quinta-feira, 27 de julho de 2023
Causa Venezuelana expõe hipocrisia da esquerda e imbecilidade da direita
quinta-feira, 20 de julho de 2023
Filme da Barbie levanta um questionamento: cadê os macho?
Como o movimento Nazibozo está sem pautas para o país (até porque, pautas nunca teve), e vê a centro-direita (vulgarmente apelidada de Centrão) rumar para os braços do governo Lula, o jeito é aproveitar o que aparece pelo caminho.
E a pauta da bozolândia agora é o clamor por machos.
Pode parecer vulgar (e realmete é), mas é isso mesmo.
Com a chegada do filme Barbie, com a estupidamente esplêndida Margot Robbie no papel principal, a moda no nazibozismo é clamar por machos.
O movimento vai desde Marcelo Brigadeiro, um youtuber que se identifica como o homem com mais testosterona da internet mundial, querendo conhecer machos de esquerda para conversar, e chega, pasmem, até a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro.
A desculpa para essa procura desesperada por exemplares de macheza é a análise Damaresca do filme da boneca da Mattel.
No youtube, o canal Jurassicast deu um show de chorume intelectual, tentando desesperadamente chamar à atenção da bozosfera, atacando o filme. Obviamente o objetivo é buscar engajamento e consequentemente monetização. O problema é que o canal é tão ruim que nem militar da reserva tem estômago para assistir.
Nas redes socias, os nazibozistas reclamam do fato de o protagonista do longa ser uma mulher. Quando confrontados com o fato de a boneca Barbie ser uma boneca feminina, eles reclamam de feminismo e questionam:
- Onde anda a galera que cobra representatividade agora? A boneca Barbie não pode se achar um homem?
A cereja do bolo, foi o clamor de Michelle Bolsonaro por machos.
Em mais um desses eventos inúteis do PL (partido do Valdemar que tem de aguentar o Jair), Michelle roubou a cena. No caso dela, fez "rachadinha" de cena, já que ela se diz crente e portanto não rouba.
Primeiro, constrangeu a deputada Amália Barros (MT) ordenando que esta retirasse e lhe entregasse o seu olho de vidro. O que a deputada obediente fez. Depois Michelle simplesmente colocou o olho no bolso e disse para a plateia que adorava ver a deputada sem olho.
Bizarrice tremenda.
Após este episódio que representa perfeitamente a miséria moral do nazibozismo, Michelle em alto e bom tom, perguntou:
- Cadê os macho!
Foi aplaudida por uma multidão de tiozinhos de sapatênis e bermuda social. Chamada de gostosa por alguns mais assanhados, que logo foram silenciados por suas esposas.
Não faltou gente no PL, que anda dividido, para dizer em off que o grito da ex-primeira dama se deu por um motivo muito óbvio: o de que a inelegibilidade de Bolsonaro não era só política.
O estress e a tara por Lula teriam deixado o ex-presidente imbroxável, meio inelegível na hora H.
Como eu não sou Nelson Rubens e isso aqui não é a Revista Ti-ti-ti, vamos parar por aqui mesmo.
sexta-feira, 14 de julho de 2023
Chorume Intelectual dos postulantes ao cargo de Bolsonaro 2.0
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Com a inegibilidade do cramulhão que sofre de uma espécie de entropia intelectual, uma variedade de indefécteis criaturas se apresentam como seus possíveis substitutos, tanto na liderança do bozofascismo, como para a candidatura à presidência da República em 2026.
Há também, candidatos a referências intelectuais do movimento. O que obviamente requer pouco intelecto, porém, muito cinismo.
Vamos começar pela primeira categoria.
Vendo que o atual governador de São Paulo se destaca no campo da direita (aquela que nada tem haver com a desgraça que segue mito descerebrado apelidado de extrema-direita), uma seleta coleção de sumidades à avessas se assanhou como lambaris na sanga, e passou a dar piscadelas ao nazismo tupiniquim.
