segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Campo Democrático terá de se reavaliar

Os limites da real politik e da política institucional do campo democrático-progressista estão aí:

Hegemonia absoluta da extrema-direita, da direita e do "Centrão" (direita fisiológica) nas eleições de 2024.

Está na hora da esquerda parar com a retórica liberal-institucional e voltar a debater um projeto nacional-popular, com a defesa de um Estado presente para o povo com plenos Direitos Sociais, combatendo a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários.

Para combater o discurso meritocrático e individualista da direita, oferecer políticas de promoção de apoio aos micro e pequenos empresários e fomentar a ideia de que o Estado pode fomentar a prosperidade dos trabalhadores que queiram apostar em melhores condições de vida através da criação de pequenos negócios e, destarte, promover o bem-estar.

Sobre o discurso de costumes, é a hora da esquerda adentrar os ambientes religiosos com o discurso de justiça social contra o fundamentalismo religioso e enfrentar abertamente o discurso demagógico da direita nas igrejas, paróquias e sinagogas. E ao mesmo tempo, freiar a cultura "woke" dos Democratas dos EUA que invadiu os partidos da esquerda brasileira com o "excesso" do politicamente correto e do identitarismo, afugentando o eleitorado histórico e popular de esquerda para a direita.

Defesa dos Direitos Humanos, com a inclusão de minorias e com o discurso acoplado à ideia da defesa do amor ao próximo e aos direitos do povo brasileiro que não podem ser retirados! Um projeto claro de nação!

E em suma, voltar para as ruas, além das redes sociais! Fazer muito trabalho de base! Disputar intelectualmente com um projeto de emancipação nacional e em prol do povo brasileiro com a defesa dos direitos sociais consagrados na Constituição

O discurso de mudança não pode estar monopolizado na extrema-direita. O papel do campo progressista é denunciar a incoerência entre os discursos e as práticas da extrema-direita a partir da perspectiva e do olhar do dia a dia do cidadão. Do trabalhador e do profissional liberal da classe média.

É isso, minha gente!


TEXTO DE:

Wendel Pinheiro

domingo, 27 de outubro de 2024

Governador Tarcísio age como vagabundo apesar de todo apoio da Imprensa

Apesar de toda a imprensa hegemônica tentar pintar o atual governador de São Paulo como um moderado, como gentleman da política, e tentar desligar sua imagem do golpista Bolsonaro, ele continua sendo um vagabundo.

Ele usou uma entrevista coletiva durante o segundo turno da eleição municipal para cometer um crime eleitoral descarado.

Mesmo com o resultado da vitória de Ricardo Nunes já consolidado, o governador, com sua cara de areia mijada, ele mentiu que o PCC instruiu voto em Boulos.

Mentiu que há interceptação de mensagens do PCC instruindo voto em Boulos.

Uma vez vagabundo, sempre vagabundo.

Favorito dos bolsonaristas envergonhados, que não tem coragem de assumir que votaram e votariam no homem do intestino preso, esse crápula segue fazendo e falando coisas por vezes piores que o ex-presidente golpista.

Infelizmente, o crime desse vagabundo ficará impune, porque a justiça eleitoral de São Paulo, se fará de besta.

Este crime deveria deixar esse cara de areia de gato com diarréia, inelegível.

Não à toa, nem Bolsonaro suporta esse crápula.

Depois que deixaram Marçal fazer o que fez durante todo o processo eleitoral, há alguém que ainda acredita que será feito algo contra esse canalha?

Se o eleitor de São Paulo aprova esse tipo de comportamento, lamento, problema deles, mas aqui pelo menos, esse cretino não se cria.

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Rio de Janeiro da beleza do Caos

A minha alma 'tá armada
E apontada para a cara do sossego
Pois paz sem voz paz sem voz
Não é paz é medo” [Minha alma (A paz que eu não quero) - Canção de O Rappa]

A Cidade Maravilhosa, por trás da beleza de suas praias e paisagens, esconde-se uma realidade sombria e caótica: a violência.

A cidade onde é o berço do samba e do carnaval, hoje é palco de uma guerra constante. O som dos tiros é mais comum do que o som da música. As ruas que antes eram repletas de vida e alegria, agora são cenários de confrontos entre policiais, milicianos e traficantes.

