativamente nas décadas de 1960 e 1970, período marcado pela ditadura militar e pela repressão aos movimentos populares.
A ofensiva religiosa ganhou força nas décadas seguintes, especialmente durante o governo de Ronald Reagan, quando organizações da direita cristã norte-americana ampliaram sua atuação e financiaram iniciativas evangélicas na América Latina, inclusive estruturas de radiodifusão no Brasil. Investigações também identificaram vínculos entre serviços de inteligência dos Estados Unidos e determinadas organizações missionárias.
O PT não pode ignorar a propaganda sobre futuro e desenvolvimento da nação, enquanto a maior parte dos trabalhadores do país estão endividados, com subempregos como Uber e entregadores de Ifood. Pode disputar narrativa com a extrema direita, fala da Santa, dos crimes do Flávio mas se a campanha não trouxer esperança e sentimento de transformação, o povo vai abraçar o caos buscando um resultado diferente. É hora do tudo ou nada.
Bolsonaro não criou o machismo, o racismo, a homofobia ou o negacionismo no Brasil. Mas, ao ocupar a Presidência da República reproduzindo e legitimando esses discursos, ajudou a dar voz, espaço e sensação de autorização a comportamentos que antes encontravam maior constrangimento público.
No Quilombo de Ideias, o professor Lages fala sobre o poder da influência política e sobre o que acontece quando uma liderança transforma preconceitos, ataques à ciência e violência verbal em parte do debate cotidiano. Quando quem está no poder normaliza determinados discursos, eles deixam de parecer exceção, e começam a disputar lugar como se fossem aceitáveis.
O Holocausto não começou nas câmaras de gás. Começou quando uma sociedade aceitou que algumas pessoas valiam menos que as outras. Primeiro tiraram seus direitos. Depois seus nomes. Até que tiraram suas vidas.
Nos grandes veículos de comunicação, as eleições deste ano são tratadas como se fossem apenas mais uma efeméride no calendário democrático do Brasil.
Flávio Bolsonaro segue sendo apresentado como candidato comum. Alvo de acusações de corrupção, como vários outros políticos, mas comum. O foco das críticas da imprensa na reta final da temporada eleitoral de 2026 tem-se concentrado no que os comentaristas globais e os editorialistas classificam de ativismo judicial do STF.
Poucos jornalistas da grande mídia chamam atenção para o mais importante: o risco de ruptura democrática.
O Brasil tem as mãos de quem trabalha, o rosto de quem resiste e as costas marcadas por séculos de exploração. Tem a força das mulheres, a presença negra, a vida de milhões que acordam antes do sol e voltam para casa depois que os filhos dormem.
Mas ainda ensinam esse povo a sentir vergonha da própria classe e admiração por quem vive do seu cansaço. Ensinam o trabalhador a chamar seu direito de privilégio. A mulher a confundir obediência com virtude. O negro a silenciar sobre o racismo. O pobre a se culpar por toda dificuldade que o sistema lhe aprisionou.
É nesse desencontro que a extrema direita encontra espaço: quando a indignação de quem sofre é dirigida contra outro que também sofre. Um sistema planejado para desinformar e amedrontar toda uma população entra em ação.
Há um passado de senzala na ideia de que alguns nasceram para servir sem descanso. Há uma herança de casa-grande em tratar salário digno como excesso, proteção como obstáculo e exaustão como mérito.
Nossa história não permite inocência diante disso.
Não entregaremos essa memória ao esquecimento. Precisamos reconhecer uns nos outros a mesma necessidade de viver com dignidade. Transformar revolta em consciência, consciência em organização e organização em força democrática para vencermos essa batalha.
Que nenhuma mulher precise diminuir a própria voz. Que nenhuma pessoa negra precise negociar a própria humanidade. Que nenhum trabalhador tenha de gastar a vida inteira apenas para continuar vivo. Que nenhuma forma de fé e de amar sejam desrespeitadas. Tempos difíceis exigem que estejamos juntos. A luta continua, pelo povo trabalhador, pela liberdade e pelo direito de sonhar além da sobrevivência.
TEXTO DE:
Thiago Muniz

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