Rogério Marinho, senador, chorou pelos marginais presos durante a tentativa mequetrefe de golpe no 8 de janeiro, e deu um discurso digno de se usar como higienizador pós ida ao banheiro. Terminou o vomitório dizendo que se prontifica a ser o estrategista da "extrema-direita".
Mas ele não foi o único, o general Hamilton Mourão também se colocou como uma espécie de referência intelectual do movimento. Citou autores tentando costurar uma linha de raciocínio que foi corroborada por um dos meninos de Bolsonaro, que óbvio não entendeu foi coisa nenhuma do que disse o ex-vice-predidente, até porque não havia sentido lógico na fala do general. Não satisfeito, Mourão bancou o sabidão ao dizer que nunca havia visto golpe com minuta, pois havendo força para se realizar um golpe, não haveria motivo para uma minuta de golpe (se referindo a minuta de golpe encontrada no celular de El Cid).
(Não querido, Mourão. A minuta não é causadora do golpe que foi tentado. A minuta seria uma versão burra e vagabunda de AI-5 que iria referendar o golpe que seria consumado após a convocação de uma intervenção tresloucada no TSE que seria realizada pelos militares fiéis ao boçal idolatrado.)
Na esfera dos "não-presidenciáveis", o destaque político ficou para Gustavo Gayer e suas divagações racistas baseadas em supostos testes de QI em macacos. A teoria do deputado é tão burra e mentirosa que não perderia seu tempo, caro leitor, reproduzindo aqui.
Não podia faltar a ala religiosa do grupo, muito bem representada por ex-cantor gospel que virou pastor, e que o nome nunca lembro devido a sua insignificância. Em um stand-up nos EUA, ele fez alegações que beiram a psicopatia, incentivando os presentes a sair matando homossexuais para fazer o "serviço sujo que Deus desistiu de fazer". Para se defender da repercussão negativa, disse que ele não vivia debaixo da Constituição, mas debaixo das leis do céu. Óbvio, invocou a Primeira Emenda Americana (que não é nem da Bíblia, diga-se) como referência literária.
Seria mais do que suficiente o que você leu até aqui, para se impressionar com a capacidade dos pupilos do "farinha raivosa" em imitar seu grande líder. Porém, falta a cereja do bolo. A pedra de coroa da obra em questão.
E o prêmio de imbecil do ano (pois sinceramente duvido que seja superado até 31 de dezembro), vai para Tiago Pavinatto.
O suposto comunicador da TV Jovem Pansonaro, pediu no ar a prisão da senadora Soraya Thronicke.
Para ele, a senadora terá cometido CRIME DE TORTURA, contra o coronel golpista El Cid, durante seu depoimento em CPI.
O apresentador ainda teve a capacidade de gritar que falta homens para mandar prender na hora a senadora.
Pelo visto, para ele, uma mulher inquirir um homem com tamanha coragem (independente de ela estar certa e o canalha errado), deveria ser suficiente para mexer com os brios dos homens de verdade na Câmara.
Eu o chamaria de sexista, porém ele diria que eu acabei retirando sua fala de contexto, portanto, vou me limitar a lhe chamar de burro, apenas.
Bolsonaro terá muito trabalho para escolher seu sucessor, pois é mais do que evidente que todos eles se esforçam o máximo possível para impressionar o grande mestre.
Haja estômago para aguentar tanta defecância intelectual.
domingo, 9 de julho de 2023
Mãe envia carta para filha morta e emociona a Web
Após um acidente que tirou a vida da cirurgiã dentista Stephane Oliveira, e do motorista de aplicativo Caio Olivença Morales dos Santos, na Via Anchieta, na altura de Cubatão, a mãe de Stephane escreveu uma carta aberta na web e emocionou os leitores.
Confira a carta na íntegra:
Carta aberta a minha amada filha Stephanye
Oi filha, tá tudo bem por aí? Hoje já fazem 7 dias que não ouço sua voz... mas tenho certeza que está tudo bem, você voltou pros braços do seu papai e da sua mamãe do céu. Aqui está muito difícil sem você, você nem imagina o quanto... só de pensar que você não vai mais entrar por aquela porta e dizer: O que tem de comida nessa casa? E depois do almoço falar: Não tem nenhum docinho nessa casa, não? Daí você abria a geladeira pegava um limão, leite condensado, creme de leite e pronto! Estava pronta a sua sobremesa.