Mas não é apenas o número de mortos que é preocupante. A violência no Rio de Janeiro é uma questão que afeta todos os aspectos da vida da cidade. As pessoas vivem com medo de sair de casa, de ir ao trabalho ou de estudar. As crianças crescem ouvindo tiros e vivendo em meio ao caos.

A cidade do Rio de Janeiro precisa de uma solução urgente para o problema da violência. É preciso investir em segurança, educação e oportunidades para os jovens. É preciso lembrar que a vida vale mais do que qualquer outra coisa.

A Cidade Maravilhosa precisa ser devolvida aos seus moradores. Precisa ser um lugar onde as pessoas possam viver com dignidade e segurança. O Rio de Janeiro pode ser novamente um lugar de alegria e beleza, mas para isso é preciso enfrentar a violência com coragem e determinação.


TEXTO DE:
Thiago Muniz


quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Quando o poeta se vai

Antônio Cícero ao lado de Adriana Calcanhotto

As palavras me interessam desde bem pequeno. Os nomes, os nomes originais.

Quando ouvi o nome de Antonio Cícero, nunca mais esqueci. Primeiro, ouvi sua poesia nas grandes letras. Depois, nos livros. Para completar, AC era irmão de Marina, que o nosso mundo de Copacabana amava de paixão - ela passava pelo shopping depois de uma peça de teatro - de camiseta e jeans -, sorria e ficávamos encantados.

Muitas vezes vi Antonio Cícero nas ruas e deveria tê-lo cumprimentando, mas não o fiz. Ele estava sempre na região dos sebos. Sei lá, fiquei com vergonha, não queria interromper seu flanar, fiz a mesma besteira com João Carlos Assis Brasil, que vivia pela Carioca e Tiradentes

Foi gigantesco. Passou por cima da eterna comparação entre a poesia, digamos, formal e a das letras de música: brilhou em ambas muitas vezes e a quantidade destes brilhos é um argumento definitivo de sua obra. 

Tudo passa com enorme brevidade. O trem da vida dispara pelos trilhos a seiscentos quilômetros por hora. Eu ainda lembro da primeira vez que li o nome de Antonio Cícero. Tudo é brevidade. 

Quando um poeta se vai, o rombo parece ainda maior. No mundo das injustiças, ganâncias, covardia e tudo muito temperado com o azeite da hipocrisia, são os poetas que dão algum sentido à vida para que se possa prosseguir.

Assim, perder um poeta é tirar o oxigênio da beleza, é asfixiar o cotidiano e apedrejar a sensação de humanidade.

Mas como ir embora é inevitável, o poeta deixa seus versos para sempre, pouco importando se são extremamente sofisticados ou mais simples, se têm profundidade continental ou são mais rasos. Não importa. "O poeta é a pimenta do planeta".

As coisas não precisam de você/ Quem disse que eu tinha que precisar?/ As luzes brilham no Vidigal/ E não precisam de você/ Os Dois Irmãos também não.

O Hotel Marina quando acende/ Não é por nós dois/ Nem lembra o nosso amor.

Os inocentes do Leblon/ Esses nem sabem de você/ Nem vão querer saber


@p.r.andel

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Gente interessada X interesseira


Era pra ser engraçado, talvez cruel ou nada disso. Há pouco me procurou uma pessoa que não falava comigo há anos.

Não uma conhecida qualquer, mas alguém que contou comigo em várias situações importantes, e que evidentemente não foi recíproca, daquelas que some para não correr o risco mínimo de algum pedido.

Tudo bem,  a vida é assim e a maioria das pessoas é ingrata mesmo. Acontece que, se você só se relaciona com as pessoas que não vão te amolar, precisa estar preparado para o desprezo, a frieza e indiferença por aí.

Depois de um tímido oi, a criatura vem perguntar se tem algo errado e digo que não. Insiste, persiste. Explico que não, mas...

"Puxa vida, há tanto tempo que a gente não se fala, né?" (show de cinismo)

"É, tem sim. Desde que você achou que eu ia te pedir favores ou dinheiro emprestado, simplesmente deixou de fazer contato e desapareceu." (não contem comigo para hipocrisia)

[Mensagem visualizada, silêncio e demora de réplica porque o soco foi no queixo e, se a pessoa não é completamente calhorda, ela sente

[Três minutos...

