sábado, 29 de outubro de 2022

Bolsonarismo de Mãos Dadas com a Intolerância

 

O bolsonariosmo se comporta como um movimento criminoso em muitos momentos. Fora as relações nada republicanas nas redes sociais em relação às instituições, as agressões a adversários, e o infinito arsenal de Fake News, os bolsonaristas agora passaram a novas modalidades de crimes.

Agressões físicas nas ruas, ameaças de demissões em empresas (que configura assédio), e invasões a eventos religiosos.

Em pleno 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, considerada pelos católicos como a padroeira maior de sua igreja, bolsonaristas alcoolizados e provavelmente sob efeito até mesmo de drogas mais fortes, invadiram a Catedral, para agredir supostos adversários, imprensa e até mesmo arcebispos.



Eles hostilizaram jornalistas da TV Aparecida, ligada ao Santuário Nacional de Aparecida.

Profissionais da TV Vanguarda também foram hostilizados enquanto cobriam a ida do presidente Bolsonaro a Aparecida.

Depois disso, em vários locais do país, bolsonaristas disfarçados de fiéis passaram a interromper missas e agredir verbalmente padres, bispos, etc.

A desculpa para esse comportamento é a mesma imbecilidade de sempre: acusar todos os que não se curvam ao líder supremo de comunistas.

Definitivamente, o Brasil precisa dar um basta nessa sem-vergoinhice disfarçada de patriotismo.






As imagens são do site Metrópoles.










quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Os Eleitos em Mato Grosso do Sul

 

A eleição presidencial deste ano vai ser decidida no segundo turno. O mesmo ocorre com a eleição para a vaga de governador de Mato Grosso do Sul.

Eduardo Riedel (PSDB), enfrentará Renan Contar (PRTB).

Mas esta eleição ficou marcada pela interferência da justiça. O ex-prefeito da capital Marcos Marcello Trad (PSD), foi denunciado por suposta prática de crimes sexuais. A denúncia veio em pleno período eleitoral, e logo após o prefeito se descompatibilizar do cargo para disputar a vaga de governador.

Outro caso, o candidato do PCO, Magno Souza teve a candidatura indeferida pelo TRE e sua votação acabou sendo considerada nula.

Para a vaga de senador do estado, com um mandato de 8 anos, foi eleita Tereza Cristina, candidata do Partido Progressista. Para grande alegria dos fazendeiros do estado.

Para as vagas de deputado federal, nomes costumeiros como de Dagoberto Nogueira, Geraldo Resende, Beto Pereira e Vander Loubet, ocupam algumas das 8 cadeiras pertencentes ao estado.

Já a Assembleia terá novamente nomes como Paulo Correia, Zé Teixeira, Pedro Kemp e Londres Machado. A novidade fica com a chegada do ex-governador Zeca do PT.


Os rumos dos próximos anos do estado estarão nas mãos destes representantes eleitos.









sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O Povo é o Último Bastião Contra o Autoritarismo

 

Entraremos para a história, como a geração que fracassou politicamente. E as gerações futuras terão muito material para sentir vergonha e aversão a este momento que estamos vivendo.

Achamos normal, uma presidente eleita ser retirada do cargo sem praticar crime administrativo, pelo simples motivo de revanchismo. Assistimos inertes um Congresso manipular os fatos, e votar um processo de impeachment com transmissão em TV aberta, com ares de produção cinematográfica.

Aplaudimos a atuação nefasta de um juiz em parceria com promotores e alas da justiça, apoiados pela poderosa Rede Globo. Este mesmo juiz condenou (e teve sua decisão referendada pelos Tribunais Superiores), sem provas um ex-presidente da República.

Vimos com satisfação, este mesmo ex-presidente ser preso durante 580 dias, e pouco nos importamos se este mesmo juiz, noventamente em parceria com a Rede Globo, manipulou informações para induzir o STF a erro, e alcançar seus objetivos.

Graças a esta manipulação, o Ministro Gilmar Mendes negou um Habeas-corpus preventivo ao ex-presidente, e assistiu o condenado ser conduzido à sua cela no dia seguinte.