Tá doendo tanto, mas tanto, que chega rasgar o peito de tanta dor, sabe aquela frase e não é clichê, "só sabe quem passa" e não desejo essa dor pra ninguém. Filha você deu tanta luz, tanta luz pra gente que nem imagina! Por isso escolhi essa foto porque você era assim, iluminava a todos por onde passava! Quem conhece sabe. Tão pequena (um pouco mais de 1 metros rs) mas tão, tão, tão grande que não coube nesta terra e Jesus te chamou pra morar no céu que é uma imensidão. Por onde passava contagiava com sua simpatia, carinhosa, bondosa, humilde... gostava de ajudar as pessoas se visse alguém pedindo comida na rua, já logo comprava um lanche e um refrigerante e dava. Lembra qua do você "adotou" um morador de rua perto da clínica em São Vicente e falava que sempre dava comida pra ele, época de frio quando estudou no Ary queria levar cobertor pesadão para um morador que ficava todo dia ao lado da churrascaria Vila Nova. Você era assim quem conhece sabe, fazia amizade com TODO mundo porteiro, faxineiro... Conversou uma vez gostou, pronto já dizia que era seu amigo, tão doce e ao mesmo tempo tão brava quando mexiam com os seus...
Filha, o Joaquim já sabe que você virou uma estrelinha porque papai do céu precisava de uma dentista muito boa, por isso te chamou, tinha que ser a tia "Feni", a Clarice tá tão estrelinha, tudo dá tchau e manda beijo. É filha não vai ser nada fácil sem você aqui. Te amaremos eternamente, até um dia se Deus quiser.
LEIA MAIS SOBRE O OCORRIDO EM:
sexta-feira, 7 de julho de 2023
Bolsonaro seguirá agindo feito imbecil, mas e Tarcísio?
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A aprovação da Reforma Tributária na Câmara, deixou evidente o fato de que o ex-presidente Bolsonaro perdeu força, e também evidencia que ele continuará agindo como um completo imbecil.
O grande episódio que ajudou ainda mais a piorar a já miserável situação de Bolsonaro, foi o tratamento dispensado a um aliado: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Tarcísio se encontrou com o ministro Fernando Haddad para debater alguns detalhes envolvendo os estados na reforma. Uma reunião normal entre um ministro de estado e um governador. Menos para Bolsonaro.
Bolsonaro vive em sua própria realidade solipsista e ignora o mundo real. Para ele, Tarcísio não é governador de São Paulo, mas sim, um de seus meros lacaios.
Para Bolsonaro, pouco importam as obrigações que o cargo impõe a Tarcísio, que é defender os interesses do estado de São Paulo.
Para Bolsonaro, o mundo deveria girar em torno de seu umbigo horroroso (o qual ainda teve o mau gosto de exibir dias atrás em um ensaio fotográfico sensual).
Aborrecido com o seu ex-ministro, o homem que odeia farofa, fez então aquilo que talvez seja a única coisa que ele sabe fazer muito bem: constranger e humilhar em público seus aliados.
Tarcísio recebeu um convite para participar a uma reunião do PL, partido que Valdemar Costa Neto arrendou ao capitão motociclista.
Tarcísio foi. Dias antes, ele havia declarado à imprensa que convenceria o anunciante de suplemento que foi presidente, a apoiar a reforma. Até eu que sou ingênuo sabia que o resultado seria um só: coliformes fecais.
Durante a reunião, que contou com a presença da nata intelectual do PL, a saber: o astronauta que foi ao espaço e viu a terra plana, Michelle, aquela que gasta dinheiro de amigas, e óbvio o super intelectual herdeiro da coroa brasileira, o príncipe Orleans, Tarcísio passou por poucas e boas.
