sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Renato Falastrão Gaúcho

A declaração de Renato Gaúcho ao abandonar a coletiva após o Grenal não foi apenas um desabafo de vestiário: foi a síntese mais precisa da psicologia bolsonarista já proferida diante de um microfone.

Com míseros 25% de aproveitamento na sua quinta passagem pelo Grêmio, o treinador culpou o antecessor, reclamou da falta de técnica do elenco, destilou preconceito contra atletas estrangeiros e encerrou a entrevista defendendo seu auxiliar (acusado de descumprir medida protetiva contra a ex-companheira), com a frase que resume sua postura: "Por isso, sou Bolsonaro".

A confissão é pedagógica. No universo moral da extrema-direita, o fracasso nos resultados e a mediocridade na gestão nunca são de responsabilidade própria. A culpa é sempre terceirizada para os outros, para minorias que incomodam ou para o trabalho da imprensa que documenta os fatos e as decisões judiciais.

O roteiro de fuga é reincidente: em 2024, no ápice das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, Renato deixou o estado rumo ao Rio alegando que nada podia fazer, enquanto outros atletas entravam na lama para resgatar famílias. Agora, normaliza a relativização da Lei Maria da Penha em um país que ostenta a vergonhosa quinta posição mundial em feminicídios.

Assim como a família Bolsonaro e seus aliados correm para o vitimismo e culpam o sistema sempre que são confrontados pela realidade, Renato adota a mesma cartilha para tentar esconder da torcida que seu time não entrega resultado, não apresenta tática e vive de bravata.

No final das contas, Renato tem razão em se declarar bolsonarista: poucas coisas resumem tão bem esse projeto de poder quanto a incapacidade crônica de assumir os próprios erros e a ilusão de que pose de valentão substitui competência e caráter.

TEXTO DE:
Hilton Aquino

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