Vale ainda citar que o mesmo juiz, logo depois abandonou a magistratura para se tornar ministro do presidente que ajudou a eleger. E atualmente durante sua campanha de candidatura ao Senado, afirmou que ele e o atual presidente tem um mesmo inimigo histórico: o PT. Só não disse se essa relação já existia quando burlou os processos contra o ex-presidente preso.

E por fim, desde 2019, assistimos ao atual presidente atuar de forma criminosa e vergonhosa, atentando contra a democracia e contra as instituições.

Blindado pelo mesmo Congresso que causou uma presidente sem motivo, comprado por um orçamento secreto. Blindado pela atuação nojenta de uma procuradoria-geral da República que atua como a espécie de assessoria jurídica do presidente.

A última escalada de mentiras e ataques criminosos foi contra a Justiça Eleitoral, com foco principal nas urnas eletrônicas, na tentativa de impedir o processo eleitoral e tentar se perpetuar no poder, já que lhe falta coragem (e apoio total dentro das Forças Armadas, evidente) para tentar um golpe de estado abertamente.

Mas, isso não foi o suficiente. Eles não tem limites. A falta de caráter alcançou ultrapassou todos os limites. Impossibilitado de evitar as eleições, restará ainda criar a das maiores vergonhas pela qual já passou a nação brasileira.

A criação de um candidato fake.

A justiça mais uma vez atua de forma covarde e vergonhosa, permitindo que um candidato entre na disputa mesmo sob flagrante crime de falsidade ideológica. Permite que o partido do presidente (PL), apresente um relatório forjado e criminoso sobre o processo eleitoral. Permite que uma chapa que praticou crime eleitoral em parceria com o Congresso continue na disputa. O golpe legiferante das PECs dos auxílios (compra de votos com dinheiro público oficializada), segue adiante, sem que nenhuma providência seja tomada.

Só existe uma força que pode dar fim a este descalabro que vem ocorrendo no país: o povo.

O povo, através das urnas e não das armas, do voto e não das mentiras, pode por fim a esta escalada de autoritarismo dentro do Brasil.

O povo, é o último bastião de resistência a este mal que vem tomando espaço e contaminando todo o país.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

O Manifesto Cironaro à Nação

 

Advinha quem criticou a imprensa, o STF, as pesquisas eleitorais e alegou ser o único político honesto que lutará contra "o sistema"?

Quem usou tropa de choque na Internet para atacar jornalistas e adversários?

Quem disse que quando eleito, irá atropelar o Congresso Nacional, apoiado na suposta força do povo que o elegeria?

Se você pensou em Jair Bolsonaro, errou feio, pois a resposta correta é Ciro Gomes.

Ciro que iniciou a campanha como candidato a presidente, termina como candidato a um novo Bolsonaro.

Um Bolsonaro mais à esquerda, com mais vocabulário, mais leitura, porém, igual em temperamento.

Ciro Gomes disse tantas barbaridades em seu "manifesto à nação", que chegaria a deixar Bolsonaro com a face corada, se este último tivesse um mínimo de vergonha na sua cara sebosa.

Muitos eleitores na época das pré-candidaturas, tinham a intenção de votar em Ciro Gomes no primeiro turno. Porém, conforme foram se dando os fatos, o próprio Ciro foi convencendo os eleitores a migrarem para o famoso "voto útil" ao Lula.

O motivo é meio óbvio: este mesmo discurso pavimentou a chegada de Bolsonaro ao poder e causou uma desgraça atrás da outra. Até mesmo por isso, quem poderia acreditar no mesmo discurso agora?

Ora, e por que alguém seria obrigado a confiar que Ciro conduziria o país a um caminho diferente do de Bolsonaro se ele usa o mesmo discurso para vencer a eleição? Ou ao menos para evitar que Lula vença logo no primeiro turno?

Ciro já chegou a reproduzir a ideia mais difundida entre os bolsonaristas: a extinção total do PT.

Em suma, Ciro, já pensa em 2026. Ele mesmo disse que não faria mais campanha para ladrão nem que o pau tore (sic), referindo-se ao atual candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, em uma entrevista.

Ciro não cansa de repetir que Lula não foi inocentado. Que isso seria uma narrativa do PT. Essa é uma meia verdade. Realmente, Lula não foi inocentado, pois para que isso ocorresse teríamos de considerar que os processos contra o ex-presidente foram legítimos.