Antes disso, houve um discurso de Michelle Bolsonaro, onde ela confessa ter realizado um estranho ritual de comer meio quilo de sal com o esposo, que ao seu lado estava aos prantos sem derramar uma lágrima. Evangélicos estranharam o bizarro ritual confessado por Michelle, mas como desculpa esfarrapada, creditaram o ato a Fé muito excêntrica de Michelle.
Então foi a vez de Tarcísio discursar, e aí o show de horrores teve seu auge. Bolsonaro urrava coisas sem sentido interrompendo o governador, enquanto o Príncipe Herdeiro, fazia intervenções grotescas à fala de Tarcísio.
Finalmente, Bolsonaro disse que a reforma não seria aprovada pois todos estavam unidos ao redor de seu umbigo. Foi aplaudido, enquanto palavras nada simpáticas eram proferidas a Tarcísio.
A cereja do bolo foi quando o inútil camarão que ocupou o cargo de presidente, teve a coragem de dizer a Tarcísio que ele é inexperiente na política.
Justo este inimigo dos bons modos a mesa, que achava que governar era sair de moto por aí assediando venezuelanas menores de idade.
O resultado de toda essa galhofa foi a aprovação da Reforma Tributária, repercutindo como uma grande vitória do governo.
Exceto para a Rede Globo, TV que tem uma relação quase sexual com Sérgio Moro, que óbvio, decretou a vitória a Lira e Haddad, "apesar de Lula".
Todo esse processo da aprovação da Reforma Tributária e também a mudança nas regras do Carf, serviu para mostrar que Lula e sua equipe, e porque não grande parte do Congresso está pensando no país.
Enquanto isso, Bolsonaro permanece pensando única e exclusivamente em Bolsonaro. Já deu ordem velada a sua horda de demônios para atacar Romeu Zema e Tarcísio nas redes sociais.
Bolsonaro pretende seguir agindo como um completo imbecil, basta esperar pra ver se Tarcísio e outros aliados a quem o Mito não se fará de rogado na hora de humilhar, continuarão agindo como bajuladores.
Aos aliados de Bolsonaro, aqui vai um recado: hoje, é Tarcísio, amanhã é você. (a espanhola Carla Zanbeli que o diga).
Este sempre foi o modus operandi de Bolsonaro.
CURTINHAS DE BASTIDORES
(essas necessitam de comprovação que eu não tenho como fornecer porque não fui tão trouxa quanto Tarcísio a ponto de ir a esse encontro)
- Durante a fala peculiar de Michelle sobre ritual do sal, Flávio Bolsonaro teria deixado sua marca no banheiro local. O cheiro fazia os presentes mais próximos ao banheiro terem ânsia.
- Braga Netto queria que a reunião terminasse o mais rápido possível, pois estava louco para chegar em casa e assistir a terceira temporada de The Witcher.
- O astronauta deu um cochilo gostoso durante os discursos. Depois se defendeu da indelicadeza explicando que era costume no espaço ficar de olhos fechados para prestar mais à atenção.
- Tarcísio teve de sair escoltado, porque o Príncipe pretendia "deitá-lo na porrada".
- Ao ser questionado sobre Michelle ter comido sal com ele, Bolsonaro teria respondido irritado: "Essa comeu foi é bosta".
quarta-feira, 5 de julho de 2023
Como nossos Pais, ou não?
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"Como Nossos Pais" foi lançada por Belchior em 1976 no álbum Alucinação. Mas a canção foi transformada em hino de uma geração por Elis Regina, no mesmo ano, no espetáculo Falso Brilhante, que depois virou LP.
Além dessa Elis cantava “Velha Roupa Colorida”, também do cearense.
"Como Nossos Pais", no entanto, com seus versos contundentes contra a ditadura militar, que vivia um de seus períodos mais truculentos, se tornou um símbolo da juventude inconformada e da contracultura naquele momento:
"Por isso, cuidado, meu bem / Há perigo na esquina / Eles venceram e o sinal está fechado pra nós / Que somos jovens".