"Eu só queria saber como você está."

"Estou bem. Ótima semana".

"Fique bem". (certamente o objetivo original desta expressão era outro, mas com o tempo ela se tornou um ícone do "phoda c" - reparem que em muitos casos, quem a usa gosta de manter distância regulamentar de todo mundo para "não alimentar relações tóxicas" ou "só ficar perto do que faz bem". resumo: gente interesseira que usa a companhia alheia como um objeto descartável...)

Polegar amarelo, outro ícone para dar fim a conversas desimportantes de gente que só te procura de maneira interesseira, não interessada e nem interessante. Toda relação positiva tem interesses também positivos: você tem o interesse fraternal, cordial, afetivo, amoroso, sexual etc, todas com desdobramentos. O interesseiro, não: ele só procura alguém para resolver algo, seja imediatamente ou não, mas já tendo em mente que tem prazo de validade para descartar o próximo, que vê como um simples objeto.

Sua questão é apenas atender aos próprios interesses, geralmente materiais, e mais nada.

É fácil identificar o interesseiro em qualquer lugar, basta pensar no nome da criatura em análise e refletir o seguinte: "Se a minha relação com fulano/a NÃO envolvesse dinheiro, poder, prestígio ou visibilidade, ela estaria aqui do meu lado?".

O jogo da vida é simples e direto. Com os recursos atuais, só não se fala quem simplesmente não quer.

Se os tempos ficaram mais curtos, mandar um recado pela internet, um olá etc, não leva mais do que dez segundos. Desculpas esfarrapadas soam cada vez mais ridículas.

Honestidade não faz mal a ninguém. Se você não sente obrigação de valorizar nenhum contato, este é um direito legítimo; apenas não reclame se no futuro o tratamento recebido for idêntico ao que você adotou.

A indiferença é democrática e dói para todo mundo, até para os mais calhordas. Não que eu queira oferecer dor a ninguém, longe disso: é apenas uma questão de justiça. 

[O polegar foi respondido com um smile. Para certas pessoas, só cabe mesmo o silêncio sepulcral. 

TEXTO DE:
@p.r.andel

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Partime

Quando eu era criança, esse letreiro era a primeira coisa que me passava na cabeça quando crescesse: era um lugar onde os adultos conseguiam empregos. E foi assim por muitos e muitos anos, mesmo depois que fiquei adulto e comecei a trabalhar. Perto deste endereço eu fiz um de meus estágios, há 32 anos, na Firjan. E perto também, há um ótimo restaurante há muitos anos, que hoje se chama Caló(geras). 

Hoje resolvi almoçar justamente no Caló. Vou lá de tempos em tempos. Peguei o VLT. Antes, achei graça porque uma menininha correu para apertar o botão da porta, crianças adoram botões. Saltei na Antônio Carlos. Já tinha me deparado com os restos do letreiro muitas vezes, mas somente hoje resolvi fotografar. 

A loja está fechada há anos. O lugar dos empregos acabou. Os empregos estão acabando também. A cidade está sempre com cara de feriado, meio vazia. Nas esquinas, as piadas foram trocadas por olhares perdidos. Qualquer coisa é motivo para agressões, tiros, assassinatos. Ódio. Ódio.

Eu era criança e pensava: tenho que conseguir um emprego para ajudar meus pais. Deu certo por uns dez anos, até que eles se foram. Continuo trabalhando, as dívidas são as mesmas mas não preciso botar roupas sóbrias, ando de chinelões e me livrei da tortura mensal de viagens de avião. Para alguns colegas de faculdade, deixar a carreira de origem para virar camelô de livros é um fracasso supremo, mas cada um só vê o que sua acuidade permite - e desconfio que alguns não têm coragem de trocar dinheiro pela serenidade. De chinelos, quando chego num grupo, eu ainda dou as cartas - exceto quando sou sabotado. 

E justamente por ser um camelô de livros é que eu posso almoçar às três da tarde, me deparando antes com lembranças marcantes de criança. O letreiro da Esso já não existe mais, agora é o prédio do Ibmec, foi melhor assim. 

Ali pertinho, a uns 30 metros, sobrevive a Casa Vilarino. Só pelo fato de ter sido o lugar do primeiro encontro de Vinicius de Moraes com Tom Jobim, é um palco consagrado. Imagine as conversas boêmias dos anos 1940 e 1950. 