Porém, os processos contra Lula foram anulados pois o juiz responsável pela condenação foi considerado suspeito e incompetente (aquele juiz que após a condenação foi ser ministro daquele que ajudou a eleger). Isto, Ciro ignora solenemente.

Por fim, o que restará para Ciro Gomes?

Talvez nem mesmo o PDT, pois é impossível que o partido apoie Bolsonaro em um possível segundo turno, como Ciro vem fazendo objetivamente neste primeiro turno.

É praticamente o fim melancólico de uma carreira política longa e produtiva.

Como diria Leonel Brizola: a política ama a traição, mas odeia o traidor.

Mesmo que Ciro esteja apenas traindo a si mesmo e sua trajetória política, tendo inclusive atuado por anos nos governos petistas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

O Furibundismo Golpista

 

Chaves e Bolsonaro na onda do populismo barato
Se Bolsonaro abandonasse o golpismo e só fizesse, a partir de agora, um discurso totalmente democrático, as eleições deste ano estariam, ainda assim, miseravelmente manchadas pela canalhice política, intelectual e moral.

A PEC que libera benefícios sociais a caminhoneiros e taxistas é uma aberração, um crime eleitoral, criado pelo presidente e aceito pelo Congresso.

Frauda, de uma só vez, a Lei Eleitoral, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituição. E, no entanto, na melhor das hipóteses para o Estado de Direito, o Supremo pode vir, no máximo, a declarar inconstitucional o estado de emergência.

O golpe legiferante, como sabemos, foi desferido em parceria com o Centrão, numa armadilha meticulosamente montada por Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, que divide o controle do governo com Ciro Nogueira (PP-PI), outro líder do Centrão, que também ocupa a chefia da Casa Civil (esteve, lembre-se, presente à fatídica reunião de Bolsonaro com os embaixadores estrangeiros.

Ocorre que o golpe meramente eleitoreiro não aplaca a sanha canalha e golpista de Bolsonaro. Além de não ser uma garantia de que vá vencer a eleição, não atende a seus anseios de ditadorzinho populista mequetrefe. Ele não quer um segundo mandato para governar o Brasil e implementar um conjunto determinado de medidas. Isso é coisa própria de políticos que têm uma agenda, um conjunto de convicções, um eixo de governança (embora não sejamos obrigados a concordar com elas).

Bolsonaro não tem nada. Como não tinha em 2018. Puxem pela memória. Venceu a disputa, levou a Presidência, passou a ser o homem mais poderoso da República, e nem por isso seu discurso se tornou menos furibundo.

Segue o mesmo padrão de furibundismo típico dos ditadores da América Latina. O que mais há de semelhante a Hugo Chaves no mundo, hoje, chama-se Jair Bolsonaro.

Sei que muitos da Esquerda Brasileira, se ofendem com esta comparação, por acreditarem ser Hugo Chaves um líder de esquerda. Porém, jamais consideraria Chaves um político progressista, ou sequer de esquerda. Isso porque, talvez, eu tenha mais em conta a esquerda política do que estes próprios esquerdistas denominacionais.

Chaves está para Bolsonaro, assim como Bolsonaro está para Chaves.

As últimas eleições presidenciais no Brasil foram marcadas por excepcionalidades. Em 2014, um acidente aéreo, tirou a vida de Eduardo Campos, candidato ao cargo de presidente. Em 2018, foi uma facada desferida em Bolsonaro, por Adélio Bispo, um psicopata.

Agora, em 2022, as excepcionalidades são várias. Além das PECs criando benefícios proibidos em ano eleitoral, há a participação ativa de parte das Forças Armadas em tentar evitar que as eleições transcorram de forma legal.

Parte da culpa recai sobre o Ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, que convidou o Exército a participar de uma comissão eleitoral.

Membros do comando das Forças Armadas passaram a colocar sob desconfiança o trabalho do STE, e atacar as urnas eletrônicas, além dos pedidos absurdos e impraticáveis fetos pelos militares membros da Comissão feitos à Justiça Eleitoral.

Como as Forças Armadas sempre atuaram no auxílio logístico dos pleitos, cabe a este colunista, humildemente, perguntar:

Podemos confiar totalmente na integridade das Urnas que estiverem sob a guarda das Forças Armadas?

Somente o tempo poderá responder.

