terça-feira, 22 de outubro de 2024
Gente interessada X interesseira
quinta-feira, 17 de outubro de 2024
Partime
Quando eu era criança, esse letreiro era a primeira coisa que me passava na cabeça quando crescesse: era um lugar onde os adultos conseguiam empregos. E foi assim por muitos e muitos anos, mesmo depois que fiquei adulto e comecei a trabalhar. Perto deste endereço eu fiz um de meus estágios, há 32 anos, na Firjan. E perto também, há um ótimo restaurante há muitos anos, que hoje se chama Caló(geras).
Hoje resolvi almoçar justamente no Caló. Vou lá de tempos em tempos. Peguei o VLT. Antes, achei graça porque uma menininha correu para apertar o botão da porta, crianças adoram botões. Saltei na Antônio Carlos. Já tinha me deparado com os restos do letreiro muitas vezes, mas somente hoje resolvi fotografar.
A loja está fechada há anos. O lugar dos empregos acabou. Os empregos estão acabando também. A cidade está sempre com cara de feriado, meio vazia. Nas esquinas, as piadas foram trocadas por olhares perdidos. Qualquer coisa é motivo para agressões, tiros, assassinatos. Ódio. Ódio.
Eu era criança e pensava: tenho que conseguir um emprego para ajudar meus pais. Deu certo por uns dez anos, até que eles se foram. Continuo trabalhando, as dívidas são as mesmas mas não preciso botar roupas sóbrias, ando de chinelões e me livrei da tortura mensal de viagens de avião. Para alguns colegas de faculdade, deixar a carreira de origem para virar camelô de livros é um fracasso supremo, mas cada um só vê o que sua acuidade permite - e desconfio que alguns não têm coragem de trocar dinheiro pela serenidade. De chinelos, quando chego num grupo, eu ainda dou as cartas - exceto quando sou sabotado.
E justamente por ser um camelô de livros é que eu posso almoçar às três da tarde, me deparando antes com lembranças marcantes de criança. O letreiro da Esso já não existe mais, agora é o prédio do Ibmec, foi melhor assim.
Ali pertinho, a uns 30 metros, sobrevive a Casa Vilarino. Só pelo fato de ter sido o lugar do primeiro encontro de Vinicius de Moraes com Tom Jobim, é um palco consagrado. Imagine as conversas boêmias dos anos 1940 e 1950.
Saio do Caló, desço a Santa Luzia e meus chinelões me levam para o Metrô, sentido Copacabana. Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço, ou rabisco para digitar.
TEXTO DE:
@p.r.andel
sábado, 12 de outubro de 2024
Com nojo de Marçal e Boulos, imprensa e elite engolem até Nunes
A jornalista Vera Magalhães em artigo do O Globo acusa a elite preconceituosa de São Paulo, pelo prolongamento da brincadeira com Pablo Marçal.
E dias depois, em debate já pelo segundo turno, a mesma jornalista protagoniza cenas vergonhosas ao tentar constranger Guilherme Boulos enquanto tentava defender o ausente Ricardo Nunes.
Isso porque a jornalista é justamente uma espécie de representante desta mesma elite preconceituosa.
A revolta contra Pablo Marçal, não vem do fato de este representar a pior face do bolsonarismo. Ou mesmo de que sua candidatura tenha obrigado Nunes se revelar um bolsonazista de ocasião, fazendo por exemplo, campanha anti-vacina.
A revolta vem justamente da chance que Marçal dava a Boulos de vencer a eleição.
As pesquisas apontavam a vitória do candidato do Psol contra o inburrencer digital em um segundo turno disputado entre os dois.
E isso significaria a derrota justamente dessa elite preconceituosa, que odeia pobres, gays, negros, e principalmente nordestinos (ainda mais se este ocupar a presidência da república).
Por isso, bastou que Marçal saísse da disputa para que Vera (e toda a imprensa), passasse a atacar Boulos enquanto faz cara de paisagem para a postura bolsonazista de Nunes.