Saio do Caló, desço a Santa Luzia e meus chinelões me levam para o Metrô, sentido Copacabana. Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço, ou rabisco para digitar.


TEXTO DE:

@p.r.andel

sábado, 12 de outubro de 2024

Com nojo de Marçal e Boulos, imprensa e elite engolem até Nunes

A jornalista Vera Magalhães em artigo do O Globo acusa a elite preconceituosa de São Paulo, pelo prolongamento da brincadeira com Pablo Marçal.

E dias depois, em debate já pelo segundo turno, a mesma jornalista protagoniza cenas vergonhosas ao tentar constranger Guilherme Boulos enquanto tentava defender o ausente Ricardo Nunes.

Isso porque a jornalista é justamente uma espécie de representante desta mesma elite preconceituosa.

A revolta contra Pablo Marçal, não vem do fato de este representar a pior face do bolsonarismo. Ou mesmo de que sua candidatura tenha obrigado Nunes se revelar um bolsonazista de ocasião, fazendo por exemplo, campanha anti-vacina.

A revolta vem justamente da chance que Marçal dava a Boulos de vencer a eleição.

As pesquisas apontavam a vitória do candidato do Psol contra o inburrencer digital em um segundo turno disputado entre os dois.

E isso significaria a derrota justamente dessa elite preconceituosa, que odeia pobres, gays, negros, e principalmente nordestinos (ainda mais se este ocupar a presidência da república).

Por isso, bastou que Marçal saísse da disputa para que Vera (e toda a imprensa), passasse  a atacar Boulos enquanto faz cara de paisagem para a postura bolsonazista de Nunes.

Para eles pouco importa se a Polícia Militar ou a Guarda Municipal vai continuar a oprimir pretos, pardos e pobres.

Para eles pouco importa se o prefejto prefere uma doença a uma vacina.

Para eles pouco importa se pastores evangélicos terão até mesmo autorização para depredar igrejas católicas ou terreiros de umbanda.

Talvez nem se importem que alguém esteja morrendo de fime bem ali na esquina. Ou que algum marido esteja matando a mulher ou estuprando uma filha.

Com emprego não se preocupam mesmo, pois já disse o presidente canalha do Banco Central que emprego pleno é uma lástima para o país, porque eles gostam mesmo é de pobre sem emprego e com fome.

Tudo isso é secundário. O que importa é a manutenção de uma administração que realize tudo que essa elite preconceituosa quer. Que atenda as vontades do tal Mercado Financeiro.

Que se privatize tudo.

Marçal era um perigo para a democracia? Talvez sim.

Mas Boulos é um perigo maior: representa o pobre.

E para essa corja, o pobre é mais perigoso até que uma ditadura. Ou que o PCC, que está bem próximo da administração Nunes e do partido de Marçal.

E para não ser acusado de estar exagerando, lembro do caso da menininha neo-liberal que se diz de esquerda, mas é patrocinada pelo Mercado Financeiro, Batatinha Amaral, que na reta final, fez de tudo um pouco para colocar Marçal e Nunes no segundo turno.

E que agora, para continuar fingindo perfil progressista, disse que dá seu voto para Boulos. Mas só o seu. Dando sinal para que seu eleitor migre para Nunes.

Batata Amaral quer ocupar um lugar na centro-direita, e para isso quer usar apoio de eleitores da centro-esquerda.

O que Batata Amaral não sabe, é que não existe mais uma direita democrática no Brasil. Nem mesmo centro-direita.

bolsonazismo.

E se você não é um deles, pra eles, você é de esquerda.

E como Batata Amaral não gosta da esquerda porque, nas suas próprias palavras, sacudir bandeira e militar nas ruas não é seu forte porque cheira suor, ela corre o risco de ficar sem lado.

Mas, quem sou eu para ensinar, uma menininha tão estudada, patrocinada por Arminio Fraga e Paulo Lemann, ou uma jornalista veterana como Vera Magalhães, não é mesmo?

Até porque, hoje em dia homem ensinar mulher é machismo, embora elas não acreditem que isso exista. Mas serve com discurso.

Brasil só é Brasil, por que é Brasil.