Outra pergunta que será respondida pelo tempo, mas que evidentemente já desconfiamos da resposta, será o comportamento de Bolsonaro após sua mais que certa derrota nas urnas.

Há ainda quem duvide que ele está sendo chamado de Trump dos Trópicos à toa?

Ele tentará de todas as maneiras se agarrar ao cargo, e não duvide, que seria inclusive capaz de cometer as mesmas barbáries cometidas pelo Trump original, após sua derrota nas eleições americanas.

O resultado pode ser muito ruim para o Brasil, o golpe dando certo ou não.

Pelo voto ou pelo golpe, a manutenção de Bolsonaro na presidência da República seria por si só, uma catástrofe.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A broxabilidade do imbroxável

 

Michelle gorfa após beijo

A cada ato novo no seu mandato, Jair Bolsonaro deixa evidente seu desvio de caráter, seu descontrole emocional e sua necessidade patológica de tentar provar sua masculinidade.

O último 7 de Setembro, celebração dos 200 anos da Proclamação da República foi marcado pela que é a pior e mais grotesca manifestação pública de um presidente na história da América Latina, quiçá do mundo moderno.

"Imbroxável! Imbroxável! Imbroxável!

Foi a palavra gritada pelo desequilibrado que ocupa a cadeira de presidente do país.

Para podermos entender quão lastimável é essa situação precisamos lembrar alguns fatores que não podem ser ignorados.

O primeiro é o fato de que o atual governo já teria ido a nocaute há muito tempo, não fosse a ajuda do STF, que fechou os olhos a inúmeras inconstitucionalidades que ocorrem desde 2019, quando da posse de Bolsonaro.

A reforma da previdência foi inconstitucional, a PEC dos precatórios foi inconstitucional, a atuação do presidente na Pandemia foi criminosa, a PEC do ICMS foi inconstitucional, o benefício concedido a caminhoneiros foi inconstitucional e ilegal, o benefício concedido aos taxistas foi inconstitucional e ilegal. Tudo isso, foi feito sem que o STF causasse problemas.

Os benefícios aos taxistas e caminhoneiros fere inclusive a Lei Eleitoral. O que constitui crime eleitoral por parte do presidente com aval do Congresso, e com prevaricação do STE.

É a oficialização da compra de voto com dinheiro público.

Mas, apesar desse golpe legiferante praticado às vésperas da eleição, os números das pesquisas são cruéis com Bolsonaro. Até mesmo depois dos primeiros pagamentos dos benefícios concedidos, Lula ainda aparece na frente e com possibilidades concretas de vencer inclusive no primeiro turno.

Tudo isso vem deixando ainda mais perigosa a sanha de Bolsonaro por um golpe de estado, que o colocaria como uma espécie de ditador, evitando assim que ele tenha de deixar o cargo e encarar a justiça pelos crimes comuns cometidos no mandato, e que não prescrevem.

Então, veio o 7 de setembro. Dia ideal para que Bolsonaro arregimentasse seus fanáticos e envergonhasse as Forças Armadas obrigando-as a servir como uma espécie de tropa mercenária pessoal.

E então chegamos ao grande momento do dia:

"Imbroxável! Imbroxável! Imbroxável!

Bolsonaro não escuta seus assessores, e quando escuta, escolhe sempre seguir os conselhos daqueles que são tão ou mais imbecis.

Até por isso, decidiu discursar. Porque, para quem já cometeu ilegalidades com dinheiro público, movimentando tropas para um discurso eleitoral (outro crime que o STE não vai sequer comentar) que diferença faria somar a isso algumas frases golpistas?

Durante o discurso, Bolsonaro não satisfeito em atacar os adversários (atacou evidentemente, Lula), precisava também atacar a esposa de seu adversário.

Ele inicia a fala tentando fazer uma comparação entre as duas mulheres, mas evidentemente, até mesmo ele percebeu que o tipo de comentário que pretendia poderia soar muito ruim e causar mais prejuízos a sua já combalida situação em relação ao eleitorado feminino.

Ele então resolve elogiar sua esposa Michelle. Mas, após um beijo que visivelmente causou mal estar na primeira dama, Bolsonaro não resiste aos próprios instintos de macho imbroxável.

O beijo diante de uma plateia assanhada pelo feromônio golpista, deu-lhe aqueles calores das partes baixas.