Para eles pouco importa se a Polícia Militar ou a Guarda Municipal vai continuar a oprimir pretos, pardos e pobres.
Para eles pouco importa se o prefejto prefere uma doença a uma vacina.
Para eles pouco importa se pastores evangélicos terão até mesmo autorização para depredar igrejas católicas ou terreiros de umbanda.
Talvez nem se importem que alguém esteja morrendo de fime bem ali na esquina. Ou que algum marido esteja matando a mulher ou estuprando uma filha.
Com emprego não se preocupam mesmo, pois já disse o presidente canalha do Banco Central que emprego pleno é uma lástima para o país, porque eles gostam mesmo é de pobre sem emprego e com fome.
Tudo isso é secundário. O que importa é a manutenção de uma administração que realize tudo que essa elite preconceituosa quer. Que atenda as vontades do tal Mercado Financeiro.
Que se privatize tudo.
Marçal era um perigo para a democracia? Talvez sim.
Mas Boulos é um perigo maior: representa o pobre.
E para essa corja, o pobre é mais perigoso até que uma ditadura. Ou que o PCC, que está bem próximo da administração Nunes e do partido de Marçal.
E para não ser acusado de estar exagerando, lembro do caso da menininha neo-liberal que se diz de esquerda, mas é patrocinada pelo Mercado Financeiro, Batatinha Amaral, que na reta final, fez de tudo um pouco para colocar Marçal e Nunes no segundo turno.
E que agora, para continuar fingindo perfil progressista, disse que dá seu voto para Boulos. Mas só o seu. Dando sinal para que seu eleitor migre para Nunes.
Batata Amaral quer ocupar um lugar na centro-direita, e para isso quer usar apoio de eleitores da centro-esquerda.
O que Batata Amaral não sabe, é que não existe mais uma direita democrática no Brasil. Nem mesmo centro-direita.
Há bolsonazismo.
E se você não é um deles, pra eles, você é de esquerda.
E como Batata Amaral não gosta da esquerda porque, nas suas próprias palavras, sacudir bandeira e militar nas ruas não é seu forte porque cheira suor, ela corre o risco de ficar sem lado.
Mas, quem sou eu para ensinar, uma menininha tão estudada, patrocinada por Arminio Fraga e Paulo Lemann, ou uma jornalista veterana como Vera Magalhães, não é mesmo?
Até porque, hoje em dia homem ensinar mulher é machismo, embora elas não acreditem que isso exista. Mas serve com discurso.
Brasil só é Brasil, por que é Brasil.
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
Dia do Cabelo Maluco e dos pais omissos
Segundo a Constituição Federal, a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família.
Porém, o que percebemos é um discurso reacionário que imputa exclusivamente à escola essa função e qualquer ação que exige um pouco mais dos pais (seja uma brincadeira como "cabelo maluco" ou um feriado), logo temos um arsenal de ataques para cima dos profissionais da educação.
A premissa é simples, a lógica liberal-individualista de esvaziar o sentido da escola e o conceito de cidadão na caracterização republicana, onde o suposto responsável pelo educando deveria contribuir no processo de formação regular de sua prole ao protagonizar acompanhamento na unidade e fiscalização junto ao poder público dessa viabilidade.
Se os responsáveis abrem mão disso, estão a pactuar com uma estrutura precária de educação e são coniventes com isso, face ao desinteresse deliberado pela qualidade daquela instituição que será a segunda casa de sua cria.
Algo evidente, mas que não nos assusta num país onde retomamos a Primeira República e a lógica de "compra de votos" se metamorfoseou para as urnas eletrônicas.
O cenário é tenebroso e os analfabetos políticos se desenvergonharam de se expor, nesse sentido a dinâmica individualista e pragmática do "eu" subrepuja quaisquer raciocínio.
Mesmo com todo esse cenário desfavorável, acredito ainda que a melhor resposta é a luta coletiva.
TEXTO DE:
Prof° Felipe Duque
Professor da Rede Básica
Doutor em Educação
Coordenador Geral do Sepe Valença
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