Hoje a canção foi lançada como jingle num clipe celebrando os 70 anos da Volkswagen do Brasil.
A peça publicitária traz ainda como protagonista a cantora Maria Rita contracenando com sua mãe, recriada por IA.
A face de Belchior aparece numa camiseta. O mais irônico é que a montadora alemã colaborou com o regime militar no Brasil, facilitou a prisão de funcionários e se beneficiou do modelo econômico implementado pela ditadura.
Mas, além da crítica ao regime, a música trata especificamente de um conflito de gerações. É uma indireta ácida àqueles que sucumbiram ao poder da grana que corrompe os ideais de juventude:
"E hoje eu sei que quem me deu a ideia / De uma nova consciência e juventude / Está em casa, guardado por Deus / Contando vil metal".
Aqui entra a questão da memória do compositor e da intérprete. Tenho muitas dúvidas se Belchior, caso estivesse vivo e lúcido, venderia uma de suas músicas mais icônicas como jingle de comercial da VW.
Inclusive porque o roteiro da peça publicitária, usando símbolos icônicos da contracultura, pessoas viajando em kombis nos anos 70, músicos, acampamentos na fogueira, um casal transando dentro de um carro, o ideal de liberdade e toda uma estética hippie, para vender uma ideia diametralmente oposta ao que diz a letra da canção.
Belchior, o compositor atormentado, que inclusive morreu no seu auto-exílio completamente avesso à mídia, à publicidade, a qualquer tipo de concessão ao mercado.
Elis por sua vez, por mais tentadora que seja a ideia hipotética de cantar junto com a filha que ela não viu crescer, talvez também não aprovasse a ideia de transformar um de seus maiores sucessos, senão o maior, num jingle enaltecendo um empresa alemã que colaborou com a ditadura que ela tanto combateu.
Mas ela está lá, emocionando as pessoas, incrédulas com as possibilidades da inteligência artificial para promover um carro elétrico, depois de anos de lobby contrário às fontes alternativas promovido pela indústria do combustível fóssil, da qual a VW faz parte.
Além disso a peça apela de uma forma como só a publicidade sabe fazer, à memória afetiva das pessoas. Todo brasileiro nascido antes da virada do milênio já andou num fusca, numa Kombi, numa Brasília, num Karmann-Ghia dos pais, dos avós, de um tio. Mas será que somos mesmo iguais a eles? Não sei, para mim tudo parece meio desonesto e fora de lugar nesse clipe.
TEXTO DE:
Makely Ka, cantor, compositor e escritor
segunda-feira, 3 de julho de 2023
Madrugada
Nenhum silêncio é tão rascante quanto o da madrugada de segunda-feira.
Com a semana, começa o trabalho, isso para quem pode tê-lo. A maioria reabre as portas da desesperança.
Quem ainda tem algum conforto alimenta sua jornada de segunda até sexta ou sábado.
Assim, vamos preenchendo os dias, fazendo do tempo escasso o sentido da vida. Festa, talvez sexta ou sábado ou domingo.
Sorte dos artistas em não ter o começo da segunda como o marco laboral.
Os trens e ônibus estão cheios de luta, esperança, dor e cansaço.
As ruas vazias celebram uma volta improvável à normalidade.
São quatro da manhã e lá vem uma nova semana útil. Útil mesmo? Para que? Para quem?
Engraçado que eu mesmo, diante da tragédia, tenho o privilégio de só ir para o trabalho às duas da tarde ou sequer ir hoje. Mas acontece que não me sinto bem.
Foram muitos e muitos anos de pressão à essa hora exata para começar uma nova jornada, então ainda não estou livre disso.
Nossa vida é under pressure. Folga, no máximo, para as crianças com recursos familiares. A maioria não tem nada, mas fingimos que há plena democracia.
Para garantir nossa sanidade, desprezamos nossos irmãos sofrendo na porta de nossas casas.
Vem aí uma nova semana. Deus quer. O homem é que humilha o homem.
TEXTO DE:

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