"Imbroxável! Imbroxável! Imbroxável!

Foi o grito de macho. O grito de homem. Homem que de tão macho precisa o tempo todo tentar convencer não só aos outros, mas a si mesmo de que é macho.

Pode ser que na intimidade (para azar da primeira dama) o presidente seja imbroxável.

O que é realmente broxável, é o atual governo.

Economicamente é uma broxabilidade total nas mãos do burocrata comunista búlgaro da década de 60 imbroxado de liberal, também conhecido como Paulo Guedes.

Administrativamente, a broxabilidade do governo é dividida com os igualmente broxáveis Arhtur Lira e Rodrigo Pacheco.

O preço dos alimentos é outra broxabilidade. Só que esta acaba por imbroxar a vida de milhões de brasileiros.

Bolsonaro pode ser imbroxável, mas vem imbroxando cada vez mais, inclusive sua massa de seguidores fanáticos não-broxáveis.

Pois foi mais um golpe sem ser golpe.

Com direito a convocação erétil:

"Vamos para as ruas por uma última vez!"

Viagrou o presidente durante mais um de seus discursos inflamados, convocando para o dia 7 seus seguidores.

Os imbroxáveis foram às ruas. Mas o golpe broxibilizou.

Foi o golpe broxável.

"Imbroxou! Imbroxou! Imbroxou!"

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Bolsonaro Pode Negociar Anistia Caso Golpe Falhe

 

Braga Netto segurando o grito de golpe
Um dia após a criminosa tentativa de Donald Trump fraudar o resultado da eleição americana incentivando uma invasão ao Capitólio, o presidente brasileiro colocou o nosso processo eleitoral sob suspeita. Bolsonaro, o “Trump dos Trópicos” disse desconfiar dos nossos mecanismos de apuração.

“Se não tivermos... uma maneira de auditar os votos, teremos problemas maiores que os Estados Unidos”, disse ele no curralzinho onde costuma conversar com seu gado.

O Brasil ainda é a maior democracia da América Latina, e realizará sua eleição mais importante em décadas, no mês de outubro.

De um lado, Luís Inácio Lula da Silva, ex-metalúrgico que ocupou a presidência do país entre 2003 e 2010. Do outro, Jair Bolsonaro, um ex-militar que foi expulso do Exército por sua conduta indisciplinada e ocupa a cadeira da presidência desde janeiro de 2019.

Na última eleição em 2018, a condenação vinda de um juiz suspeito é incompetente, tirou Lula da disputa e pavimentou a vitória de Bolsonaro. Mas as atuais pesquisas apontam a vantagem de dois dígitos de Lula em relação ao adversário, confirmando sua provável vitória.

O momento para Bolsonaro não é nada agradável. Ele não pode mais alegar ser um outsider político e se mostrou uma farsa quanto ao combate à corrupção após estes 3 anos de um mandato marcado  por escândalos e conduta criminosa.

Com a fome atingindo níveis não vistos há décadas, os eleitores vão lembrar que as políticas de Lula uma vez ajudaram a colocar comida em seus pratos. Poucos esquecerão que a conduta criminosa de Bolsonaro ajudou a produzir mais de 660 mil mortos na Pandemia de Covid.

LADAINHA POPULISTA

Apavorado pela possibilidade de derrota para Lula, Bolsonaro mente que se o adversário vencer, o Brasil se tornará uma Venezuela, um “vagão no trem do socialismo”. Porém Lula é considerado como parte da esquerda democrática, muito distante dos socialistas incompetentes que governam a Venezuela.

Muitos suspeitam que o medo de Bolsonaro não é só da perda do andar, mas também, da perda da imunidade do cargo e perda do controle sobre a Polícia Federal. Isso o deixaria exposto a uma série de ações judiciais e processos criminais.

Em agosto passado, ele disse:

“ Tenho três alternativas para o meu futuro: ser preso, morrer ou vencer”.

Com as probabilidades de derrota batendo em sua porta o presidente pretende reescrever o livro de regras. Em 13 de Julho, o Congresso aprovou uma emenda constitucional permitindo que o governo ultrapasse os limites anteriores de gastos em um ano eleitoral.

Isso permitirá uma espécie de compra de votos explícita e oficializada a poucos dias da votação.

Ele também está semeando dúvidas sobre as eleições. Aos seus fanáticos ele afirma que somente será derrotado em caso de fraude, e sugere que pode contestar o resultado das eleições. Falta-lhe coragem para admitir abertamente, mas a sua intenção é não passar o cargo ao seu sucessor.

Diferente dos EUA, onde Trump tentou intimidar as autoridades eleitorais locais, com ações judiciais, no Brasil o sistema eleitoral é centralizado, o que anularia tal tática.

As eleições no Brasil, desde a década de 40, são comandadas por tribunais eleitorais independentes, cujo órgão máximo é o Tribunal Superior Eleitoral, composto por 7 ministros, incluindo 3 do Supremo Tribunal Federal.

Não existe até hoje, nenhuma fraude comprovadamente ocorrida através da votação em urna eletrônica.

Suponhamos que Bolsonaro perdesse, e então?

Ele teria várias semanas até a posse do vencedor. Ele poderia contestar o resultado legalmente através do TSE. Dois tipos de ações poderiam ser levadas ao Tribunal:

Uma ação de inquérito judicial eleitoral, que pode ser proposta antes da eleição, e geralmente, refere-se a irregularidades de campanha.

A outra ação, é uma contestação a um mandato eleitoral. A Constituição Federal diz que um mandato pode ser formalmente investigado se houver evidências de abuso econômico, corrupção ou fraude. Isso deve acontecer no prazo de 15 dias após o vencedor ser certificado em dezembro. O resultado pode ser anulado e um novo vencedor declarado.

Tal procedimento, envolveria muitos personagens da República. Partidos poderiam fornecer provas. O procurador-geral, Augusto Aras, conhecido sabujo de Bolsonaro, poderia oferecer um parecer jurídico. Mas a decisão final caberia ao Supremo Tribunal Federal.

Historicamente, esse tipo de ação é rara nas eleições presidenciais, embora sejam comuns nas municipais. O TSE abriu sua primeira ação para contestar o mandato de um presidente empossado em 2014, depois que a oposição  contestou o mandato de DILMA Roussef, sucessora de Lula. Ainda assim, atuou com cautela, adiando qualquer julgamento até que o Congresso a retirasse do cargo através de um impeachment.

As queixas do PT de que notícias falsas influenciaram o resultado da eleição de 2018, vencida por Bolsonaro, também não deram em nada. Os tribunais não anularão resultados sem fortes evidências de irregularidades. É improvável que desqualifiquem o candidato vencedor.

Bolsonaro pode não querer contar apenas com os tribunais. Suas relações com os ministros nem sempre são cordiais. Em abril ele concedeu um indulto ao deputado Daniel Silveira, que ameaçou a vida de ministros do STF.

O presidente se refere ao ministro Edson Fachim, como “aquele que tirou Lula da cadeia”.

No STF, Fachim anulou as condenações de Lula, tentando livrar o ex-juiz e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro dos processos de suspeição.

Em julho, Bolsonaro insinuou que Fachim “já sabe” o resultado da eleição (como se o próprio Bolsonaro já não soubesse que será derrotado).

Além de todas essas bobagens, Bolsonaro insiste na mentira de que o sistema de votação eletrônica é suscetível a fraudes.

O sistema é utilizado desde 1996 sem indícios de irregularidades. Sem nenhuma prova, Bolsonaro está sendo investigado por produzir fake news sobre o TSE.

Pode ser mais difícil para Bolsonaro do que para Trump persuadir muitas pessoas de que uma eleição justa foi “roubada”. Em maio, 73% da população disse confiar nas urnas eletrônicas.

No entanto ele obriga o STE atual sempre na defensiva. O exército até maio de 2022 já havia enviado 88 questionamentos sobre vulnerabilidade do sistema eletrônico, muitas delas dando eco as asneiras de Bolsonaro. O papel das Forças Armadas geralmente se resume ao transporte e proteção das urnas eletrônicas.

Este ano, o TSE convidou as Forças Armadas para integrar uma comissão de transparência para rebater a alegação mentirosa sobre fraude. Mas agora o exército tenta criar o seu próprio sistema eleitoral, que tem como objetivo garantir a vitória de Bolsonaro.

O presidente parece empenhado em minar a confiança nas instituições democráticas. Antes da última eleição, seus apoiadores espalharam notícias falsas sobre seus oponentes. Desde então, a bozosfera se expandiu. No WhatsApp e no Telegram, seus apoiadores descartam os pesquisadores e cientistas e compartilham pesquisas mentirosas e criminosas. Sites de desinformação se multiplicam. Quase um terço da população acredita que a eleição pode ser fraudada.

As desavenças de Bolsonaro com o judiciário e a imprensa, coincidem com exageros do Congresso. Lá, ele conquistou políticos ao distribuir cargos ministeriais e fatias de um orçamento secreto que totalizaram R$ 4,9 bilhões em junho.

Naquele mesmo mês, senadores evitaram por pouco aprovar uma disposição de estado de emergência para a emenda constitucional que poderia ter dado ao presidente amplos poderes sobre o orçamento.

Os truques de Bolsonaro podem ser comparados com os de Viktor Orban, primeiro ministro da Hungria, que desmereceu de maneira abrangente os tribunais e todo mídia de seu país, e conseguiu influenciar o campo eleitoral a seu favor. Bolsonaro apesar de ter se encontrado com Orban, não conseguiu reproduzir nenhuma destas coisas.

No entanto, seus adversários temem que se a votação estiver apertada, ele possa alegar que foi que foi roubado da vitória e tentar se agarrar ao cargo de maneira suja. Ele pode tentar despertar uma multidão insurrecional, como Trump fez no ano passado. Ele pode inspirar um motim dentro da Polícia Militar ou do Exército. Ele poderia até tentar um golpe. A última opção é extrema, mas o Brasil só saiu de uma de uma ditadura militar em 1985. Bolsonaro não esconde sua saudade reacionária dos bons e velhos tempos de torturas e assassinatos realizados pelo estado contra seu próprio povo.

O Brasil nunca enfrentou verdadeiramente seu passado ditatorial. Alguns militares dentro do Exército ainda acreditam que têm o direito de tomar o poder no país.

O companheiro na chapa de Bolsonaro, o general aposentado Walter Braga Netto, muitas vezes tenta assustar com sua linguagem agressiva, por vezes beirando a imbecilidade. Ele chegou a dizer: “Ou temos eleições limpas, ou não teremos eleições”. Nos EUA, ninguém pensou que o Exército apoiaria a tentativa de golpe de Trump. No Brasil ninguém tem certeza do que o alto escalão pode fazer.

Ainda há uma parcela de otimistas que duvidam que o Exército entre na aventura de Bolsonaro. As condições são muito diferentes de 1964, quando o exército assumiu o poder pela última vez. Depois teve o apoio das elites empresariais e modifica-se dos EUA e de parte do Congresso Nacional. É difícil imaginar qualquer desses grupos apoiando um golpe agora. A maioria dos apoiadores do presidente também não apoia a ideia. Mas existem centenas que clamam pelo golpe desde o dia de sua posse.

Um risco maior é uma divisão dentro das Forças Armadas. Em 1964, foi um general de três estrelas que iniciou o golpe, não um general de quatro estrelas. Os analistas também observam as Polícias Militares que superam o número de soldados. Muitos apoiam Bolsonaro e podem aderir aos protestos se ele perder e podem se recusar a reprimir protestos violentos de bolsonaristas. Este é o resultado mais provável. Esta eleição tem muito em comum com algumas disputas explosivas da América Latina dos últimos anos.

No dia 9 de julho, um agente penitenciário federal vociferando imbecilidades em apoio a Bolsonaro, matou um membro do PT. O presidente não condenou o assassinato em momento algum, e seus fanáticos continuam belicosos. Alguns temem que no dia 7 de setembro possa ocorrer uma tentativa de impedir as eleições.

Há uma outra maneira de as coisas se desenrolarem. Se Bolsonaro perder, pode negociar sua saída em troca de imunidade, o que os analistas chamam de “transição pactuada”. Assim terminou o regime militar. Se ninguém acabar sendo responsabilizado, poucos ficarão satisfeitos. Mas é uma triste realidade para o Brasil, que está possa ser a saída menos traumática e perigosa para o país.

 

O TEXTO É UMA ADAPTAÇÃO DE UM ARTIGO DO JORNAL economist.com